segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

Conto em Gotas - Parte 17 - Final

Diana saiu com o carro, Bianca fechou o portão e quando estava indo em direção ao carro para entrar, ouviu seu nome.

Descendo a rua vinha caminhando o Soldado João, que morava duas esquinas depois da casa dela. Ela tinha um sorriso bobo no rosto e perguntou, ainda um pouco longe.

- Onde vocês estão indo, de quem é esse carro? - João, como todo o resto da cidade não gostava do marido de Bianca e temia pela segurança da moça.

Com a mão no coldre da arma, ele veio para o meio da rua, em direção ao carro e percebeu a cara assustada, petrificada de Bianca. Esperava encontrar o valentão no banco do motorista, mas ficou um pouco mais aliviado quando viu que ali estava outra mulher.

Olhando para Bianca ele disse: - Quem é a moça? e sorriu em direção a Diana.

Bianca simplesmente não conseguiu se mexer, Diana saiu do carro abruptamente e apertando a mão do João disse com um largo sorriso no rosto: - Somos amigas do tempo da escola. Moro em Limeira e vim aqui buscar a Bianca para tomar um café comigo.

O problema é que Bianca continuava paralisada e João conhecia bem os poucos carros que tinham para ser alugados na cidade...

- Onde está seu marido? - Ele perguntou ignorando Diana.

- E..E...Ees... Está lá dentro. - Gaguejou Bianca, cometendo um enorme erro, ao olhar para o banco de trás do carro.

João olho para dentro e viu o grande embrulho, Tirou a arma do coldre e apontou para Diana, que instintivamente levantou os braços.

Mas João, sozinho ficou meio desesperado e sem saber o que fazer. Foi se aproximando de Diana e pediu para que ela encostasse no carro e se virasse de costas para ele.

Diana obedeceu, mas percebeu que seria o fim da seu trabalho, das vinganças que ela vinha planejando e da vida como ela tinha imaginado.

Quando João guardou a arma para pegar a algema, Diana se virou e o golpeou o queixo do guarda com sua cabeça, ele cambaleou e ela lhe acertou um chute poderoso no meio das pernas, ele se dobrou, ela preparou o segundo chute quando ouviu o disparo, percebeu que seu sua perna não obedeceu o comando do chute que ela pretendi dar, escorregou e caiu, ouviu um segundo disparo e um grito, pensou estar sentindo dor, ouviu mais um disparo e um grito agudo final. Abriu os braços, olhou para João, a arma ainda fumegando na sua mão trêmula, ouviu Bianca se aproximar, ouviu outro tiro, viu a pobre moça cair. Não conseguia gritar, ouviu outro tiro e dessa vez muitos gritos, ouviu um murmurinho e muitos passos rápidos e então fechou os olhos. E não ouviu mais nada...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

1998 - Ano 26

1998 foi um ano relativamente sem novidades.

Estava no meu namoro recém iniciado e único, bem apaixonadinho e orgulhoso de mim mesmo por estar com uma menina que na época eu achava que era até demais para mim.

E para ajudar as coisas no trabalho e na faculdade se complicavam um pouco, muito pelas maiores responsabilidades, como já um quase gerente de informática, que me tornei no fim do ano e do efetivo último ano de aulas na faculdade, visto que o ano seguinte seria apena de estágios, TCC e uma única aula semanal de ética.

Mas, ainda havia o axé e o meu melhor amigo colocando o diabinho na minha cabeça. E não foram poucas as quartas-feiras em que eu esperava minha namorada chegar em casa, me ligar do orelhão da rua onde ela morava e ir para o Olympia ou para o Moinho Santo Antônio.

Em uma dessas oportunidades, minha namorada foi comigo e pediu para que eu nunca mais fosse, pois ela disse que viu meu amigo beijando "umas 10 mulheres diferentes" e achava que com ele eu faria o mesmo.

Eu não fazia e não deixei de ir, até realmente não poder mais faltar na faculdade às quartas e nem conseguir aguentar tão bem as manhãs corridas de quinta no trabalho.

A vida definitivamente estava mudando, eu achava que era para melhor, mais tarde achei que foi para pior, e hoje nem sei mais e nem penso em mais nada disso...

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

Catapulta

Abro os olhos e de repente me vejo sozinho.
Ainda ontem ela estava aqui.
Vai ver ainda estou dormindo.
Certamente ela ainda estará ao meu lado quando eu acordar.

Eu não posso estar sozinho.
Eu quero ser a faca que corta quando está nas minhas mãos.
E espalhar tudo o que eu cortar em uma catapulta.
Sou apenas um grande bebê, por favor me salve.

Se você demorar, não vai achar ninguém em casa.
Apenas vozes baixas e vazias falando sobre o que viram.
Eu não vou aguentar quando a fome chegar.
Tenho uma faca e escolhas estúpidas na minha cabeça.

Estou sozinho e ninguém vai me dizer quando devo parar.
Eu quero desapontar ninguém.
Mas serei uma luz tão brilhante que vai queimar seus olhos.
Afinal, só eu sei o que há dentro de mim.

segunda-feira, 13 de novembro de 2023

Pertencimento

Muitas vezes nos sentimos estranhos à algum lugar ou em contato com algumas pessoas, como se não parecesse correto estar ali naquele momento.

Já, em outros lugares, ou com outras pessoas e ainda té sozinhos conosco, nos sentimos fazendo parte daquele ambiente, do grupo ou, o mais importante, como nós mesmos!

Essa sensação de pertencimento ou de não pertencimento deve ser tratada com todo cuidado e atenção, pois de nada adianta tentar se encaixar em algum lugar, ou agradar uma pessoa, se não fazemos parte daquilo, daquele lugar ou sentimento.

Devemos, sempre, valorizar o nosso espaço e as nossas pessoas, sem tentar conquistar nada por obrigação ou de forma não natural.

Precisamos nos sentir queridos, aceitos e não apenas suportados, ou ficar em um lugar por obrigação.

Temos o nosso próprio espaço, o nosso grupo e ainda assim, se não nos encontrarmos em nenhum outro lugar, se estivermos em dia com nosso amor próprio, teremos sempre a n[os mesmos.

Não lute para ficar onde você não cabe, não se corte nem se molde para caber na vida de alguém, não tente ser quem você não é apenas para agradar.

Senão você nunca encontrará o seu verdadeiro lugar...

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

1997 - Ano 25

 Depois da "farra" dos axés de 1996, no ano seguinte retornei à faculdade, o que obviamente foi a melhor decisão profissional da minha vida, apesar de naquela época eu ainda não saber disso.

Ainda estava namorando a mesma pessoa, mas foi um ano conturbado em relação aos relacionamentos e sentimentos.

Minha namorada foi demitida e foi passar um tempo com a família em Cruz das Almas, na Bahia. Combinamos que ela ficaria por lá por uns dois meses até minhas férias e eu iria para lá conhecer sues pais e depois voltaríamos juntos.

E isso realmente aconteceu, mas não voltamos juntos. Ela resolveu ficar por lá mais um tempo e eu voltei para trabalhar duas semanas depois e nesse tempo em que ela ficou lá e eu aqui, uma outra menina apareceu na minha vida. E acabamos ficando juntos por alguns meses, até que outra menina apareceu na minha vida, de forma inesperada, aleatória e eu fiquei completamente perdido nos meus sentimentos e atitudes. E na hora do aperto, entre as três, acabei escolhendo ficar com a última, com quem tive quase três anos de um ótimo relacionamento, até que veio o casamento, mas isso estava muito no futuro e escreverei depois.

A volta à faculdade foi boa, de certa forma tranquila, o pessoal da turma nova era tão legal quanto a anterior, mas as melhores e mais fortes amizades ficaram mesmo com o pessoal dos dois primeiros anos, porque nos dois últimos, antes do ano de estágio obrigatório, minha vida profissional me tirava todo o tempo possível e mal tinha tempo para uma coxinha na faculdade, muito menos para amizades e conversas paralelas.

E o fim do ano foi o primeiro em que passei o ano novo "longe de casa", pois a minha confusão de relacionamentos fez com que o Natal eu passasse com a minha namorada que tinha voltado da Bahia e o ano novo, na casa do meu irmão, com a namorada que se tornaria a minha esposa...

segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Conto em Gotas - Parte 16

Diana deu cem reais para Bianca e pediu para ela ir ao mercado comprar um pacote de sacos de lixo de 100 litros e pediu para ela mais dois lençóis ou cobertores.

