segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Boas Festas

O fim de ano costuma convidar à pausa, mesmo que breve. É um momento em que muita coisa vem à tona, balanços, lembranças, expectativas, cansaços e também esperanças.

Quero agradecer a cada paciente pela confiança, pela coragem de olhar para si e pelo compromisso com o próprio processo. A terapia só acontece de verdade quando existe encontro, e isso se constrói a cada conversa, a cada silêncio respeitado, a cada avanço e também a cada dificuldade.

Aos clientes e parceiros, deixo meu agradecimento pela troca, pelo diálogo e pelo respeito ao trabalho. Que o próximo ano siga abrindo espaço para decisões mais conscientes, relações mais saudáveis e escolhas mais alinhadas com aquilo que realmente importa.

E a você que acompanha o blog, lê, reflete, compartilha ou simplesmente passa por aqui em busca de algum sentido, obrigado pela presença. Escrever também é uma forma de cuidado e de encontro.

Que as festas sejam vividas no ritmo possível para cada um. Sem exigência de alegria constante, sem cobranças desnecessárias. Que haja descanso quando for preciso, acolhimento quando faltar força e um pouco mais de gentileza consigo mesmo.

Seguimos juntos no próximo ano. 

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Profundo

Recostado, no parapeito,
Ele pensa em quem o criou, pensa no próprio destino.
Para quem passa na rua, ele não é ninguém,
Mas dali de cima enxerga tudo.

E empurra a agulha cada vez mais fundo.
Não se encontra,
E nem encontra o fundo.
Já está profundo, mas mesmo assim não alcança o fundo.

Na periferia de uma cidade desconhecida,
Ele se sente superior, enquanto os velhos passam abaixo dos seus olhos.
Mas aos olhos do céu, ele também não é nada.
Porém a vista ao menos o consola por um instante

E ele enfia uma faca em brasa ainda mais fundo.
Enxerga o sangue saindo do seu braço.
Mas não encontra o fundo,
Já está profundo, mas mesmo assim não alcança o fundo.


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Abulomania

 

A abulomania é um transtorno psíquico caracterizado por uma indecisão extrema e incapacitante. Embora seja normal enfrentar dificuldades para tomar decisões em determinados momentos, na abulomania, essa indecisão se torna constante e interfere diretamente na qualidade de vida, impedindo a pessoa de realizar escolhas simples ou importantes.

A abulomania está frequentemente associada a transtornos de ansiedade ou depressão, nos quais o medo de cometer erros ou de enfrentar consequências negativas paralisa a tomada de decisões. Pessoas com abulomania podem se sentir presas em um ciclo de dúvidas, recorrendo excessivamente a outras pessoas para tomar decisões por elas, o que pode gerar sentimento de frustração e dependência.

Essa condição também está relacionada à baixa autoestima, às vezes exacerbada por críticas recebidas ao longo da vida, que minam a confiança da pessoa em sua própria capacidade de decidir. Essa indecisão não se limita a escolhas grandes ou complexas; até mesmo situações cotidianas, como escolher o que comer ou vestir, podem se tornar extremamente difíceis.

Embora as causas exatas da abulomania ainda não sejam totalmente compreendidas, alguns fatores podem contribuir para o seu desenvolvimento:

1.    Histórico familiar: Crescer em um ambiente onde a autonomia não foi incentivada pode aumentar o risco.

2.    Traumas emocionais: Experiências marcadas por punição ou desaprovação por escolhas feitas no passado podem gerar medo de decidir.

3.    Questões neuroquímicas: Alterações em neurotransmissores, como serotonina e dopamina, também podem influenciar.

A abulomania pode prejudicar gravemente a vida da pessoa. As relações interpessoais podem ser afetadas pela dificuldade em se posicionar ou pela dependência excessiva. No âmbito profissional, a incapacidade de tomar decisões pode comprometer o desempenho e as oportunidades de crescimento. Além disso, o estresse gerado pela indecisão constante pode levar a outros problemas, como insônia, irritabilidade e esgotamento emocional.

O tratamento da abulomania geralmente inclui psicoterapia, suporte familiar e, em alguns casos, medicação. A terapia é amplamente utilizada, ajudando a pessoa a identificar e reformular crenças disfuncionais que perpetuam a indecisão. A prática de tomada de decisões em contextos controlados também pode ser eficaz.

Uma abordagem humanista também é valiosa, pois coloca a pessoa no centro do processo terapêutico, incentivando a autodescoberta e a autoconfiança. O acolhimento por parte de amigos e familiares também é essencial para que o indivíduo se sinta apoiado em sua jornada de superação.

A abulomania é um transtorno que pode limitar a autonomia e o bem-estar de quem a vivencia. No entanto, com o tratamento adequado e o apoio certo, é possível resgatar a confiança e desenvolver a habilidade de tomar decisões com mais segurança. Buscar ajuda especializada é o primeiro passo para transformar essa dificuldade em um aprendizado valioso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A Força da Fé

Fé é uma palavra que atravessa séculos e culturas. Mesmo assim, continua difícil de definir. Para muitos, é ligação com o divino. Para outros, é uma forma de esperança. O fato é que a fé aparece como estrutura emocional, como força interna que empurra as pessoas para frente quando a razão não dá conta.

A fé dá significado a conquistas e explica fracassos. Para quem acredita, nada acontece por acaso. Cada vitória ganha brilho de propósito e cada queda vira parte de um plano maior. Isso traz conforto e, ao mesmo tempo, responsabilidade. É como se cada um carregasse um acordo silencioso com algo maior. Quando a vida escapa do controle, a fé se torna uma boia. Quando tudo dá certo, ela vira o alicerce que sustenta a sensação de que existe ordem no caos.

A fé funciona como ferramenta de sobrevivência emocional. Pessoas lidam com perdas, doenças, rupturas e incertezas porque acreditam que existe algo além do momento presente. Essa crença reduz o peso da dor e aproxima as pessoas de uma sensação de continuidade.

A fé também tem um papel curioso nas explicações do cotidiano. Ela preenche lacunas que a lógica não alcança. Quando a vida entra naquelas curvas inesperadas, a fé ajuda a aceitar que nem tudo é compreensível. Essa aceitação reduz a ansiedade e devolve um mínimo de paz. Não é submissão. É estratégia emocional.

Mas a fé também explica conquistas. Muitas pessoas trabalham duro porque acreditam que existe uma força que valida seus esforços. Isso cria disciplina, foco e persistência. A fé dá coragem para começar e resiliência para continuar. Cada desafio vira teste. Cada conquista vira confirmação.

Não importa se a pessoa acredita em Deus, no universo, na energia das coisas ou simplesmente na própria capacidade de se reinventar. O mecanismo é o mesmo. A fé é uma linguagem que o ser humano desenvolveu para não sucumbir à incerteza. É o que permite olhar o futuro sem medo paralisante, mesmo quando o presente está desmoronando.

A fé organiza emoções, dá sentido e protege. E se algo é capaz de fazer isso, merece ser reconhecido. No fim, a fé é menos sobre provar algo e mais sobre sustentar alguém. É a ponte entre o que sentimos e o que desejamos. Talvez seja exatamente isso que faz dela uma das forças mais poderosas que o ser humano já criou.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Regulamentação das Redes

Vivemos em uma época em que qualquer pessoa pode publicar uma opinião em poucos segundos. Um celular na mão virou megafone. Um perfil virou tribuna. As redes sociais abriram espaço para conversas importantes, para movimentos sociais, para debates que antes ficavam restritos a poucos. Mas, junto com isso, criaram um território onde muitos confundem liberdade com impunidade.

Eu acredito na liberdade de expressão. Não é um valor negociável. Cada um deve ter o direito de dizer o que pensa, compartilhar sua visão de mundo, criticar governos, expor indignações, defender ideias e até correr o risco de errar. A liberdade é uma base fundamental de qualquer sociedade que se pretende democrática.

Mas acreditar na liberdade não significa aceitar que ela vire arma. Não significa transformar as redes em espaços sem lei. Não significa tolerar que pessoas sejam destruídas por mentiras, perseguições, humilhações públicas ou discursos de ódio travestidos de opinião.

Você é livre para postar o que quiser, mas precisa lidar com as consequências dentro do âmbito legal. É simples assim. Não existe liberdade absoluta quando ela atravessa o limite dos direitos de outra pessoa. Ninguém tem o direito de espalhar calúnias, manipular fatos, incitar violência ou desumanizar grupos inteiros e achar que isso será tratado como simples opinião.

Opinião é uma coisa. Crime é outra.

