Capítulo 2
A casa aparentava ser muito simples, mas com um espaço
grande entre o portão alto de madeira e a porta, separados por um jardim muito
mal cuidado, com mato já na altura das canelas e aparentemente uma entrada dos
fundos, cuja aparência era exatamente a mesma, com a diferença de não haver um
portão, apenas a continuação da cerca de madeira.
Diana passou pela casa, seguiu a rua até a esquina e dobrou
o quarteirão passando pela parte de trás e percebeu que não tinha a mínima
ideia de como iria entrar ali. Pular a cerca não era uma boa ideia, até porque
as duas ruas não eram movimentadas, nem tão pouco completamente paradas.
Ela precisava achar um jeito de fazer o sujeito, se é que
ainda era o mesmo, deixá-la entrar na casa dele, sem levantar suspeitas.
O carro que ela esperava encontrar em frente a casa, ou no
meio daquele mato, não estava lá, mas isso não significava muita coisa, o que
chamava a tenção dela eram todas as janelas da casa fechadas, o que poderiam
ser 3 coisas; Ou ele estava dormindo, ou tinha saído, ou havia alguma mulher
sofrendo dentro daquela casa.
Frustrada com a sua falta de planejamento, ela desceu uma
rua perpendicular por três quadras até encontrar uma lanchonete, onde sentou,
pediu um Bauru e uma coca e começou a pensar.
Depois de comer, decidiu que iria tocar a campainha da casa
para pedir uma informação, como se estivesse perdida e se ele a atendesse,
pediria para usar o telefone ou um copo de água.
Pagou a conta, pegou o telefone, viu a hora, 11:10 e subiu
a rua, chegou na esquina da casa do meliante e por pura sorte o viu abrindo o
portão com um saco de pão no braço e uma sacola de mercado na mão.
Era ele, ela teve certeza, todas as características que
Bianca falou, apenas mais envelhecido e com a barba bem desgrenhada.
Ele a viu, olhou para ela de cima abaixo, ela se aproximou,
olhou bem nos olhos dele e depois com uma cara de súplica falou:
- Moço, será que o Sr. Pode me ajudar, acho que estou
perdida, estou procurando a rua João Magalhães Rosa?
Ele a olha com interesse, faz uma cara de quem está pensando
e responde sinceramente:
- Nunca ouvi falar nessa rua.
Ela olha para o guardanapo que trouxe da padaria com o nome
da rua que inventou e pede para ele:
- O Sr. Pode, então, me trazer, por favor um copo de água,
estou andando há uma hora mais ou menos nesse sol.
- Claro, mas entre, não precisa esperar aqui fora. Ele diz
com um cara da qual talvez ela não desconfiasse, se já não soubesse do que ele
era capaz...
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