segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Sinceridade e Verdade




Apesar de parecidas, a sinceridade e a verdade são duas coisas diferentes.

A Sinceridade tem uma relação um pouco mais aproximada da honestidade, e a verdade é um fato, a realidade, a exatidão.

A maior diferença entre as duas é que a verdade é absoluta não dá margem a abstrações e sentimentos, a verdade “É”.

A sinceridade é essencial, mas é abstrata, imensurável, impossível de enxergar.

Mas mesmo sendo um fato, a verdade ainda pode ser distorcida, fazendo com que pessoas mais vulneráveis acreditem em coisas como a Terra Plana, por exemplo. E só é possível enganar as pessoas, quando a mentira é contada com uma falsa sinceridade que de tão bem representada parece ser real.

A verdade pode machucar, pode causar estragos em uma vida, mas ainda assim é melhor do que a mentira.

A sinceridade também pode machucar, mas é muito melhor do que eventualmente descobrir que alguns gestos eram fruto da falsidade.

A verdade tende a ser sempre descoberta, á a sinceridade pode ficar para sempre mascarada e encoberta em atitudes reais que são tomadas com sentimentos contrários.

Pessoas podem ajudar outras pessoas, o que é verdade, mas podem fazer isso sorrindo quando estão de frente, mas bufando quando viram as costas.

Prefira e procure sempre a verdade e tente ser o mais sincero possível, mas sem criar expectativas com a sinceridade dos outros!

Seja feliz por seus atos e não por atitudes que vem de outras pessoas!

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Redes Sociais:A aproximação da Distância




Durante nossa vida, principalmente quando mais jovens, conhecemos muitas pessoas, formamos grupos, mas invariavelmente a maioria dessas pessoas, por diversas e distintas razões, acabam saindo da nossa vida.

Usando a minha própria situação como exemplo, posso facilmente me lembrar de alguns grupos dos quais fiz parte e que a maioria dos participantes hoje faz parte apenas das boas recordações que ficam firmes na nossa memória.

Os primeiros grupos foram no colégio. Pessoas que via todos os dias da semana, e às vezes fins de semana, por mais de 10 anos e que foram se perdendo com o passar do tempo, depois da formatura.

Depois veio a faculdade, 6 anos convivendo com duas turmas que também faziam parte do cotidiano noturno e por inúmeras vezes aos sábados e domingos para os trabalhos intermináveis, os quais, em virtude do serviço, não podiam ser feitos durante a semana.
As pessoas também foram aos poucos se esvaindo e ficando guardadas em algum lugar do passado.

Em seguida veio o desligamento do primeiro trabalho. Foram 7 anos convivendo com um número grande de pessoas que fizeram parte das manhãs, tarde, fins de semana e feriados e que também aos poucos desapareceram na neblina do futuro.

Claro, que o maior “culpado” pelo fim das relações e continuidade dos contatos, sou eu mesmo. As transformações na rotina, o cotidiano diferente e as novas pessoas que vão surgindo dia-a-dia, somadas à minha personalidade, acabam por ocupar um pouco do espaço que outrora estava preenchido pelos outros.

Posso dizer que contato real, tenho com poucos amigos de épocas distantes, que são amizades de mais de 30 anos e jamais vão acabar e com outros tenho a oportunidade de me encontrar a cada um ou dois anos para bater um papo e tomar uma cerveja. 

Mas a grande maioria está em um mundo paralelo, e provavelmente eu nem mais teria notícias ou conhecimento sobre alguns fatos, se não fossem as redes sociais.

Há mais de 15 anos, surgia o Orkut em nossas vidas e com ele voltaram muitas lembranças, pois a cada foto associada a um nome, a memória trazia à tona os momentos vividos no colégio, na faculdade, no trabalho.

Através dele pude reatar algumas amizades que hoje continuam muito presentes, mas, principalmente, manter um simples contato com aqueles que estavam escondidos em um arquivo na minha memória.

Contudo, depois de um certo tempo, toda a novidade entrou para a rotina e o Orkut ficou obsoleto, sem graça, sem vida e foi aí que ganhou força o Facebook.

A ideia é quase a mesma, e a princípio houve um transporte dos “amigos” de um lado para o outro.
Só que o que era para ser algo legal, por vezes acaba se tornando o oposto. Hoje a rede social é mais importante do que o contato físico. 

Temos conversas enormes em nossos “whatsapp”, pelo Facebook, ou até mesmo SMS, mas quantas vezes, durante o ano, encontramos de verdade aqueles amigos distantes que ficaram no passado?

E além disso, as pessoas que habitam o nosso próprio presente acabam fazendo parte mais da nossa vida virtual, do que da vida real.

Eu mesmo, agora até com meus familiares, converso por mensagens e tirando as pessoas mais frequentes do dia-a-dia, não tenho conseguido muito espaço para reencontros e encontros.

Hoje é quase impensável viver em um mundo sem telefone celular, computador e internet, mas será que essa tecnologia tem o tamanho merecido em nossas vidas?

Será que ao invés de escrever esse texto e publicar no blog e no facebook foi melhor do que seria essa conversa em uma mesa de um pub com um copo de cerveja ?

Acho que não...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Planejamento




Todo fim de ano é a mesma coisa. Momentos de reflexão e de planejamento.

Fechamos os olhos e procuramos reescrever nossa trajetória, para lembrar o que alcançamos, as metas que atingimos, mas principalmente para tentar entender tudo aquilo que planejamos, mas não realizamos.

E nos preparamos para começar a planejar de novo, mas com propósitos. 
Não adianta fazer um plano para emagrecer 20 quilos, nem  o que fazer com o dinheiro da mega sena, nem tampouco pensar em quem vai demitir ou contratar quando aquela promoção sair. Isso não é planejamento, isso é sonho, ou melhor, devaneio.

Todo planejamento, na verdade, começa com organização, uma palavra mágica para que objetivos sejam alcançados. Sem organização, não há planejamento que resista por muito tempo.

Em primeiro lugar, devemos dividir o planejamento em áreas da nossa vida, distintas e tratar cada um de forma separada, apesar de todas serem interligados entre si. Cada um prioriza as áreas de acordo com o que acha mais importante e de acordo com o tempo, idade e pensamento.
As áreas a serem planejadas podem ser, por exemplo: Saúde, Trabalho, Estudos, Relacionamentos, Finanças, Espaço Físico e etc.

Na área da saúde, podemos usar como exemplo aquela pessoa que quer perder 20 quilos no ano. Esse planejamento precisa ser feito e trabalhado em conjunto com a força de vontade e autoestima.
Se você quer começar a fazer dar certo, já tem que atingir a meta logo em Janeiro, para não deixar pra depois e quando percebe está em novembro e com 5 quilos a mais.

Se organizar no trabalho, seja na empresa ou no home-office também é um bom desafio para o planejamento. Ter horários e regras, saber dosar o trabalho e o tempo livre, cumprir os horários e ser pontual, isso ajuda não só a vida profissional, mas permite a organização da vida pessoal também.

E o ponto mais importante, se livrar das lembranças dos planos frustrados e não cumpridos e das metas não atingidas. Se você ficar se remoendo com isso, vai ter dificuldade de acreditar no seu potencial para planejar a agir mo futuro.

Conseguindo isso, sua vida ficará mais limpa, com menos do passado e mais do presente, afinal, o ontem não volta mais, mas o presente nós estamos construindo e se nos organizarmos e planejarmos melhor, nosso futuro  tende a ter mais agradecimentos pelas conquistas, do que questionamentos sobre o que não fizemos.

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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Fé e Manipulação




Eu não sou uma pessoa muito ligada às religiões, mas sou ligado à minha própria fé.e acredito que ela é fundamental para que muitas pessoas acreditem nos seus sonhos e tenham força para caminhar rumo ao sucesso.