Ela só tinha mesmo mais dois lençóis, um na cama, já bem sujo e o outro guardado para ela trocar enquanto lavava o primeiro. Diana prometeu que compraria outro, novo, para ela nunca mais deitar sobre um lençol onde aquele maldito também tenha deitado.

Enquanto Bianca ia ao mercado, ela desceu o homem sobre os sacos de lixo ensaguentados e enrolou tudo nos dois lençóis. Depois que Bianca chegou com os sacos de lixo, ela colocou um na parte do tronco, outro na parte das pernas, com a fita Silver Tape prendeu os dois da melhor maneira possível e disse para Bianca que iriam agora alugar um carro e comprar seu novo jogo de lençol.

Trancaram a casa e foram até a rodoviária, que era o único lugar para alugar um carro, mas para a tristeza de Diana, o único disponível era um Gol, que ela sabia não ter espaço suficiente no porta malas, mas teria que ser esse mesmo.

Já passava das 17:00 e não havia mais nenhuma loja aberta, então Diana disse que levaria Bianca para Limeira e lá, no shopping, comprariam seu jogo de lençol. Ela, mesmo ainda desacorçoada, pareceu ficar iluminada, pois nunca tinha entrado em um shopping.

Voltaram para a casa de Bianca, ela desceu e abriu o portão para Diana entrar no gramado que deveria ser uma garagem e lá dentro, as duas, colocaram com um esforço gigante, o homenzarrão morto no banco de trás do carro.

Se trocaram, pois ainda havia pequenas manchas de sangue nas roupas das duas e foram para Limeira, com Diana ainda sem saber ao certo o que faria com aquele corpo...


segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Assassinato de Alguém

Uma manhã triste.
Como o pó das juntas dos ossos dos dedos.
Mesmo que digam que não estou sozinho.
Dizem apenas que existe um mundo do outro lado da janela.

Ninguém precisa saber,
Mas nós andamos sozinhos,
E fazemos isso devagar.
E dizemos:

Toda a sua vida é uma vergonha,
Todo o seu amor é apenas um sonho.
A felicidade também é apenas um sonho,
Pelo menos no sonho há aconchego e segurança.

Mas no sonho pedem desculpas,
E avisam que estamos errados.
E olhamos para nós mesmos por horas,
Desde o ano em que nascemos.

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Romantização do Arrependimento

Romantização é uma palavra que está na moda. É um disfarce para tentar transformar coisas ruins em boas, ou seja, como uma embalagem bonita para um produto vencido, quebrado, estragado ou apenas ruim mesmo.

Sabemos que o arrependimento é um sentimento ruim, sobre algo que as pessoas fazem, ou deixam de fazer. Ele, como todo sentimento, é abstrato e na maioria das vezes não pode ser controlado.

Contudo, algumas atitudes que geram o arrependimento, diria a maioria, não são por acaso, ou sem querer. São atitudes cometidas propositalmente, ou então sem um mínimo pensamento anterior, fruto de impulsividade ou irresponsabilidade mesmo.

E, antigamente, dizíamos que era possível aprender com erros, para não fazer de novo as mesmas coisas e, portanto, não cair de novo em arrependimento.

Mas, hoje em dia, com fãs de qualquer celebridade ou subcelebridade soltos por aí, se arrepender ficou mais difícil, porque tem sempre alguém dizendo que "tudo bem", "ninguém é perfeito", errar é humano e etc.

Esse excesso de "mão na cabeça" de quem era, não serve para nada além de ser um álibi para o mesmo erro ser cometido de novo e em muitos casos, o que era erro vira atitude correta, com tanto apoio por aí.

É preciso, urgentemente, parar de romantizar o arrependimento, deixar que as pessoas voltem a aprender com seus erros e se arrepender genuinamente, pois para cada "ídolo" defendido, há uma vítima esquecida.

E se eles continuarem achando que podem tudo, sempre haverá alguém sem poder se defender.

Mais consciência, menos fãs clubes, por uma vida melhor para todos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

Como seus olhos enxergam as minhas cicatrizes

Nossa vida é cheia de batalhas, nem sempre com resultado final positivo, mas se soubermos lidar com nossas derrotas sempre sairemos das batalhas com aprendizados, com marcas, com cicatrizes emocionais.

E se soubermos dar valor ao que passamos e usar o aprendizado para ter sucesso nas próximas batalhas, nada mais nos resta do que ter orgulho das nossas cicatrizes.

Sim, orgulho, pois se não às tivéssemos seria sinal de que desistimos em algum momento ou fugimos das nossas responsabilidades.

Contudo, enquanto temos orgulho das nossas batalhas invisíveis, aos olhos que de quem não lutou ao nosso lado, nossas cicatrizes podem ser apenas algo desagradável, feio, fora de lugar.

Mas elas não estão marcadas em nosso corpo, na nossa mente, para agradar ninguém, não devemos tentar fazer uma plástica, ou seja, fingir não ter a cicatriz para agradar outras pessoas. Independente da maquiagem que se use, a dor, o sentimento, as lembranças sempre estarão lá e quem não compartilho esses sentimentos conosco, não entenderá, nem se importará com os nossos medos, nossas escolhas, nossa coragem e nem nossas dúvidas.

Assim como uma digital, as cicatrizes são únicas, individuais e não importa como cada um as enxerga e sim apenas como você se lembra de ter a conseguido.

Orgulhe-se de suas vitórias, sem ter vergonha de ter caído, quantas vezes fossem necessárias, para chegar onde sempre quis estar!


segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Conto em Gotas - Parte 15

Uma das muitas coisas em que Diana não pensou foi em como se livrar de um corpo.

Ela inocentemente achava que encontraria todos os estupradores e os faria desaparecer, ou como foi em SP, chegar em casa e ligar avisando que ali havia um moribundo...

Mas agora ela se via em uma situação diferente, uma esposa dividida entre alívio e medo e um homem grande, forte, que ainda se debatia e que não poderia ser deixado ali para ser encontrado, pois haveria óbvias complicações para a esposa, que logo contaria a verdade e acabaria com o plano dela de seguir com sua vingança.

Primeiro ela tentou acalmar a esposa, pediu para que ela fosse para dentro, que limpasse os respingos de sangue do chão da sala e que deixasse as coisas com ela agora, mas antes de voltar para dentro da casa ela disse:
- Ele foi o único homem que eu amei. - E começou a chorar copiosamente.

O marido percebeu e começou a se debater ainda mais, lutando para pedir misericórdia para a esposa tola, que sofreria as piores consequências do mundo, caso ele se livrasse da iminente morte.

Mas Diana não deixaria isso acontecer;

Ela também voltou para dentro da casa e enquanto a outra procurava o material de limpeza e a vassoura para começar a limpar a sala, ela foi até a mochila e pegou a corda, mais fita e perguntou se na casa havia algum martelo.

Diana tinha visto um vaso grande, pendurado no quintal, do lado oposto aonde estava o fortão e teve uma ideia, iria tirar o vaso de lá e pendurar o corpo inerte dele, desmaiado pelo clorofórmio, até que ele morresse sufocado, mas sem fazer muito mais barulho.

O mais difícil foi lidar com o peso, do vaso e do homem e ela precisou, contra vontade pedir ajuda para a esposa, que no primeiro momento se recusou, mas acabou sendo persuadida por Diana. Mas ela sabia que estava em risco, pois a mulher estava prestes a colapsar e poderia abrir a boca em breve.

Depois de deixar o homem uma hora pendurado, Diana se certificou que ele não mais respirava. O Sangue que escorria pelas suas pernas através da calça já tinha formado uma enorme poça sobre os sacos de lixo que ela colocou embaixo do corpo. Mas agora vinha parte mais difícil, o que fazer com aquele homem, que fez tanto mal para a esposa e para a filha e ainda estava causando problemas, mesmo morto...


segunda-feira, 25 de setembro de 2023

1996 - Ano 24

Depois de reencontrar meu querido amigo em 1995 e de ter me iniciado no mundo do axé, ficou humanamente impossível conciliar o trabalho, cada vez mais cheio de responsabilidades, a faculdade e esse mundo maluco do axé.

