segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Conto em Gotas - Parte 4

http://elsopini.blogspot.com/2021/05/conto-gotas.html

http://elsopini.blogspot.com/2021/08/conto-em-gotas-parte-2.html 

http://elsopini.blogspot.com/2021/10/conto-em-gotas-parte-3.html

4

- Ele me violentou de todas as formas que eu poderia imaginar por uns 3 dias, acho. Tinha certeza de que ele ia me matar, ou me deixar ali para morrer. A única coisa que ele me deu durante todo aquele tempo foram 3 copos de água, suja. Disse Bianca, com as lágrimas ainda borrando sua maquiagem leve.

Diana respira e pergunta:

- Como você conseguiu ir embora?

- Não consegui. Ele que me soltou. Na terceira ou quarta noite, ele apareceu com outra garota desmaiada, tão linda, tão jovem...

As palavras morreram quando Bianca começou a soluçar sem parar.

Diana deu a ela um copo de água com açúcar, deu-lhe tempo e pediu que ela continuasse.

- Quando eu achei que ele ia me matar para que eu me calasse, ele me desamarrou, me deu dois tapas fortes no rosto e disse: “Eu sei onde você mora, onde trabalha, onde faz academia. Se abrir sua boca, trago você pra cá de novo. Agora some.”

E continuou – Ele literalmente me chutou para fora daquela espelunca, depois jogou minha calça rasgada e a camiseta cortada na minha cara. A dor já nem me incomodava mais, coloquei de qualquer jeito meus trapos e tentei começar a correr, mas não sabia para onde ir, não sabia onde estava, estava faminta e com muita sede e medo, muito medo. Andei, em desespero e olhando para trás o tempo todo por um bom tempo, até ver uma avenida movimentada à frente. Na esquina da avenida com a rua em que eu estava, havia um boteco e na única mesa ocupada estavam duas moças conversando, chorando pedi ajuda e por sorte elas me ajudaram, me explicaram que eu estava do outro lado da cidade e me emprestaram o telefone para eu ligar para a minha mãe. Horas depois eu estava em casa, com minha mãe chorando desesperada pelas minhas feridas e minha aparência e eu chorando de alívio por estar viva, apesar de saber que eu viveria para sempre com medo e sempre olhando para trás.

Terminou Bianca enquanto tentava respirar com mais calma.

Diana, por fora tentou manter a calma, enxugar as lágrima da amiga, confortá-la, mas por dentro sabia que precisaria de mais informações, pois sentia que precisava encontrar aquele “menino”...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...