domingo, 26 de novembro de 2017

Diálogos

Aprender a se comunicar é a primeira tarefa dos seres humanos. Seja para matar a fome, informar uma dor, demonstrar medo entre tantas outras coisas. Esta é a principal função do choro dos recém-nascidos.

Depois que a comunicação se estabelece, o vocabulário cresce e o conhecimento das coisas e do mundo aumenta, começam a existir os diálogos. Perguntas, as vezes embaraçosas, as histórias dos dias e com o passar do tempo e o aumento da consciência, chegam as mentiras.

Hoje, vendo com tristeza as discussões nas redes sociais e nas ruas, percebo que talvez, na educação das últimas gerações, tenha faltado esse diálogo em casa. Uma conversa mais aprofundada com os filhos, que hoje não demonstram qualquer tipo de respeito, nem com os próprios pais e nem com as outras pessoas.

Falta um diálogo aberto, franco, sobre todos os assuntos, sobre a diversidade do mundo e de opiniões, sobre a diferença de pensamento atrelada a diferença de vida de cada um, sobre a burrice da unanimidade, sobre vitórias e derrotas, sobre ter uma posição própria e não precisar defender todas as posições de determinados grupos.

Sinto que esse debate familiar acaba destruindo amizades, ou destruindo pontos de vista para manter amizades.

É preciso diálogo para saber que as pessoas podem não gostar do Bolsonaro, mas serem a favor da redução da maioridade penal, que podem não gostar do Lula, mas ser à favor do Bolsa Família, que podem ser Palmeirenses, mas aceitar que o Corinthians foi campeão legitimo, que podem ser Corintianos, mas assumir que o Jô fez o gol de mão. Enfim, saber que você não precisa ser favorável a tudo e nem desfavorável à tudo.

As pessoas precisam conversar mais e discutir menos, precisam entender que um bom diálogo pode ser capaz de mudar um ponto de vista e principalmente que mudar de opinião não é crime e muito menos vergonha.

Ao contrário, toda vez que você admite que pode estar errado, é um passo a caminho da evolução.


Sejamos mais abertos aos diálogos, às conversas, aos pontos de vista dos outros, pois só assim poderemos ter certeza que realmente estamos certos com relação aos nossos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

As Doenças e a Cura


Dizem por aí que tudo na vida tem um remédio. E eu acredito que, tirando algumas exceções, esta seja realmente a verdade. O remédio pode ser um comprimido, um xarope, uma injeção, mas pode também ser o tempo, um abraço, uma palavra de carinho.

Uma pílula pode não ser suficiente para curar um paciente diagnosticado em estado terminal, mas uma demonstração de afeto pode trazer paz, mesmo que não diminua a dor, pode trazer um sossego para a alma, por mais que não possa aumentar o tempo de vida.

A ciência pode ainda não ter conseguido encontrar a cura para todas as doenças e nós não somos imunes aos vírus e bactérias que coabitam nosso planeta, mas ainda acho que muitas das doenças do mundo, muita gente não vê e muito dos remédios estão dentro de nós mesmos, mas como estamos em um estágio de egoísmo, falta de empatia e irracionalidade, não conseguimos enxergar o poder da cura que trazemos conosco.

Somos não só pessoas doentes, somos uma sociedade doente, corrompida pela violência, pela corrupção, pela intolerância, pelo preconceito e acabamos aprendendo a temer o nosso semelhante. Somos a doença do nosso próprio mundo e se não mudarmos, estaremos colocando o nosso planeta em estado terminal. Nesse momento, não haverá remédio, nem remorso que possa recuperar o que destruímos.

Precisamos insistir em paz, harmonia, respeito e aceitação do outro. Precisamos enxergar que estamos criando a nossa própria doença e assim usar o que há de melhor dentro de nós. A cura.

Façam um favor a vocês mesmos e a todos nós. Pensem com carinho nisso...

domingo, 12 de novembro de 2017

Terror e Terrorismo


Os dias atuais parecem muito sombrios, com ataques terroristas, ou não, à luz do dia, matando inocentes em número cada vez maior, seja em escolas, boates, shows, ruas e locais destinados ao turismo em todos os lugares do mundo.

E o objetivo do terrorismo é único, causar o medo, o pânico, tentar enfraquecer as estruturas de pessoas e países, colocar em cheque a segurança e a capacidade de proteção. Mas, no fundo, tudo não passa de política e religião.

