As outras partes estão perdidas aqui pelo blog... :-)
O resto do fim de semana foi ótimo, claro, depois que Bianca colocou todas as suas lágrimas para fora, desabafou e pediu que Diana nunca mais tocasse no assunto.
E ela fez o que a amiga pediu, mas sabia também, mesmo
achando tudo isso muito estranho, o que faria, além de guardar esse segredo e
esse silêncio.
Na segunda-feira, ao sair do trabalho ela não voltou para
casa, foi parar em uma academia e se matriculou, para treinar e também em uma
aula de defesa pessoal para mulheres.
E já ia começar essas novas atividades no dia seguinte, com
uma motivação bem incomum, uma vez que ela nunca se interessou por atividades
físicas.
Assim que chegou em casa, depois de fazer suas matrículas,
ela tomou um banho, colocou um copo de macarrão instantâneo no micro-ondas e
ligou seu notebook. Ela também precisaria melhorar seu plano de internet, e
talvez trocar aquele computador, que ela pouco usava.
Mas para aquele momento, estava servindo. Ela buscou o bar
e procurou pelo Google Maps qual deveria ser a casa utilizada pelo abusador
para manter Bianca presa.
Era mesmo longe e um lugar completamente desconhecido para
Diana, mas ela resolveu que no fim de semana seguinte faria um reconhecimento
do lugar, tomaria um refrigerante naquele bar, passaria em frente aquela casa,
queria experimentar uma certa sensação de perigo, mas acima de tudo, queria
saber como seu corpo iria reagir a essa sede de vingar a amiga que ela vinha
sentindo.
O resto da semana fluiu de forma cansativa para Diana, que
espantou seus instrutores com tamanha dedicação e sinais rápidos de evolução,
tanto física, como nos reflexos defensivos. Ela parecia aprender e se
condicionar rápido demais. Na noite de sexta-feira, seu instrutor a elogiou,
mas também passou uma cantada bem fraca, que ela ignorou com uma careta e um
movimento de olhos que o fez desistir rapidamente.
Depois do banho ela preparou a roupa e a mente para o “passeio”
de sábado, tentou dormir para descansar, mas apesar do esforço do corpo, a
mente não ajudou e o que ela conseguiu foram poucos cochilos de alguns minutos
no meio de uma insônia recheada da mais pura ansiedade.
Pela manhã ela tomou um café duplo, forte e sem açúcar, daqueles
que acordam até a alma, repassou os ônibus e estações de metrô pelas quais
deveria passar, pegou seus óculos escuros, colocou um boné, deixou na pequena
bolsa apenas uma cópia do seu RG e dinheiro suficiente para as conduções e para
um lanche, colocou o celular entre os seios e a arma em um bolso falso da
jaqueta que escolheu. Respirou e saiu de casa sem pensar em mais nada.
Quase 90 minutos mais tarde ela desceu do segundo ônibus
que precisou pegar, se localizou e caminhou por aproximadamente 10 minutos até
avistar o bar.
Conferiu o horário no celular, 10:45, percebeu uma gota de
suor escorrer pelo seu rosto.
Entrou no bar, que naquele momento estava quase vazio, não
fosse por dois homens, já com seus cabelos brancos, tomando o que parecia ser
cachaça no outro lado do balcão.
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