Conheço muitas histórias de pessoas que sozinhas não conseguiriam tudo o que têm, mas conseguiram através da fé. Claro, através de suas atitudes, mas que só foram possíveis, porque a fé ajudou a acreditar que era possível.

Porém, ao mesmo tempo em que eu acho isso importante, me incomoda um pouco a crença de que seu esforço, sua vontade, sua bondade, nada são sem a presença da fé e, mais ainda, me incomoda a passividade com relação às dificuldades, fracassos, problemas e todas as outras coisas negativas que são colocadas "na conta de Deus", tirando assim a responsabilidade pelos atos, ou pela falta deles.

A única coisa que me incomoda mais do que isso, é a manipulação da fé. Quando o frequentador da igreja, seja ela qual for, é manipulado de forma a acreditar que ele precisa "comprar" sua felicidade, sua tranquilidade, sua paz, seu sucesso profissional e financeiro.

E os Pastores, Padres e afins utilizam como arma o medo, deixando os fieis a mercê de sua vontade, sendo ameaçados a todo tempo, com o castigo Divino quando falta o dízimo, ou seja lá qual nome cada igreja escolhe dar.

É como se fosse um suborno aos céus, uma condição, que só se realizará mediante pagamento. Mas Deus certamente não precisa de dinheiro. Por vezes a comunidade é convidada para ajudar na manutenção da igreja, mas, na minha e penas minha opinião, não precisaria ajudar na manutenção das mansões daqueles que pregam o medo ao invés da fé.

A fé é invisível e não habita os templos, ela fica dentro do coração de que a tem, que a sente.

De nada adianta frequentar a igreja, o templo, as Mesquitas, se dentro do peito existe ódio, rancor, amargura. De nada adianta pagar para chegar ao céu, se aqui na Terra as suas atitudes não condizem com as suas orações.

O seu dinheiro, por mais que lhe digam ao contrário, não vai comprar sua absolvição, se é que alguém precisa ser absolvido.

Pagar para ser perdoado, depois de matar uma pessoa, arrasar uma família, até mesmo depois de uma simples mentira, não vai trazer de volta o que aconteceu.

A fé não é uma mercadoria, não tem preço e encher os bolsos das igrejas não fará com que ela seja mais ou menos eficaz.

Acredite, sim, mesmo que seja sem ver, apenas sentindo, mas fundamentalmente continue lutando, batalhando, pois nada cai do céu. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Contradições




PAZ, LIBERDADE e JUSTIÇA.

Essas 3 palavras, unidas, formam um lema. O Lema do PCC. Sim, neste País governado por bandidos, nada menos contraditório do que outros bandidos sejam conhecidos e até tenham um lema próprio.

Mas, espera um pouco, Criminoso pedindo paz e justiça já é contraditório demais.

Em São Paulo, caminhões, carros e ônibus são incendiados (Paz ?) quando um bandido é assassinado pela polícia. (Justiça ?).

Um toque de recolher é passado por marginais armados em cima de motos, mandando as lojas baixarem as portas e ninguém sair de casa ( Liberdade ? ).

Somos cada vez mais prisioneiros da loucura que o Brasil se tornou.

Os bandidos matam e pedem paz, quando um policial mata um bandido vai preso, os valores estão invertidos e estamos todos perdidos, mesmo sabendo exatamente aonde estamos.

São tantas as contradições com as quais convivemos, tantas afirmações e situações que nos colocam em dúvida e dificultam demais nosso entendimento que acabamos nos confundindo cada vez mais.

Hoje, para conquistar a paz, os homens fazem guerra. As pessoas se sentem sozinhas, mesmo quando estão cercadas de pessoas, gostam tanto do cantar dos pássaros, que os deixam presos em gaiolas, ficam felizes por serem assaltadas e voltarem vivas para casa.

São tantas coisas malucas, um conformismo tão revoltante, que acaba fazendo muito sentido. Deixamos de acreditar e deixamos a nossa vida nas mãos de incompetentes, ladrões e incapazes. Trocamos a miséria por outra miséria e achamos que estamos saindo da miséria, enquanto a miséria só aumenta.

Sofremos e choramos por amor, mas achamos o amor tão bom. Então natural sentir dor e ficar alegre, pois para nós, tudo poderia sempre ter sido pior. Transformamos em segundos o amor em ódio e depois amamos de novo aquilo que odiávamos.Temos medo de ter coragem.

Pra mim chega dessa maluquice. Vou embora para sempre... Mas semana que vem estou de volta...

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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Liderança




Uma palavra pode ter muitos significados, ser usada de várias formas e maneiras diferentes, mas poucas podem ser tão ambíguas quanto "liderança". Aparentemente liderança é algo bom, mas existem tantos tipos de líderes, que a liderança chega a ser perigosa.

Líder do tráfico, líder dos bandidos, líder dos conspiradores e aqueles líderes que não sabem liderar nada.

Normalmente, para se chegar à liderança, é necessário conquistar o respeito, mas muitos líderes não tem essa capacidade e acabam alcançando a liderança através do medo, da violência, da crueldade, outros, não conseguem nem uma coisa e nem outra.

Existem também as lideranças ideológicas, líderes políticos, religiosos, estudantis, aqueles que se apegam a um tema, uma bandeira, uma ideia e passam a disseminar a sua opinião, angariando seguidores e formando grandes grupos que, por muitas vezes, os seguem cegamente, acreditando em algo que nunca viram, nem mesmo pesquisaram. 

Esses líderes misturam respeito com medo, e uma pitada de mentiras, normalmente tentando destruir os argumentos das lideranças opostas na maior parte do tempo e defendendo-se dos ataques, do que efetivamente expondo ou criando alguma ideia. O mais impressionante nesses casos é o carisma de quem lidera, pois mesmo com muitas dúvidas e interrogações ainda conseguem manter um exercito firme.

Não podemos esquecer das lideranças esportivas, mas essas são mais diversificadas e normalmente trocam de mãos com maior frequência. Uma corrida pode ter muitos líderes do seu início até o final, mas só depois que termina o campeonato, um piloto ganha o respeito e admiração, quase heroica da conquista. Um time pode permanecer na liderança de um campeonato por quase todas as rodadas, mas aquele que liderar a última, é que será lembrado.

Claro, que existem também, as lideranças positivas, os chamados líderes-natos, que desenvolvem um dom para organizar grupos e conseguir unir pessoas diferentes em torno de um único objetivo, os líderes espirituais, que pedem apenas paz e harmonia, os líderes organizacionais, que conseguem driblar egos inflados, levantar mentes depressivas, acalmar almas ansiosas e seguir em frente.

E existe um líder que não pode ser substituído, nem subestimado. Você.

Se você não toma posse da sua vida, seja impondo respeito quando se olha no espelho e se obriga a fazer o que é necessário, você precisa lançar mão de todas as outras alternativas. Seja colocando limites em si mesmo, ameaçando um final de semana divertido se não tomar a atitude necessária, seja fazendo mantras repetitivos para acreditar que aquilo que você quer é de verdade o que você precisa, mesmo que nunca tenha tentado fazer, seja criando uma aposta consigo mesmo para que você se sinta motivado para alcançar seu objetivo, ou, sendo apenas racional e entendendo que se você não fizer algo por você, ninguém fará.

O único líder da sua própria vida que você não pode ser, é aquele que não sabe o que está fazendo, que não sabe o que quer e muito menos porque quer, pois estes, são aqueles que nunca vão conseguir nada, nem para si e nem para os outros.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Entender as Mudanças da Vida




"Ah, como era boa a infância", " Como eu queria voltar no tempo e voltar a ser criança".

Quantas vezes falamos e escutamos essa frase nos tantos anos que se passaram desde que deixamos de ser crianças?

Eu mesmo perdi as contas, aliás, há muito tempo. Provavelmente desde que passei do Jardim de Infância para a Primeira Série, e apareceram no meu cotidiano as "provas" no colégio e o que era ir para escola só para brincar, virou a primeira responsabilidade estudantil. Aprender.

