Aprender a se comunicar é a primeira tarefa dos seres
humanos. Seja para matar a fome, informar uma dor, demonstrar medo entre tantas
outras coisas. Esta é a principal função do choro dos recém-nascidos.
Depois que a comunicação se estabelece, o vocabulário cresce
e o conhecimento das coisas e do mundo aumenta, começam a existir os diálogos.
Perguntas, as vezes embaraçosas, as histórias dos dias e com o passar do tempo
e o aumento da consciência, chegam as mentiras.
Hoje, vendo com tristeza as discussões nas redes sociais e
nas ruas, percebo que talvez, na educação das últimas gerações, tenha faltado
esse diálogo em casa. Uma conversa mais aprofundada com os filhos, que hoje não
demonstram qualquer tipo de respeito, nem com os próprios pais e nem com as
outras pessoas.
Falta um diálogo aberto, franco, sobre todos os assuntos,
sobre a diversidade do mundo e de opiniões, sobre a diferença de pensamento
atrelada a diferença de vida de cada um, sobre a burrice da unanimidade, sobre
vitórias e derrotas, sobre ter uma posição própria e não precisar defender
todas as posições de determinados grupos.
Sinto que esse debate familiar acaba destruindo amizades, ou
destruindo pontos de vista para manter amizades.
É preciso diálogo para saber que as pessoas podem não gostar
do Bolsonaro, mas serem a favor da redução da maioridade penal, que podem não
gostar do Lula, mas ser à favor do Bolsa Família, que podem ser Palmeirenses,
mas aceitar que o Corinthians foi campeão legitimo, que podem ser Corintianos,
mas assumir que o Jô fez o gol de mão. Enfim, saber que você não precisa ser
favorável a tudo e nem desfavorável à tudo.
As pessoas precisam conversar mais e discutir menos,
precisam entender que um bom diálogo pode ser capaz de mudar um ponto de vista
e principalmente que mudar de opinião não é crime e muito menos vergonha.
Ao contrário, toda vez que você admite que pode estar
errado, é um passo a caminho da evolução.
Sejamos mais abertos aos diálogos, às conversas, aos pontos
de vista dos outros, pois só assim poderemos ter certeza que realmente estamos
certos com relação aos nossos.
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