E essa é a confusão que muitos alimentam, às vezes por ingenuidade, às vezes por conveniência política. Há quem grite censura para qualquer tentativa de regulamentação. Há quem deseje controle total do que circula nas redes. Eu não acredito em nenhum desses extremos. Acredito em algo muito mais simples e mais honesto: responsabilização.

Se alguém atravessa o limite, responde. Nada mais justo. Se usa a internet para enganar, prejudicar, difamar ou incitar violência, essa pessoa deve ser responsabilizada com a mesma firmeza com que seria fora do mundo digital. As redes não são uma terra paralela. São parte da vida real, com impactos reais e danos reais.

E, ao mesmo tempo, não podemos permitir que o Estado controle o conteúdo da internet como se fosse dono da opinião alheia. Regulamentação não pode ser instrumento de poder. Precisa ser instrumento de proteção. Precisa defender a sociedade sem sufocar a pluralidade.

É possível equilibrar essas duas coisas. Liberdade e responsabilidade. A internet é revolucionária exatamente porque nos conecta, nos expõe e nos dá voz. Mas voz sem consequência costuma produzir caos. Quando cada um entende que postar é um ato de expressão, e também um ato de responsabilidade, a conversa fica mais limpa. A convivência fica mais saudável. E o debate fica mais honesto.

Não se trata de calar ninguém. Se trata de garantir que a fala não seja usada para destruir.

O direito de se expressar é seu. As consequências também. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Síndrome de Otelo

 

A Síndrome de Otelo, nomeada em referência ao personagem da peça de Shakespeare que foi consumido pelo ciúme patológico, é um transtorno psicológico caracterizado por ciúme excessivo e irracional em um relacionamento amoroso. Indivíduos com essa síndrome acreditam de maneira obsessiva que estão sendo traídos por seus parceiros, mesmo na ausência de qualquer evidência concreta. Este ciúme intenso pode levar a comportamentos possessivos, paranoicos e, em casos extremos, a atos de violência.

As causas da Síndrome de Otelo são multifatoriais e podem incluir:

1. Traumas e Inseguranças Pessoais: Indivíduos que sofreram traumas emocionais ou que possuem uma baixa autoestima podem ser mais vulneráveis ao desenvolvimento de ciúme patológico. O medo de abandono ou rejeição pode intensificar essa insegurança.

2.Transtornos Psiquiátricos Subjacentes: A síndrome pode estar associada a outros transtornos mentais, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno delirante, ou até mesmo transtornos de personalidade, como o transtorno de personalidade borderline.

3. Fatores Culturais e Sociais: Crenças culturais que incentivam a possessividade ou que promovem a desconfiança em relacionamentos podem exacerbar o desenvolvimento dessa síndrome.

As consequências da Síndrome de Otelo podem ser devastadoras tanto para o indivíduo quanto para o relacionamento. Alguns dos principais impactos negativos podem ser:

1. Danos ao Relacionamento: O ciúme patológico pode desgastar a confiança e a comunicação entre os parceiros, levando ao distanciamento emocional e, muitas vezes, à separação.

2. Impacto Psicológico e Emocional: O indivíduo que sofre dessa síndrome pode experimentar estresse constante, ansiedade e depressão. O parceiro também pode sofrer com o constante monitoramento e acusações infundadas, resultando em traumas emocionais.

3. Comportamentos Perigosos: Em casos graves, o ciúme pode levar a comportamentos violentos, colocando em risco a segurança tanto do indivíduo quanto do parceiro. Há também um risco aumentado de automutilação ou suicídio em casos extremos.

O tratamento da Síndrome de Otelo pode ser complexo, exigindo uma abordagem multifacetada. A psicologia focada na compreensão da experiência subjetiva do indivíduo e na promoção do crescimento pessoal, é uma abordagem eficaz.

A Terapia Centrada na Pessoa, criada por Carl Rogers, enfatiza a criação de um ambiente seguro e empático, onde o indivíduo pode explorar suas emoções e inseguranças sem julgamento. Através dessa autodescoberta, o paciente pode começar a reconhecer e desafiar os pensamentos irracionais associados ao ciúme.

A psicologia humanista trabalha para fortalecer a autoestima do indivíduo, ajudando-o a desenvolver um senso de valor próprio que não dependa da validação externa. Isso pode reduzir a necessidade de controle sobre o parceiro e, por consequência, o ciúme patológico.

 

A abordagem humanista também incentiva o paciente a explorar e expressar seus sentimentos e necessidades de maneira assertiva e saudável, promovendo uma comunicação mais aberta e honesta no relacionamento.

Outra possibilidade de tratamento é a terapia de casal. Esta forma de terapia ajuda os parceiros a melhorar a comunicação, resolver conflitos de forma construtiva e reconstruir a confiança mútua.

A Síndrome de Otelo é um transtorno que pode ter consequências sérias para a saúde mental e os relacionamentos. No entanto, com a intervenção adequada, especialmente através de abordagens como a psicologia humanista, é possível promover o autoconhecimento, reconstruir a autoestima e transformar o ciúme patológico em um relacionamento mais saudável e equilibrado. A compreensão e o apoio são cruciais para o tratamento eficaz, permitindo que o indivíduo supere os desafios emocionais e construa uma vida amorosa mais gratificante.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

2016 - Ano 44

 É estranho, mas realmente minhas maiores lembranças são do passado distante.

Acredito que ao envelhecer, acabamos nos encantando com menos coisas, também trabalhamos mais e acabamos dando menos valor às pequenas coisas, a ponto de esquecermos delas.

O que lembro de 2016 foi o final do meu namoro. Mas antes disso, fui conhecer, com essa ex, São Luiz do Maranhão, uma cidade que teria tudo para ser sensacional, mas foi abandonada e trocada pelo dinheiro nas mãos dos políticos.

Mas o resto do ano, foi muito sossegado.

Acho que os finais de relacionamentos me trazem paz.

Se lembrar de mais alguma coisa, volto e edito por aqui...

Tratamento Psicológico e Medicina

 


A saúde é um conceito amplo que vai muito além da ausência de doenças físicas. Hoje, já está mais do que claro que o equilíbrio entre corpo e mente é fundamental para o bem-estar pleno. Nesse sentido, o tratamento psicológico, quando associado à medicina, tem mostrado resultados extremamente positivos, sendo uma parceria eficiente no cuidado com os pacientes.

Por muito tempo, a medicina e a psicologia foram vistas como áreas distantes e, em alguns casos, até desconectadas. A medicina lidava com o corpo e suas enfermidades, enquanto a psicologia era associada apenas a questões emocionais e comportamentais. Felizmente, essa visão vem mudando, principalmente devido ao avanço das pesquisas científicas, que mostram como os fatores psicológicos influenciam diretamente a saúde física e vice-versa.

O corpo e a mente não funcionam separadamente. A ciência tem comprovado, por exemplo, que o estresse crônico pode desencadear ou agravar problemas físicos como hipertensão, gastrite, doenças cardíacas e até o câncer. Da mesma forma, pacientes com doenças graves ou crônicas frequentemente apresentam sintomas de ansiedade e depressão, o que pode dificultar o tratamento médico.

Quando um paciente recebe apenas cuidados médicos para uma doença física, mas ignora os aspectos emocionais que essa condição traz, o tratamento pode ficar incompleto. O tratamento psicológico entra como um complemento essencial, ajudando o paciente a lidar com o sofrimento, a aderir ao tratamento e a desenvolver uma visão mais positiva da vida, mesmo diante dos desafios.

Como a psicologia auxilia na medicina?

  1. No tratamento de doenças crônicas e graves: Pacientes com doenças como diabetes, câncer ou problemas cardíacos, muitas vezes, enfrentam mudanças drásticas no estilo de vida e nos hábitos diários. A psicologia ajuda a acolher esses sentimentos e a encontrar estratégias para lidar com as dificuldades, melhorando a adesão ao tratamento médico.
  2. No manejo da dor: A dor crônica é uma realidade para milhões de pessoas e impacta diretamente a qualidade de vida. A psicoterapia, aliada à medicina, oferece ferramentas para ajudar o paciente a entender e lidar com a dor, reduzindo a sensação de sofrimento e aumentando o conforto.
  3. No pós-operatório e na reabilitação: Processos de recuperação, como cirurgias ou reabilitações físicas, podem gerar ansiedade, medo e até desmotivação. O acompanhamento psicológico trabalha esses aspectos, favorecendo uma recuperação mais rápida e positiva.
  4. Na saúde mental de pacientes hospitalizados: Longos períodos de internação podem gerar sentimentos de isolamento, tristeza e impotência. A presença do psicólogo nesses ambientes traz acolhimento, escuta ativa e apoio emocional.
  5. Na prevenção e no autocuidado: A psicologia também atua na conscientização sobre a importância do autocuidado, como uma alimentação saudável, a prática de exercícios físicos e o gerenciamento do estresse, fatores essenciais para a prevenção de doenças.