O que eu não me lembro, mas certamente falava, ou ao menos pensava quando estava no Jardim, era "Queria crescer para poder ler e escrever" e provavelmente fazia bico.

As vezes quando pensamos em voltar a sermos crianças, talvez nosso pensamento volte para algo um pouquinho menos distante, o que na minha época era chamado de Ginásio, que ia da 5ª até a 8ª série. 

Nossa, naquele período a maior preocupação era entender as miseráveis equações. Para que ter um X no meio dos número e o que me interessa que número vai substituir o X!?

Enfim, mas era muito melhor do que pensar no X que será o valor do Cartão de crédito a pagar no mês que vem, não era? Mas eu me lembro como odiava tudo aquilo, e pensava " Nossa, como eu era feliz na 2ª, 3ª série, porque eu tive que crescer?"

Só que no "recreio", eu ficava assistindo os meninos do Colegial jogarem bola, achava as meninas "grandes" e mais bonitas do que as "crianças" da sala e pensava: "Nossa, será que vai demorar muito para eu chegar no colegial?". Pois é, demorou, de tanto pensar em outras coisas, na 7ª série consegui a proeza de ser reprovado e adiei por mais um ano o meu sonho e amaldiçoei, também por um ano a mais, o fato de ter crescido.

Ah, O Colegial! Quem nunca pensou em voltar aqueles tempos maravilhosos!? Eu mesmo agora penso como seria bom, estar do lado dos primeiros amigos novamente, os cabelos compridos, as primeiras baladas sozinho, as primeiras cervejas, e até umas "51"... Ah, que saudade...

Mas como eu detestava aqueles dias de química, física, biologia, matemática então, com mais Xs e Ys do que qualquer coisa no mundo! Como era complicada a relação familiar, porque a adolescência é assim. Eu quero, meus pais não querem, a rebeldia, a falta de grana...Naquela época, eu já achava que a vida com um X só era melhor, mais fácil, menos complicada, eu podia pedir mais coisas, podia dormir de tarde, não tinha aquelas aulas esdruxulas depois do almoço, das quais eu lembro com saudade. Mas o que acontecia, de verdade naquela época era que eu morria de vontade de acabar logo o colegial e partir para a faculdade e para o mercado de trabalho, para ganhar o meu dinheiro e fazer tudo o que eu quisesse!

Pois é, hoje eu olho pra trás e vejo como eu fui feliz naquela época, conheci minhas amigas, que hoje são colegas de profissão, aprendi, viajei sozinho, meu trabalho requeria muito pouca responsabilidade nos primeiros anos da faculdade, minha maior preocupação era pagar a faculdade e guardar um dinheiro para ir até Ubatuba com a namorada, depois com outra, depois com outra... Falta de ir trabalhar ouvindo meu "walk-man" amarelão, preocupado com o TCC e arrependido, mas feliz, por passar noites acordado no Olympia, assistindo toda quarta-feira o Axé band, e no dia seguinte ir trabalhar, cheio de alegria e energia. Ah, a juventude! Os 22 aos 25 anos, cheio de energia, como eu queria de volta!

Mas eu não me esqueço de jeito nenhum de como eu reclamava do cansaço, de sair de casa às 06:00 da manhã e chegar só perto de meia-noite, de pegar o metrô lotado, esperar o ônibus de noite para voltar pra casa. De ter milhões de trabalhos e livros para ler, resumir, pacientes para entender, TCC para fazer. O trabalho cansativo, que nesse período foi mudando e evoluindo, chegando no nível de gerência, época na qual além de chegar da faculdade tarde, ainda por vezes tinha que sair correndo de madrugada para resolver problemas antes de abrir a loja... Ah, como eu queria que a faculdade acabasse logo, que eu pudesse trocar logo de emprego, ter algo melhor na vida, quem sabe até casar! Afinal já estava namorando e o fim da faculdade poderia me proporcionar isso.

É, bons tempos aqueles, de recém-formado, com emprego novo, pessoas novas, novos desafios, 400 pessoas para coordenar, dirigir, prazos, casamento, separação, morar sozinho...Quanta novidade! As vezes me pego pensando como aquele tempo foi bom, poder chegar em casa, ter a janta pronta, ou fazer a própria janta, morar petinho do trabalho, menos de 5 minutinhos a pé, adquirir conhecimentos diferentes, conquistar o carinho e admiração de muitas pessoas, e fundamentalmente o respeito, a experiência de abrir a própria empresa, nossa quanta coisa boa aconteceu naquele tempo, que nem é tão distante assim...

Mas é só fechar os olhos e me transportar de verdade para aqueles dias, que a sensação de desespero volta. Nossa, pagar aluguel, condomínio, as compras, o projeto gigante no trabalho, com dias de até 54 horas, onde o único tempo para fechar os olhos era no chuveiro, as brigas, a separação, lavar a própria roupa, os momentos de solidão, o peso todo que eu ganhei nesse período.Caramba, como eu queria que tudo aquilo acabasse logo, que eu pudesse me dedicar a atender, a tocar a minha empresa, ter liberdade, viajar, conhecer novas pessoas, novos lugares, voltar a velha forma, enfim, evoluir.

Acabando de escrever as linhas acima, me lembro com uma enorme vontade de criar uma máquina do tempo e voltar alguns anos atrás, quando todo mês eu ia para um lugar do Brasil atrás do Trio. Os hotéis, piscinas tantas pessoas que entraram na minha vida, amizades reativadas, muitos shows, muitas festas, trabalhando bem menos, é, aquilo foi vida.

E eu me lembro bem que me preocupava dia e noite com o pouco dinheiro que entrava e o muito que saia, com o trabalho escasso, com os problemas da filial que abri da empresa, com o vazio que eu sentia toda vez que voltava daquelas viagens tão legais e na falta do sentido que elas tinham. Em como as pessoas que apareciam, desapareciam tão depressa, ou até mesmo de como a minha memória parecia desfocada, quando eu acordava nos hotéis bacanas, depois de voltar do trio.

É, eu decidi que precisava trabalhar mais, ganhar mais, ter um novo relacionamento, quietar, economizar, fazer as viagens que eu planejava anteriormente, comprar meu apartamento, planejar a vida com mais cuidado, sim, eu queria tudo aquilo.E é exatamente essa fase a última, antes da atual da minha vida. e não é que eu sinto falta, do namoro, das viagens a passeio, dos lugares que conheci, da  retomada do trabalho, da conquista do "meu cantinho", da nova forma de me divertir, das novas amizades, de rever as velhas amizades, a época do Facebook, das decisões, da responsabilidade de cuidar de novo de muitas pessoas, do apego com todas. Mas como tudo está bem fresco na minha memória, lembro das discussões, das desconfianças, da falta das viagens sozinho, das demissões que tive que fazer, da raiva que eu passava, dos remédios que tive que começar a tomar, pois é, foi complicado e eu queria mesmo era voltar para  a liberdade, montar o meu apartamento do jeito que eu sempre quis, ter minha mãe mais perto de mim, a única coisa que eu não queria mudar, era o trabalho.


E aqui cheguei, cansado, com vontade de viajar mais, me divertir mais, ter mais tempo, pois sinto que o tempo está passando. Hoje, minha maior certeza é que não vejo a hora de me aposentar, para curtir melhor o resto da vida, descansar, acordar tarde...


A única certeza maior do que essa, é que quando estiver aposentado, vou querer voltar no tempo, voltar para hoje, por lembrar como foi bom o tempo que eu vivi, enquanto estava escrevendo este texto....

domingo, 2 de novembro de 2014

Coragem Para Mudar




Zona de Conforto, essa expressão tem sido usada demais nos últimos anos.

E o que é a Zona de Conforto? 

Aquele lugar em que você se encontra quando acha que tudo está bom daquela maneira, a situação em que você perde a ambição e se acomoda. Não pensa mais em evoluir, em conhecer outras coisas, aceitar novos desafios, enfim, é a aceitação da vida, ou de uma área da vida, como definitiva.

