segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Quando a porta do coração emperra

Relacionamentos normalmente começam quando duas pessoas, depois de certo tempo, consideram que entre si existem mais coisas boas do que ruins. Imaginam que os bons momentos dos encontros iniciais podem ser ainda melhores e que mesmo quando a rotina se estabelecer, vão criar um vínculo tão forte, que por vezes chamam de amor, que será capaz de superar todos os obstáculos.

Mas existem obstáculos que por vezes são altos demais e quando uma das pessoas do casal cai de uma altura grande demais, pode ficar incapacitada para tentar correr o mesmo risco no futuro, mesmo que seja, obviamente, com outra pessoa.

Quando isso acontece, as portas do coração ficam fechadas, trancadas e a chave esquecida em alguma gaveta que a memória fez questão de esquecer.

Depois de algum tempo, em alguns casos até mesmo anos, pode surgir alguém que vai fazer o coração daquela pessoa palpitar, o cérebro forçar a memória para encontrar a gaveta da chave escondida, mas os traumas do passado ainda podem fazer com que a porta do coração fique emperrada, mesmo depois da fechadura aberta.

E será necessário ter muita força e muito óleo nas dobradiças para que a porta seja aberta.

Ainda assim, esse coração não vai suportar obstáculos muito complicados, vai preferir a comodidade, o conforto e provavelmente não conseguirá ser envolvido pela confiança plena, mantendo sempre aquele pé atrás da porta aberta.

Se puder, sempre que for sair da vida de alguém, feche você mesmo a porta, para que ela não emperre e não cause danos para a estrutura mental da outra pessoa.

Não há, nunca, a certeza da eternidade em um relacionamento, mas é certo que a falta de respeito é uma escolha, magoar outra pessoa é uma escolha e o medo da verdade é covardia.

Cuidemos das nossas portas, janelas, estrutura e da nossa saúde mental!

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Os olhos de um cego que escolheu não enxergar

Para quem enxerga, é quase impensável perder a visão, para quem nasceu sem essa possibilidade, seria um sonho.

Mas muitas pessoas tem o dom da visão, mas escolhem não enxergar, no sentido figurado, claro.

Fecham os olhos para o que outras pessoas fazem com elas, desviam o olhar para o que é feito de mal para os outros, viram de costas para a realidade.

Preferem não enxergar do que lutar, para seu próprio bem, sua saúde mental e até mesmo pelo bem de outras pessoas, se escondem e acabam isoladas em seus mundos de tristeza, sofrimento e autopiedade.

Colocam nos outros, ou nas situações adversas, a culpa por sua cegueira e não admitem que isso foi uma escolha e sim uma consequência das mazelas do mundo.

O orgulho é outra forma de fechar os próprios olhos. A dificuldade em reconhecer o erro cometido, a escolha equivocada, faz com que se crie malabarismos para justificar o erro, impedir a visão do óbvio e tentar amenizar a culpa pela escolha infeliz.

E isso é real em todas as possíveis áreas da vida, desde a escolha da pessoa com quem pretende dividir os dias, até quem vai tirar nossos direitos e nosso poder de compra nas urnas.

Como diz o sábio ditado, o pior cego é aquele que não quer enxergar, enquanto muitos dariam a vida para ver um pouquinho de luz...



segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Conto em Gotas - Parte 7

 Capítulo 2

A casa aparentava ser muito simples, mas com um espaço grande entre o portão alto de madeira e a porta, separados por um jardim muito mal cuidado, com mato já na altura das canelas e aparentemente uma entrada dos fundos, cuja aparência era exatamente a mesma, com a diferença de não haver um portão, apenas a continuação da cerca de madeira.

Diana passou pela casa, seguiu a rua até a esquina e dobrou o quarteirão passando pela parte de trás e percebeu que não tinha a mínima ideia de como iria entrar ali. Pular a cerca não era uma boa ideia, até porque as duas ruas não eram movimentadas, nem tão pouco completamente paradas.

Ela precisava achar um jeito de fazer o sujeito, se é que ainda era o mesmo, deixá-la entrar na casa dele, sem levantar suspeitas.

O carro que ela esperava encontrar em frente a casa, ou no meio daquele mato, não estava lá, mas isso não significava muita coisa, o que chamava a tenção dela eram todas as janelas da casa fechadas, o que poderiam ser 3 coisas; Ou ele estava dormindo, ou tinha saído, ou havia alguma mulher sofrendo dentro daquela casa.

Frustrada com a sua falta de planejamento, ela desceu uma rua perpendicular por três quadras até encontrar uma lanchonete, onde sentou, pediu um Bauru e uma coca e começou a pensar.

Depois de comer, decidiu que iria tocar a campainha da casa para pedir uma informação, como se estivesse perdida e se ele a atendesse, pediria para usar o telefone ou um copo de água.