A união entre psicologia e medicina traz um olhar mais completo e humanizado para o paciente. Esse olhar não vê apenas um corpo doente, mas sim um indivíduo com sentimentos, história de vida, medos e esperanças. Esse cuidado integral fortalece a relação profissional-paciente e cria um ambiente de confiança, essencial para o sucesso do tratamento.

Quando médicos e psicólogos trabalham em conjunto, os benefícios são mútuos. O médico pode focar em diagnósticos e intervenções clínicas, enquanto o psicólogo oferece suporte emocional e promove o autoconhecimento, colaborando para o equilíbrio físico e mental do paciente. Para o paciente, a sensação é de ser cuidado de maneira mais completa, com espaço para suas necessidades físicas e emocionais.

A saúde não pode ser pensada de maneira fragmentada. A medicina e a psicologia, quando unidas, oferecem ao paciente a oportunidade de cuidar do corpo e da mente, promovendo não apenas a cura, mas também o bem-estar. A integração dessas duas áreas é um caminho fundamental para que possamos enxergar a saúde como ela realmente é: um equilíbrio entre todos os aspectos que nos compõem.

Buscar ajuda médica e psicológica não é sinal de fraqueza, mas sim um ato de coragem e amor-próprio. Afinal, cuidar de si mesmo é o primeiro passo para ter uma vida mais saudável, equilibrada e feliz.

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

Jardim

Nem sempre vejo o que está à frente dos meus olhos.
Às vezes, estou apenas olhando para dentro da minha alma.
Eu não questiono a minha existência,
mas acredito que viveria melhor em um tempo passado.

Sinto que apenas vagueio por aqui,
perdido nesse mundo moderno.
Mas sigo em frente, mesmo com as mãos atadas,
mesmo com o rosto marcado e ferido.

Tentarei caminhar pelas sombras,
atravessar o desconhecido que me atrai,
até chegar ao jardim,
ao jardim de pedra.

Sob o jardim de pedras, tudo estará em paz.
E então, não estarei mais sozinho.
Caminharemos de mãos dadas, sem correntes,
com o rosto limpo, como o da criança que um dia fui.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A lógica que a paixão pelo engajamento ignora

 A paixão é o combustível do futebol, mas também é o que mais distorce o olhar sobre ele.

Nos dias de hoje, a emoção não se contenta em torcer.
Ela precisa ter razão, precisa provar que o erro não foi erro, foi conspiração.
E quando a paixão encontra as redes sociais, nasce um tipo novo de torcedor: o que prefere o engajamento à verdade.

O clássico entre São Paulo e Palmeiras é o retrato perfeito dessa confusão.
Em noventa minutos de jogo, os dois lados tiveram motivos de sobra para reclamar, apesar do mais óbvio, na minha modesta opinião, ser o pênalti não marcado a favor do Tricolor.

O Palmeiras pediu um pênalti logo no início do jogo, alegou falta em Vítor Roque na origem do segundo gol e questionou uma possível expulsão não aplicada antes do pênalti reclamado pelo São Paulo.
Três lances seguidos que poderiam, ou não, ter mudado o rumo da partida ainda no primeiro tempo ou no início do segundo.

Mas aqui está o ponto que a lógica revela e a paixão ignora.
Se o árbitro quisesse beneficiar o Palmeiras, o momento ideal para isso seria quando o jogo ainda estava sob seu controle.
Com o placar em 0 a 0, bastava marcar o pênalti, que geraria menos discussão.
Ou, antes do São Paulo ampliar, marcar a falta na origem.
E se estivesse desesperado para cumprir o “combinado”, expulsar o jogador do São Paulo logo no início do segundo tempo.
Qualquer desses três lances marcados possivelmente mudaria a direção da partida.

Mas o árbitro não marcou nenhum.
E o time que supostamente seria beneficiado entrou no segundo tempo perdendo por dois gols de diferença.
Essa sequência sozinha já desmonta a tese de manipulação.

Não faz sentido acreditar que um juiz disposto a “entregar” um resultado deixaria o placar escapar até um ponto em que o sucesso se tornaria improvável.
A lógica é simples: quanto maior a vantagem do adversário, menor o controle sobre o desfecho.

Em dois campeonatos, houve apenas uma virada semelhante antes dessa: a vitória do Corinthians contra o Criciúma em 2024, quando o visitante entrou no segundo tempo perdendo por 2 a 0 e virou o jogo.
Um manipulador não age quando o acaso domina.
Age antes.

O que aconteceu depois foi o que o futebol sempre oferece: o improvável.
Um time reagiu, o outro se desorganizou, a maré mudou de lado e a virada aconteceu.
E, como acontece em toda virada, surgiram teorias, raiva e narrativas prontas para viralizar.

O problema é que as pessoas não buscam mais entender o jogo.
Buscam audiência.
A indignação rende mais clique que a ponderação.
A dúvida é mais compartilhável que o fato.
E o que era para ser uma análise vira um espetáculo de achismos.

A lógica continua ali, intacta, esperando ser percebida.
Mas a paixão pelo engajamento fala mais alto.
E enquanto ela gritar, o futebol continuará sendo julgado não pelos fatos, mas pelo barulho que eles provocam.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Nostalgia

 De vez em quando, sem aviso, somos atravessados por uma lembrança.

Pode ser o cheiro de um perfume antigo, uma música que toca ao acaso, uma foto esquecida no fundo de uma gaveta. E, de repente, é como se o tempo se dobrasse. Estamos ali de novo, com as mesmas pessoas, as mesmas cores, o mesmo sentimento de antes.

A nostalgia tem esse poder silencioso de nos transportar. Ela não precisa de lógica, só de espaço para existir.
É um tipo de saudade que não dói o bastante para entristecer, mas também não alegra o suficiente para sorrirmos sem pensar.
É doce e melancólica ao mesmo tempo. Um abraço apertado do que já não volta, mas que ainda mora dentro de nós.

Talvez o fascínio pela nostalgia venha justamente desse desejo humano de revisitar o passado como quem visita uma antiga casa. A gente sabe que nada é igual, mas sente vontade de entrar, olhar cada cômodo, perceber como o tempo mudou tudo e, mesmo assim, manteve algo essencial ali.

O problema é quando a nostalgia deixa de ser visita e vira moradia. Quando passamos a comparar o presente com o que já foi, como se o passado fosse um lugar melhor. A mente, às vezes, idealiza o que viveu para suportar o que sente hoje. Mas o passado não era perfeito. Ele só parece mais leve porque já o superamos.

Viver com nostalgia é lembrar sem se perder. É compreender que aquilo que nos marcou não precisa ser repetido para continuar vivo.
As pessoas que passaram, as fases que terminaram, as versões de nós que deixamos pelo caminho, todas deixaram algo importante, e é isso que deve permanecer.

Talvez a nostalgia exista para nos lembrar de que o tempo não destrói, ele transforma.
E cada lembrança é uma forma de continuidade, não de perda.
Revisitar o passado pode curar, se for com gentileza.

O importante é não usar a nostalgia como fuga do presente, e sim como ponte entre o que fomos e o que ainda podemos ser.

Quando ela vier, permita-se sentir. Mas depois, volte.
O agora também quer fazer parte das suas boas lembranças.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Será que conseguiríamos viver hoje com a tecnologia do passado?

Imagine acordar e, em vez de pegar o celular, ter que levantar da cama para bater o despertador analógico, aquele que fazia “trrrim!” e quase te fazia odiar as manhãs. Depois, nada de checar notificações. O máximo que você teria seria o jornal amassado na porta de casa, e se ele não viesse, paciência, o mundo teria que esperar até amanhã para te contar o que aconteceu hoje.

Fazer café ainda era uma arte. Sem cápsulas, sem cronômetro digital, sem playlist “Café e Boas Vibrações”. E se o telefone tocasse, você precisava correr, literalmente, porque ele ficava preso na parede, com um fio que te lembrava que a liberdade ainda não era um aplicativo.

Agora tente imaginar mandar uma mensagem para alguém. Você teria que escrever uma carta. E não dava para apagar. Se errasse, começava de novo. O “enviar” dependia de um carteiro de humor variável e de um sistema de correios que achava que “prazo” era apenas uma sugestão.

No trabalho, nada de planilhas automáticas, e-mails instantâneos ou IA para revisar textos. Tudo feito à mão, com papel carbono, caneta e o medo constante de derrubar café no relatório.

E as fotos? Nada de tirar cinquenta para escolher uma. Você clicava uma vez e rezava para que ninguém piscasse. Só descobriria o resultado dias depois, quando buscasse o filme revelado. Era uma mistura de emoção e tragédia anunciada.