Então acabei decidindo por trancar um ano a minha faculdade.

Claro que tinha um certo fundo de arrependimento nesse meio, pelo fim do meu namoro com uma colega de classe, que eu não sabia se ia querer ver ou não todos as noites...

Mas, no final das contas, a folia durou menos de um semestre, porque veio uma promoção no trabalho e aí ficava impossível ter folgas de mais de um dia, para poder viajar atrás do trio.

Por isso acabei tendo que vender o meu pacote do carnagoiania que seria a minha primeira micareta mais longe, depois de ter ido para o carnabelô.

Com a correria e com a promoção acabei ganhando mais e gastando mais com almoços fora do refeitório, até porque na maioria dos dias não tinha mesmo um horário certo para almoçar. E nesses almoços conheci minha namorada "mais séria" até o momento, que seria minha primeira "noiva", apesar da aliança de noivado ser quase de doce e sem anúncio nem festa.

E as quartas-feiras de Olímpia continuavam a todo vapor e uma sensação boa de que apesar de toda loucura e cansaço, a vida valia à pena...

De resto, mais um ano comum, sem muitas coisas diferentes em casa, apenas a certeza cada vez mais absoluta que algumas coisas jamais voltariam a ser como antes...


segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Chove na Pequena Cidade Grande

O circo está indo embora.
Vai para a próxima cidade.
Mas a lona que o cobre, espera ansiosa a aposentadoria.
Aqui chove, e certamente na próxima cidade também.

Agora o lugar em que você ficava, está vazio.
E nem posso te avisar por telefone.
Eu queria uma capa para me proteger dessa chuva.
Eu queria de volta o meu amor.

Sigo o circo em um trem cheio de conversas surdas.
Melhor não escutar, quando não se tem nada para dizer.
Pode até ser verdade que colhemos o que plantamos.
Mas eu simplesmente não queria plantar em tantos jardins.

Eu não consigo produzir melhor.
Eu não consigo mais mudar quem eu sou.
Aqui também está chovendo.
Tudo igual, mas de certa forma de outro jeito.

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Será que seu mundinho não está tomando espaço do mundo das outras pessoas?

Espaço, liberdade e limites.

É preciso entender essas três coisas antes de dizer que "ninguém tem nada a ver com a sua vida".

Empatia seria bem vinda também, mas aí já seria pedir demais para a grande maioria das pessoas.

Cada um tem o seu espaço, sabemos disso, cada um tem a liberdade para fazer o que quiser, e assumir as consequências pelos seus atos e palavras, mas o que nem todos percebem é que em uma sociedade, inevitavelmente, existem limites.

Não se trata da sua liberdade e da sua vida se você resolve passar as duas da manhã ouvindo funk no volume máximo em frente a um hospital, ou em uma rua residencial. Pois, nesse caso, você está colidindo o seu mundinho particular, com o mundo em que vivem bilhões de outras pessoas.

Precisamos lutar pelo que queremos, buscar nossos objetivos, fazer aquilo que gostamos, mas sempre lembrando que devemo para isso, usar o nosso espaço e não invadir o espaço do outro.

E para isso, existem leis, justamente porque o ser humano é incapaz de ter bom senso. E quem quebras as leis deve sofrer as consequências, ou deveria pelo menos.

Eu gosto de todas aleis, não. Sou favorável a elas. Não. Mas sim, sou obrigado a segui-las, ou lutar para mudá-las, não apenas infringi-las e que se danem os outros.

Parece simples, é simples, mas para alguns é complicado demais...

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Quando o Elevador chega no Topo

Um das características de boa parte dos seres humanos é a ambição de chegar ao topo.

Claro que em boa parte, também, dos casos, ela é positiva e importante, em outros casos, a ambição pode se tornar uma obsessão e fazer mal.

Mas em ambos os casos, nem sempre "o céu é o limite" e pode-se atingir um objetivo que sempre foi  um sonho e ao chegar nesse ponto, a pessoa pode não saber mais como continuar, ou o que fazer.

E isso também pode ser perigoso, afinal a ambição pode ser um vício e a falta de novos planos, novos objetivos ou novas metas pode criar transtornos mentais, como s depressão ou crises de ansiedade.

E o que fazer quando isso acontece?

Além de terapia, para corrigir essa necessidade de sempre ir atrás de mais e começar a aproveitar o que já se tem, é preciso reformular objetivos e procurar novas metas, novos planos e desacelerar, para que ainda existam objetivos a serem alcançados, mas sem a pressa e necessidade de chegar em novos  cumes de montanhas cada vez mais altas.

Com calma, paciência e modéstia, é possível sempre ter um pouco mais, e ainda assim ter outras coisas em vista.

Não adianta chegar no último andar rápido demais, pois o elevador nunca sobe mais do que o limite do teto, ainda bem...

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Conto em Gotas -Parte 14

Juliano era forte e ao recuperar a consciência e perceber que estava amarrado e amordaçado, sua fúria foi ainda maior e quase o suficiente para arrebentar a corda de varal que prendia suas mãos e suas pernas, mas foi suficiente para quebrar a cadeira em que ele estava sentado e amarrado.

Diana olho para ele e apenas apontou a ara direto para a sua cabeça. Não teve o efeito que ela esperava, apesar de não entender ada do que ele falava, foi possível perceber que era puro ódio que ele exalava e palavras de vingança, como quem confia na sua força e dúvida da força de uma mulher.

Diana então pegou a pistola de parafusos, apontou para a  coxa dele e atirou. O quase grito foi gutural.

Ele babava e seu olhar era ainda mais desafiador, mas mudou quando ela apontou a pistola com um novo prego para a outra coxa.

- Vai ficar quieto ou vai sangrar até morrer, porque eu vou colocar um prego em cada membro do seu corpo se você não cooperar. - Disse ela calmamente.

Ele sacudiu a cabeça para cima e para baixo, seus olhos brilhando em um misto de dor e raiva.

- Então vamos lá - Continuou Diana - Vou te dar três opções, sendo que em duas delas você sai vivo daqui e na outra vou te cortar pedacinho por pedacinho, botar fogo e te dar quase assado para um cachorro morto de fome. - E com isso tirou a faca de caça da bolsa.

- Você vai ouvir as opções e vai balançar a cabeça para dizer qual delas vai preferir. Entendeu?

Ele menou positivamente a cabeça.

- A primeira possibilidade é você ir acompanhado da sua esposa, agora, e comigo como testemunha, confessar os seus crimes e encarar uns 10 anos de prisão. E quando sair da prisão, não colocar o nariz perto dessa casa, senão você vai ficar sem ele. Depois continuou - A segunda opção é sumir, sai daqui agora, só com essa roupa imunda do corpo, deixar uma confissão por escrito e correr pela estrada até conseguir uma carona para te levar para o raio que o parta. E se aparecer em qualquer cidade aqui perto, vai sofrer as consequências. - Ela terminou.

Ele ficou esperando e ela concluiu:

- Ah, esqueci de mencionar novamente a terceira opção, que é eu te encher de parafusos e esperar você morrer sentindo toda dor que você merece.

Ele fez vários sinais com a cabeça, mas nenhum deles de acordo com o que Diana esperava, então ela colocou a pistola no pescoço dele e tirou sua mordaça.

- Responda o que prefere ou eu mesmo vou escolher o que fazer e pode ter certeza que já sei muito bem qual opção eu prefiro. E com isso apertou a garganta do infeliz.

- Espetar minha perna é fácil, mas você não tem coragem de matar um homem de verdade, você não vai querer ser presa, mas eu, eu tenho coragem e vou esmagar você quando me soltar daqui, mas antes de te matar, vou fazer o que você quer que eu faça, mas não de um jeito que você gostaria, mas de um jeito que você nunca mais esqueceria se continuasse viva! 

Diana enrolou o pano e colocou de volta na boca de ele e atirou de novo, dessa vez afundando um parafuso bem no omoplata do cidadão que se contorceu de dor.

Ele tentou cuspir o pano, mas Diana não deixou e ainda passou em volta da cabeça dele uma enorme faixa de fita Silver tape e parecia se deliciar com a dor do sujeito.

A esposa, em choque, não sabia o que fazer, mas tinha concordado com a situação e no fundo do coração sabia que o preferia morto, porque mesmo que ele dissesse que iria embora, ela sabia que ele voltaria e que seria ainda pior.