Quando uma pessoa entra na zona de conforto no trabalho, deixa aquela garra para ganhar mais, ser promovido, ou expandir a empresa e acaba deixando de lado a preocupação com os resultados, ou individuais, ou coletivos, acreditando que o patamar atual será mantido sempre, e que este patamar é bom o suficiente para a vida atual que ela leva.

O problema é que a vida corporativa é dinâmica e o que hoje está indo "de vento em popa", amanhã pode pegar uma tempestade e com aquela morosidade e tranquilidade, a tempestade vai virar o barco.

Já enquanto uma pessoa que sempre busca mais, uma empresa que sempre quer mais, certamente estarão alertas para as eventualidades que possam acontecer e o barco pode balançar, mas com a disposição e com a coragem ele vai voltar a flutuar em alto mar.

Na vida pessoal é a mesma coisa. Por vezes mantem-se um relacionamento por comodidade, por "preguiça" de buscar mais felicidade, ou um sentimento diferente. Quando a zona de conforto se instala dos dois lados, a tendência é a monotonia eterna, a rotina desgastante. 

Porém, quando ela estaciona em um dos dois lados apenas, em algum momento virá o rompimento e ele tende a ser dramático, porque o confortável será pego de surpresa, pois em sua mente parada, tudo aquilo estava bom e tranquilo, e não iria mudar. E quando os olhos se abrirem, para entender que a vida precisava de um toque a mais, um restaurante diferente, um passeio diferente, uma noite diferente, já não fará mais diferença.

Para evitar surpresas, é necessário sempre ter coragem para mudar. Ter coragem até para correr o risco de perder, mas sabendo que com esforço, ou com uma surpresa diferente, um gesto inesperado, pode ganhar cada vez mais, seja profissionalmente, seja afetivamente.

Mesmo que você ache que está tudo bem, precisa evitar a rotina e a monotonia. As vezes apenas para manter as coisas boas, do jeito que estão, é preciso evoluir. É preciso ter coragem de mexer naquilo que aparentemente está certo, que está funcionando, porque só podemos saber se alguma coisa vai melhorar se tivermos coragem para mudar.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Quem sou eu....Para você ??




Os olhos, ah os olhos! E o coração, ah coração...

Os dois enxergam, um vê a imagem, o outro a molda de acordo com o sentimento.

Quando me olho no espelho, o que eu vejo? E se repentinamente atrás de mim outra pessoa me olha no mesmo espelho, o que ela vê?

Será que o mesmo rosto? Ou eu vejo feiura e a outra pessoa beleza? Será que ambos enxergam o que o coração está sentindo, ou sei da minha tristeza enquanto a outra pessoa só consegue enxergar na minha imagem a alegria?

Quem somos afinal, o que vemos, ou o que os outros enxergam em nós?

Como saber o que é feio ou bonito aos olhos dos outros? Porque algumas pessoas tem anorexia? Como saber pelo olhar se uma pessoa está sendo sincera ou está atuando muito bem em uma nova versão da sua peça da mentira?

Quem me conhece há muito tempo pode interpretar uma palavra, um sorriso ou um sinal de uma forma, quem me vê pela primeira vez, e está ao lado daqueles que me conhecem, pode enxergar nas mesmas palavras, no mesmo sorriso e nos mesmos sinais algo completamente diferente, pode me julgar ofensivo, quando estou apenas brincando, pode me achar engraçado, quando estou sendo irônico, pode me achar simpático, quando apenas estou fingindo ser legal.

Quem somos então, se ao mesmo tempo podemos ser tão diferentes?

Será que somos o exterior que sorri, ou o interior que chora sem mostrar as lágrimas?
Será que somos apenas um rostinho bonito que por dentro despreza os olhares, ou podemos ser feios por fora mas bonitos por dentro?
Será que somos os preguiçosos aos olhos de quem não enxerga o nosso trabalho, ou o esforçado que batalha enquanto os outros descansam?

Podemos ser todos, mas sempre somos um só. O que difere são os olhos, nossos olhos não enxergam nem em nós, e nem nos outros, o que outros olhos enxergam.

Podemos ser bonitos e feios ao mesmo tempo, legais e insuportáveis, invejados e desprezados, amados e odiados, pois o nosso reflexo é visto de diversos ângulos e de diversas formas.

Mas o principal, é você saber quem você é para você mesmo. Se moldar de acordo com as suas crenças, ser do jeito que gosta, viver dentro do seu padrão e não tentando descobrir como está sendo visto e julgado pelos olhos dos outros.

Afinal, quem sou eu, para você ?

Photo by Joeyy Lee on Unsplash

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Autocrítica




Nunca conseguiremos chegar ao topo, se não tivermos o conhecimento de nossos defeitos, nossas qualidades, nossas limitações e o que precisamos melhorar.

Nunca conseguiremos encontrar a felicidade, enquanto insistirmos em procurar respostas para a felicidade dos outros.

Nunca conseguiremos encontrar a paz, se dependermos das atitudes de outras pessoas, que não nós mesmos.

A autocrítica é o primeiro passo para o autoconhecimento.

Nada em nossa vida é mais importante do que o autoconhecimento, e a aceitação do que somos, de como somos e de como queremos ser.

Um momento diário de reflexão pode ser fundamental para que possamos olhar nosso interior e assim entender o que deixamos de fazer ou o que fizemos e não devíamos ter feito para que o resultado final fosse diferente do esperado.

Só não podemos confundir autocrítica com egocentrismo. A autocrítica é um processo, até mesmo um aprendizado. Temos que aprender com os nossos erros, também com nossos acertos, mas comumente quando acertamos é porque já estamos no caminho certo.

O problema é que o egocêntrico sempre acha que não erra, que tudo o que acontece de errado é fruto do acaso, do destino, ou de outras pessoas.

A autocrítica serve justamente para afastar esse pensamento inútil de perfeição que habita a mente de muitas pessoas. É a capacidade interna de cada um para realizar uma crítica de si mesmo.

Ela será muito útil para que as pessoas possam atingir metas. Se você quer aprender uma língua, com a qual nunca teve contato, tem que conhecer o seu limite de aprendizado, planejar o tempo que vai precisar e com o andar das aulas entender se está indo dentro do projetado, ou se vai precisar se dedicar mais e mais tempo para aprender dentro do prazo estipulado.

Se você quer treinar uma equipe, ou passar os seus conhecimentos, você precisa entender que o seu ritmo não será o mesmo dos seus alunos ou aprendizes e precisa se aprimorar para conseguir ter didática e paciência com aqueles que podem demorar um pouco mais para acompanhar seu raciocínio. 

Se você percebe que os resultados não são bons, o problema pode estar em você mesmo e não nas pessoas que lhe escutam.

A autocrítica serve também para que possamos controlar sonhos e desejos, afinal, se não nos enxergamos muito bem, corremos o risco de passar por situações complicadas. 

Não tente escalar o Monte Everest, se você nunca tentou subir a pé uma ladeira, não tente fazer um jantar especial com ingredientes que você não sabe nem pronunciar o nome, se você não sabe fazer uma omelete.E fundamentalmente, nunca julgue ninguém, antes de se encarar no espelho...

sábado, 18 de outubro de 2014

Partido Político não é Time de Futebol




Eu acho época de eleição muito chata, ainda mais para um cara chato como eu...

Mas o que mais me irrita são os militantes partidários e aqui, sem ofensa, mas os mais chatos são os radicais tanto de esquerda como que se intitulam direita.

Parecem mesmo com torcedores fanáticos de seus times de futebol.

Detonam o jogador do time adversário, chamando de perna de pau, mascarado, ofendem de todas as formas, mas quando o seu time contrata aquele mesmo jogador, ele vira um craque, especial, gênio!

