segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Duas Caras

Existem algumas formas de conquistar a confiança de alguém.

Uma é sendo realmente confiável, procurando fazer o seu melhor, estudar e repassar conhecimento, validar suas informações antes de replicar para outras pessoas, depois convidar todos para aprender e entender o que está sendo dito ou proposto.

Outra é usar uma falsa autoridade, ou poder, para influenciar pessoas mais simples, humildes ou preguiçosas e assim fazê-las espalhar mentiras que vão gerar benefícios.

O grande problema que vemos hoje, no mundo todo, é que existem preguiçosos demais e pessoas influenciáveis demais. Pessoas que discordam de evidências científicas para acreditar em blogueiros escondidos do outro lado do mundo.

Pessoas que na frente de uma webcam são lutadores e convocam todos os seguidores para uma guerra, que ele mesmo não vai lutar e enquanto finge esbravejar, abre uma garrafa de vinho e ri da cara daqueles que o "ajudam" e a quem ele chama de otários.

Forjam brigas e discussões, xingam à vontade, mas não tem coragem de colocar os pés perto do próprio país. Têm duas caras, a de malvado pela internet, mas de bonzinho quando anda pelas ruas de qualquer país perdido no mapa.

Enquanto isso, vidas e mais vidas se esvaem e o conhecimento fica cada vez mais minguado e considerado pouco importante, pois para os formados em whatsapp, a escola só ensina coisas "erradas".

O mundo precisa mudar, para que as Universidades voltem a ser mais importantes do que as redes sociais e o pensamento seja mais valioso do que uma mensagem encaminhada...



segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Infinito Finito

Não conseguimos imaginar o tamanho do universo.
Mas também não sabemos o tamanho dos nossos sentimentos.
É impossível medir qualquer um dos dois.
Mas um pode acabar, o outro provavelmente não.

O dia interminável, termina.
O amor infinito, acaba.
A estrada cujo final os olhos não alcançam, finda.
A saudade de quem não volta é infinita.

O feijão vai para o pote de sorvete, porque o sorvete acabou.
A amizade vai para outra pessoa, porque a lealdade se foi.
Os sorrisos se fecharam depois que o show terminou.
Mas a depressão pode por um ponto final naquela vida em ruínas.

O infinito se torna finito quando algumas descobertas são feitas.
O longe se torna perto à medida que o tempo passa.
E o que foi perto um dia vai ser longe demais, pois o tempo não volta.
A única coisa infinita é a certeza da finitude de tudo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Conto em Gotas - Parte 4

http://elsopini.blogspot.com/2021/05/conto-gotas.html

http://elsopini.blogspot.com/2021/08/conto-em-gotas-parte-2.html 

http://elsopini.blogspot.com/2021/10/conto-em-gotas-parte-3.html

4

- Ele me violentou de todas as formas que eu poderia imaginar por uns 3 dias, acho. Tinha certeza de que ele ia me matar, ou me deixar ali para morrer. A única coisa que ele me deu durante todo aquele tempo foram 3 copos de água, suja. Disse Bianca, com as lágrimas ainda borrando sua maquiagem leve.

Diana respira e pergunta:

- Como você conseguiu ir embora?

- Não consegui. Ele que me soltou. Na terceira ou quarta noite, ele apareceu com outra garota desmaiada, tão linda, tão jovem...

As palavras morreram quando Bianca começou a soluçar sem parar.

Diana deu a ela um copo de água com açúcar, deu-lhe tempo e pediu que ela continuasse.

- Quando eu achei que ele ia me matar para que eu me calasse, ele me desamarrou, me deu dois tapas fortes no rosto e disse: “Eu sei onde você mora, onde trabalha, onde faz academia. Se abrir sua boca, trago você pra cá de novo. Agora some.”

E continuou – Ele literalmente me chutou para fora daquela espelunca, depois jogou minha calça rasgada e a camiseta cortada na minha cara. A dor já nem me incomodava mais, coloquei de qualquer jeito meus trapos e tentei começar a correr, mas não sabia para onde ir, não sabia onde estava, estava faminta e com muita sede e medo, muito medo. Andei, em desespero e olhando para trás o tempo todo por um bom tempo, até ver uma avenida movimentada à frente. Na esquina da avenida com a rua em que eu estava, havia um boteco e na única mesa ocupada estavam duas moças conversando, chorando pedi ajuda e por sorte elas me ajudaram, me explicaram que eu estava do outro lado da cidade e me emprestaram o telefone para eu ligar para a minha mãe. Horas depois eu estava em casa, com minha mãe chorando desesperada pelas minhas feridas e minha aparência e eu chorando de alívio por estar viva, apesar de saber que eu viveria para sempre com medo e sempre olhando para trás.

Terminou Bianca enquanto tentava respirar com mais calma.

Diana, por fora tentou manter a calma, enxugar as lágrima da amiga, confortá-la, mas por dentro sabia que precisaria de mais informações, pois sentia que precisava encontrar aquele “menino”...


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

O poço tem fundo?

Ninguém sabia exatamente a história do poço.

Claro que muitas lendas eram contadas, inventadas e aumentadas, mas parece que ele estava lá desede sempre.

Nunca ninguém se preocupou se a corda era forte ou fraca, comprida demais ou curta, nem se seria preciso trocar o velho balde de metal, já desgastado pelo tempo, mas muito funcional e eficiente.

O poço passou por secas, onde a corda tinha que descer mais e períodos de chuvas poderosas, qaundo era possível pegar a água com bacias apenas colocando os braços na borda do poço.

Mas um coisa todos sabiam, o poço era fundamental para suas vidas era sua água que saciava a sede, que ajudava a preparar os alimentos, que era levada para as casas na hora da limpeza.

O tempo foi passando e cada vez mais pessoas começaram a morar e a visitar aquele lugar e as novas gerações, mais curiosas, sempre perguntavam a seus parentes sobre o poço. Uns diziam que ele era mágico, outros que a água de um rio que passava por baixo dele o abasteia constantemente, outros só achavam que ele era profundo demais, apesar de também acharem estranho uma obra tão antiga chegar assim a um ponto tão profundo.

Um dia, um meininho viu um idoso jogar uma moeda dentro do poço. Esperou o idoso ir embora e se aproximou do poço, apoiou as mãos em sua beirada e fez o maior esforço possível para ver se enxergava a moeda alí jogada, mas não conseguiu nem mesmo enxergar onde começava a linha da água.

Poucos dias depois o meininho curioso viu o idoso saindo da mercearia com um grande embrulho nos braços. Ele se aproximou do idoso e perguntou: O que  Sr. jogou dentro do poço semana passada?
O idoso, paciente, olhou para ele e sorrindo disse: - Eu só tinha aquele níquel e estava com fome, fiz uma oferta ao poço, pedindo ajuda para comprar comida. Como um milagre, assim que cheguei na porta da minha casa, minha nova vizinha me ofereceu um prato de comida e perguntou-me se eu ainda tinha energia para cuidar do seu jardim e me pagaria 5 níqueis por semana, além de suprir minhas duas refeições do dia. O poço me devolveu a moeda que joguei para ele em muito maior quantidade!

A história se espalhou e nos dias que se seguiram, as filas para buscar água do poço começaram a ficar maiores. Todos que iam buscar água, paravam para jogar um níquel, alguns, mais precavidos, jogavam 2, outras, mais gananciosos e mais ricos, jogavam cinco, dez níqueis no poço.

As histórias de sucesso do poço se misturaram com as histórias de fracassso, para uns era sorte, para outros azar e para outros, absolutamente indiferente.

Para outros, foi um chamariz. Ladrões começaram a observar o povo jogado os níqueis no poço e durante à noite descarregavam toda a linha do poço para ver se o balde puxava alguma moeda, mas nada vinha.

Um deles, comprou em outra cidade cem metros de corda! Sorrateiramente trocou a já surrada corda do poço pela nova e soltou o balde com seus cem metros de corda pendurada, mas para seu espanto, a corda toda foi para baixo e a única coisa que voltou com o balde, foi a água.

Veio, então, a maior seca de todos os tempos. A economia entrou em colapso porque a produção foi perdida, a população toda jogava seus níqueis em desespero pedindo chuva para o poço. Ele parecia cada vez mais fundo, tão fundo que se não fosse a nova corda, não conseguiriam a água necessária.

