Imagine acordar e, em vez de pegar o celular, ter que levantar da cama para bater o despertador analógico, aquele que fazia “trrrim!” e quase te fazia odiar as manhãs. Depois, nada de checar notificações. O máximo que você teria seria o jornal amassado na porta de casa, e se ele não viesse, paciência, o mundo teria que esperar até amanhã para te contar o que aconteceu hoje.
Fazer café ainda era uma arte. Sem cápsulas, sem cronômetro digital, sem playlist “Café e Boas Vibrações”. E se o telefone tocasse, você precisava correr, literalmente, porque ele ficava preso na parede, com um fio que te lembrava que a liberdade ainda não era um aplicativo.
Agora tente imaginar mandar uma mensagem para alguém. Você teria que escrever uma carta. E não dava para apagar. Se errasse, começava de novo. O “enviar” dependia de um carteiro de humor variável e de um sistema de correios que achava que “prazo” era apenas uma sugestão.
No trabalho, nada de planilhas automáticas, e-mails instantâneos ou IA para revisar textos. Tudo feito à mão, com papel carbono, caneta e o medo constante de derrubar café no relatório.
E as fotos? Nada de tirar cinquenta para escolher uma. Você clicava uma vez e rezava para que ninguém piscasse. Só descobriria o resultado dias depois, quando buscasse o filme revelado. Era uma mistura de emoção e tragédia anunciada.
Mas talvez o mais curioso seja pensar que, mesmo com toda essa lentidão, as pessoas conversavam mais, se olhavam mais, riam sem precisar gravar e viviam sem precisar postar. Havia menos praticidade, mas de alguma forma, mais presença.
Talvez o problema não seja a tecnologia, e sim o quanto a gente se acostumou com a pressa. Porque, se por um lado seria difícil viver hoje com a tecnologia do passado, por outro, o passado talvez soubesse viver melhor sem tanta tecnologia.
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