segunda-feira, 1 de março de 2021

O Carnaval e as máscaras

Esse ano o carnaval foi diferente, mas ainda assim houveram escapadas de algumas pessoas egoístas que consideram uma festa banal mais importante do que o cuidado com a vida de outras pessoas.

E essas atitudes, que não se limitaram ao carnaval, mas também ao réveillon, às eleições, as confraternizações, que nos trouxeram ao estágio atual de contaminação.

Sem vacinas, sem políticas públicas, sem governo, municipal, estadual e federal, ficamos à mercê de nós mesmos, o que foi e ainda está sendo assustador.

Se no carnaval as máscaras usadas são parte de fantasias, na vida real as máscaras usadas são em forma de hipocrisia, daqueles que fingem ser "à favor da ciência e da vida", mas ignoram as recomendações dos cientistas para agradar figurões do mercado, da economia, do comércio.

São máscaras da loucura, que com palavras levam as pessoas ao suicídio coletivo, enquanto lambuza os militares com toneladas de leite condensado e champanhe com morangos.

A máscara do desespero, daqueles que não abrem mão de uma aglomeração, do bar e da bebida com os amigos e depois ficam chorando desesperados quando os pais e avós estão sem oxigênio ou sem leitos disponíveis de UTI, ou ainda pior, que mandam falsas condolências para aqueles que perderam seus entes queridos por atitudes de pessoas que agem da mesma forma, ignorando o perigo real da doença.

Mas tem a máscara de palhaço também, daqueles que idiotamente justificam suas farras noturnas e de fins de semana porque são obrigados a pegar transporte público lotado durante a semana, esquecendo-se ou fingindo que não entende que exatamente por causa desse risco deveriam se expor menos, para não contaminar outras pessoas, outras famílias.

Por fim, existem as máscaras de burros, pobres animais que são comparados com humanos. Aqueles que bradam sem fim sobre a corrupção e os "bilhões" roubados pelos governadores e prefeitos, claro, esquecendo-se completamente das compras feitas pelo Governo Federal. Em parte estão certos, sim, porque assim como no governo federal, nos estados os corruptos se fartam no dinheiro. Mas abrir UTIs não é a solução. 20% dos paciente entubados não voltam, e um número ainda impreciso, mas grande, não volta à vida normal, tem sequelas eternas.

Clamar por leitos, em meio a uma pandemia que pode ser controlada através de comportamento e vacinação é tão idiota quanto aumentar os postos de enfermagem para justificar o aumento do número de soldados no meio de uma guerra. É aumentar uma pista de rolagem na avenida para os acidentados serem retirados sem atrapalhar o trânsito. É se conformar com a morte de quem vai ter UTI para ficar, mas não vai sair de lá com vida, é desejar comer uma pizza com os amigos em troca de uma pessoa que em um quarto novinho de hospital vai ficar desesperada sem conseguir sorver o ar e precisar de um aparelho respirador, é não se importar em ter mais pessoas doentes, infectadas, sem poder ficar com a família,  enquanto se junta com outros tontos na frente do estádio de futebol.

E esses que usam com orgulho essas máscaras, são os mesmos que não usam ou usam errado as máscaras que são obrigatórias para salvar vidas.

Pobre humanidade, de humanos desumanos...

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