Diana disse a ela para pegar um lençol ou cobertor e estender no quintal, que tinha muro alta e nenhuma outra casa para xeretar a situação, e outro para não sujar a sala, já que o sangue começava a se empossar embaixo de Juliano.

- Já que você imagina que vai me violentar como fazia com sua própria filha, seu imundo, vou já acabar com as suas esperanças... - Ela disse e em seguida atirou um parafuso em direção ao pênis de Juliano, que mesmo no milésimo antes de ser atingido já tentava gritar desesperadamente...

E depois fez mais dois disparos na mesma região, fazendo com que ele parasse de tentar falar, de se mexer, provavelmente desmaiado pela dor...

Para garantir, ela molhou mais clorofórmio em um pano e novamente colocou no rosto dele e assim, com a ajuda da esposa, o levou sangrando já muito, para o quintal...



segunda-feira, 21 de agosto de 2023

1995 - Ano 23

1995 foi o ano em que o Axé caiu sobre a minha cabeça;

E eu nem esperava por isso e nem tampouco queria ou imaginava que isso seria possível.

Foi também o ano da minha segunda viagem pelos confins do Brasil junto com o meu amigo Ken, a primeira vez no Nordeste, a primeira vez que vi de perto o que era a fome, a miséria e o sofrimento.

Foi também o primeiro namoro sério, de verdade, na faculdade, que tinha quase tudo para dar certo, exceto essa viagem no meio do caminho, durante as férias, que me fez ir para longe e a fez ir para onde os problemas do passado sempre a chamavam, mas que provavelmente deram a ela um futuro muito melhor.

Afinal de contas, namoro e trio elétrico são opostos que quase nunca se atraem.

No trabalho, a maturidade, a percepção da minha capacidade de adaptação, mas também os primeiros medos, as primeiras revoltas, e até mesmo uma mini greve em busca de melhores condições de trabalho e salário.

E a disputa pelo "eu profissional" entre os gerentes de todos os setores me mostrou que eu estava certo.

No fim do ano, já sem namoro e com um amigo completamente pronto para destruir a minha vida, ao mesmo tempo que me fez viver intensamente, tive que tomar uma decisão, e acabei trancando a faculdade, pois mesmo um jovem de 23 anos não conseguia trabalhar 10 a 12 horas por dia, todos os dias da semana, como uma única folga, fazer faculdade e viver atrás dos shows de Axé no antigo e querido Olympia.

Em casa, com a família, tudo seguindo a mesma rotina, pouco tempo em casa, e o pouco tempo dentro do meu mundo, ouvindo reclamações e reclamando e a vida seguindo...

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Trem Fantasma

Como em um desenho animado a bola de canhão me atingiu e me levou para o oceano.
Mas não foi o oceano mais próximo, antes passei pelo deserto para depois ver o brilho do mar.
Afundei e para tomar ar precisei de uma escada tão alta quanto o Everest.
Mas não cheguei ao céu primeiro, antes tive que passar por milhões de corpos enterrados.

Em compensação, quando cheguei no último degrau uma anja me perguntou:
- Como você está?
Você viu, ela perguntou como eu estava!
Eu apenas sorri, o sorriso mais sincero.

Ela também não chegou la por acaso, comprou uma passagem para fugir do frio.
Embarcou naquele trem, porque não queria ser enterrada pela neve.
Senti um tipo diferente de amor.
O amor que é um trem fantasma passando pelos trilhos dentro de um túnel escuro.

Sem responder nada, disse a ela:
- Apenas segure a minha mão e fique comigo, não tenho mais lugar nenhum para ir.
Mesmo sabendo a resposta, ela perguntou se eu estava bem.
- Você está bem? - Disse ela não percebendo meus olhos se fecharem...

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

A Fama Passageira

De uns tempos para cá, algumas pessoas entraram em uma nova descrição criada para aqueles que tiveram seus 5 minutos de fama e depois, com todo respeito, sumiram dos holofotes.

São as chamadas sub celebridades.

Ganhadores ou até mesmo perdedores de reality shows, "cantores" que fizeram sucesso com uma única "música", aventureiros que criaram algum conteúdo chamativo que, outra palavra nova, viralizou e assim por diante.

Na enorme parte das vezes, essas pessoas não têm a mínima ideia de como deveriam lidar com o dinheiro e a fama passageira que conquistaram, deixando a vaidade e a ganância acabar com o pouco que eles achavam que era muito, que conseguiram.

De volta à realidade, muitas vezes com dívidas impagáveis e ao anonimato merecido, correm o risco de entrar em depressão profunda, depois de tentar, desesperadamente emplacar um novo programa, um novo sucesso, um novo vídeo viral sem o mesmo sucesso.

Sem contar nos escândalos, confusões e ate pequenos desvios da lei que cometem propositalmente, para voltar a ter os nome comentado, ou aparecer nos "trending topics".

Vivemos um mundo que é estranho para os mais velhos, mas sem volta, pois a tendencia é cada vez mais existirem nichos de pessoas que criam seus ídolos e que procuram seguir seus passos.

Eu, particularmente, continuo desconhecendo a maioria das sub celebridades e o motivo pelo qual tiveram seus 5 minutos de fama.

Mas, cada um tem um gosto diferente, uma forma de ver a vida e uma forma de imaginar a vida que não vive...


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Quando a Pensão vira um salário que dura pouco

O desejo por vezes é incontrolável e, principalmente para os mais jovens, fica tão à flor da pele, que quando se dão conta do que estão fazendo e como estão fazendo, já é tarde demais.

Claro que também existem os casais já formados que se imaginam como um só até a eternidade, mas é uma eternidade que dura pouco demais.

E existem, também, algumas pessoas que enxergam uma gravidez como uma ponte para uma vida mais tranquila, recebendo uma pensão gorda para que não só a criança tenha tudo o que precisa, mas para que ela também viva melhor do que na vida antes da gravidez.

E quando digo mais tranquila, não me refiro apenas às mães de filhos de jogadores de futebol ou artistas famosos, mas qualquer mulher que tenha uma vida mais difícil do que a do possível pai, seja ele um empresário, ou um funcionário qualquer.

O ponto comum em todos os casos é que em muitos deles, a pensão vira briga, discussão e quem fica realmente no meio da situação acaba desconsiderado, ou deixado de lado, sofrendo emocionalmente por uma disputa que parece ser apenas financeira.

Algumas crianças crescem se vendo como uma mercadoria, como um passaporte para uma vida melhor e em outros casos, quando a briga não dá o resultado esperado, como um estorvo, como um problema que não deveria ter acontecido, como um plano que não deu certo.

E na maioria dos casos em que o descuido foi tão grande quanto o desejo, a insatisfação habita os dois lados, do pai, obrigado a dar uma pensão que na maioria dos casos é muito baixa e a da mãe, que não recebe o suficiente de pensão para cuidar do filho e quer mais do que a justiça determina.

Então, qual a solução? Deixar de lado a impulsividade, respirar, pensar e se proteger, pois uma criança não é um prêmio e nem um problema, não é um trabalho para gerar um salário e nem um estorvo que vai impedir uma balada no fim de semana...

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Conto em Gotas - Parte 13

O passado deixa marcas e foi o que Diana pode perceber ao observar a esposa do tal Juliano, enquanto ela caminhava em direção a sua casa.

Um passo cheio de desalento e desesperança, como se não houvesse nenhuma razão, exceto o sofrimento, para ela estar ali.

Diana se aproximou dela e executou seu plano:

- Oi, boa tarde. Tudo bem? Você mora por aqui? - Perguntou já sabendo da resposta.

- Moro ali. - Disse a mulher que parecia ter mais de 50 anos, apontando para a casa da esquina.

Nesse instante os planos de Diana mudaram, pois ela ouviu um grito, de um homem, do portão da casa para a qual ela apontou, chamando pela mulher de forma ríspida e grosseira.

- Desculpe, mas tenho que ir. - Ela disse para Diana com a voz trêmula.

Diana segurou gentilmente o braço da mulher e a acompanhou até a porta e foi recebida com um olhar de fúria do homem que estava ali parado.

- Quem é você, o que está fazendo aqui, o que você quer? - Ele quase gritou a alguns centímetros do rosto de Diana.

