segunda-feira, 24 de junho de 2019

Pedofilia


Esta semana resolvi tocar em um tema delicado, mas necessário.

Primeiro, e mais importante, é compreender que o termo “pedofilia” é comumente utilizado de forma equivocada, especialmente em programas sensacionalistas de televisão.

Pedofilia, ao contrário do que se propaga, não é um crime em si, mas sim uma condição psíquica em que o indivíduo, seja homem ou mulher, sente atração sexual por menores de 13 anos, conforme estabelece a Organização Mundial da Saúde desde a década de 1960.

Quando tratada com acompanhamento médico e medicamentoso, essa condição pode ser controlada, de forma que o indivíduo conviva normalmente em sociedade, sem apresentar riscos ou manifestações do desejo.

O que vemos com grande frequência, na verdade, são crimes de abuso sexual de menores de 14 anos, e na imensa maioria dos casos não são cometidos por pessoas diagnosticadas com pedofilia.

A divulgação equivocada desses termos gera uma confusão perigosa. Muitas pessoas acreditam que esclarecer a diferença entre pedofilia e abuso sexual seja uma forma de defesa ao agressor, quando, na verdade, a intenção é proteger as vítimas. Mostrar que o agressor não apresenta nenhuma doença diagnosticada é uma forma de responsabilizá-lo por seus atos, sem atenuantes.

Outro ponto importante, frequentemente ignorado, é que pela legislação brasileira qualquer tipo de ato de conotação sexual com menores de 14 anos é considerado crime. Mesmo que a criança, que muitas vezes não se percebe mais como criança, diga ter consentido. O consentimento, nesse caso, não tem validade legal.

Quando falamos de atos de conotação sexual, estamos incluindo, por exemplo, a presença de crianças em locais com exposição sexual de adultos, o constrangimento para que fiquem nuas, o toque forçado em partes íntimas, além da divulgação de fotos, vídeos ou imagens de menores em situações sexuais. E é sempre bom reforçar: quando falamos em crianças, falamos de meninas e meninos.

Outro dado alarmante é que grande parte dos crimes é cometida por pessoas próximas da vítima, como pais, padrastos, tios, primos, entre outros. E, novamente, não são pedófilos, são criminosos. Repito com ênfase: são criminosos que não precisam de tratamento médico, mas sim de punição judicial. Ainda que, infelizmente, saibamos das falhas do sistema em nosso país.

Em resumo, não podemos permitir que criminosos se escondam atrás de um diagnóstico. Tampouco devemos condenar quem possui uma condição psíquica, mas nunca cometeu nenhum crime. É preciso saber diferenciar, tratar quem precisa, punir quem merece e usar os termos corretos, com responsabilidade, para que investigações, tratamentos e o acolhimento das vítimas não sejam prejudicados.

Boa semana, e até a próxima.


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Agenda de Boas Lembranças

É curioso como a maioria das pessoas se comporta. Sempre se lembram das coisas ruins, das dores, das lágrimas de tristeza e das decepções. Dificilmente se recordam dos bons momentos, da alegria, das felicidades, do quanto as coisas valeram a pena.

Usam muito a expressão “a última impressão é a que fica”, quando, na verdade, essa deveria ser a única descartada se foi uma impressão ruim.

Mais tarde, ao ouvirem uma música ou olharem uma foto, talvez se lembrem dos bons momentos. Mas logo tentam transformar essa lembrança em tristeza, raiva ou qualquer outra emoção negativa.

Se você é dessas pessoas que fala mal da empresa depois de ser demitido, mesmo tendo se sentido feliz lá dentro. Que reclama dos relacionamentos antigos como se eles só tivessem durado o período do fim, mesmo depois de ter falado, escrito e talvez até sentido que era a pessoa mais feliz do mundo. Se só fala mal do seu time quando ele perde, mas esquece quantas noites de alegria ele já te deu. Então, sugiro que crie uma “Agenda de Boas Lembranças”.

Todas as noites, antes de dormir, escreva tudo de bom que aconteceu no seu dia. Os encontros, a produtividade, as vitórias. Tudo que te fez feliz, que te fez se sentir bem, que te permite agradecer pela vida que tem.

