Aqui por perto, ou perto de algum lugar.
Até porque não sei se foi sonho, ou se é a realidade.
Não sei se me lembro, ou se imaginei, ou criei.
Só sei que ela apareceu como um fantasma, no meio de toda aquela neblina com a neve ao fundo, deixando um contraste quase invisível no branco sobre o branco.
A luz da Lua ofusca ainda mais a minha visão.
Apenas os anjos, lá de cima, conseguem enxergar melhor se estou louco ou devo ficar assustado.
Me sinto leve, como se pudesse flutuar, dou uns passos sentindo a chuva e volto.
Para onde? Eu não sei.
Ouço a voz fantasmagórica dizer que estava morrendo.
Olho para os lados, não vejo nada, fecho os olhos, escuto alguma coisa.
Coloco o ouvido na porta feita pela neblina que nos separa e escuto ela chorar.
Porque ela está chorando? Eu não sei.
Pelas redondezas só existem pessoas que se acham corretas demais.
Mas muitas coisas estranhas irradiam daqui.
Ela pode ter descido do céu, ou subido do inferno, com sua maleta pesada e invisível.
Estava querendo encontrar um rapaz, que pelas características poderia ser o Elvis, aquele que não morreu.
O Dia surge, as nuvens vão embora e as montanhas de neve derreteram e viraram mar.
E eu a vejo, no horizonte, caminhando em um arame, com os braços abertos, bem na linha do horizonte, não sei se no céu ou no mar.
Ela vem se aproximando, ou eu vou me aproximando do horizonte, não sei.
Quando percebo estou na porta da minha casa e ela vem voando com seu carro. Estaciona. Tira sua roupa de palhaço.
Ela diz que entende porque Jesus não quis mais voltar, ou foi eu que disse?
Acho que estou sendo um pouco mal interpretado, vocês estão me olhando de um jeito estranho.
Ela me diz que tem problemas para se comportar quando está nervosa. Mas só eu escuto. Estou nervoso.
Vou me calar, tapo os ouvidos, eu não posso ver nada. Aqui. Por aqui. Pelas redondezas.

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