Ela olhou para um lado, depois para outro, olhou para cima e como não viu nada nem ninguém olhou nos olhos da moça e disse:

- Por favor, não grite.

O sujeito olhos para Diana sem entender e no segundo seguinte estava no chão se esforçando para respirar, tamanha aforça que ela o atingiu com a parte de trás da pistola de pregos.

Ela só deu mais um chute no estômago dele e fechou o portão atrás de si sob os olhares assustados da esposa. Quando Juliano pareceu ter recuperado o fôlego, Diana colocou o lenço com clorofórmio no nariz dele que se debateu inutilmente por apenas alguns segundos.

Ela pediu ajuda para a esposa afim de colocar o grandalhão dentro de casa, meio sem saber o que fazer, ela ajudou.

Diana, sob os olhares pesarosos da esposa amarrou e amordaçou o homem que em breve despertaria e o deixou daquele jeito enquanto conversava com Eliane, a esposa.

- Me diga, sem medo e sem preocupação, o que esse verme fez com você e com a sua filha?

Com os olhos cheios de lágrimas ela respirou e contou tudo, tudo mesmo, desde a desconfiança dela, até o arrependimento por ter duvidado da filha, chegando ao dia em que ela chegou em casa mais cedo e viu, com os próprios olhos a filha sendo violentada, amordaçada e chorando.

Desde aquele dia ela apanhava quase toda a semana, pois Juliano a culpava pela fuga da menina e consequentemente por não poder violentá-la mais. Era abusada frequentemente e não tinha mais esperanças e nem coragem para reclamar ou denunciar de novo, mesmo ele sendo um vagabundo que ela ainda precisava sustentar.

Mas aquilo acabaria naquela noite. Juliano nunca mais faria mal a Eliana, aliás, nunca mais faria mal a ninguém...

segunda-feira, 17 de julho de 2023

1994 - Ano 22

Disse, no resumo do ano anterior, que passei na UNIP, mas não escrevi o curso.

E desde o primeiro dia de aula, tenho certeza que escolhi corretamente.

Entrei na faculdade para cursar psicologia, contra a vontade de toda família, mas com a certeza de que o que fazia de melhor era escutar as pessoas e cuidar delas, como nunca cuidei de mim mesmo.

Disseram que não ia ganhar dinheiro com isso, e não ganhei mesmo, até hoje, mas aprendi muito a lidar com as pessoas, entender, enxergar e assim ser capaz de liderar, como fiz com mais de 400 jovens e depois para ser tão bom nos contatos comerciais que me permitiram voltar a fazer o que amo.

Portanto, 1994 foi o ano da minha afirmação como profissional, apesar de ser apenas um começo.

Nem tudo foram flores, o trabalho me consumia, as aulas, inclusive aos sábados, me cansavam, leituras e mais leituras, e as colgas e um colega da turma, que se iniciou com 92 mulheres e 7 homens...

Maturidade, desafios, nova visão de mundo.

Mais futebol, menos jogo de botão, os primeiros sentimentos aflorados, a primeira decepção em um relacionamento de verdade, mas a certeza, absoluta, que aquele menino tinha ficado para trás, com muito ainda a fazer, mas sem tempo, porque havia muito a conquistar, muito a errar, muito a aprender, comemorar, se arrepender, ou seja, muito a viver...

segunda-feira, 10 de julho de 2023

A Rua que eu achava que era minha

Quase todo dia eu pegava o caminho que me levava de volta para a minha rua.
No sol ou na chuva, era minha aquela parta da cidade.
Eu conhecia até as sobras daqueles prédios, onde quer que eu estivesse.
Mas de repente, um dia foi a [ultima vez que apareci por lá.

Agora me afogo apenas no mar de lembranças.
E eu nem sei se os prédios ainda estão de pé.
Nos meus sonhos, restam apenas os corpos flutuando no espaço vazio.
As imagens ficarão apenas escondidas no inconsciente.

Mas, hoje em dia, que diferença faz?
Tenho a minha própria realidade para me afogar.
E no mar de fogo, sou apenas mais um que se queimou e está estirado no chão.
Ar é quase tudo, ou tudo o que eu preciso.

Contudo me vejo no caminho que me leva de volta à minha rua.
Vou ajoelhado, enquanto outros rastejam na mesma direção.
Como se fosse possível fugir da água que está chegando.
E não adianta, agora, pedir perdão...

sexta-feira, 7 de julho de 2023

Nossos Gostos Mudam, ou nos Deixamos Levar pela Moda

Para quem já viveu algumas décadas, como eu, ver fotografias antigas pode ser um divertimento, mas às vezes bate aquela dúvida: Como eu tinha coragem de usar isso? E aquelas exclamações sobre os cortes de cabelo, os modelitos, assessórios, como as pochetes, walkmens pendurados no cinto das calças, entre tantas outras coisas.

Quando olhamos as fotos ainda mais antigas, do tempo da juventude dos nossos pais, parece que fica ainda pior.

E provavelmente em um futuro próximo, teremos tempo de olhar para s fotos que tiramos na última década e ainda assim vamos achar estranhas.

Mas então, como explicar uma mudança tão radical na nossa preferência em se arrumar, se vestir ou até mesmo os lugares a frequentar.

Será que realmente gostamos de alguma coisa, ou apenas nos adaptamos ao que dita a moda?

E será que quando somos guiados pela e para a moda realmente gostamos do jeito que estamos ou apenas nos acostumamos, como nos acostumamos ao ver as pequenas mudanças que o tempo nos traz todos os dias?

É quase impossível imaginar o mundo atual, com a aparência dos anos 70, por exemplo, mas não podemos esquecer que nos anos 70 ninguém mais conseguia se ver com os ternos e chapéus dos anos 30 e assim por diante.

E vamos caminhando com algumas vontades próprias, mas mesmo assim seguindo tendências, pois mesmo que é inimigo da moda, também é inimigo dos inimigos da moda antiga!

Celebrando as nossas diferenças, mesmo quando no fundo somos iguais... 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Quando foi a última vez?

Desde que chegamos ao mundo temos algumas rotinas, criadas por nossos pais ou tutores, depois algumas que são nossas e deles e por fim algumas que são apenas nossas.

Temos muitos momentos marcantes na vida, mas normalmente são lembrados aqueles em que fizemos alguma coisa pela primeira vez.

Os pais normalmente vão se lembrar de quando o bebe engatinhou pela primeira vez, os primeiros passinhos, quando pediu para ir ao banheiro a primeira vez, mas não se lembram quando o bebe parou de engatinhar de vez para só andar, ou nunca mais precisou das fraldas, nem por segurança.

E continuamos assim pelo resto da vida, lembrando das primeiras vezes, mas sem nos darmos conta de que as coisas mudam e que fizemos um monte de coisas pela última vez e nem nos demos percebemos.

A ultima vez que brincamos com carrinhos ou bonecas, o último desenho com giz de cera ou lápis de cor, o último abraço em uma amigo ou amiga querida meses depois do último dia de aula...

O último jogo de botão, a última vez da amarelinha na rua, o último dia de chuva em que era possível assistir desenho comendo biscoito e tomando leite.

E existem coisas que raramente ainda fazemos, mas se não nos dermos conta, acabarão ficando como essas outras lembranças e nem saberemos quando foi a última vez, ou então pensaremos nisso só quando não for mais possível fazer de novo.

Precisamos tomar cuidado com o tempo, pois sempre achamos que será possível fazer alguma coisa mais tarde, acabamos esquecendo e depois fica tarde demais.

Diga aos seus pais ou aos seus filhos o quanto você os ama, abrace e beije as pessoas queridas, telefone, mande mensagens, vá visitar. Não deixe para depois um sorriso que você pode colocar no seu rosto ou no rosto de alguém, para que esse sorriso não vire apenas uma lembrança do que você não fez...


segunda-feira, 19 de junho de 2023

Conto em Gotas Parte 12

 Diana chegou no domingo pela manhã em Engenheiro Coelho e foi aos poucos se familiarizando com o pequeno local. Perguntou sobre os horários de saída e chegada dos ônibus, para saber até que horas poderia ficar lá, ou se precisaria dar um jeito de passar um anoite por lá.