Depois, se no futuro houver um rompimento, um desligamento ou uma derrota, não escreva nada. Apenas volte no tempo e releia. Relembre como aquele período valeu a pena. Cada aprendizado, cada pessoa que entrou na sua vida, todos os momentos felizes, o carinho, a atenção. São eles que merecem ser lembrados, e não o fim.

O fim quase sempre é inevitável. Então, guarde os bons momentos, as boas lembranças, as conquistas e tudo aquilo que motivou seus dias antes da despedida.

Seja mais justo com você. Por que guardar apenas as tristezas, se os momentos de alegria foram em número muito maior?

Use sua agenda. Guarde suas lembranças. E nunca mais diga que fez uma escolha errada ou que perdeu tempo. Você viveu o que era possível viver naquele momento, da melhor forma que conseguiu.

Até a próxima semana. Que ela venha cheia de páginas felizes na sua agenda e também na sua memória.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Frustração

Existe uma frase que gosto muito e que representa meu pensamento resumido para este artigo: "A frustração é filha da expectativa."

A frustração não se cria ao acaso. Ela é fruto de uma expectativa que não se concretizou, um fato que não aconteceu, uma atitude que alguém não tomou ou uma situação em que a própria pessoa que se frustra deixou de agir de acordo com o que planejou.

Mas, via de regra, a frustração tem origem nos outros, e não na própria pessoa. Por vezes, nos esquecemos de que somos, no máximo, donos das nossas vidas, dos nossos movimentos e ações, dos nossos pensamentos, valores e intenções. Mas teimamos em esperar de outras pessoas atitudes que não podemos prever, que não sabemos como lidar, e ainda conseguimos nos abater.

Uma das coisas mais simples do mundo acaba se tornando complicada, porque muitas pessoas não conseguem entender, nem aceitar, que a felicidade só existe quando não dependemos de ninguém para viver com ela.

Temos apenas que conviver em paz com a nossa consciência e ter a certeza de que fizemos a nossa parte. Se a outra pessoa fará a parte dela, isso não nos compete, não deve nos importar, e precisamos saber lidar com isso. Não somos nós que escrevemos o roteiro da vida de outra pessoa, nem somos os diretores que podem dizer o que e como ela deve agir. E, quando entendemos isso, somos muito menos propensos a nos frustrar, pois sabemos que o que estava ao nosso alcance foi feito e que não poderíamos fazer também a parte do outro.

Podemos ficar tristes? Sim. Decepcionados? Também. Mas nunca devemos abrir mão dos nossos sonhos e desejos porque não fomos correspondidos. O mundo é cheio de portas abertas e de caminhos que podem nos levar ao infinito. A única coisa que não podemos fazer é estacionar na tristeza, sermos invadidos pela frustração e perder um tempo que jamais será recuperado.

Olhe para o espelho, se orgulhe e lembre-se sempre de fazer a sua parte. E nada mais que isso.

Boa semana!





segunda-feira, 3 de junho de 2019

Apenas Palavras


Sem ordem, desordem, carneirinhos no céu.
No sol, queimando com a chuva de verão.
Que frio! O Deserto parece o Alaska, mas com areia no lugar da neve.
Branca, mas sem os anões, pois eles cresceram. Comeram o Feijão.

Que tédio, me falta tempo tenho muito a fazer mas não vejo nada.
Ponto, pronto, acabei, sem começar nem terminar.
Já foi, já era, ou nem chegou no seu lugar.
Astronautas de Marte, vermelhos como o mar de lava.

Que banho! Quente com água morna, vinda das Cataratas.
Cegueira completa, visão incorreta, saúde!
Saudade, verdade, que se dane a vaidade e os Flinstones.
A pé, de ré e xulé no pé, do pato, do Rei, meu não!

Por onde andam os perdidos que acharam a passagem?
Foram no ônibus espacial e perderam o ponto.
O motorista não parou e o destino agora é a Lua.
Sem máscara, com ar. Condicionado, se a condição é a achar a solução.

Corpo fechado no Rio doce do Mar aberto.
Sucesso, como só o fracasso é capaz de mostar.
Aonde colocaram a chave da porta? Do lado de dentro.
Como vou poder entrar? Para então poder sair de mim...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...