O grande problema, é que políticos não são jogadores, são representantes, na verdade deveriam ser, do povo e não só dos militantes partidários e sim do povo em geral.

Se um político, como o Collor, o Sarney, Maluf, para falar só dos antigos e tantos outros que roubaram muito no passado e eram execrados publicamente, combatidos em campanhas nas quais eram adversários, não podem virar santos e serem bons companheiros para formar uma aliança.

E não é porque eles agora são aliados, que começaram a ser bons, honestos e bonitos.

Partido político não é time de futebol. Não se pode esquecer os absurdos que foram feitos no passado em nome de alianças no presente.

Quando um jogador do time adversário faz um gol com a mão, ou em impedimento, o torcedor se revolta, reclama com o juiz xinga de todos os nomes, faz um inferno, mas quando é o seu time que faz um gol ilegal, ele se diverte da risada, zomba de todo mundo.

A regra para o time dele é diferente... Ele pode, o time dele pode.

E o militante é a mesma coisa.

Paga para tirar os bandidos condenados da cadeia, mas publica insistentemente os erros e mazelas dos "adversários", ofende quem tem ideias diferentes, mas se dói quando a ofensa é direcionada para membros do próprio partido.

Enfim, são cegos que enxergam apenas o que querem e tentam desesperadamente fazer com que outras pessoas tentem entender uma eleição como um campeonato, onde existe um ganhador e perdedores.

Enquanto tivermos pessoas e políticos assim, essa será a verdade. Os vencedores, que serão os políticos vitoriosos e os derrotados e perdedores, que somos todos nós. Até os tontos que acham que ganharam...


sábado, 11 de outubro de 2014

O Conteúdo e a Embalagem




Poucas decepções são maiores do que receber uma embalagem linda e ao abrir descobrir que o conteúdo é muito pior do que a impressão dada pela embalagem poderia supor.

Assim como a decepção por uma propaganda que te encanta e depois te frustra, em um exemplo simples, como os sanduíches lindos dos comerciais e fotos são quando você abre a caixinha da lanchonete.

Mas, infelizmente, a vida se tornou assim, o que se vende e se compra, em primeiro lugar é a embalagem, a publicidade, a propaganda e só depois que vem a realidade do conteúdo.

Claro, sem entrar no mérito da questão profissional, mas divagando apenas com os fatos, imagino que o marketing foi criado juntamente com a mentira.

E é claro que não quero aqui desvalorizar meus queridos amigos profissionais dessa área, de criação, de ideias fantásticas, que elevam o faturamento de empresas, que fazem crescer vendas, que apresentam para o mercado as novidades e sim sobre o lado ruim do marketing, que tenta esconder os defeitos de alguma coisa, para valorizar, ou até mesmo criar falsas qualidades.

E não são apenas as mercadorias ou serviços, hoje em dia se criam belas embalagens para qualquer porcaria de conteúdo, como por exemplo, na política do nosso país.Hoje os candidatos são marionetes de seus marqueteiros, não usam mais ideias e nem falas próprias, até porque se isso fizessem com honestidade não teriam nem seu próprio voto,  se reúnem para saber o que devem dizer e em que momento, ficando, às vezes, expostos a situações desconfortáveis, pois para atender o plano, respondem perguntas com temas completamente fora do que foi questionado, se contradizem, mudam de opinião e etc...

E os eleitores menos atentos, menos esclarecidos, mais influenciáveis, acabam votando nos marqueteiros de plantão e não nos candidatos em si.

Hoje em dia, até no futebol existe um tipo de marqueteiro, que é o empresário, que monta DVDs com as melhores jogadas de seus jogadores, esquecendo-se de colocar junto todos os erros e trapalhadas e sai entregando esse “material” para diversos clubes a fim de proporcionar um salário melhor para o atleta, mesmo que para isso ele vá parar na China ou na Ucrânia e, claro, aumentar o valor da sua própria comissão recebida em virtude da transferência.

E, claro, até na vida pessoal seguimos este mesmo caminho, com o chamado marketing pessoal.

Nesse caso é fundamental estar na academia, fazer exercícios diários, manter a beleza externa, ter um bom carro, mesmo que parcelado em 60 meses com uma parcela quase do tamanho do salário, usar roupas de grife, da moda, mas sem ter a mínima preocupação com os valores, a moral, a educação, o respeito, a gentileza, a bondade.

Ter cara de conteúdo, sem entender nada do que está sendo comentado, ler as manchetes das redes sociais e divagar sobre o conteúdo que nunca viu, falar de livros que nunca vai ler e de escritores sobre os quais nunca ouviu falar, entre outras tantas coisas.

Porém, na minha humilde opinião, o maior dos problemas, no entanto, não é o político corrupto, o empresário ou quem faz de tudo para ter a carinha e o corpo bonito e sim quem compra ela embalagem, que mesmo ouvindo lendo, comentando e tudo mais sobre a roubalheira que nos assola, sabendo das dificuldades que passa, do sofrimento que viveu em situações semelhantes, ainda repete os mesmos atos.

Como o presidente do Clube que já contratou e teve que dispensar atletas pagando salários e multa e que mesmo assim ainda acredita nos empresários que trazem “craques” para aparecer no time deles.

São as pessoas, que mesmo tendo sofrido, passado por dissabores, decepções, traições, entre tantas outras amarguras, ainda iniciam relacionamentos que começam com um simples olhar de desejo.

E assim caminhamos, elegendo corruptos que falam bem, comprando jogadores que em 100 jogos ruins acertam 2 bons e nos apaixonando por imagens que quando colocadas de frente ao espelho, refletem tudo, menos a inexistente beleza interior.

sábado, 4 de outubro de 2014



Acreditar. Que palavrinha difícil, ainda mais nos dias de hoje.

Antigamente, bem antigamente mesmo, longe do tempo de todos que ainda podem ler esse texto, a palavra tinha força, poder e era possível colocar fé sobre algo dito por um homem.

Hoje, nem documentos reconhecidos em cartório são suficientes para dar fé à palavra.

E o que dizer, então, daquilo em que precisamos, ou tentamos acreditar, sem nunca mesmo ter visto.
Isto é o que podemos chamar de fé.

Segundo o dicionário, Fé é uma palavra que significa "confiança", "crença", "credibilidade". A fé é um sentimento de total de crença em algo ou alguém, ainda que não haja nenhum tipo de evidência que comprove a veracidade da proposição em causa.

Claro que quando a usamos para falar sobre essa crença, a fé cruza a linha da religião.

É preciso ter fé para acreditar em Deus, na bíblia, nos 10 mandamentos, Adão e Eva, Noé e sua arca, a torre de babel e todas as outras coisas que estão inseridas na história.

Mas o grande problema da fé, não está vinculado à religião, e sim, aos que abusam da fé em nome de Deus. 

Mas não só. Abusam da fé das pessoas com promessas, que nunca viram atitudes, com escarnio e sem medo nenhum do que eles mesmo chamam de Inferno.

Eu, nascido e criado em meio a família católica, que estudei a vida inteira em colégio de freira, perdi a fé, talvez não em Deus, mas nas pessoas.

Vi Padre chegando em casa de madrugada com mulheres, sim, mulheres e não eram irmãs mais novas, vi pessoas muito próximas pregando no altar e depois a família descobrindo de traições que já vinham de muito tempo, segundas famílias e etc...

Quando a cestinha passava para recolher o dinheiro, eu olhava para as pessoas e via o desespero com que elas tentavam comprar sua absolvição, sua remissão dos pecados. Pecados?

O Tempo passou e continuei vendo Pastores enriquecendo de maneira estratosférica, enquanto seus fiéis mal tem o que comer, vi novos políticos se elegendo em nome de Deus e usando os fiéis para seguir carreira politica.

E hoje, quanta gente eu vejo morrer nas guerras religiosas. Quantas mortes ordenadas e colocadas nas costas de Deus. Mas qual Deus, de qual fé ?

