Você pode nunca ter escutado a palavra nomofobia, mas corre um certo risco de sofrer desse mal moderno que a cada dia atinge mais pessoas.
Nomofobia é o medo patológico de ficar sem o telefone celular, ou sem algum de seus recursos, como bateria, plano de dados ou sinal de internet.
Se você fica ansioso quando o celular apita e não consegue se controlar enquanto não vê quem curtiu ou comentou suas publicações, se responde e-mails pessoais ou profissionais ainda deitado, se a bateria acabando causa desespero ou medo de perder notificações, cuidado: você pode estar nomofóbico.
As fobias são, normalmente, medos irracionais, mas neste caso há uma particularidade. O medo não é exatamente de perder as notificações, e sim de ficar separado do próprio aparelho.
O nome nomofobia vem do inglês no-mobile-phone phobia (“sem telefone celular”). Quando o fenômeno começou a ser estudado, em 2008, os primeiros resultados já foram alarmantes. Cinquenta e três por cento das pessoas demonstraram algum nível de medo de ficar sem o celular.
Essa é uma fobia em crescimento, especialmente entre os jovens estudantes. Um número enorme de adolescentes hoje não se separa do aparelho nem para tomar banho. Em um dos estudos, constatou-se que muitos afirmaram preferir perder um dedo mindinho a ficar sem o celular. Com a nomofobia, o contato humano se perde cada vez mais. Até as ligações telefônicas estão sendo substituídas por mensagens de texto, áudios e redes sociais.
Um novo estudo, realizado em 2016 na Europa, mostrou que o nível de estresse de uma pessoa nomofóbica sem o aparelho se assemelha ao vivido no dia do próprio casamento. Um nível muito elevado.
Pode parecer algo banal, mas se você percebe que não vive mais sem o telefone, que o consulta mesmo em uma roda de amigos ou durante o jantar em família, se sente angústia só de imaginar tê-lo esquecido em casa, é hora de se preocupar.
Os efeitos desse comportamento vão desde ansiedade e irritabilidade até insônia. Além disso, o uso excessivo compromete o desempenho profissional. Em média, uma pessoa passa quase cinco horas por dia no celular, o que reduz a produtividade e afeta a vida pessoal. Em uma pesquisa, uma a cada dez pessoas admitiu não conseguir deixar o celular de lado nem durante momentos de intimidade com o parceiro.
Se você se identificou com algumas dessas situações, talvez seja o momento de reconectar-se à vida real. Desligar o telefone pode ser, paradoxalmente, uma forma de se reaproximar de si mesmo. E se a dificuldade persistir, buscar apoio psicológico é o caminho mais sensato. Nomofobia é um transtorno, e quanto antes for compreendido, mais fácil é recuperar o equilíbrio.
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