A palavra liberdade pode ter infinitas interpretações, pois tem conotação exclusiva e individual para pessoas e momentos.
Um preso que tem sua pena terminada e vai voltar às ruas,
uma vítima de sequestro que é libertada, uma pessoa que se define como “livre”
quando termina um relacionamento, uma pessoa que sai de um avião depois de 12
horas de voo, alguém que chega ao topo de uma montanha e abre seus braços para
sentir o prazer de estar lá e se sente livre de tudo, um motorista que consegue
escapar da marginal e encontra o trajeto bom até chegar em casa...
Enfim, são muitas as formas de sentir a liberdade. Mas será
que essa liberdade realmente é sempre boa? Será que sempre sabemos o que fazer
quando conseguimos essa liberdade pela qual tanto lutamos?
Quando não tomamos cuidado, a sensação de liberdade
normalmente nos leva a tomar decisões precipitadas, impensadas e que podem
gerar sofrimento ou decepção posterior.
Uma pessoa, por exemplo, que sai de um relacionamento
complicado, longo e que teve um final triste, que gerou desavença e criou
confusão mental pode acabar se sentindo livre, mas na verdade pode estar presa
dentro de um conceito de liberdade que a faz na verdade agir para tentar
mostrar ao outro que está bem, feliz, “numa boa” e então faz tudo o que na
verdade não queria fazer. Tenta se sentir livre, mas quando acorda para a
realidade percebe que estava vivendo em um filme ruim que ela mesma criou e dirigiu muito mal.
O mesmo pode acontecer quando alguém é demitido do emprego
do qual tanto reclamava, mas que tanto faz falta para a continuidade da rotina
financeira. Até para justificar as reclamações constantes, se diz feliz, livre
e brada sua tranquilidade. Esse, normalmente acaba por usar o dinheiro que
ganha da rescisão, mais o fundo de garantia, para comprar coisas que não precisa,
comer fora como não devia e depois que o seguro desemprego acaba, se não consegue
uma nova colocação, aquele arrependimento inevitável aparece e aí a liberdade
vira outra prisão, pois o indivíduo tem todo o tempo do mundo e ao mesmo tempo
não tem nada.
Isso sem falar nos que saem da prisão depois de algum tempo (normalmente não o suficiente) e logo nos primeiros dias já não sabem o que fazer com a liberdade e acabam buscando a vida de roubos e crimes de novo... Mas talvez isso não seja culpa apenas da liberdade...

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