Quanta gente eu vejo falando de Deus e dos chamados pecados e mentindo com coisas bobas, coisas grandes e tentando ludibriar o próximo, sem medo, no máximo com remorso, mas todo remorso, toda culpa, vai se apagando com o tempo e as coisas caem no esquecimento.

Enfim, com o passar do tempo, eu decidi acreditar em mim, decidi ser bom, uma pessoa do bem, para mim mesmo, minha família, meus amigos e para todas as pessoas que eu puder levar algum tipo de conforto, seja com palavras, seja com atitudes. Sem precisar mostrar, sem precisar provar, sem precisar falar.

Decidi não me importar com as outras coisas, pois sei que a fé que levo no meu coração, move a mim mesmo em direção à paz, que eu preciso para estar bem.

Educação, essa é a palavra que eu acredito, hoje, ser mais importante que a fé. Pois acreditar, pode ser fácil, mas ser bom, fazer o bem, se preocupar e ajudar as pessoas são atitudes, e atitudes são mais fortes que pensamentos.

Photo by Zac Durant on Unsplash

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

A Mentira e a Vergonha



Mentir nunca é bom, nunca faz bem, principalmente para aquele que ouve a mentira e que fica ainda pior quando a mentira é descoberta.

Mas porque existe a mentira e em quais situações ela se aplica ?

Há que se analisar as situações e deixar a mente aberta, livre de julgamentos.

É necessário, também, que se entenda que não há defesa ou apoio para qualquer tipo de mentira, mas meu foco aqui é tratar do entendimento das pessoas e dos motivos que podem leva-las a cometer o erro da mentira.

Vou aqui, por simples questão de comodidade, utilizar sempre como forma de colocação os fatos no masculino, apesar de sabermos que a mentira não tem gênero, é comum à todos.

Existem as mentiras para as fugas, que são contadas por exemplo, no trabalho, quando o funcionário quer viajar, passar o dia na praia, sair com a namorada, ir para o futebol, ou qualquer outra coisa, e arruma um atestado, mata um parente, cria uma doença, enfim, coisas deste tipo para justificar a ausência. Essas mentiras são prejudiciais à empresa e aos colegas de trabalho, mas tirando a carga e o excesso, normalmente o mais prejudicado é mesmo o mentiroso, que quando descoberto, pode até ser demitido por justa causa. Além disso, a ausência por vezes mostra à empresa que o funcionário pode não ser tão importante assim.

Existem as mentiras para namorar, normalmente contadas aos pais, que pensam que as filhas, estão na casa das amigas, fazendo um trabalho de escola, no museu, ou até mesmo em uma viagem com as colegas de serviço, mas na verdade estão nos muros das escolas, no cinema, ou na praia mesmo, mas apenas com os namorados. Essas mentiras são prejudiciais apenas a quem conta, mas causam desconfiança, tristeza e um certo ar de impotência nos pais, que percebem que estão perdendo o controle dos filhos.

Existem as mentiras para a traição, contadas pelo Marido para enganar  sua parceira. Inventam reuniões de trabalho, visita a parentes, plantões, um drink com os amigos, para fugir com a amante, um casinho sem importância, ou apenas para se vingar de uma raiva que a parceira o fez passar e se divertir, mesmo sabendo do risco que isso envolve. Nesses casos se houver arrependimento e culpa, os dois podem sofrer, caso contrário, apenas a traída vai sofrer e isso pode afetar a vida dela de forma a deixar feridas tão grandes que jamais sumirão completamente.

Existem as mentiras pelo benefício, aquelas que são contadas para obter vantagens, extrair o que é possível da namorada, esposa, amiga, durante um tempo determinado, para manter uma fonte de benefícios aberta. É a mentira da ilusão, criada por aquele que a conta, para aquela que acredita, e que continua mantendo a proximidade, porque quer acreditar. Esse tipo de mentira normalmente traz arrependimento para quem aplica, mas nem sempre, pois não é inocente. Para quem recebe, fica a lição, mas rapidamente tudo se recupera e quando o iludido quer continuar sendo enganado, acontece de novo.

Existem as mentiras bobas, aquelas que são contadas apenas para dar segurança a quem fala e não causar desconforto em quem ouve. Normalmente são situações em que quem conta sente medo de falar a verdade, pois acha que quem vai ouvir não vai acreditar no que aconteceu, ou seja, falta de confiança. 

São omissões disfarçadas de mentiras e se não são descobertas, acabam por não trazer mal nenhum. Podemos ter um namorado que realmente vai para um Happy-Hour e só, mas que não conta para a namorada ciumenta demais, ou a mulher que efetivamente vai para o Shopping, mas não conta para o marido que acha que ela gasta demais.

Existem as chamadas "Mentiras de Pescador", quando o camarada inventa algo muito bom que ele gostaria de ter feito, mas não fez, usando as inverdades para tentar impressionar meninas, possíveis chefes, se igualar à amigos melhores sucedidos e coisas assim.

E por fim, existem as mentiras da vergonha. Essas são as mais difíceis, pois são contadas não tanto para os outros, mas para  a própria pessoa que as conta. Essas são aquelas em que as pessoas mentem, por saberem que o que fizeram não trouxe benefício para ninguém, mas fundamentalmente, trouxe prejuízo para elas mesmas. Causam vergonha pela atitude, tristeza pelo resultado e a certeza de que não poderia ter acontecido, mas, acredite, essa mentira é aquela que sempre vai acontecer de novo... Sim, vai acontecer de novo...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Reconstrução



Reconstruir é diferente de recomeçar.

Reconstruir e derrubar de vez aquilo que está velho, acabado, feio, sujo, em desuso e no mesmo lugar reerguer outra obra, outra construção, mas com o mesmo objetivo, o mesmo intuito, talvez com mais arrojo, modernidade, mas dentro das mesmas expectativas da obra anterior.

Reconstruir está mais para reformar, mas é mais do que isso, pois quando reconstruímos alguma coisa, começamos quase do zero, um novo ponto de partida, mas com o mesmo objetivo final.

Isso é o que pra mim diferencia recomeços de reconstruções. Quando alguém tenta recomeçar alguma coisa, normalmente busca finais diferentes, mas quando reconstruímos, queremos de volta a beleza, o glamour, tudo aquilo que já nos pertenceu um dia, mas que minguou com o passar do tempo.

O importante quando tratamos de reconstrução, é saber o que levou uma pessoa, um objeto, uma construção, a tal ponto de deterioração, para que seja preciso cair de uma vez e levantar de novo, desde o alicerce principal, do molde, de um quase nascimento, depois de muito ter vivido.

Quando um prédio desaba, muitas causas e muitos vilões podem surgir. O material de baixa qualidade, o projeto errado do arquiteto ou do engenheiro, o trabalho mal feito dos funcionários, ou uma grande combinação de todos estes fatores. Quando um objeto se quebra, muitas vezes a única solução é colocar uma cola resistente para manter a aparência, mas a estrutura ficará danificada para sempre e muitas vezes ele não poderá ser reconstruído, nem consertado.

Mas quando o que parece desabar é a nossa vida, não podemos focar em encontrar situações ou pessoas culpadas. Temos que tomar a frente da nossa obra interna e tocar adiante a reconstrução, esquecendo do material fraco que utilizamos no passado, das peças de má qualidade que usamos para nos dar segurança e nem procurar os arquitetos e engenheiros que fizeram dela um emaranhado que de tão confuso pode ter causado dor e sofrimento, quando na verdade o que passava pelos nossos olhos eram apenas alegria e felicidade.

Temos que reconstruir sob o chão forte das nossas crenças e com a coragem de subir o mais alto possível. Pois voar, ainda não faz parte dos poderes do homem, mas se reinventar para chegar ao topo de uma vida de conquistas, felicidade e sucesso, ainda depende de nós mesmos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Recomeço


"Para todo fim, existe um recomeço".
Será ?