Ela já tinha pesquisado sobre lugares para visitar, afim de ter assunto para puxar com alguma pessoa de lá. Encontrou apoiada em uma vassoura uma senhora possivelmente entrando na terceira idade que conversava animada com uma mulher mais jovem.

Ela pediu licença, se apresentou e disse:

- Vim passar uns dias com a minha família em Limeira e me disseram que aqui tem uma cervejaria muito boa, chamada Caipira, vocês sabem onde fica?

- Ah, Claro, é logo ali pra cima, indo reto até o final dessa rua e virando para aquele lado e depois só seguir toda vida!

Diana riu e perguntou se ela iria andar por uns 10 minutos ou mais. A mulher mais jovem riu e disse que não.

Vendo que foi bem aceita, Diana perguntou sobre outros lugares para visitar naquele dia.

Disseram que não havia muito o que fazer, apenas um lago, um parque e comidinhas locais.

Ainda sem saber como entrar em um assunto delicado, ela perguntou se havia algum lugar onde ela poderia comprar imãs de geladeira ou chaveiros de lembrancinha.

A mais velha indicou uma casa bem no final da rua.

Então Diana respirou e disse tentando parecer preocupada:

-Não é a casa daquela moça que apanhava do marido e que a filha fugiu né?

A mulher mais jovem olhou intrigada e perguntou:

- Como você ficou sabendo disso?

- Ah, lá em Limeira. Minha prima me contou uma história e me deixou cheia de medo! - Ela disse com um sorriso tímido e fingido...

Ela mal acreditou na sua sorte quando a mais velha disse:

- Não, graças a Deus eles moram mais para o fim da cidade, já na saída para a estrada, em um casebre quase abandonado, mas ela hoje em dia aparece mais aqui pelo centro. Quando o fato aconteceu, ela mal andava, coitada.

- Poxa, que triste. Disse Diana.

Depois completou:

- Vou é ficar longe!

As três sorriram. Diana agradeceu, se despediu e foi andando em direção à lojinha de lembranças. Comprou um chaveiro e depois seguiu caminhando na direção da cervejaria. Quem sabe conseguiria mais alguma informação...

 Na cervejaria ela pediu uma garrafa e se sentou sozinha em uma mesinha. Estava ainda quase vazia, mas não demorou muito para um sujeito aparecer e se sentar ao lado dela, sem mesmo pedir licença.

- Você não é daqui, tenho certeza. Ele disse.

Apesar de começar a sentir uma raiva subindo pela sua alma, ela fingiu-se de tola e respondeu:

- Não, só vim conhecer a cidade, mas já vou voltar para Limeira.

- Entendi. Ele disse, depois completou?

-Mas por que tão pouco tempo, devia ir no lago, conhecer o parque.. - E deu uma risadinha cínica.

Ela pensou rápido e achou que poderia conseguir alguma coisa diferente e então respondeu:

- Eu não. A fama dos homens desse lugar não é boa. Lá em Limeira me disseram que eles batem em suas esposas por aqui.

O sujeito fechou a cara, olhou com uma cara de ódio para ela e disse:

- Mentira! Eles dizem isso por causa do desgraçado do Juliano, que batia na mulher, mas dizem que ele não faz mais isso desde que a menina foi embora.

- Mas não foi só isso que me disseram. Ela continuou. - Parece que ele violentou a própria filha!

- Então, foi o que a maluca da mulher dele disse, depois de ter levado uns cascudos, depois daquele dia todo mundo sabe que ele quase matou ela no murro e ninguém sabe se a menina fugiu de medo ou de vergonha, mas ele nega que tenha tocado nela.

- Sei. Disse Diana e concluiu: - Mas é melhor não arriscar né. Deixa eu terminar minha cerveja em paz antes que esse Juliano apareça. Como aqui é bem pequeno ele deve morar por perto...

- Mora lá no fim da avenida. - Mas com certeza não vai te fazer nenhum mal. Se você mas se você quiser, posso andar do seu lado para te proteger. Galanteou.

Diana sorriu, agradeceu e pegou seu copo, deixando o sujeito com cara de bobo sozinho na mesa.

Ela já tinha quase tudo o que precisava...

segunda-feira, 12 de junho de 2023

1993 - Ano 21

Houveram muitas coisas nesse meu ano sabático nos estudos e meu primeiro ano de trabalhador registrado em carteira de trabalho, mas definitivamente nada que chegue sequer perto do dia 12 de Junho, coincidentemente como hoje, só que há 30 anos atrás. E não, nem de longe em virtude de uma namorada ou paquerinha, mas sim porque foi a primeira vez em 21 anos que eu pude soltar o grito, hoje tão frequente, de Campeão!

E eu estava lá, no meio de 100 mil pessoas, nas arquibancadas do Morumbi, vendo tudo de perto, sentindo aquela emoção deliciosa de poder festejar, voltar para a Paulista e ficar por lá por várias horas, jantar no saudoso Prestíssimo com a bandeira do Palmeiras como toalha de mesa...

E além de tudo, nesse dia eu entendi o quanto isso era importante para mim naquele momento. poque eu precisei fazer escolhas. Estava há pouco mais de 2 meses trabalhando, iniciei no Eldorado do Center Norte no dia 7 de Abril, e meu chefe resolveu pegar folga para ficar com a namorada e disse que eu não poderia folgar no mesmo dia, porque o setor não poderia ficar sozinho.

Eu, com toda a minha honestidade e maluquice o avisei que no máximo iria pela manhã para arrumar o setor, mas que iria embora na hora do almoço, assim que o repositor da moite chegasse e que ele tomasse a decisão que quisesse depois.

Tomei uma advertência na segunda-feira, feliz, satisfeito e sem nenhum pingo de arrependimento.

Aliás, mesmo que fosse mandado embora eu não ia ligar, até porque eu nem queria mesmo trabalhar lá...

Nunca me esqueço da minha tristeza ao sentir a tesoura cortando o mu cabelo no dia 6, pois naquela época cabelo comprido, barba e tatuagens eram proibidos para trabalhar em um supermercado.

Só que como não fui, fiquei por 6 anos e 364 dias, passei por todos os departamentos e me tornei um profissional de verdade, uma pessoa melhor, pude fazer e pagar minha faculdade, conheci minhas primeiras namoradas de verdade e até minha ex-esposa. Portanto, 1993 além de tudo, foi um ano de novos começos.

Boas lembranças, bons momentos, maus momentos, raiva, arrependimentos, mas muito mais realizações.

E começar a trabalhar era obrigatório. Já tinha 20 anos completos e não poderia depender apenas do dinheiro que pegava trabalhando de boy para o meu pai. E como não cheguei nem perto de passar na FUVEST, precisava ter dinheiro para pagar a faculdade.

E no final do ano, passei no vestibular da UNIP e com uma nota bem melhor do que eu imaginava, fruto do cursinho que fiz no segundo semestre com emu amigo Ken, nas noites depois do trabalho e com Donuts de jantar.

Definitivamente o adolescente rebelde dava passagem para o homem que ali surgia e teria muita coisa pela frente.

Esse foi, definitivamente, um ano inesquecível...

sexta-feira, 9 de junho de 2023

O Rei da Chuva

Quando eu penso no paraíso, me vejo chegando montado nas asas de um grande pássaro.
O paraíso fica no horizonte e até lá já estou cheio de penas, parecendo uma fantasia de carnaval.
Eu tento me segurar na barriga do pássaro, mas nem a fé em Deus me ajuda nesse momento.
Quando caio, penso que vou me afogar, mas ninguém se afoga ou se quebra ao entrar no paraíso.

Não sinto fome, não vejo alimentos, mas tenho a estranha sensação de já ter vindo aqui antes.
Não lembro quando, mas parece que eu estava aqui com vestes de um soldado real.
Como posso ter estado aqui antes, se nunca estive em lugar nenhum.
Ouço alguém chorando e fico apenas pensando, eu sou o rei da chuva.

Mãe do céu, aqui é tão vazio, estou sozinho? E aquele choro que eu ouvi?
E não posso sair lá fora, pois nem mesmo estou dentro.
Agora fiquei com muito medo de nunca mais achar aquele pássaro para me levar de volta pra casa.
Acho que estou vivo, mas é como se estivesse afundando...

Tem mais alguém aqui, tem aqui alguma casa?
Se houver, me convide para entrar, não quero mais ficar aqui fora.
Não me torture, não me deixe aqui sangrando, já estive aqui antes.
Mereço algo melhor...


