segunda-feira, 31 de julho de 2023

Quando a Pensão vira um salário que dura pouco

O desejo por vezes é incontrolável e, principalmente para os mais jovens, fica tão à flor da pele, que quando se dão conta do que estão fazendo e como estão fazendo, já é tarde demais.

Claro que também existem os casais já formados que se imaginam como um só até a eternidade, mas é uma eternidade que dura pouco demais.

E existem, também, algumas pessoas que enxergam uma gravidez como uma ponte para uma vida mais tranquila, recebendo uma pensão gorda para que não só a criança tenha tudo o que precisa, mas para que ela também viva melhor do que na vida antes da gravidez.

E quando digo mais tranquila, não me refiro apenas às mães de filhos de jogadores de futebol ou artistas famosos, mas qualquer mulher que tenha uma vida mais difícil do que a do possível pai, seja ele um empresário, ou um funcionário qualquer.

O ponto comum em todos os casos é que em muitos deles, a pensão vira briga, discussão e quem fica realmente no meio da situação acaba desconsiderado, ou deixado de lado, sofrendo emocionalmente por uma disputa que parece ser apenas financeira.

Algumas crianças crescem se vendo como uma mercadoria, como um passaporte para uma vida melhor e em outros casos, quando a briga não dá o resultado esperado, como um estorvo, como um problema que não deveria ter acontecido, como um plano que não deu certo.

E na maioria dos casos em que o descuido foi tão grande quanto o desejo, a insatisfação habita os dois lados, do pai, obrigado a dar uma pensão que na maioria dos casos é muito baixa e a da mãe, que não recebe o suficiente de pensão para cuidar do filho e quer mais do que a justiça determina.

Então, qual a solução? Deixar de lado a impulsividade, respirar, pensar e se proteger, pois uma criança não é um prêmio e nem um problema, não é um trabalho para gerar um salário e nem um estorvo que vai impedir uma balada no fim de semana...

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Conto em Gotas - Parte 13

O passado deixa marcas e foi o que Diana pode perceber ao observar a esposa do tal Juliano, enquanto ela caminhava em direção a sua casa.

Um passo cheio de desalento e desesperança, como se não houvesse nenhuma razão, exceto o sofrimento, para ela estar ali.

Diana se aproximou dela e executou seu plano:

- Oi, boa tarde. Tudo bem? Você mora por aqui? - Perguntou já sabendo da resposta.

- Moro ali. - Disse a mulher que parecia ter mais de 50 anos, apontando para a casa da esquina.

Nesse instante os planos de Diana mudaram, pois ela ouviu um grito, de um homem, do portão da casa para a qual ela apontou, chamando pela mulher de forma ríspida e grosseira.

- Desculpe, mas tenho que ir. - Ela disse para Diana com a voz trêmula.

Diana segurou gentilmente o braço da mulher e a acompanhou até a porta e foi recebida com um olhar de fúria do homem que estava ali parado.

- Quem é você, o que está fazendo aqui, o que você quer? - Ele quase gritou a alguns centímetros do rosto de Diana.

Ela olhou para um lado, depois para outro, olhou para cima e como não viu nada nem ninguém olhou nos olhos da moça e disse:

- Por favor, não grite.

O sujeito olhos para Diana sem entender e no segundo seguinte estava no chão se esforçando para respirar, tamanha aforça que ela o atingiu com a parte de trás da pistola de pregos.

Ela só deu mais um chute no estômago dele e fechou o portão atrás de si sob os olhares assustados da esposa. Quando Juliano pareceu ter recuperado o fôlego, Diana colocou o lenço com clorofórmio no nariz dele que se debateu inutilmente por apenas alguns segundos.

Ela pediu ajuda para a esposa afim de colocar o grandalhão dentro de casa, meio sem saber o que fazer, ela ajudou.

Diana, sob os olhares pesarosos da esposa amarrou e amordaçou o homem que em breve despertaria e o deixou daquele jeito enquanto conversava com Eliane, a esposa.

- Me diga, sem medo e sem preocupação, o que esse verme fez com você e com a sua filha?

Com os olhos cheios de lágrimas ela respirou e contou tudo, tudo mesmo, desde a desconfiança dela, até o arrependimento por ter duvidado da filha, chegando ao dia em que ela chegou em casa mais cedo e viu, com os próprios olhos a filha sendo violentada, amordaçada e chorando.

