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Depois de tomar um banho muito
demorado, ela não se sentia limpa e tinha a impressão que jamais voltaria a se sentir
como antes, por mais que a água e o sabonete escorressem pelo seu corpo, ela
jamais se livraria daquela sensação.
Ainda imaginando que seria presa, ela foi dormir.
Demorou a pegar no sono e quando
conseguiu, só teve pesadelos, com a cara daquele estranho que tanto a fez sofrer,
com o sangue dele jorrando no chão, com a cabeça dele explodindo, com mulheres
estranhas a agredindo em uma cela pequena.
Quando acordou, estava atrasada
para o trabalho, com medo de sair de casa e ainda assustada.
Tomou outro banho na esperança de
se sentir limpa. Em vão.
Escondeu a arma em uma lata de
biscoitos. Trocou de bolsa, enfiou lá dentro a arma de choque e o Spray de pimenta,
colocou sua roupa simples de sempre, respirou e girou a maçaneta da porta.
A rua estava muito mais
movimentada naquele horário, mas não parecia anormal e nem diferente.
Foi andando pelo caminho de
sempre, sentindo um enorme aperto no coração quando se aproximou da esquina que
daria para rua do beco. Diminuiu o passo e aguçou a audição, mas não ouviu
nada.
Ao virar a esquina ela viu um movimento
maior no beco e um carro de polícia estacionado em frente.
Seu coração quase parou e ela naquele
momento sabia que era a mesma Diana do dia anterior e se perguntou:
- Onde está aquela mulher corajosa
que salvou a própria vida na noite passada?
Então respirou e com passos mais
fortes foi se aproximando do beco. Viu aquela famosa faixa amarela, viu algumas
pessoas agachadas, viu sangue, mas não viu o corpo.
Um policial olhou para ela, que
retribuiu o olhar firme. Continuou andando, como se não soubesse o que estava
acontecendo e nem fosse curiosa para perguntar.
Quando entrou no escritório que
trabalhava, viu os olhos da recepcionista arregalados e aliviados ao vê-la.
- Diana! Tentamos te ligar a manhã
toda! Ontem um estuprador violento e conhecido da região foi assassinado
durante a noite, mas pelas conversas que ouvimos, antes ele teria atacado uma
nova vítima. Como você, pra variar, saiu tarde e sozinha, ficamos todas
assustadas.
Diana se deu conta que esqueceu
completamente seu celular, que estava desligado desde o final da noite
anterior, sem bateria e assim continuava, só que na outra bolsa.
- Me desculpa Cacá. Eu realmente
me esqueci do telefone. Saí tão cansada daqui que acabei caindo direto no sono,
esqueci até de ligar o despertador.
Ao entrar no escritório, ela se
sentiu observada por todos e imaginou que até seu chefe o homem mais chato do
universo, deu um suspiro de alívio quando a viu.
Sentou-se do lado de Beatriz, a quem
ela carinhosamente chamava de Bia.
- Desculpe Bia, perdi a hora.
Quase não vim trabalhar.
- Não se preocupe, seu banco de
horas está gigante e não aconteceu nada de diferente até agora, exceto pela
notícia do estuprador assassinado. Todas ficamos curiosas para saber quem foi o
herói que mandou ele para o inferno.
Depois, falando mais baixo e com
a voz embargada ela continuou:
- Gostaria que esse herói
encontrasse o homem que me violentou há alguns anos...
Diana olhou assustada para a amiga e ia perguntar mais detalhes, quando ouviram os passos inconfundíveis de Altamiro, o dono do escritório e, certamente o homem mais chato do mundo...
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