Invísivel aos olhos da única pessoa que enxerga

Sentimentos são interessantes, muitas pessoas sofrem por causa deles, normalmente quando esquecem que deveriam nutrir mais e melhores sentimentos por si mesmas.

Quando a vida está ainda no começo, fim da adolescência e início da vida adulta, parece que essa dificuldade em controlar alguns sentimentos, aflora ainda mais.

E aí muitos jovens acabam se deixando levar por uma paixonite maluca que cega, ou apaga da mente daquela pessoa quase todo mundo, exceto uma única pessoa, aquela com quem o sujeito sonha, ensaia palavras, cria versos e poemas, mas que em muitas vezes nem sabe da sua existência.

Parece muito triste, complicado e quem passa por isso pensa em várias coisas ruins, mas esquece o mais importante, que é o simples. Enquanto não se olhar no espelho e entender a própria importância, vai passar boa parte da vida chorando por outras pessoas e deixando de lado, talvez, alguém muito melhor, para quem aquela pessoa não é invisível.

E essa cegueira temporária demora muito a passar na maioria das vezes e quando as demais pessoas aparecem de volta ao redor, depois de todo sofrimento, muitas delas podem ter mudado, desistido, ou se chateado por terem sido ignoradas.

Portanto, nunca deixe os olhos abertos apenas para uma pessoa, não se esqueça dos amigos, da família, de quem realmente se importa, para tentar ser todos olhos para quem é toda olhos apenas para outra pessoa.

Mais amor próprio, menos carência e dependência!

Escravo da Mentira

Mentir é quase normal, mas tem gente que mente mais do que o normal, mais do que o aceitável.

Pessoas que criam histórias, inventam lugares, amigos, pares, até mesmo empregos, e depois não conseguem mais sair do personagem que criaram.

Se tornam, assim, escravos das próprias mentiras, acabam se afastando das pessoas, pois já não conseguem mais sustentar a ilusão quando colocados em frente à realidade, não conseguem mais inventar desculpas para as perguntas inevitáveis sobre a vida que não existe, entre tantos outros problemas.

Além disso, a vida baseada em mentiras vai acabar em algum momento levando o sujeito à doenças mentais graves, como a depressão e crise de ansiedade, podendo, inclusive, levar o sujeito ao suicídio, se  ele se sentir acoado, com medo e com muita vergonha, quando tiver que encarar pessoas que descobriram muitas das verdades que esse sujeito escondia.

Quem usa de mentiras frequentes para enganar outras pessoas, também acaba se complicando e por vezes também ficando escravo de situações desagradáveis, como por exemplo, ao mentir no trabalho dizendo que um familiar ficou doente, sempre vai ter esse fantasma quando o chefe perguntar se esse parente melhorou, se está bem e também acaba limitando o sujeito, pois ele nunca vai poder levar o chefe ou colegas de trabalho na própria casa, para não correr o risco de ser desmascarado.

Enfim, mentir nunca é bom, mas mentir demais é ainda pior. Como dizem: A mentira tem perna curta e não consegue fugir por muito tempo!

 

 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

As Palavras e as Atitudes

Falar é muito fácil, como dizem, até papagaio fala!

Já as atitudes são muito mais difíceis e também muito melhores para analisarmos alguma coisa ou alguém.

É bastante difícil, infelizmente, acreditar em qualquer coisa que ouvimos hoje em dia.

Em muitos casos, a palavra não vale mais do que uma moeda de 5 centavos, e olhe lá.

Já as atitudes podem até ter preço, mas você pode conferir o que está pagando.

O problema é que muita gente fala sobre coisas que são invisíveis, não palpáveis, impossíveis de comprovar com uma olhada ou um aperto. Muita gente gosta de falar de sentimentos e, o pior, falar por falar.

E fica ainda mias interessante quando paramos e percebemos que cada pessoa sente de uma forma particular, enxerga ou nomeia os sentimentos de acordo com sua própria visão, o que deixa ainda mais impossível determinar o que é e o que não é verdade...

Justamente por isso a única coisa que realmente importa, são as atitudes.

Você pode dar o nome que quiser a um gesto de carinho, para um abraço apertado ou um beijo, pode se expressar da maneira que achar melhor.

Certamente isso vai ter uma relevância maior do que uma mensagem, uma palavra ou um sussurro.

Gestos e atitudes nos mostram a verdade enquanto as  palavras podem ser apenas uma grande ilusão...

segunda-feira, 8 de maio de 2023

O tempo e o tempo de novo

Eu queria tanto que outros olhos pudesse me ver.
Alguém que não fosse meu próprio espelho.
Que me encarasse sem desviar os olhos.
Mas esse alguém já foi.

Então eu queria que o tempo voltasse.
Corresse de trás para frente.
E assim eu estaria voltando para casa.
Mas o tempo passou e estou aqui sozinho.

O tempo passou de novo.
Nesse tempo presente não fico feliz comigo mesmo.
O tempo de novo foi para frente.
E eu não sou capaz de me satisfazer.

Mas já quis me afogar em um oceano.
Queria afundar bem devagar, mas sem me molhar.
Quem sabe um dia, eu não me sinta sozinho.
Para caminhar sobre as águas desse oceano de tempo.

08/05/23 - GRU

1992 - Ano 20

Finalmente o último ano da escola!

Apesar de todos os percalços, das notas baixas e médias, das bagunças e muito pela boa vontade e a enorme vontade de não me ver mais dos professores, passei de ano.

Mas, o mais legal desse último ano foi a consolidação das amizades que fiz e que infelizmente eu perdi, por minha culpa mesmo.

A turma de meninas e cabeludos, eu incluído, que era super legal e divertida. A querida Cecília, uma das principais razões de eu acordar e ir para a escola, Sabine e Ana Carolina, Patrícia a meiga, Alexandre (Willy), Pietro, Tavares, Thiago e outros que certamente me esqueço nesse momento, mas que vou editar depois que encontrar meu folheto da formatura. Ainda tinha o Mid, meu melhor amigo até hoje, e sua namorada Vanessa, que era uma das minhas melhores amigas até o Mid me arrastar para a primeira micareta da minha vida, mas isso é história para o ano de 1995.

Além da sensação espetacular de finalmente me formar e de ter amigos, talvez o mais legal desse ano tenha sido a minha ideia de escrever um conto de presente para cada uma das 7 pessoas que eram mais próximas a mim e que eu enviaria  a elas via correio, no ano seguinte. Cada uma escolhia um tema e eu escreveria.

Foram 7 pessoas e 7 temas. O primeiro eu lembro, foi o Alexandre e o tema foi Sexo. O último foi o Pietro e o tema foi Morte.

No meio houveram os temas vida, futuro, amor, aliança e reconstrução e eu sei que a Cecília, a Ana, a Sabine e a Paty escolheram um dentre esses temas, mas no momento não consigo me lembrar quem foi a última pessoa para quem enviei o conto. Perdoem-me, mas já se passaram 31 anos.

Contudo, já no final do primeiro conto, tive uma ideia, juntar os 7 contos e fazer dele um livro, seria meu desafio. E assim fiz, contos que se tornaram capítulos, com os mesmos personagens e na medida do possível continuando a história, sem que ela perdesse o sentido se fosse lida isoladamente.

Pena que meu sonho de publicar ainda não deu certo, mas quem sabe um dia...

Esse foi com certeza um dos meus anos preferidos, muitas idas ao estádio com meus amigos Marco e Ken, apesar do Palmeiras continuar fazendo a gente sofrer. 

Se não me engano, foi também o ano dos  meus primeiros shows, acredito que um Hollywood Rock, mas isso preciso, também, confirmar.

De toda maneira, a vida começava a ficar mais agitada, mais divertida e em casa sem novidades, a mesma rebeldia e os últimos meses do meu tão querido cabelo comprido, que hoje fico feliz em ter de novo...

Conto em Gotas - Parte 11

Ainda bem que Diana era econômica, porque mesmo com seu salário relativamente baixo, ela tinha conseguido juntar uma pequena poupança que usaria agora para fazer algumas viagens.

Planejou passar por 5 cidades diferentes nas suas férias e em mais 5 cidades pequenas e próximas dessas, onde haviam casos mal resolvidos ou nada resolvidos de violência contra mulheres.

