terça-feira, 28 de abril de 2015

Fofoca



Durante o chá da tarde, Dona Cotinha conversa com sua ilustre convidada, Dona Maricota, sobre o novo vizinho, que ela considera um desqualificado, e que segundo ela, vive atormentando seu sossego .

- Até agora não acredito como esse Sujeitinho conseguiu arrumar dinheiro para morar no nosso bairro. Um maltrapilho, que chega em casa todo dia de madrugada, com certeza bêbado. Eu o vejo pela janela e o cara de pau ainda tem coragem de acenar para mim. Eu o ignoro! – Humpf!

- Nossa Amiga, que coisa, de madrugada!?

- Sim Maricota e isso não é tudo, ele tem duas mulheres! Uma que fica em casa durante o dia e sai à noite e agora, aproveitando que ela não está em casa quando ele chega, está vindo com outra escondido! E bem mais nova do que ele! Um sem vergonha! Se bem que a mulher dele não deve ser flor que se cheire também.

- Nossa Amiga, que coisa! Que família estranha!

- Pois é. No último fim de semana que aconteceu a situação mais esquisita, Ele chegou em casa com a amante e a mulher dele não tinha saído. E depois de algum tempo os três saíram juntos, e voltaram umas horas depois, todos com cara de bêbados e a amante parece ter apanhado, pois estava curvada, como se sentisse dor. Uma subversão! Pensei até em chamar a Polícia!

- Nossa Amiga, você deveria ter chamado mesmo!

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- Querida, você não acha essa Dona Cotinha esquisita? Todo dia quando chego do Hospital ela está na janela, mesmo sendo quase meia-noite. Eu a cumprimento, mas ela vira a cara e volta para dentro da casa dela.

- Ah Amor, não sei, só sei que nos dias que estou de plantão e saio de casa, ela também está na janela me olhando, chacoalhando a cabeça negativamente, como se eu fosse uma bandida, ou uma coitada.

- Desde que minha irmã mais nova chegou para passar esses dias conosco ela parece piorar. Toda vez que chegamos depois que eu vou busca-la depois do passeio dela, a Cotinha olha para nós com uma expressão de incredulidade.

-É mesmo! E quando ela ficou doente no meio da noite e tivemos que leva-la para o Hospital! Nossa, ela parecia inconformada com alguma coisa quando saímos de casa e estava com um ar estranho de satisfação quando voltamos. Quando sua irmã tropeçou pela sonolência dos remédios eu quase vi um sorriso no rosto daquela maluca.

-É, existem pessoas estranhas nessa nossa vizinhança...

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