Mas talvez o mais curioso seja pensar que, mesmo com toda essa lentidão, as pessoas conversavam mais, se olhavam mais, riam sem precisar gravar e viviam sem precisar postar. Havia menos praticidade, mas de alguma forma, mais presença.

Talvez o problema não seja a tecnologia, e sim o quanto a gente se acostumou com a pressa. Porque, se por um lado seria difícil viver hoje com a tecnologia do passado, por outro, o passado talvez soubesse viver melhor sem tanta tecnologia. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

2015 - Ano 43

Parece muito estranho, mas a medida que os anos vão se aproximando do atual, parece que a memória vai ficando distante.

Mas 2015 foi um ano interessante. Coo aconteceu algumas vezes, fui ao desfile das campeãs do carnaval de SP, mas dessa vez, por algum motivo que não me lembro, não fu com meu melhor amigo e no camarote da Brahma, como de costume, mas sim no camarote da Devassa com o irmão e a irmã dele e respectivos namorada e namorado.

Foi legal, me diverti, apesar de beber bem menos porque a Devassa é ruim, mas tiramos fotos, comemos, demos risada.

Eis que na semana seguinte, a irmã do meu amigo me manda mensagem perguntando se podia passar meu telefone para uma amiga dela, que viu nossas fotos e me achou "Interessante" Disse que sim e assim começou meu namoro, um ano depois de ter terminado o anterior.

Foi um ano legal nesse aspecto, fizemos viagens, passeios e etc...

Mas como tudo, ou quase tudo na minha vida é passageiro, e é culpa minha mesmo, não durou tanto assim...

De resto, nada muito novo que me venha à mente agora.

Quem sabe, quando o futuro ficar mais distante, voltem lembranças desse passado que hoje é mais recente...

Síndrome de Charles Bonnet

 

A Síndrome de Charles Bonnet é uma condição pouco conhecida, mas bastante intrigante. Ela ocorre em pessoas que possuem perda significativa da visão, geralmente em decorrência de doenças como degeneração macular, glaucoma ou retinopatia diabética. Os indivíduos acometidos começam a vivenciar alucinações visuais complexas, embora estejam plenamente conscientes de que essas visões não são reais.

Essas alucinações podem variar desde formas geométricas simples até imagens de pessoas, animais ou paisagens. É importante destacar que a síndrome não está relacionada a problemas psiquiátricos ou demências, o que a diferencia de outros quadros clínicos que também envolvem alucinações.

Conviver com a Síndrome de Charles Bonnet traz desafios significativos. Na vida social, o medo de ser mal interpretado ou julgado pode levar o indivíduo ao isolamento. Comentários sobre alucinações podem ser mal compreendidos, fazendo com que a pessoa evite compartilhar sua experiência até mesmo com amigos próximos.

No âmbito profissional, as alucinações podem gerar distrações ou desconfortos, especialmente se ocorrem em ambientes que exigem concentração ou interação constante. Pessoas em fases iniciais da síndrome podem hesitar em buscar ajuda ou compartilhar suas dificuldades, temendo estigmas.

Já na vida afetiva, a condição pode trazer sentimentos de vulnerabilidade. Parceiros e familiares podem ter dificuldade em entender a experiência do indivíduo, o que pode gerar frustrações ou distanciamento. A empatia e o diálogo aberto são fundamentais

Embora a Síndrome de Charles Bonnet não tenha uma cura definitiva, existem estratégias que ajudam a amenizar seus impactos:

  1. Informação e conscientização: O primeiro passo é entender a condição. Saber que as alucinações são uma resposta do cérebro à perda de estímulos visuais ajuda a reduzir o medo e a ansiedade associados.
  2. Estimulação visual e exercícios: Alterar o foco do olhar, piscar ou até movimentar os olhos podem ajudar a reduzir a intensidade ou a duração das alucinações.
  3. Apoio médico: Em casos mais severos, o acompanhamento de um oftalmologista ou neurologista pode ser essencial. Medicamentos específicos ou ajustes na visão residual podem minimizar os sintomas.
  4. Terapia: A abordagem humanista foca na experiência do indivíduo e nas suas percepções. O objetivo não é apenas lidar com os sintomas, mas ajudar a pessoa a integrar a experiência da síndrome em sua vida de maneira mais positiva. A terapia humanista trabalha com o acolhimento, a empatia e a valorização do relato único de cada paciente. Dessa forma, o indivíduo se sente compreendido e fortalecido para enfrentar os desafios emocionais e sociais que acompanham a condição.
  5. Grupos de apoio: Compartilhar experiências com outras pessoas que vivem com a síndrome pode ser importante. Esses espaços ajudam na troca de estratégias e diminuem a sensação de isolamento.

Apesar dos desafios, é possível ter uma vida plena convivendo com essa condição. Reconhecer as dificuldades, buscar ajuda especializada e criar uma rede de apoio são os passos mais importantes. Além disso, investir no autoconhecimento, como promovido pela terapia humanista, ajuda a fortalecer a autoestima e a confiança para enfrentar as adversidades.

A Síndrome de Charles Bonnet nos lembra que o cérebro humano é fascinante, mas complexo. A compreensão, o acolhimento e o suporte são as chaves para lidar com suas nuances e melhorar a qualidade de vida daqueles que a vivenciam.


segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Como as diversões ficaram diferentes

Outro dia me peguei lembrando de como era se divertir nos anos 80 e 90. E percebi o quanto as coisas mudaram. Na juventude, diversão era sair com os amigos sem nem precisar combinar direito. Bastava aparecer na esquina, bater na porta de alguém ou ligar de um orelhão. O encontro acontecia meio no improviso, e era isso que fazia graça.

Hoje percebo que a diversão ficou mais planejada. A gente agenda até o café com um amigo no WhatsApp, marca na agenda do celular e, se bobear, confirma no dia anterior. Não tem mais aquele “passa lá em casa” tão espontâneo.

Antes, diversão era barulho: som alto no quarto, fita cassete rolando, televisão de tubo sempre ligada. Agora, muita gente, eu inclusive, prefere silêncio, uma boa leitura, uma série maratonada no sofá ou simplesmente dormir cedo. Parece que a energia mudou de lugar.

E tem outra coisa: quando éramos jovens, diversão era quase sempre fora de casa. Hoje, muita gente descobre que ficar em casa, eu principalmente, e cozinhar algo diferente, jogar conversa fora na sala ou até brincar com o cachorro ou a tartaruga pode ser tão divertido quanto sair. Não que balada e viagem tenham perdido a graça, mas o jeito de olhar para elas é outro. A ressaca já não é só a da bebida, é também a do corpo que demora três dias para se recuperar.

No fim, o que mais mudou não foram as diversões em si, mas a gente. O tempo vai dando outro peso às coisas. O que antes parecia simples, agora parece valioso. O que antes parecia essencial, agora pode esperar. Talvez o segredo esteja justamente aí: descobrir que se divertir não é repetir o que já fizemos, mas encontrar alegria nos lugares que a vida, em cada fase, nos convida a olhar. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Livros Antigos

Quando olho para minha estante, vejo mais do que livros. Ali estão pedaços de mim, quase como capítulos de uma biografia que nunca escrevi. Os de psicologia, com suas páginas sublinhadas, são registros de buscas e descobertas. Cada risco, cada anotação à margem é a marca de um tempo em que eu tentava compreender a mim mesmo e aos outros, como quem escreve comentários invisíveis na própria vida.

Alguns volumes já sei quase de cor, como Silogismos da Amargura, do Cioran. Li tantas vezes que certas frases ecoam sem precisar abrir o livro. São como lembranças insistentes, gravadas em mim de forma indelével, acompanhando meus dias como uma voz íntima.

Há também aqueles que li apenas uma vez e nunca mais voltei a abrir. Ainda assim, permanecem. São como experiências únicas, vividas em um tempo que já não volta, mas que continuam presentes, guardadas em silêncio, prontas para me reencontrar se um dia eu quiser.

E não posso esquecer os livros que ainda esperam. Eles são a metáfora perfeita para os futuros possíveis, para as histórias que ainda não vivi, mas que sei que estão ali, aguardando o momento certo. Cada capa fechada guarda uma promessa, um convite para que eu siga adiante.

No fundo, minha estante não é apenas um conjunto de livros, é um reflexo da vida. Há capítulos revisitados, memórias guardadas, aprendizados marcados e caminhos ainda a explorar. Assim como os livros, eu também sou feito de páginas já lidas e de páginas que ainda esperam para ser escritas...

