sábado, 9 de abril de 2011

Será que você retribui o amor que recebeu ?


Sempre vejo em vidros traseiros de carros, redes sociais e escuto a frase: “ Deus deu uma vida para cada um, cuide da sua “.

Acredito e concordo plenamente com ela, mas com uma pequena ressalva, antes de cuidar da própria vida, você precisa ser dono dela e isso significa ser independente, ou seja, pagar suas contas, arcar com suas responsabilidades e se não tiver condição de morar sozinho, que seja um dos alicerces da casa.

Tendo isso, cada um faz o que bem quer da própria vida, mas nunca cuidar da vida de outra pessoa que não pediu sua opinião e nem sua ajuda.

E qual é a relação entre isso e o título do artigo?

É que justamente aqueles que não tem a sua independência em nada, dependem de teto, comida e tudo mais dos pais ou parentes que o abrigam, tendem a ser aqueles que mais querem fazer o que tem vontade, sem se preocupar com nada e nem ninguém, o que me sugere um sentimento sem a menor nobreza, típico dos humanos, o egoísmo.

Não falo do simples egoísmo, do garotinho que esconde o doce do amiguinho para não ter que dividi-lo na hora do recreio, mas sim do egoísmo em sua forma bruta, aquele capaz de ser até mesmo, em casos extremos, mortal.

Quase todo filho é uma dádiva para os pais, que sonham com o dia de ter nos braços uma criança para amar e que esperam o mesmo amor, inconscientemente, em troca.

Os pais festejavam, choravam de alegria, faziam planos, economizavam para poder comprar enxoval, pensavam em nomes, imaginavam o futuro do rebento que chegaria.
A mãe, durante nove meses carregava a vida em seu ventre, o pai, quando presente, beijava e acariciava aquela linda barriga redonda que continha um fruto, que foi semeado por vezes com muito amor e carinho e que regado com atenção e cuidado, teria tudo para brotar saudável, forte e pronto para retribuir na colheita, tudo aquilo que foi plantado.

Então, nasce o pimpolho, mais festa, mais alegria, reunião de familiares e amigos, porém, acima de tudo, mais carinho, mais atenção, mais preocupação e mais tempo de dedicação.

Quantas noites não se foram amamentando, acalentando, correndo atrás de médicos, tudo para que aquele fruto continuasse crescendo com força.

Com o passar dos anos, às vezes sem razão, nem porque, ao chegar à pré-adolescência, aquele belo rebento, mal saído das fraldas, já se acha em condição de tomar atitudes por si mesmo, sem sequer por um instante lembrar o motivo, a razão e principalmente como foi possível, ele estar vivo.
Começa a fazer, na maioria das vezes escondido, tudo aquilo que aqueles que deram tanto amor e carinho e, portanto, jamais querem seu mal, diziam para não fazer. Até que um dia, a mentira, como sempre, perde a sustentação e a verdade avassaladora chega aos ouvidos daqueles que jamais esperavam tremendo vendaval.

Em retribuição ao amor e ao afeto plantados, esses filhos devolvem a dor e o desespero aos pais.
Ao serem questionados sobre os motivos que os levaram a tomar essas atitudes, simplesmente dizem que a vida é deles e que ninguém tem nada com isso, que a vida é curta e que tem que aproveitar o máximo possível.

Então comecei a pensar um pouco mais criticamente sobre a frase acima, pois ao mesmo tempo em que essas pessoas não querem que ninguém “ cuide “ de suas vidas, certamente não devem se preocupar com a vida de mais ninguém

Existe egoísmo maior do que esse, fazer o que sabe ser errado para aproveitar dois ou três meses de vida, julgando a vida ser curta e deixar para aqueles que sempre fizeram o melhor por eles a eternidade do sofrimento ?

Quem diz que a vida é curta, normalmente ainda não viveu sequer um terço da expectativa de vida dos brasileiros e, portanto, ainda não sabem o que é viver mais de 40 anos sofrendo pelo egoísmo de outras pessoas.

Semana que vem continuo a discorrer um pouco mais sobre esse tema.


3 comentários:

  1. O seu texto é a dura realidade, mais o que mais incomoda é que com o passar do tempo o egoismo vai brotando dentro das pessoas cada vez mais cedo.
    Abraços!

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  2. Elso, vc enfiou fundo a espada. É isto. Dura realidade.

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  3. Pois é meu caro Elias.
    Ester artigos escrevi nos idos de 2003, 2004, quando comecei a fazer entrevistas com jovens em busca de emprego e me preocupei com o que lia e ouvia. Dura mesmo, mas realidade.
    Obrigado pela visita.

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