Um novo começo, esta é a definição da palavra recomeço no dicionário, mas na verdade, novo começo é o oposto de recomeçar. Sim, estou brigando com a gramática.
Qualquer coisa que tentamos recomeçar, na verdade tem um único objetivo, obter  um novo final.

Mas eu não acredito muito em recomeços, acho que a vida é um pouco matemática, se você tentar somar 1+1 duzentas vezes, nas duzentas o resultado final será o mesmo.

Uma semana nunca recomeça, sempre se inicia uma nova, um regime nunca recomeça, sempre temos que começar um novo, senão acabamos recomeçando eternamente as coisas que nunca terminamos.

Muitas vezes erradamente confundimos um começo, com um recomeço, nos amarramos de forma tão pesada ao passado, que não percebemos que estamos dando início a coisas novas, achando que estamos, de novo, começando a mesma coisa e imaginado um novo final, enquanto na verdade temos certeza de que nada vai mudar.

Vivemos e aprendemos, com nossos acertos e com nossos erros e alguns erros tornam situações impossíveis de serem recomeçadas. Temos simplesmente que fechar os olhos, respirar e deixar pra trás.
Aceitar e não cometer o mesmo erro quando outra situação começar.

A vida não é um jogo de paciência, no qual você pode voltar algumas cartas para reposicioná-las de uma maneira diferente e assim vencer. A vida é imutável e cada gesto, atitude e ação, são irreversíveis. Não dá para desfazer e começar de novo.

Essa história de "Vamos esquecer o passado e recomeçar", não existe, o passado não se apaga, não se move, não se muda. E temos o estranho dom de lembrarmos muito mais daquilo que nos machuca, do que aquilo que nos fez bem.

Se alguma coisa chegou ao final, e o resultado não foi o que você queria, ou esperava, erga a cabeça, siga em frente e comece, não recomece. Procure coisas diferentes, experiências diferentes, momentos diferentes, pois só assim o resultado não será o mesmo.

Fuja daquilo que já aconteceu e não deu certo, escreva uma nova história, em páginas em branco, não tente rasurar o futuro para corrigir os erros do passado, a vida não tem uma borracha mágica que apaga suas palavras e atitudes. Aprenda a conviver, aceitar, assuma a responsabilidade e as rédeas dos seus dias.

Pegue o trem que vai te levar para o futuro, não adianta querer atravessar para o outro lado da linha férrea, pois pode ter certeza que lá nunca mais passará nenhum trem.

sábado, 6 de setembro de 2014

Aprender a Perder


Talvez a maior dificuldade da maioria das pessoas seja entender o encerramento de um ciclo, o final de uma vida, a perda de um objeto, o fechamento de um livro cuja última página foi lida ou escrita.

A dor de uma perda, o inconformismo com o final de um relacionamento, a dispensa no trabalho, o encerramento da empresa, o desfecho de um sonho.

Tudo acaba, todos acabam, nós acabaremos.

O Moderno fica obsoleto, a moda vira cafona, os cabelos ficam brancos, envelhecemos.

Junte-se a isso a maluca obsessão e a dor intangível da perda daquilo que nunca tivemos.

Sim, por mais estranho que pareça, muitas pessoas não conseguem aceitar que para perder alguma coisa, antes aquilo precisava ter lhe pertencido.

E qual é a único sentimento capaz de fazer com que o ser humano se encontre em tamanha incoerência?

Apenas a expectativa, que traz consigo a culpa.

A culpa por não ter alcançado um objetivo proposto por si mesmo, a culpa por não ter tido coragem de falar alguma coisa para alguém, a culpa, até divina, por ter sido preterido por outra pessoa.

E aí tudo o que ficaria bom, continuou ruim, porque aquilo que seria, nunca foi.

E então a vida se transforma em um filme, um desenho animado em que nós mesmos somos os personagens e enxergamos, de olhos fechados, tudo aquilo que nunca aconteceu e esquecemos que é impossível saber o que realmente aconteceria se um minuto da vida fosse diferente do que realmente foi.

O que precisamos é efetivamente aproveitar todos os nossos momentos com aquilo que possuímos, pois se continuarmos apenas sonhando com outras coisas, não teremos nunca tempo para usufruir o que temos ao nosso redor.

Claro, que precisamos planejar o futuro, plantar os sonhos no presente, mas não podemos apenas esperar a colheita. Precisamos paralelamente viver, pois o que estamos colhendo agora, foi o que plantamos no passado.

Um relacionamento cujo fim não é aceito, trava as portas para um possível relacionamento melhor que pode surgir no futuro. Se não aceitar o final, ficará preso na expectativa de consertar o que está irremediavelmente quebrado e viverá preso à ilusão de algo que na verdade nunca aconteceu. 

Se uma roupa não te serve mais hoje, lembre com alegria o quanto ela lhe serviu no passado, se seus cabelos hoje estão brancos, lembre que já tiveram outra cor há alguns anos, se sente saudade de alguém, lembre que saudade só temos de quem nos fez bem. Se um bom livro acaba, lembre-se que sempre haverá um novo e se você terminar, antes de dormir, mais uma página do dia da sua vida, lembre-se de agradecer e se prepare para poder acordar na manhã seguinte, pronto para escrever mais uma página que hoje está em branco.

Mas nunca se esqueça, jamais reclame por ter perdido alguma coisa se você jamais a teve, só se perde aquilo que um dia já foi seu e se não foi, você jamais perdeu!

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Sementes



Costumo dizer, e acredito verdadeiramente, que colhemos o que plantamos.

Portanto, precisamos encontrar as melhores sementes, procurar o tipo de solo correto, irrigar com cuidado, proteger do excesso de sol e das chuvas exageradas, cuidar também da temperatura, entre outras coisas.

Mesmo assim, com todo cuidado que dispensamos, não podemos garantir que a Colheita será 100% boa, às vezes coisas incontroláveis acontecem e levam embora muito trabalho e cuidado, deixando apenas as lágrimas.

Precisamos ser fortes, ou ainda mais fortes nestes momentos de tormenta, pois se nos deixarmos abater acreditaremos que não precisamos e nem devemos plantar mais nada, pois estaremos apenas à mercê do destino, aquele que nos pega de surpresa, o responsável pelas nossas tristezas e eventuais alegrias.

Nada disso! Precisamos olhar para frente e começar tudo de novo, acreditar no nosso potencial e acreditar que vale muito à pena ser correto e agir, assumir o controle da nossa plantação e esperar pois o momento apropriado vai chegar e a colheita será maravilhosa, cheia de frutos deliciosos, perfeitos, como foram planejados quando as sementes foram plantadas.

Também surgirão, quando menos esperarmos, lindas flores no meio do jardim, flores que deixarão tudo ainda mais bonito, que nos trarão esperança e motivação, flores que não foram plantadas, mas cujo pólen escolheu nosso jardim, não ao acaso, mas porque a certeza de bons frutos chamou a atenção das abelhas.

Quase tudo na nossa vida tem uma razão, um sentido e apesar de não podermos controlar todos que habitam nossos dias, pelo menos nossa atitude depende apenas de nós.

Afinal, este jardim é nossa vida.
Se plantarmos boas atitudes, amor, carinho, respeito, educação, esperança, sonhos, objetivos, certamente vamos colher tudo isso no futuro.
Se plantarmos inveja, ciúmes, destruição, falsidade, chantagem, desrespeito e maldade, será isso que colheremos também.

Em muitos momentos, podemos até pensar que não vale à pena ser bom, ajudar, respeitar, entregar de graça um sorriso. Muitas vezes os dias nascem feios, tirando um pouco da alegria e da esperança de nossos corações, mas se mesmo assim continuarmos plantando apenas as coisas boas, os dias difíceis vão diminuir e mesmo que saibamos que eles ainda existirão, estaremos mais preparados, pois teremos sempre o antidoto para o veneno dos momentos de tristeza, os sorrisos para as lágrimas, novos sonhos para as decepções...

