Eu não sou um bom lugar para pousos ingênuos.
Minhas portas não se abrem para qualquer pressa,
meus jardins têm espinhos por escolha,
e meus silêncios exigem mais do que presença.
Já fui abrigo de excessos alheios,
terra invadida por passos sem cuidado,
até aprender que proteger ruínas
também é uma forma de sobrevivência.
Talvez eu não seja feito para quem exige facilidade.
Há tempestades em minhas fronteiras,
há limites erguidos com lucidez,
há recusas onde antes só havia entrega.
Mas para mim, enfim, sou território seguro.
No que muitos chamam distância, encontrei paz,
e no que parece dureza, construí respeito,
porque ser meu próprio lar já é um bom lugar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário