segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Culpar os outros pelos seus erros e atos


Existem pessoas, muitas por sinal, que tem enorme dificuldade em assumir seus atos e erros.

Estas pessoas normalmente buscam de todas as formas encontrar alguém em que possa colocar a culpa pelas suas próprias atitudes e assim aliviar seu sentimento e tentar sair ileso das situações desconfortáveis.

O pior é que no nosso País, existe uma certa insistência em culpar as vítimas. Sim, isso mesmo. Se saio de casa com um relógio bonito e sou assaltado, a culpa é minha por ter saído com o relógio.
Se uma mulher sai com uma saia curta e é estuprada a culpa é dela por ter saído de saia e assim por diante.

Isso nos causou outro grande mal, a passividade perante a violência. Nos vemos compelidos a "agradecer" por termos "só" sido assaltados, mas por estarmos vivos. Veja que coisa surreal, eu já vi e ouvi várias vezes pessoas "elogiando" o ladrão porque não matou a vítima. Tenho um amigo taxista que foi trancado no porta malas do carro, ameaçado, agredido, ficou se telefone, sem o carro, sem os trocados que tinha no bolso, mas ao chegar em sua casa foi recebido com um "Que bom que você está vivo!", "O material não interessa, você consegue de novo".

Não consigo aceitar com tamanha complacência essa atitude a que nos submetemos. Não, não podemos ficar felizes por sermos assaltados, nem mulheres por serem "apenas" violentadas e com nenhum outro tipo de violência. Devemos nos revoltar sim e culpar quem realmente tem culpa, os bandidos que agiram e os bandidos que nada fazem para tentar impedir ou ao menos diminuir a violência.

Mas não podemos nos esquecer das agressões, físicas e psicológicas sofridas dentro de casa, por mulheres, crianças e até mesmo homens, que acabam aceitando uma culpa que não tem.

Um marido que agride física ou verbalmente sua companheira ou filhos porque o jantar não está bom, ou porque não tem cerveja na geladeira, ou porque tem sujeira na pia, ou até mesmo porque ele escorregou e caiu por não ter prestado atenção no chão molhado, precisa ser denunciado e punido.

E as pessoas precisam urgentemente aprender a não aceitar e não carregar o peso de uma culpa que não lhe pertencem, precisam saber diferenciar e ser fortes para não aceitar caladas tudo aquilo que lhe é colocado como responsabilidade e fundamentalmente, precisam entender que as coisas devem ser compartilhadas.

É preciso ter um pouco de coragem para falar que se a janta está ruim, quem reclama que faça da próxima vez, que se não há cerveja na geladeira, que a pessoa passe no mercado para comprar, que se a pia está incomodando, o detergente e a esponja estão à disposição e que se quem caiu não olhou para o chão, a culpa não pode ser sua.

Cada um de nós tem seus problemas e por vezes eles já são pesados demais para que tenhamos que assumir os problemas de outras pessoas que não tem coragem suficiente para assumir seus próprios erros.

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