Quando finalmente a água do poço já estava subindo suja, com um pouco de barro e o desespero tomou conta de todos, o mais rico fazendeiro da cidade, conhecido por ser incrédulo, jogou de uma só vez cem moedas(!) no poço. E, naquela noite, chouveu, uma chuva forte, que limpu toda amargura da cidade e durou vários dias.

As pessoas agora agradeciam ao poço por sua bondade e ao fazendeiro por sua generosidade.

Fizeram uma cerimônia para trocar o balde do poço, por um mais novo, maior, brilhante e para que ele tirasse do poço toda água necessária para o sustento da cidade. E o fazendeiro, que ganhou muito com as chuvas e com a vaidade que lhe caiu, encheu o balde níqueis, da boca para fora afim de agradecer a graça alcançada, mas por dentro, esperando que o poço lhe retribuisse novamente com muito mais do que ele havia ganho da primeira vez.

Poucas pessoas se importaram em ver descer naquele bakde niqueis suficientes para empregar homens que jogavam seus únicos níqueis pedindo um emprego sem suesso, crianças que jogavam lá botões enferrujados, tentando enganar o poço para que ele provesse comida, entre tantas outras coisas.

Agora não havia apenas um bandido interessado nos níqueis do poço, havaim vários e junto deles algumas pessoas desesperadas por uma moeda para um pão.

O mais ousado comprou na capital uma roupa estranha, com um cilindro estranho e no meio da noite, sob os olhos famintos e atentos de poucas pessoas, mergulhou de cabeça no poço. Nunca mais foi visto. Mas, diga-se de passagem, os bombeiros da cidade nem se deram ao trabalho de tentar tirar ele de lá. O balde ainda subia com água e ainda era possível fazer um pedido, já quase nunca atendido, com um níquel.

Aquele idoso, que jogou o primeiro níquel no poço, jogou mais alguns durante meses, em uma das vezes, pedindo saúde para sempre. Este pedido nao foi atendido e em uma tarde de Dezembro, sua vizinha, que era sua patroa, foi nervosa bater a sua porta, pois haviam folhas soltas em seu lndo jardim. Sem resposta, ela entrou na casa dele e sentiu o forte odor de um homem morto.

Em seu velório, ela fez um discurso, onde disse que se lembrava perfeitamente do primeiro prato de comida que dera à seu vizinho. Que ele o comeu frio, porque assim que ela saiu para oferecer a comida e o emprego para ele, o viu fechando a porta para sair de casa com sua pequena moeda na mão e ela acompanhou com os olhos ele indo e voltando em diração ao poço, lembra que achou estranho ele não ter levado nenhum copo para pegar a água, mas como esperava que ele fosse aceitar o trabalho, não se preocupou se ele estava com sede ou não.

Quantas moedas não seriam perdidas se ela tivesse chamado seu nome antes dele deixar seu últio níquel no poço... 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

O que vem por aí em 2022

O ano já começou e na verdade, como já era esperado, nada parece muito diferente.

A gripe se mistura com a COVID no Brasil e ninguém sabe ao certo o que tem, teve ou não tem.

No mundo, onde os testes são realizados em quantidade muito maior, sabe-se que a COVID voltou a se espalhar como uma praga em quantidade assustadora, mas ao mesmo tempo, com menor gravidade.

Certamente para esse ano esperamos ainda outras vacinas, medo e uma campanha política patética para assumir a presidência da república das bananas.

O que nos resta é sempre a esperança, de dias melhores, de mais saúde, de trabalho, de pessoas melhores ao nosso redor.

Eu, particularmente, espero que possamos passar por 2022 com menos sustos, mais paz, mais tranquilidade e menos preocupações.

Já o resto do que eu gostaria fica na praia da utopia. Pessoas mais inteligentes, mais educadas, com pensamento próprio e coerente, com argumentos ao invés de ofensas e que esses argumentos fossem baseados na realidade e não no interesse em manipular pessoas que não conseguem pensar por si mesmas. Quem sabe para 2052 seja possível.

Para quem lê, espero que 2022 venha dia a dia melhorando e traga tudo aquilo que foi desejado mas não possível de realizar nos dois últimos anos e que busquem incessantemente a felicidade.

Sigamos!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...