E se ainda assim, os seus sonhos não se realizarem, não desanime, não desista, procure alternativas, quem sabe o seu sonho não seja efetivamente aquilo que você precisa.

Mude o foco, troque o rumo e siga em frente, sempre com novas sementes nas mãos e com a mesma determinação e cuidado. Pois quem planta, colhe.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A Copa, O Povo e a Política



A Copa acabou, o Brasil perdeu, de goleada, para a Alemanha e repentinamente tudo se transformou.

Todas as manifestações ocorridas em 2013, na época da copa das confederações, voltaram com força.
Todas as críticas ao técnico, jogadores, Presidenta, governantes e afins retornou.
Isso me envergonha, pois significa que em caso de vitória, todos os problemas seriam esquecidos e só depois de mais um ou dois anos as coisas voltariam ao normal.
Isso é o espelho do nosso País. Ignorância e o contentamento com nada, pois é isso que a conquista da copa do mundo significaria para o povo Brasileiro. Nada.

Não sou hipócrita. Adoro Copa do Mundo, tenho um sonho de ainda assistir uma in loco, em qualquer parte do mundo, mas não senti vontade alguma em ir assistir nos estádios super-faturados daqui. A Copa foi ótima, jogos maravilhosos, intensos, placares apertados e surpreendentes, muitos gols, belos gols. Fiquei triste, por mais uma vez não ter podido assistir todos os jogos, pois batiam com meu horário de trabalho, mas todos os fins de semana e feriados, não saia da frente da televisão.
Eu adoro futebol, apesar de que diminui muito o número de jogos que vejo, pois a qualidade do futebol ficou muito ruim nos nossos campeonatos internos. Mas o futebol é diversão, é lúdico, é passatempo, exceto, claro, para os profissionais que trabalham com e para ele. Mas o resultado do jogo não muda a vida da maioria das pessoas, não traz benefícios, melhorias e nem saúde, educação ou segurança.

O Futebol não é a vida ou morte, não merece lágrimas nem suspiros, precisa ser visto como um filme, uma peça de teatro, um evento pelo qual pagamos para assistir e quando acaba vamos embora. Claro que existe a empolgação, a torcida, a festa pelo título, mas muitas vezes, por causa dele, escancaramos a falta de respeito, cidadania, educação e desconhecimento.
Pelo futebol vemos discussões irascíveis, mortes, confusões, assim como vemos em brigas de trânsito ou discussões de fanáticos políticos e religiosos, e por tudo isso, percebo que muitos humanos são menos racionais que os mais irracionais dos animais.

Quando, em 2007, foi anunciado o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, eu disse a todos a minha opinião, contrária ao evento no nosso País, pois sabia que seria apenas mais um evento no tradicional estilo "Pão e Circo" para o povo, eu já sabia que as obras não ficariam prontas, e nem se o anuncio se desse em 2000 ficariam, pois nunca houve interesse em que ficassem, sabia que seria usado dinheiro público e mesmo que fosse em 2000 ainda assim esse dinheiro seria utilizado. Já sabia que os Estádios ficariam prontos em cima da hora e com muitas coisas sem terminar e mal feitas, e assim seria mesmo que o anuncio fosse feito na época de Fernando Collor.

Ou seja, não importa qual o Partido Político, nem o presidente que estava no cargo na época do anuncio, nada mudaria, pois todos eles, TODOS são corruptos, bandidos e aproveitadores. E lembremos, que quem organiza a Copa é a FIFA, que é presidida por corruptos iguais, ou até maiores do que os nossos.

Os estádios custaram, juntos, o equivalente a mais de 20 hospitais de Ponta, ou mais de 100 Escolas de nível elevado, mas os estádios não mudaram em nada, absolutamente nada a realidade do Brasileiro.
Mesmo que nenhum estádio fosse construído, mesmo que não houvesse copa, NADA seria diferente, não haveria nenhum outro hospital, nenhuma outra escola, NADA de diferente, pois o dinheiro investido e super-faturado seria utilizado em outra coisa semelhante, invisível aos olhos da maioria e continuaríamos cegos para isso.

Politicamente, a Copa foi um tiro no pé de toda a governança, não pelo resultado desastroso do Brasil, mas por ter escancarado ao mundo o mal uso do dinheiro e se eles não fossem confiantes a ponto de acreditar que o esquecimento do país inteiro terminaria rápido demais com uma conquista, prefeririam continuar com o roubo descarado, mas distante da opinião pública e mais distante do povo que por desconhecimento acreditou que esses bilhões investidos nos estádios poderiam ser usados de outra forma.

A Política, nada tem relacionado à Copa, a visão dos eleitores deveria ser a mesma com vitória, ou com derrota. A lembrança das lambanças feitas no congresso nacional, nas assembleias legislativas estaduais e câmaras de vereadores de todo o país não deve ser ligada à lambança feita no campo de futebol.

Essa relação, mostra a completa falta de conhecimento e conhecimento só se adquire através da educação e educação é tudo o que qualquer governante desse país não deseja para os seus eleitores.

Photo by Markus Spiske on Unsplash

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Os Invisíveis



Aqueles que podem estar em qualquer lugar, aqui inclusive, lendo sob o meu ombro.
Aqueles que podem tudo ver, mas nunca são vistos.
Aqueles que para todo e qualquer efeito não existem, nunca existiram e se vocês não acreditam neles, o problema é todo seu. O Problema é meu. O problema sou eu.
Não os vejo, nem os escuto, nem tampouco os sinto, e não acho que eles existam, mas estão aqui atrás de mim.

Mas a culpa é minha, toda minha, só minha e de ninguém mais.
Agora eu arrisco, agora eu acredito no que eu sabia, mas tinha medo de acreditar e por isso não perguntava.
As vezes o medo da resposta nos tolhe a pergunta.
Mas agora eu sei, e sei que ninguém mais está comigo e não há nada nos meus ombros, senão a queimadura do sol. Mas quem tirou meu protetor solar então?
Sim, eles estão aqui, estão ai também, lendo junto com você, serão os mesmos que escreveram comigo?

Ou são apenas seus, e eu tenho os meus, e os outros que não vejo se sentam em cadeiras também invisíveis e assistem as pessoas ao meu redor almoçarem, descansarem, se divertirem, ou são eles que se divertem com toda a nossa confusão.
Quem são eles então. Ninguém ou todos, O escuro ou a luz, a salvação ou a perdição, ou não são. Eu acredito, mas duvido, com todas as minhas forças.

Se estão aqui, porque não me fazem parar? Apenas para rir, ou porque não podem? Porque não podem me salvar? Porque não querem?
Ou querem apenas sofrer e chorar, como se assistissem um drama barato Mexicano, ou porque apenas o meu desejo é que eles existam, mas agora estão tomando o sol da tarde em uma Praia no Vanuatu.
Mas quem disse que eu quero alguém no meu ombro? Quero alguém do meu lado, junto comigo, mas que eu veja, que eu sinta, que eu enxergue... E se mesmo assim eles ainda estiverem comigo, vendo o meu olhar de felicidade, minha reciprocidade, meu contentamento e  filmarem tudo em preto e branco para passarem aquele famoso filme que passa em nossa retina pouco antes da nossa morte ?

Ah, como eu queria!!! O que eu queria ? Nem sei, porque sei o que quero e tudo o que quero é aquilo me falta, mas o que me falta?
Como escreveu Renato Russo, “ Essa Saudade que eu sinto de tudo que Eu ainda não vi”
E eles por acaso enxergam, têm olhos ? Sentem o olfato, têm narizes ? São felizes como Eu ?

Mal sabem eles, que a felicidade não se vê, que ela pode estar aqui, lendo sob os meus ombros e acariciando a minha orelha com um sussurro inaudível, mas como a felicidade pode fazer o mesmo por eles, se eles são invisíveis... 

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...