Pagou a conta, pegou o telefone, viu a hora, 11:10 e subiu a rua, chegou na esquina da casa do meliante e por pura sorte o viu abrindo o portão com um saco de pão no braço e uma sacola de mercado na mão.

Era ele, ela teve certeza, todas as características que Bianca falou, apenas mais envelhecido e com a barba bem desgrenhada.

Ele a viu, olhou para ela de cima abaixo, ela se aproximou, olhou bem nos olhos dele e depois com uma cara de súplica falou:

- Moço, será que o Sr. Pode me ajudar, acho que estou perdida, estou procurando a rua João Magalhães Rosa?

Ele a olha com interesse, faz uma cara de quem está pensando e responde sinceramente:

- Nunca ouvi falar nessa rua.

Ela olha para o guardanapo que trouxe da padaria com o nome da rua que inventou e pede para ele:

- O Sr. Pode, então, me trazer, por favor um copo de água, estou andando há uma hora mais ou menos nesse sol.

- Claro, mas entre, não precisa esperar aqui fora. Ele diz com um cara da qual talvez ela não desconfiasse, se já não soubesse do que ele era capaz...

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Humilhação

Humilhação é um sentimento negativo que é oriundo de situações em que pessoas se colocam, ou são colocadas em situações de submissão e sem defesa.

Pessoas em situação de fome que se digladiam em busca de restos e ossos, estão sendo humilhadas por seus governantes. Pessoas tímidas vítimas de brincadeiras idiotas quando estão em grupos, se sentem humilhadas. Pessoas que não conseguem se defender de agressões ou opressões impostas por terceiros, se sentem humilhadas.

Contudo, nada é pior do que pessoas que se humilham para ganhar atenção, para buscar reconhecimento, para ter uma companhia, que se submetem às decisões de outras pessoas por medo ou carência e que depois, sozinhas, se perguntam o motivo de tamanha falta de amor próprio.

Implorar por atenção é uma forma de humilhar a si mesmo, pedir perdão de joelhos ou não, por algo que não cometeu apenas para não "perder" uma pessoa, também é um ato de humilhação.

Impor comportamentos, dar ordens descabidas, provocar os mais vulneráveis, sempre através do medo e da prerrogativa da subordinação, também são formas de humilhar, muito utilizadas por proprietários, militares, políticos e religiosos que invocam para sim poderes divinos que por ninguém os foi concedido.

Dobrar-se a essas imposições em silêncio pode causar um sentimento de impotência compatível com a auto-humilhação.

É preciso respeitar, mas saber o motivo do respeito. Entre humanos a hierarquia só pode ser concebida pelo espaço, ou seja, não invadir o espaço individual da outra pessoa, pelas leis, por mais que precisemos discutir algumas, pela idade e pelo conhecimento e ainda assim, os que mais conhecem normalmente não tentam parecer superiores, enquanto muitos meros bacharéis gostam de ser chamados de doutores.

Não se deixe humilhar por figura patéticas que precisam se sentir superiores e jamais humilhe a si mesmo para agradar quem não te agrada do jeito que você é!



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como será nosso destino final?

Todos nós sabemos o nosso destino, mas não sabemos como será a nossa jornada e nem quanto tempo teremos até chegar ao fim a nossa estrada.

Temos uma enorme vontade de alongar o máximo possível esse destino final e que esperamos chegar até ele com saúde e sanidade suficiente para não deixarmos para trás as lembranças dos bons e dos maus dias.

Talvez a pergunta mais pertinente nesse momento seja: O que estamos fazendo para que nosso destino final seja valioso, para que todos os dias que nos foram dados tenham significado?

Será que estamos vivendo, ou passando pela vida, será que estamos conhecendo lugares ou criando raízes demais, será que estamos respirando ou apenas recebendo oxigênio?

Nosso destino será a lembrança, nosso legado serão as mudanças que vamos deixar na vida de outras pessoas, as sementes plantamos que darão frutos ou árvores que nunca veremos. Ou será que lembrarão de nós como aqueles que chegamos perto do limite de destruir o futuro, das guerras e mísseis nucleares, do caos...

Eu desejo que a minha estrada ainda levante muita poeira, que ainda me leve a lugares muito distantes, cheios de vida, de água, de energia, que o caminho ainda me ensine muito e que eu possa espalhar algumas sementes do pouco que aprendi,

Que tenha muitas fotos, mas mais do que isso, muitas lembranças, imagens que ficarão para sempre armazenadas no HD interno e que nenhum vírus pode apagar.

Para que toda a nossa vida valha à pena, precisamos fazer sempre o melhor possível e principalmente o melhor para nós mesmos, pois uma coisa é imutável, o remorso e o arrependimento serão eternos co-pilotos se dermos a eles carona ao menos uma vez em nossa corrida.

Sejamos felizes, tenhamos entendimento para saber viver e saber que a vida acaba, mas que podemos dirigir por ela em uma trilha sempre inesquecível!

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...