segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Nostalgia

 De vez em quando, sem aviso, somos atravessados por uma lembrança.

Pode ser o cheiro de um perfume antigo, uma música que toca ao acaso, uma foto esquecida no fundo de uma gaveta. E, de repente, é como se o tempo se dobrasse. Estamos ali de novo, com as mesmas pessoas, as mesmas cores, o mesmo sentimento de antes.

A nostalgia tem esse poder silencioso de nos transportar. Ela não precisa de lógica, só de espaço para existir.
É um tipo de saudade que não dói o bastante para entristecer, mas também não alegra o suficiente para sorrirmos sem pensar.
É doce e melancólica ao mesmo tempo. Um abraço apertado do que já não volta, mas que ainda mora dentro de nós.

Talvez o fascínio pela nostalgia venha justamente desse desejo humano de revisitar o passado como quem visita uma antiga casa. A gente sabe que nada é igual, mas sente vontade de entrar, olhar cada cômodo, perceber como o tempo mudou tudo e, mesmo assim, manteve algo essencial ali.

O problema é quando a nostalgia deixa de ser visita e vira moradia. Quando passamos a comparar o presente com o que já foi, como se o passado fosse um lugar melhor. A mente, às vezes, idealiza o que viveu para suportar o que sente hoje. Mas o passado não era perfeito. Ele só parece mais leve porque já o superamos.

Viver com nostalgia é lembrar sem se perder. É compreender que aquilo que nos marcou não precisa ser repetido para continuar vivo.
As pessoas que passaram, as fases que terminaram, as versões de nós que deixamos pelo caminho, todas deixaram algo importante, e é isso que deve permanecer.

Talvez a nostalgia exista para nos lembrar de que o tempo não destrói, ele transforma.
E cada lembrança é uma forma de continuidade, não de perda.
Revisitar o passado pode curar, se for com gentileza.

O importante é não usar a nostalgia como fuga do presente, e sim como ponte entre o que fomos e o que ainda podemos ser.

Quando ela vier, permita-se sentir. Mas depois, volte.
O agora também quer fazer parte das suas boas lembranças.

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