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

2014 - Ano 42

2014 foi um ano com algumas coisas diferentes na minha já pacata vida.
Estava financeiramente estabilizado, mas ainda muito sobrecarregado de trabalho e resolvi voltar a atender aos sábados em Moema.

Também foi o ano de maior aproximação com uma pessoa muito especial na minha vida, que me ajudou a enxergar novos rumos.

Em 2014 terminei meu relacionamento à distância de 6 anos, mas não porque não era um bom relacionamento, mas sim porque a distância só não incomodava a mim e isso era egoísmo.

Se fosse algo recíproco, talvez durasse pela eternidade....

Também teve a Copa do Mundo no Brasil. Brasil das mazelas, das obras superfaturadas e inacabadas, dos Elefantes Brancos que comeram muito dinheiro publico. Mas eu sou apaixonado por Copa do Mundo.

E me doía ter que trabalhar enquanto os jogas rolavam, como sempre aconteceu na minha vida, mas esse copa foi a última com essa sensação ruim.

Enfim, mudanças, mas nem tantas.

E a vida seguiu, para novos velhos anos que viriam e já passaram...

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Síndrome do Coração Partido

 


A Síndrome do Coração Partido, também chamada de cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição em que o coração se enfraquece temporariamente após um evento emocionalmente estressante, como o término de um relacionamento, a perda de um ente querido ou até mesmo um choque intenso. Esse fenômeno é, de fato, reconhecido pela medicina, embora suas causas ainda não sejam completamente compreendidas. Acredita-se que uma liberação intensa de hormônios do estresse, como a adrenalina, pode afetar o funcionamento do coração, resultando em sintomas similares aos de um infarto, como dores no peito, falta de ar e aumento nos batimentos cardíacos. No entanto, ao contrário de um ataque cardíaco comum, essa síndrome geralmente não causa obstruções nas artérias.

A síndrome do Coração Partido representa mais do que um desafio físico; ela expõe a intensidade da conexão entre a mente e o corpo. A superação desse luto emocional pode ser complexa, e é nesse ponto que a terapia se destaca como uma abordagem necessária e sensível.

Para pessoas com Síndrome do Coração Partido, a terapia humanista é especialmente benéfica por oferecer um ambiente de compreensão, aceitação e respeito. Em vez de forçar a mudança imediata, o terapeuta humanista caminha ao lado do paciente, respeitando o tempo e os processos individuais de cada um.

A terapia vai priorizar a empatia, um fator importante para quem vive o impacto emocional da Síndrome do Coração Partido. Durante o tratamento, o terapeuta acolhe sem julgamentos, permitindo que o paciente compartilhe suas angústias e frustrações. Esse acolhimento é vital para que a pessoa possa encontrar segurança e reconstruir a confiança em si mesma, passos essenciais para sua recuperação.

A Síndrome do Coração Partido está frequentemente ligada a sentimentos de perda, rejeição ou abandono. Ao buscar a terapia, o paciente é incentivado a refletir sobre seu valor próprio e sobre a importância de aceitar suas emoções, aprendendo que elas são legítimas e compreensíveis. Essa prática de autoconhecimento não apenas reduz a dor emocional, mas também fortalece a capacidade de enfrentar novos desafios.

A terapia humanista convida o paciente a se concentrar no presente, o que ajuda a reduzir a ansiedade relacionada ao futuro ou ao passado. Pessoas com Síndrome do Coração Partido tendem a sentir uma insegurança intensa sobre o que pode vir a acontecer e, muitas vezes, ficam presas em lembranças dolorosas. Através do foco no presente, o paciente aprende a construir uma mentalidade mais realista e equilibrada.

Um dos pilares da abordagem humanista é o fortalecimento da autonomia emocional. Muitas vezes, a Síndrome do Coração Partido desencadeia sentimentos de dependência ou falta de controle sobre as próprias emoções. A terapia humanista oferece ferramentas que permitem ao paciente aprender a se tornar mais autônomo, entendendo que ele tem o poder de transformar suas respostas emocionais e criar uma nova perspectiva para si mesmo.

Na terapia, o indivíduo é encorajado a redescobrir o valor das relações saudáveis. Muitas vezes, pessoas com Síndrome do Coração Partido têm medo de se relacionar novamente, por temerem a repetição da dor. Nesse processo terapêutico, é possível reconstruir a confiança nos relacionamentos, aceitando que, embora os vínculos tragam riscos, eles também oferecem apoio e afeto.

A Síndrome do Coração Partido é uma resposta profunda a uma dor emocional intensa, demonstrando o quanto a mente e o corpo estão interligados. A terapia humanista se mostra um tratamento necessário, promovendo um processo de cura que respeita a individualidade do paciente e estimula a reconexão com o próprio valor e potencial. A partir do autoconhecimento e da aceitação, o paciente encontra forças para seguir em frente e construir novas experiências de maneira saudável e equilibrada.

Oceano

Segure-se firme.
A maré pode mudar a qualquer momento.
Prenda-se em mim.
Sou sua segurança apesar de te dar medo.

Eu permito.
E você sonha com o próximo passo.
Só quando nos vermos novamente,
Separados por um Oceano

Vejo as ondas quando fecho os olhos.
Mas segure-se firme no que nos une.
Pois o mar vai subir.
Nade em direção à segurança.

Eu estarei lá.
Mesmo a um oceano de distância.
Um oceano.
Oceano.


segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Ganância

Ganância é aquele desejo que cresce sem limite, alimentado pela ilusão de que ter mais significa ser mais. É uma fome que não se sacia, porque não se trata de necessidade, mas de um vazio que nunca encontra preenchimento. Quem vive movido pela ganância transforma relações em negócios, afeto em moeda de troca e oportunidades em disputas.

Ela começa de forma sutil, como um pensamento de “só mais um pouco” e vai ocupando cada espaço. Não importa o que já foi conquistado, sempre haverá a sensação de que é pouco. O problema é que, nessa busca incessante, se perde de vista o que realmente tem valor. As conquistas deixam de trazer alegria, porque são apenas degraus para a próxima ambição.

A ganância não está apenas no acúmulo de dinheiro. Ela pode aparecer na necessidade de poder, de status ou até de atenção. É a lógica de viver comparando, competindo e tentando provar algo o tempo todo. O resultado costuma ser solidão, desconfiança e um cansaço que corrói por dentro.

Quando entendemos que o bastante é diferente para cada pessoa, passamos a medir a vida por experiências e não por posses. Percebemos que a verdadeira riqueza está no que conseguimos sentir, compartilhar e viver plenamente. E que, muitas vezes, o que enriquece de fato não cabe em números, mas em memórias, afetos e momentos que nenhum dinheiro pode comprar.

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Prosopagnosia

 


A prosopagnosia, também conhecida como cegueira facial, é uma condição neurológica que afeta a capacidade de uma pessoa reconhecer rostos familiares. Embora a visão em si esteja preservada, o cérebro não consegue processar adequadamente as informações visuais para identificar rostos. Para indivíduos com prosopagnosia, encontrar amigos, familiares ou até mesmo reconhecer o próprio reflexo no espelho pode ser um desafio diário.

Essa condição pode variar em gravidade. Em casos mais leves, a pessoa pode ter dificuldades em distinguir rostos semelhantes ou lembrar-se de alguém que encontrou recentemente. Em casos mais graves, a incapacidade de reconhecer rostos é tão severa que até figuras públicas muito conhecidas, como celebridades ou líderes políticos, se tornam estranhas. Embora seja uma condição rara, ela pode estar presente desde o nascimento (congênita) ou desenvolvida após um dano cerebral (adquirida), geralmente como resultado de um acidente vascular cerebral, traumatismo craniano ou doenças neurodegenerativas.

A prosopagnosia pode causar uma série de desafios emocionais e sociais. Para muitos, a dificuldade de reconhecer pessoas pode levar a constrangimentos e até ao isolamento social. Imagine encontrar alguém que você conhece, mas não ser capaz de reconhecê-lo. Isso pode ser interpretado como indiferença ou desinteresse, gerando mal-entendidos em interações pessoais e profissionais. Muitos que vivem com essa condição acabam se isolando, evitam grandes encontros sociais e até desenvolvem ansiedade social. A pressão para se lembrar de rostos pode ser desgastante, levando à frustração e sentimentos de inadequação.

Outro fator importante é o impacto que a prosopagnosia pode ter na autoestima e na identidade. Reconhecer rostos é uma habilidade profundamente enraizada em nossa interação social, e a incapacidade de fazê-lo pode criar uma sensação de desconexão com o mundo. Além disso, a falta de reconhecimento facial pode comprometer a capacidade de formar laços emocionais profundos, já que o reconhecimento visual é uma das formas mais primordiais de conexão humana.

