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4
- Ele me violentou de todas as
formas que eu poderia imaginar por uns 3 dias, acho. Tinha certeza de que ele
ia me matar, ou me deixar ali para morrer. A única coisa que ele me deu durante
todo aquele tempo foram 3 copos de água, suja. Disse Bianca, com as lágrimas
ainda borrando sua maquiagem leve.
Diana respira e pergunta:
- Como você conseguiu ir embora?
- Não consegui. Ele que me
soltou. Na terceira ou quarta noite, ele apareceu com outra garota desmaiada,
tão linda, tão jovem...
As palavras morreram quando
Bianca começou a soluçar sem parar.
Diana deu a ela um copo de água
com açúcar, deu-lhe tempo e pediu que ela continuasse.
- Quando eu achei que ele ia me matar
para que eu me calasse, ele me desamarrou, me deu dois tapas fortes no rosto e
disse: “Eu sei onde você mora, onde trabalha, onde faz academia. Se abrir sua
boca, trago você pra cá de novo. Agora some.”
E continuou – Ele literalmente me
chutou para fora daquela espelunca, depois jogou minha calça rasgada e a camiseta
cortada na minha cara. A dor já nem me incomodava mais, coloquei de qualquer jeito
meus trapos e tentei começar a correr, mas não sabia para onde ir, não sabia
onde estava, estava faminta e com muita sede e medo, muito medo. Andei, em
desespero e olhando para trás o tempo todo por um bom tempo, até ver uma
avenida movimentada à frente. Na esquina da avenida com a rua em que eu estava,
havia um boteco e na única mesa ocupada estavam duas moças conversando,
chorando pedi ajuda e por sorte elas me ajudaram, me explicaram que eu estava
do outro lado da cidade e me emprestaram o telefone para eu ligar para a minha
mãe. Horas depois eu estava em casa, com minha mãe chorando desesperada pelas
minhas feridas e minha aparência e eu chorando de alívio por estar viva, apesar
de saber que eu viveria para sempre com medo e sempre olhando para trás.
Terminou Bianca enquanto tentava
respirar com mais calma.
Diana, por fora tentou manter a
calma, enxugar as lágrima da amiga, confortá-la, mas por dentro sabia que
precisaria de mais informações, pois sentia que precisava encontrar aquele “menino”...
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