sexta-feira, 10 de junho de 2011
Palavra
“Falar é muito fácil, fazer é que é difícil.”
Não só difícil, mas hoje em dia, em grande parte das vezes é sabido mesmo que não vai ser feito.
A cada dia se torna muito cômodo falar, sem ter a responsabilidade de fazer.
há poucas semanas republiquei um artigo, falando sobre honra, e nele já me referi sobre a palavra e sua validade. Sim estou sendo repetitivo.
Nos tempos remotos, quando ainda não haviam tantos documentos e quando a honra e a dignidade eram fator preponderante para a definição do caráter de um homem, a Palavra era suficiente.
Cumprir com o que se dizia, não era apenas uma questão de lealdade, era uma marca e quem desviava dessa marca, muitas vezes era punido. Pagando até, com a própria vida.
Com o passar do tempo a Palavra perdeu muito do seu valor. Definhada por mentiras infindáveis, ausência de dignidade e respeito por parte de muitos humanos, a Palavra precisou ser substituída por papéis, que mesmo assim, em muitos casos continuam sem valor, pois o escrito passou a ser interpretado, tornando advogados mais importantes do que os acordos firmados.
Nem mesmo a assinatura basta para que seja cumprido o que foi escrito, para que seja feito o que foi determinado, para que tenha sentido o que foi combinado.
Hoje em dia, o que move o homem é a ganância, à vontade de tirar proveito sobre a inocência de poucos, sobre a falta de inteligência de muitos.
O importante é ter poder, ter reconhecimento perante aqueles que governam, ter uma imagem, mesmo que construída sobre uma linha tão fina, que possa ser dissolvida a qualquer momento.
Uma imagem que transmita personalidade, responsabilidade, que atraia votos, que atraia pessoas para seu lado.
Enfim, conquistas. Depois de alcançar esses objetivos, vem o esquecimento, não o próprio, mas a aposta no esquecimento das pessoas, na falta de coragem da cobrança e na dissimulação, que permite ao homem dizer que não disse o que havia dito, que não sabia o que todos viam, que assinou aquele papel, sem saber o que estava escrito.
Ainda bem que existem as raras exceções. Pessoas que ainda primam pela honestidade, dignidade e que assinam documentos, sabendo que seria desnecessário, pois apenas a Palavra bastaria. Pessoas que têm orgulho, que tem satisfação em mostrar que apenas prometem o que têm condições de cumprir.
Felizes aqueles que podem, ao menos, olhar para o espelho e para os olhos dos outros e podem dizer a si mesmos e aos demais, o que farão e que no retorno para casa, podem se encarar de novo, satisfeitos em poder deitar e dormir, sabendo que sua Palavra ainda tem valor.
Photo by Brett Jordan on Unsplash
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