Embora não haja uma cura definitiva para a prosopagnosia, o tratamento psicológico é uma ferramenta importante para ajudar os indivíduos a lidar com os desafios emocionais e sociais que acompanham essa condição. A psicoterapia pode fornecer estratégias de enfrentamento para minimizar o impacto da prosopagnosia na vida cotidiana.

Em primeiro lugar, o processo de aceitação é crucial. Muitos indivíduos com prosopagnosia, especialmente aqueles que adquirem a condição após um evento traumático, podem se sentir desamparados ou frustrados. A psicoterapia pode ajudar a trabalhar esses sentimentos, proporcionando um espaço seguro para expressar emoções e entender melhor a condição. A aceitação da prosopagnosia é um passo importante para reduzir o estresse e a ansiedade que frequentemente acompanham essa condição.

Além disso, o psicólogo pode auxiliar no desenvolvimento de técnicas compensatórias. Muitas pessoas com prosopagnosia aprendem a se concentrar em outras características além do rosto, como voz, estilo de cabelo, roupas ou gestos, para reconhecer os outros. Essas estratégias podem ser treinadas e reforçadas em terapia, ajudando o indivíduo a se sentir mais confiante em interações sociais. A psicologia cognitiva, em particular, pode desempenhar um papel essencial ao ensinar habilidades adaptativas que facilitam o reconhecimento por meio de pistas não faciais.

Outro aspecto crucial é o tratamento de possíveis comorbidades, como ansiedade e depressão. Como mencionado, a prosopagnosia pode levar ao isolamento social e à frustração, o que pode aumentar o risco de transtornos emocionais. A terapia pode ajudar a identificar e tratar esses sintomas de forma eficaz, promovendo o bem-estar emocional do paciente.

É igualmente importante que as pessoas ao redor de quem tem prosopagnosia compreendam a condição. A construção de uma rede de apoio, composta por amigos, familiares e colegas de trabalho, pode aliviar a pressão e a ansiedade nas interações sociais. Explicar a situação para os outros pode evitar mal-entendidos e promover uma convivência mais harmoniosa.

A prosopagnosia, embora grave, não precisa definir a vida de uma pessoa. Com o tratamento psicológico adequado, é possível desenvolver mecanismos de enfrentamento e melhorar a qualidade de vida. A conscientização sobre a condição e o suporte emocional são fundamentais para que os indivíduos possam viver de forma plena, minimizando os impactos sociais e emocionais dessa condição.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Nosofobia


Você já se pegou pensando demais na possibilidade de ficar doente?

Já evitou lugares, pessoas ou situações por medo de pegar alguma doença?
E mesmo sem sintomas, já sentiu o coração acelerar só de imaginar que algo pode estar errado?

Esse tipo de medo tem nome: nosofobia.

Diferente da hipocondria, onde a pessoa acredita que já está doente, a nosofobia é o medo constante de adoecer no futuro.
É como se o corpo estivesse bem, mas a mente vivesse em alerta.

Esse transtorno pode surgir por vários motivos.
Algumas pessoas já enfrentaram perdas marcantes por doenças e ficaram com esse trauma.
Outras têm uma personalidade mais ansiosa, com dificuldade de lidar com o imprevisto.
Também existe a influência da mídia, que bombardeia notícias sobre saúde o tempo todo,  muitas vezes de forma exagerada e alarmante.

O resultado é uma rotina marcada por:

  • Preocupações constantes sobre a saúde.

  • Evitação de ambientes ou contatos considerados arriscados.

  • Pesquisas repetitivas na internet sobre sintomas ou doenças.

  • Exames desnecessários.

  • Sintomas físicos causados pela ansiedade, como tremores, sudorese ou insônia.

A boa notícia é que esse medo pode ser tratado.

A terapia ajuda a entender o que está por trás desse pavor, a diferenciar o que é excesso de cuidado do que já virou sofrimento.
Com o tempo, é possível retomar a liberdade de viver, sair de casa sem medo, se relacionar sem receio e confiar mais no próprio corpo.

Não precisa ser de uma hora para outra.
Mas precisa começar.

Se o medo de adoecer tem tomado espaço demais na sua vida, talvez seja hora de falar sobre isso com um profissional.
Você merece viver com mais leveza, sem tanto controle e com mais confiança no agora.

A terapia pode ajudar. Dê esse passo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Quem lucra com as Fake News?

Elas se espalham com velocidade absurda. Chegam antes da dúvida, atropelam a checagem, assumem o posto da verdade e ditam o tom das conversas. As fake news nem de longe não são apenas boatos inofensivos. Elas têm nome, endereço e finalidade. E, sim, alguém sempre lucra com elas.

Em um mundo onde o tempo é curto e a paciência mais ainda, a mentira bem contada costuma convencer antes que a verdade tenha chance de se explicar. E a pergunta que fica é: quem ganha com isso?

A resposta começa nos bastidores. Empresas e grupos políticos perceberam cedo que a desinformação rende. Votos, dinheiro, cliques, poder. Uma notícia falsa pode derrubar reputações, manipular decisões de milhões e moldar a realidade ao gosto de quem banca o jogo.

As plataformas digitais, por sua vez, lucram com o engajamento, não com a veracidade. A lógica do algoritmo é simples. Quanto mais reações, mais alcance. E nada gera mais reações do que o choque, o medo ou a revolta. Emoções que as fake news sabem explorar com maestria. Enquanto nos indignamos, alguém monetiza nosso clique.

Mas não são só os grandes que lucram. Há também os pequenos comerciantes da mentira. Gente comum que grava vídeos distorcendo fatos, cria páginas sensacionalistas, espalha teorias absurdas e se alimenta dos centavos por visualização. É um mercado. Um comércio de confusão.

Enquanto isso, o custo é dividido entre todos nós. Relações rompidas, decisões equivocadas, crises políticas, medo generalizado. A mentira tem um preço alto, mas quem paga quase nunca é quem inventa. É quem acredita.

A reflexão que deixo hoje é amarga, mas necessária. Talvez a maior tragédia das fake news não seja o conteúdo em si, mas a facilidade com que algumas pessoas aceitam aquilo que as conforta, sem se perguntar se é verdade.

Talvez, no fim das contas, o maior lucro das fake news seja a nossa distração. Porque enquanto discutimos aquilo que nunca aconteceu, deixamos de ver o que está realmente em jogo.

E a verdade, essa vai ficando pra depois. Pra quem tiver tempo. Pra quem ainda se importar.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Estatística

 

A importância da estatística na faculdade de psicologia e após a formação é frequentemente subestimada, mas desempenha um papel fundamental na prática e no desenvolvimento científico da profissão. Muitos estudantes, ao ingressarem na faculdade de psicologia, se deparam com a disciplina de estatística com receio, imaginando que ela pouco contribuirá para a prática clínica ou para o entendimento do comportamento humano. No entanto, é justamente o oposto: a estatística oferece ferramentas essenciais para interpretar dados, realizar pesquisas e fundamentar teorias psicológicas com evidências concretas.

Durante a faculdade, o estudante de psicologia tem contato com diversas abordagens teóricas que explicam comportamentos e processos mentais. Embora essas teorias sejam fundamentais para a prática, é através da pesquisa científica que elas são validadas e aprimoradas. A estatística entra nesse contexto como a linguagem que permite aos futuros psicólogos compreenderem e participarem de pesquisas com rigor metodológico.

A psicologia é uma ciência, ou seja, baseia-se na observação e experimentação para compreender o comportamento humano. E para que essas observações sejam transformadas em conhecimento válido e confiável, é necessário o uso da estatística. Ela permite que os estudantes compreendam e avaliem criticamente os resultados de estudos científicos, analisando a consistência dos dados, a significância dos achados e a aplicabilidade das conclusões.

Além disso, a estatística oferece as bases para o planejamento de estudos e pesquisas. O conhecimento sobre amostragem, variáveis e análise de dados é essencial para garantir que as pesquisas psicológicas sejam conduzidas de forma ética e eficaz, evitando vieses e interpretações equivocadas. Assim, desde a graduação, os futuros psicólogos aprendem que a estatística é uma aliada no desenvolvimento de práticas embasadas em evidências científicas.

Após a graduação, o papel da estatística na vida profissional do psicólogo pode variar de acordo com a área de atuação. Para aqueles que seguem o caminho da pesquisa acadêmica, seja em mestrados, doutorados ou pós-doutorados, a estatística continua sendo uma ferramenta essencial. Ela é indispensável para analisar grandes volumes de dados, interpretar resultados e validar hipóteses. Publicar estudos em revistas científicas exige domínio de técnicas estatísticas para garantir a relevância e a aceitação dos trabalhos.

