segunda-feira, 18 de maio de 2020

Amazônia


Desejada pelo mundo inteiro, destruída por nós mesmos.

A Amazônia continua sendo consumida lentamente pela ganância humana. E talvez o verdadeiro comportamento selvagem nunca tenha vindo da floresta, mas da forma como aprendemos a explorar tudo aquilo que pode gerar lucro imediato.

Em 2019, os números já assustavam. Segundo o PRODES, quase 10 mil km² haviam sido desmatados em apenas 12 meses. Hoje, apesar de uma redução recente nos índices oficiais, a devastação continua acontecendo em ritmo alarmante. Os dados mais atuais do INPE apontam cerca de 5.731 km² de desmatamento na Amazônia em 2025. Ainda é uma área gigantesca destruída em nome de interesses econômicos e políticos.

E o problema vai muito além das árvores derrubadas.

Falamos da destruição de ecossistemas inteiros, da ameaça constante aos povos indígenas, da perda de biodiversidade, das mudanças climáticas e do enfraquecimento de um dos maiores patrimônios naturais do planeta.

Enquanto isso, incêndios criminosos continuam acontecendo, áreas protegidas seguem pressionadas, rios sofrem impactos e a fiscalização ambiental vive em disputa permanente entre interesses técnicos e políticos.

Esse é o cenário. Destruição, egoísmo e uma assustadora incapacidade de pensar no futuro.

É difícil entender como alguém consegue enriquecer destruindo aquilo que sustenta a própria vida das próximas gerações. Talvez porque muitos acreditem que estarão mortos antes de sofrer as consequências daquilo que ajudaram a destruir.

A Amazônia deveria ser motivo de orgulho nacional. Uma riqueza natural gigantesca, admirada pelo mundo inteiro. Mas, em vez disso, frequentemente se transforma em símbolo do nosso descaso, da nossa incapacidade de preservar aquilo que jamais poderá ser reconstruído.

E, para deixar claro, o problema não está necessariamente no modelo econômico. O problema está na ausência de limite, na corrupção, na impunidade e na ganância de pessoas que parecem incapazes de compreender a diferença entre prosperar e destruir.

A Amazônia continua pedindo socorro.

E talvez o mais assustador seja perceber que estamos começando a nos acostumar com esse pedido.


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