segunda-feira, 16 de julho de 2018

As Companhias do Desejo


Nós, humanos, somos reconhecidos como os únicos seres vivos racionais, embora existam muitos animais que, às vezes, parecem ser infinitamente mais racionais do que alguns de nós. Mas enfim, sendo considerados racionais, deveríamos ser capazes de controlar nossas atitudes; porém, nem sempre o somos.

Raiva, desespero, medo e, às vezes, até a euforia podem fazer com que ajamos de forma impulsiva, gerando arrependimento no futuro, pela falta da tão falada razão nesses momentos.

Mas pouco se fala sobre a ausência da razão quando se trata de desejo. O desejo traz consigo, em muitos casos, companhias que nem sempre são agradáveis, que nem sempre vão se transformar em boas lembranças no futuro e que, nesses casos, estão sempre dissociadas da razão.

Obviamente, isto não é uma generalização, mas sim uma constatação frequente.

Quantos relacionamentos terminaram por causa do desejo? Quantas crianças não planejadas nasceram por causa do desejo? Quantas noites de arrependimento se passaram por causa do desejo? Quantas amizades se perderam por causa do desejo? Antigamente, o desejo também era culpado por muitos casamentos forçados, por enormes brigas em famílias conservadoras que se viam em desespero ao receber a notícia da gravidez, normalmente de uma filha solteira. Se o desejo for acompanhado de um punhado de álcool, todas essas situações se tornam ainda mais potencializadas. E isso não serve de desculpa para ninguém, pois todo mundo conhece seus próprios limites e os riscos que corre ao ultrapassá-los.

Estranhamente, uma das poucas coisas que não acompanha o desejo é o medo. Parece que ele é completamente esquecido quando o desejo nos leva a becos, matagais, estruturas abandonadas, casas de estranhos, ou lugares não tão estranhos, mas com pessoas desconhecidas. Em virtude disso, o desejo também é responsável por crimes, desaparecimentos, e casos de abuso. Sempre é importante deixar claro que isso não diminui em nada a culpa dos agressores.

E como controlar o desejo? Essa é a parte mais complicada, a mais difícil. O desejo é forte e, como vimos, ele não vem sozinho; é como uma onda que carrega os humanos rumo ao mar aberto e depois os deixa sozinhos, gritando por socorro. Portanto, aprenda a nadar no mar da razão, tenha cuidado com o álcool e com outras companhias, e lute bravamente para pensar, para saber que o arrependimento é tão inútil quanto inevitável, e que ele é uma das maiores paixões do desejo





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