Na prática clínica, embora muitos possam pensar que a estatística é menos presente, ela também desempenha um papel importante. O psicólogo clínico, por exemplo, pode utilizar estatísticas para monitorar a eficácia de suas intervenções. Existem instrumentos e escalas psicométricas, validados por meio de análises estatísticas, que ajudam a medir sintomas, comportamentos e a evolução do paciente ao longo do tratamento. Um psicólogo que compreende os princípios estatísticos por trás dessas ferramentas é capaz de aplicá-las com maior precisão e interpretar seus resultados de maneira mais crítica.

Outro aspecto relevante é a psicologia baseada em evidências, que tem se tornado cada vez mais central na prática profissional. A abordagem científica de qualquer intervenção exige que o psicólogo esteja atento às pesquisas mais recentes e seja capaz de interpretar resultados de estudos clínicos, meta-análises e revisões sistemáticas. Isso permite que o profissional escolha intervenções e métodos que tenham sido comprovados por meio de dados robustos, maximizando a eficácia do tratamento oferecido ao paciente.

A capacidade de compreender e aplicar estatística também pode ser um grande diferencial competitivo no mercado de trabalho. Em um mundo cada vez mais orientado por dados, o psicólogo que domina essa habilidade pode se destacar em diversas áreas, como na psicologia organizacional, onde há grande demanda por análise de dados sobre o comportamento dos funcionários, clima organizacional e fatores que impactam a produtividade e o bem-estar.

Da mesma forma, na área de psicologia educacional, o uso da estatística pode ajudar a interpretar padrões de aprendizagem e comportamento, contribuindo para o desenvolvimento de intervenções que melhorem o desempenho acadêmico e a saúde mental dos alunos.

A estatística, muitas vezes vista como uma disciplina distante da prática psicológica, é na verdade uma base essencial tanto para a formação quanto para a atuação do psicólogo. Ela oferece ferramentas para compreender o comportamento humano de forma científica, validar intervenções e contribuir para o desenvolvimento da psicologia como uma ciência sólida e confiável. Por isso, compreender a importância da estatística desde a faculdade e manter esse conhecimento ao longo da carreira é fundamental para garantir uma prática embasada, ética e eficaz.

segunda-feira, 21 de julho de 2025

2013 - Ano 41

Não há muito o que falar sobre 2013.
Assim com não há muito o que falar sobre os anos seguintes. São coisas aleatórias, cada vez mais raras e típicas da vida adulta de uma pessoa de classe média baixa, como a maioria de nós.

Mas já nessa época eu sabia que também não havia muito a reclamar. Viajei bastante, conheci o Brasil, fiz o que gostava e realmente era o momento de sossegar, curtir o apartamento, a solitude e as pequenas conquistas.

Meu namoro interestadual caminhava a passos largos para o fim, eu trabalho caminhava a passos largos para me enterrar em uma cova, meu time tinha conseguido a façanha de ser Campeão da Copa do Brasil e rebaixado ao mesmo tempo...

E não me restam muitas memórias.

Talvez olhando uma agenda, relendo um texto, ou pegando um ingresso, eu consiga rever alguns fatos, mas nesse momento, o que resta é a certeza de que os dias simplesmente passaram, e continuaram passando...

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Licantropia Clínica

 

A licantropia clínica é uma condição psiquiátrica rara e curiosa, na qual o indivíduo acredita, de maneira delirante, que pode se transformar em um lobo ou outro tipo de animal. Embora o termo "licantropia" remeta à transformação mitológica em lobos, essa condição mental não se limita a essa forma específica; os pacientes podem acreditar que se transformam em outros animais, como gatos, cães ou até mesmo aves. Essa desordem faz parte de um grupo mais amplo de distúrbios relacionados à percepção alterada de si mesmo e do corpo.

Indivíduos com licantropia clínica manifestam crenças e comportamentos consistentes com a ideia de que estão se transformando em um animal. Eles podem adotar posturas, sons e comportamentos associados ao animal que acreditam ser, como rosnar, andar em quatro patas ou atacar outras pessoas. Em muitos casos, essas crenças e comportamentos são acompanhados de sintomas de outros transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, transtorno bipolar ou depressão com características psicóticas.

O diagnóstico da licantropia clínica é desafiador e envolve uma avaliação psiquiátrica detalhada. Um dos principais critérios diagnósticos é que o indivíduo verbalize ou expresse de maneira clara sua crença na transformação. Além disso, a presença de outros sintomas psicóticos, como alucinações auditivas ou visuais, pode fornecer pistas sobre a origem da condição. Importante destacar que, embora seja um distúrbio raro, a licantropia clínica foi documentada em várias partes do mundo, com relatos desde a antiguidade até os dias de hoje.

As causas exatas da licantropia clínica não são totalmente compreendidas, mas acredita-se que seja uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Condições médicas que afetam o cérebro, como epilepsia, encefalites ou lesões cerebrais, podem contribuir para a desordem, afetando a maneira como o cérebro processa a identidade pessoal e a realidade. Da mesma forma, desequilíbrios neuroquímicos, como níveis anormais de dopamina e serotonina, podem estar envolvidos no desenvolvimento do delírio.

Do ponto de vista psicológico, a licantropia clínica é frequentemente interpretada como uma manifestação de conflitos internos profundos. Em algumas teorias psicanalíticas, por exemplo, a transformação em animal pode ser vista como uma tentativa de externalizar impulsos reprimidos ou emoções primitivas, como raiva, medo ou agressividade. O isolamento social, estresse extremo e traumas também podem ser fatores contribuintes, exacerbando os sintomas psicóticos em indivíduos predispostos.

O tratamento da licantropia clínica, como em muitos distúrbios psicóticos, deve ser multidisciplinar, envolvendo uma combinação de medicação, terapia psicológica e, em alguns casos, intervenções médicas mais complexas. Os antipsicóticos são comumente prescritos para ajudar a reduzir os sintomas delirantes e psicóticos. Dependendo do quadro clínico, podem ser necessários estabilizadores de humor ou antidepressivos.

No entanto, a intervenção psicoterapêutica também desempenha um papel fundamental no tratamento da licantropia clínica, especialmente no que diz respeito à reestruturação das crenças delirantes e à reconexão do paciente com a realidade. Neste ponto, a terapia humanista pode ser uma abordagem eficaz.

 

Através da escuta ativa e da empatia incondicional, o terapeuta humanista ajuda o paciente a explorar seus sentimentos e crenças delirantes sem julgamentos. Essa abordagem cria um ambiente seguro onde o paciente pode expressar suas angústias e começar a compreender a origem emocional e psicológica de suas crenças delirantes. A licantropia clínica muitas vezes surge de um profundo sentimento de alienação ou de uma tentativa de lidar com emoções avassaladoras; a terapia humanista busca reestabelecer a conexão do indivíduo com sua própria humanidade e realidade.

Outro aspecto importante da terapia humanista é seu foco no "aqui e agora". Em vez de se concentrar excessivamente no passado, como em algumas abordagens psicodinâmicas, a terapia humanista foca no presente e nas escolhas que o indivíduo pode fazer para moldar seu futuro. Para alguém com licantropia clínica, essa ênfase pode ser crucial, pois o ajuda a se reconectar com a realidade presente e a desenvolver estratégias para lidar com os desafios do cotidiano de forma saudável e consciente.

Embora a licantropia clínica seja uma condição rara e muitas vezes incompreendida, ela oferece uma visão única sobre como a mente humana pode distorcer a realidade de maneira profunda. O tratamento eficaz envolve não apenas a medicação para controlar os sintomas psicóticos, mas também uma abordagem terapêutica que respeite e valorize a experiência individual do paciente. A terapia humanista, com seu foco na empatia, autoaceitação e crescimento, pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar esses indivíduos a redescobrir sua humanidade e a restaurar sua conexão com o mundo real.

O caminho para a recuperação é desafiador, mas com o tratamento adequado, incluindo a terapia , é possível que o paciente reconstrua sua percepção de si mesmo e do mundo ao seu redor, retomando uma vida plena e significativa.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Invisível

Em casa, sozinho com seus desenhos.
Se via no topo, mas pronto para despencar.
E se juntar ao mar de sangue que se formava lá embaixo,
Junto com todos os outros diferentes.

O pai nunca lhe deu afeto.
A mãe nunca lhe deu atenção.
Ele se achava um selvagem,
E agora era dono do próprio destino.

Hoje, deixaria sua mensagem para o mundo.
Cheio das brincadeiras de mau gosto,
Que tantos diziam ser inofensivas.
Ele um dia explodiu. E rangeu para o mundo.