É interessante quando estudamos história e percebemos que os maiores ataques terroristas contra os americanos acabaram acontecendo com financiamento e treinamento oferecido pelos próprios americanos.

Quando vemos a Arábia Saudita financiar grupos ligados ao Estado Islâmico com dinheiro advindo da venda de petróleo para os EUA. E como o governo faz de tudo para que isso passe desapercebido pela população.

Dinheiro, política e religião, esses são os pilares do terror.

Não podemos nos esquecer que o terrorismo, ou deem o nome que quiserem, não nasceu nos dias de hoje, nem mesmo neste século. Não podemos esquecer das cruzadas, do massacre da igreja católica contra aqueles que não tinham a mesma crença e nem mesmo da bomba de Hiroshima.

O terror se espalha pelo mundo desde que os primeiros primatas descobriram que poderiam ter poder e influência sobre os outros. Esse pensamento motivou coisas como o holocausto. E até parece estranho quando tentamos entender como era possível um indivíduo exercer um poder tão grande sobre a crença de tantas pessoas e ser capaz de espalhar o ódio e a intolerância contra um povo, como Hitler conseguiu. Mas só parece, porque hoje, com essas redes sociais, vemos que não só é possível, como é mais comum do que eu poderia imaginar pessoas se ofendendo e espalhando o ódio e semeando discórdia e falta de respeito.

Vivemos dias sombrios, e se não houver uma grande mudança de comportamento corremos cada vez mais risco de passarmos por novas guerras e confrontos entre países, entre seitas religiosas e até mesmo situações semelhantes a guerras civis com o intuito de impor vontades e pontos de vista através da violência.

O terrorismo é um mal muito grande, mas talvez não seja tão grande quanto o terror guardado dentro de algumas pessoas.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Encenações


Já mencionei algumas vezes aqui que a depressão é uma doença mortal, afetando uma parcela significativa da população mundial, muito além do que as pessoas imaginam.

A depressão não faz distinção de idade, raça ou classe social; não importa se alguém aparenta ter tudo para ser feliz ou não possui nada, se tem uma família presente ou enfrenta a solidão. Todos estamos suscetíveis a ela.

Uma das dificuldades cruciais reside na identificação da depressão. Muitas vezes, o próprio indivíduo finge não ter nada, não sentir nada, usando a vida como se fosse uma peça teatral na qual ele é o protagonista.

Ele encena, socialmente, uma vida tumultuada ou repleta de paz, com problemas que parecem resolúveis, ou uma serenidade aparente. E o restante do mundo torna-se apenas a plateia, aguardando os aplausos para o fechamento das cortinas, permitindo-lhe retornar à sua casa, sua cama e suas portas fechadas, onde pode chorar sem razão aparente, atendendo a uma vontade estranha de não ter vontade alguma.

Essas representações são o verdadeiro veneno, uma tentativa de solucionar um problema que mal consegue ser identificado, uma falta de motivação, mesmo cercado por pessoas que ama e que expressam amor. E, quando menos esperamos, tragédias acontecem.

Recentemente, testemunhamos dois cantores extremamente bem-sucedidos, com riqueza, fama, família, milhões de fãs e todos os tipos de bens materiais, tirarem a própria vida, sem motivo aparente. Chris Cornell e Chester Bennington tinham tudo isso e também sofriam de depressão. Portanto, não importava o quanto tinham fora de suas mentes; nada conseguiu impedir que a força dessa doença os levasse à morte.

Consequentemente, não podemos encarar nossos dias como uma produção cinematográfica, encenando mentiras para que as pessoas acreditem que são verdades. De nada adianta fotos sorridentes no Facebook, quando a imagem interior é de pura desolação.

O medo de ser rotulado como 'louco' ou doente é o pior adversário da doença. O preconceito e o bullying complementam essa tragédia, e a ignorância e a falta de respeito jogam mais terra sobre tudo.

Esqueça a plateia; não dê ouvidos àqueles que ainda não compreendem que a depressão e a gripe são dois tipos de doença que necessitam de tratamento, não preste atenção àqueles que podem estar enfrentando isso, mas se esforçam para parecerem fortes, apenas para receber aplausos da sua própria plateia, enquanto, em casa, enfrentam dificuldades para dormir.

Seja o protagonista da sua vida, mas não o diretor de uma peça de teatro sobre ela. Se sentir que precisa de ajuda, procure um profissional e descubra como ser verdadeiramente feliz pelo simples fato de ter recebido o dom da vida

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...