Durante o chá da tarde, Dona Cotinha conversa com sua
ilustre convidada, Dona Maricota, sobre o novo vizinho, que ela considera um desqualificado, e que segundo ela, vive atormentando seu sossego .
- Até agora não acredito como esse Sujeitinho conseguiu
arrumar dinheiro para morar no nosso bairro. Um maltrapilho, que chega em casa
todo dia de madrugada, com certeza bêbado. Eu o vejo pela janela e o cara de
pau ainda tem coragem de acenar para mim. Eu o ignoro! – Humpf!
- Nossa Amiga, que coisa, de madrugada!?
- Sim Maricota e isso não é tudo, ele tem duas mulheres! Uma
que fica em casa durante o dia e sai à noite e agora, aproveitando que ela não
está em casa quando ele chega, está vindo com outra escondido! E bem mais nova
do que ele! Um sem vergonha! Se bem que a mulher dele não deve ser flor que se
cheire também.
- Nossa Amiga, que coisa! Que família estranha!
- Pois é. No último fim de semana que aconteceu a situação
mais esquisita, Ele chegou em casa com a amante e a mulher dele não tinha
saído. E depois de algum tempo os três saíram juntos, e voltaram umas horas
depois, todos com cara de bêbados e a amante parece ter apanhado, pois estava
curvada, como se sentisse dor. Uma subversão! Pensei até em chamar a Polícia!
- Nossa Amiga, você deveria ter
chamado mesmo!
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- Querida, você não acha essa Dona Cotinha esquisita? Todo
dia quando chego do Hospital ela está na janela, mesmo sendo quase meia-noite.
Eu a cumprimento, mas ela vira a cara e volta para dentro da casa dela.
- Ah Amor, não sei, só sei que nos dias que estou de plantão
e saio de casa, ela também está na janela me olhando, chacoalhando a cabeça negativamente, como se eu fosse uma
bandida, ou uma coitada.
- Desde que minha irmã mais nova chegou para passar esses
dias conosco ela parece piorar. Toda vez que chegamos depois que eu vou busca-la depois do passeio dela, a Cotinha olha para nós com uma expressão de incredulidade.
-É mesmo! E quando ela ficou doente no meio da noite e
tivemos que leva-la para o Hospital! Nossa, ela parecia inconformada com alguma
coisa quando saímos de casa e estava com um ar estranho de satisfação quando
voltamos. Quando sua irmã tropeçou pela sonolência dos remédios eu quase vi um
sorriso no rosto daquela maluca.
-É, existem pessoas estranhas nessa nossa vizinhança...

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