Se perdeu em um momento de crise,
E acabou disparando socos, cego de ódio.
E tudo o que se via eram olhares assustados.
Hoje, ele deixaria o mundo com uma mensagem...

segunda-feira, 7 de julho de 2025

Os "Ídolos" e o esquecimento

Vivemos em uma época em que ídolos nascem e desaparecem em questão de dias. Basta um gesto polêmico, um vídeo viral ou uma boa estratégia de marketing para que alguém seja alçado ao status de “referência”. Mas tão rápido quanto sobe, some. O mesmo público que aplaude com fervor vira as costas com frieza. A idolatria imediata tem prazo curto e memória fraca.

O mais curioso é que muitos desses ídolos nem deveriam ocupar esse lugar. Influenciadores vazios, que promovem consumo desenfreado e comportamentos superficiais, tornam-se exemplos a serem seguidos. Políticos populistas, com discursos inflamados e atitudes duvidosas, são tratados como salvadores. O prestígio muitas vezes não vem do caráter, mas da visibilidade. E quem ganha palco demais sem preparo costuma usar mal o microfone.

A lógica do consumo se aplica também às pessoas. Celebridades, atletas, criadores de conteúdo... todos parecem estar em uma prateleira invisível, prontos para serem substituídos assim que outro nome surge. Não há tempo para amadurecer uma admiração. O amor do público é tão intenso quanto frágil.

Essa troca constante não é apenas injusta com quem está no pedestal. Ela também revela algo sobre quem observa. Há uma pressa em se identificar com figuras públicas, como se isso suprisse alguma carência pessoal. Mas, quando o ídolo mostra que é humano, com falhas e contradições, ou quando revela que nem tinha tanto a oferecer, o encanto se desfaz.

Talvez o problema não esteja apenas na falta de memória, mas na escolha equivocada de quem colocamos como modelo. Admiração sem reflexão é terreno fértil para decepção.

Está na hora de rever o que admiramos. E principalmente, por que admiramos. O brilho de um momento pode até ser bonito, mas não substitui o valor de uma história construída com consistência e verdade.

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Inserção do Pensamento

 

A inserção de pensamentos, também conhecida como pensamentos intrusivos, refere-se à presença de ideias, imagens ou impulsos que surgem na mente de uma pessoa sem que ela os deseje ou os convide conscientemente. Esses pensamentos podem ser perturbadores, repetitivos e, muitas vezes, causam angústia significativa. Embora todos nós experimentemos pensamentos indesejados de vez em quando, eles se tornam um problema quando são frequentes e interferem na vida cotidiana, prejudicando a qualidade de vida de quem os experimenta.

Esses pensamentos podem ser de natureza variada: desde imagens violentas e assustadoras até dúvidas obsessivas ou preocupações constantes. Na maioria das vezes, a pessoa tenta ignorar ou afastar esses pensamentos, mas isso pode ter o efeito oposto, fazendo com que eles se tornem mais persistentes. A psicologia oferece várias abordagens para lidar com a inserção de pensamentos, ajudando as pessoas a entender, gerenciar e eventualmente reduzir o impacto desses pensamentos intrusivos.

A psicologia reconhece que os pensamentos intrusivos fazem parte do funcionamento natural da mente humana, mas também entende que eles podem se tornar um problema quando geram sofrimento. Abordagens terapêuticas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), têm sido amplamente utilizadas para ajudar as pessoas a lidar com a inserção de pensamentos. A TCC trabalha para identificar, desafiar e mudar padrões de pensamento negativos que alimentam esses pensamentos intrusivos. Além disso, técnicas de exposição e prevenção de resposta podem ser usadas para reduzir a ansiedade associada a esses pensamentos.

Outra abordagem relevante é a Terapia Humanista, que foca na experiência subjetiva do indivíduo e na promoção da autoaceitação e do autoconhecimento. A Terapia Humanista vê a pessoa como um todo, integrando pensamentos, emoções e comportamentos, e procura entender os pensamentos intrusivos não apenas como problemas a serem eliminados, mas como parte de um processo mais amplo de crescimento e compreensão pessoal.

A Terapia Humanista, especialmente na forma da Abordagem Centrada na Pessoa, desenvolvida por Carl Rogers, enfatiza a criação de um ambiente terapêutico de aceitação incondicional, empatia e autenticidade. Nesse contexto, o terapeuta não julga os pensamentos do cliente, mas o apoia na exploração desses pensamentos intrusivos para descobrir possíveis significados subjacentes ou conflitos internos que podem estar sendo expressos de maneira distorcida.

Essa abordagem encoraja a pessoa a reconhecer e aceitar os pensamentos intrusivos sem tentar suprimi-los ou reagir com medo. Com o tempo, o indivíduo pode aprender a ver esses pensamentos como fenômenos mentais transitórios, o que diminui o poder que eles exercem sobre sua vida emocional e comportamental.

Através do autoconhecimento e da autoaceitação, que são promovidos na Terapia Humanista, a pessoa aprende a lidar melhor com pensamentos intrusivos, compreendendo-os em vez de temê-los. Essa compreensão leva à diminuição da ansiedade e do sofrimento associados a esses pensamentos, proporcionando uma sensação de maior controle e bem-estar.

 

Em suma, a inserção de pensamentos pode ser uma experiência desafiadora, mas com o apoio adequado da psicologia, particularmente através da Terapia Humanista, é possível transformar essa experiência em uma oportunidade de crescimento pessoal, levando a uma vida mais equilibrada e autêntica.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Por que os ignorantes duvidam dos especialistas?

Vivemos tempos curiosos. Em pleno século XXI, com acesso quase ilimitado à informação, cresce o número de pessoas que desacreditam daqueles que passaram anos estudando, pesquisando e se dedicando ao conhecimento. Surge, então, a pergunta que inquieta tantos profissionais sérios: por que os ignorantes duvidam dos especialistas?

A resposta não é simples, mas começa por um mecanismo muito humano: a necessidade de se sentir no controle. O conhecimento profundo, por vezes complexo, desafia a simplicidade confortável das certezas absolutas. E, para quem desconhece o caminho do estudo, admitir a própria ignorância pode ser um golpe duro para o ego.

A ignorância, aqui, não é um insulto, mas a constatação da ausência de conhecimento. O problema surge quando essa ignorância se torna ativa, arrogante e resistente ao aprendizado. Quando alguém acredita saber mais que médicos, cientistas, professores ou psicólogos, mesmo sem formação na área, estamos diante de um fenômeno conhecido na psicologia como efeito Dunning-Kruger. Em resumo: quem sabe pouco, não sabe o quanto não sabe, e por isso se sente seguro em suas opiniões superficiais.

Duvidar dos especialistas pode ser também uma forma de reafirmar uma identidade, um pertencimento a determinados grupos sociais ou ideológicos. É mais fácil rejeitar o conhecimento do que reconhecer que se está mal informado. Além disso, muitos têm dificuldade em lidar com a frustração que o saber impõe. A ciência, por exemplo, não oferece respostas prontas ou confortáveis, mas sim probabilidades, revisões e humildade diante do desconhecido. Para quem busca verdades absolutas, isso soa como fraqueza.

Do ponto de vista psicológico, rejeitar o conhecimento técnico pode ser uma defesa. Um mecanismo para não se sentir inferior ou impotente diante da autoridade simbólica que o especialista representa. É mais fácil desacreditar o outro do que lidar com a sensação de inadequação diante do saber alheio.

Mas há algo ainda mais delicado: a ignorância não é apenas ausência de saber, é, muitas vezes, fruto de desinformação. E a desinformação se espalha rápido, apelando para emoções, medos e certezas simplistas. Enquanto o conhecimento exige reflexão, a mentira exige apenas aceitação.

Por tudo isso, o papel dos especialistas não deve ser o de impor verdades, mas de manter a escuta aberta, o diálogo respeitoso e a paciência ativa. A ciência não precisa gritar. Precisa persistir. E nós, como sociedade, precisamos valorizar o conhecimento, porque é ele que sustenta qualquer esperança de avanço, saúde e equilíbrio.

Duvidar é saudável. Rejeitar por ignorância, não.

2012 - Ano 40

O que aconteceu de mais legal em 2012 foram as Olímpiadas de Londres. Não pude ver tudo, pois o trabalho ainda me consumia, mas algumas coisas que aconteciam na noite Londrina, eram possíveis de assistir, além dos fins de semana.

Também foi o ano em que fiz uma festa de aniversário, para completar meus 40 anos.

Consegui convidar meus melhores amigos, as meninas do trabalho, meus amigos do prédio e foi tudo muito legal, menos as fotos.

Fiz duas festas em dois dias separados, uma para a família e outra para toda a galera.

Foram muitas latas de cerveja, sorrisos e a lembrança de dias bons, que não voltam mais... 

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...