Desde aquele dia ela apanhava quase toda a semana, pois Juliano a culpava pela fuga da menina e consequentemente por não poder violentá-la mais. Era abusada frequentemente e não tinha mais esperanças e nem coragem para reclamar ou denunciar de novo, mesmo ele sendo um vagabundo que ela ainda precisava sustentar.

Mas aquilo acabaria naquela noite. Juliano nunca mais faria mal a Eliana, aliás, nunca mais faria mal a ninguém...

segunda-feira, 17 de julho de 2023

1994 - Ano 22

Disse, no resumo do ano anterior, que passei na UNIP, mas não escrevi o curso.

E desde o primeiro dia de aula, tenho certeza que escolhi corretamente.

Entrei na faculdade para cursar psicologia, contra a vontade de toda família, mas com a certeza de que o que fazia de melhor era escutar as pessoas e cuidar delas, como nunca cuidei de mim mesmo.

Disseram que não ia ganhar dinheiro com isso, e não ganhei mesmo, até hoje, mas aprendi muito a lidar com as pessoas, entender, enxergar e assim ser capaz de liderar, como fiz com mais de 400 jovens e depois para ser tão bom nos contatos comerciais que me permitiram voltar a fazer o que amo.

Portanto, 1994 foi o ano da minha afirmação como profissional, apesar de ser apenas um começo.

Nem tudo foram flores, o trabalho me consumia, as aulas, inclusive aos sábados, me cansavam, leituras e mais leituras, e as colgas e um colega da turma, que se iniciou com 92 mulheres e 7 homens...

Maturidade, desafios, nova visão de mundo.

Mais futebol, menos jogo de botão, os primeiros sentimentos aflorados, a primeira decepção em um relacionamento de verdade, mas a certeza, absoluta, que aquele menino tinha ficado para trás, com muito ainda a fazer, mas sem tempo, porque havia muito a conquistar, muito a errar, muito a aprender, comemorar, se arrepender, ou seja, muito a viver...

segunda-feira, 10 de julho de 2023

A Rua que eu achava que era minha

Quase todo dia eu pegava o caminho que me levava de volta para a minha rua.
No sol ou na chuva, era minha aquela parta da cidade.
Eu conhecia até as sobras daqueles prédios, onde quer que eu estivesse.
Mas de repente, um dia foi a [ultima vez que apareci por lá.

Agora me afogo apenas no mar de lembranças.
E eu nem sei se os prédios ainda estão de pé.
Nos meus sonhos, restam apenas os corpos flutuando no espaço vazio.
As imagens ficarão apenas escondidas no inconsciente.

Mas, hoje em dia, que diferença faz?
Tenho a minha própria realidade para me afogar.
E no mar de fogo, sou apenas mais um que se queimou e está estirado no chão.
Ar é quase tudo, ou tudo o que eu preciso.

Contudo me vejo no caminho que me leva de volta à minha rua.
Vou ajoelhado, enquanto outros rastejam na mesma direção.
Como se fosse possível fugir da água que está chegando.
E não adianta, agora, pedir perdão...

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Nossos Gostos Mudam, ou nos Deixamos Levar pela Moda

Para quem já viveu algumas décadas, como eu, ver fotografias antigas pode ser um divertimento, mas às vezes bate aquela dúvida: Como eu tinha coragem de usar isso? E aquelas exclamações sobre os cortes de cabelo, os modelitos, assessórios, como as pochetes, walkmens pendurados no cinto das calças, entre tantas outras coisas.

Quando olhamos as fotos ainda mais antigas, do tempo da juventude dos nossos pais, parece que fica ainda pior.

E provavelmente em um futuro próximo, teremos tempo de olhar para s fotos que tiramos na última década e ainda assim vamos achar estranhas.

Mas então, como explicar uma mudança tão radical na nossa preferência em se arrumar, se vestir ou até mesmo os lugares a frequentar.

Será que realmente gostamos de alguma coisa, ou apenas nos adaptamos ao que dita a moda?

E será que quando somos guiados pela e para a moda realmente gostamos do jeito que estamos ou apenas nos acostumamos, como nos acostumamos ao ver as pequenas mudanças que o tempo nos traz todos os dias?

É quase impossível imaginar o mundo atual, com a aparência dos anos 70, por exemplo, mas não podemos esquecer que nos anos 70 ninguém mais conseguia se ver com os ternos e chapéus dos anos 30 e assim por diante.

E vamos caminhando com algumas vontades próprias, mas mesmo assim seguindo tendências, pois mesmo que é inimigo da moda, também é inimigo dos inimigos da moda antiga!

Celebrando as nossas diferenças, mesmo quando no fundo somos iguais... 

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...