Mas, antes de organizar passagens e hospedagens, ela precisava dar um jeito de conseguir munição para sua arma e de preferência algumas outras armas para usar.

Como não teria tempo hábil e nem dinheiro para conseguir uma arma legalizada e autorização para comprar munição, ela recorreu à deep web para encontrar um sujeito que fizesse a entrega de uma caixa com 50 cartuchos em uma caixa postal, que ela adquiriu em uma agência dos correios do outro lado da cidade.

Era um risco, afinal confiar que um bandido faria a entrega corretamente não é a coisa mias comum do mundo, mas ela fingiu se passar por um marido traído que queria vingança e deve ter sido bem convincente, pois o processo correu muito bem.

Em uma loja de pesca, comprou sem precisar de nenhuma documentação especial, dois facões, cordas até uma vara que fica de um tamanho bom para levar em viagens.

Em várias lojas de materiais de construção comprou muitas fitas adesivas, removedor, furadeira, pregador automático de pressão e pregos daqueles bem compridos.

Com tanta coisa incomum, as roupas foram assessórios supérfluos nas duas malas que estava levando para a rodoviária da Barra Funda já manhã do sábado, antes mesmo do seu primeiro dia oficial de férias.

Os primeiros 5 dias seriam na cidade de Limeira, mas o destino real era a cidade de Engenheiro Coelho. uma cidadezinha de menos de 20.000 habitantes, distante 26 km da sua estadia.

Ela encontrou nessa cidade 2 casos de violência, contra uma mulher de pouco mais de 30 anos e sua filha, que hoje deve ter 17 anos, mas na época em que foi violentada tinha apenas 13.

Mesmo após a tentativa do delegado em convence-lá a continuar com a acusação e obter a ordem de restrição contra o homem que violentou as duas, a mulher estranhamente retirou a acusação e depois foi vista várias vezes com hematomas pelo corpo e até mesmo dificuldade de se locomover pela cidade.

A menina fugiu e não se tem notícia do seu paradeiro. Já se passaram 4 anos e tudo o que Diana descobriu é que o homem ainda morava na mesma casa, com a mesma mulher...

 

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Insistir no erro é masoquismo

Existe aquela famosa frase "Errar é humano, mas insistir no erro é burrice."

Em alguns casos isso pode até ser verdade, pessoas que por falta de conhecimento, experiência, estudo, oportunidades, entre outras coisas, acabam cometendo o mesmo arro diversas vezes.

Contudo, existem pessoas que são sabidamente inteligentes, ou pelo menos experientes, estudadas, capacitadas para perceber que estão cometendo um erro repetido, mas mesmo assim continuam.

Nesses casos, não é burrice, é masoquismo mesmo. Pessoas que buscam o sofrimento, a discussão, brigas e o inevitável fim.

Depois dizem que tinham esperança que s coisas fossem diferentes, que não percebeu que estava repetindo os atos e atitudes e algumas ainda tentam sempre colocar a culpa do fracasso nas outras pessoas.

Pois é gente, a vida é mais matemática do que a gente imagina. Operações iguais, com números iguais, vão ter sempre o mesmo resultado final... 

Sofrer apenas pra ver alguém sofrendo

Existe aquela velha história das pessoas que estão dentro de um barco, que está afundando, mas mesmo assim não se mobilizam para ajudar, uma vez que acham melhor morrer do que fazer algo que julgam não ser de sua responsabilidade.

Essas pessoas são insuportáveis, mas, acreditem, existem pessoas ainda piores, aquelas que fazem os furos no casco do navio, para ver ele afundar porque não gostam do capitão, ou seja, preferem sucumbir junto com ele, do que aceitar o sucesso que o capitão possa ter ao chegar em terra.

Parece absurdo, mas infelizmente é muito mais comum do que se imagina.

Principalmente nos âmbitos profissionais e emocionais.

No profissional, existem funcionários que por não gostar do superior acabam desleixando no trabalho, atrasando entregas e prazos, coisas que podem prejudicar o treose inteiro e, claro, a si próprios, apenas para ver o chefe ou líder também tomar bronca ou até mesmo perder o emprego. E existem muitos outros exemplos que poderiam ser citados.

Emocionalmente algumas pessoas não tem capacidade de lidar com a felicidade ou com bons momentos e acabam conseguindo viver apenas em sofrimento e consequentemente não suportam a felicidade de ouras pessoas. Então muitas vezes acabam criando situações em que vão sofrer, mas vão levar o sofrimento à outras pessoas, como por exemplo se privar se um passeio para que outras pessoas não possam ir, deixar de fazer uma comida ou doce gostoso para que os outros não comam, mesmo tendo vontade de comer, entre tantos outros exemplo também.

E, também dentro dessa personalidade egoísta, existem pessoas que fazem tudo para estar certas, chegam até mesmo a desejar que desgraças aconteçam para provar seu ponto de vista, coisas como assaltos ou acidentes, para poder dizer "Eu disse que era perigoso", "Eu avisei para não ir", "Eu sabia que isso ia acontecer" e etc...

Precisamos tomar o máximo de cuidado para ficar longe de pessoas assim, pois além de querer o mal dos outros, independente de sofrer por isso também, acabam sugando toda energia positiva e deixando um clima pesado por onde andam...




segunda-feira, 10 de abril de 2023

Indiretas

Eu, particularmente, sou muito devagar para entender algumas coisas. Termos que a geração mais nova usa, não entendo praticamente nenhum e também tenho muita dificuldade em entender indiretas.

Nas raras vezes que recebo alguma, pelo menos eu acho que são raras, a pessoa depois tem que acabar me explicando, brava claro, por eu não ter entendido e continuado conversando como se aquela "indireta" fosse um assunto corriqueiro.

Imagino que, como eu, outras pessoas também tenham dificuldade de entender o que é uma inderita e o que é uma conversa normal e não é por falta de inteligência, ou atenção. É simplesmente porque pessoas como eu, preferem enxergar o simples, o fato, aquilo que realmente está sendo dito, sem precisar fazer uma interpretação.

Então, para nós, é difícil entender porque uma pessoa que quer dizer algo, ou reclamar de algo, fica usando exemplos aleatórios para tentar se fazer entendida.

Uma coisa que aprendi e uso comigo nesses quase 25 anos de formação em psicologia e depois de ter conhecido à fundo a vida de algumas centenas de pessoas, é que muitos dos problemas que aparecem na vida são frutos de complicações desnecessárias.

Ser simples é como andar em linha reta e apenas desviar dos obstáculos que encontramos no caminho, mas muitas pessoas, como as que gostam de indiretas, preferem elas mesmas encher o caminho de obstáculos, pegar caminhos que são cheios de curvas que ligam nada a lugar nenhum.

Perdem tempo, saúde mental e ainda tem que lidar com a raiva causada por elas mesmas, ao perceber que a indireta passou longe do objetivo, porque existem pessoas como eu.

Se precisar falar, fale, se quiser alguma coisa diferente, peça, se quiser fazer alguma comparação idiota, faça, mas avise do que se trata. 

O resultado vai ser o mesmo, o tempo vai ser menor e ninguém se sentirá obrigado a tentar interpretar o que você está falando!

A comunicação é uma dádiva, use-a corretamente!

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Escolher Esperar

Pessoas são diferentes, vivem em locais diferentes, se relacionam com pessoas diferentes, em culturas diferentes, foram educadas em locais e de maneiras diferentes.

Todos sabemos disso há muito tempo, apesar de muitos por vezes não aceitarem como deveriam as diferenças básicas e óbvias entre as pessoas.

E essa máxima vale tanto para assuntos cotidianos, para religião, opinião política e tudo mais o que você pensar, inclusive o que cada um faz com seu próprio corpo.

Pessoas que tem opiniões que não combinam com a maioria, tendem a serem julgadas e até ridicularizadas por suas escolhas. E esse problema até que seria superado se não existissem pessoas inseguras com suas opiniões e fracas emocionalmente, a ponto de duvidar de si mesmas, causando enormes conflitos internos.

Por outro lado, existem muitas pessoas que não escolhem nada, mas são forçadas a lidar com as escolhas de outras, como pais, pastores e etc.

E do outro extremo, estão aquelas pessoas que não tem capacidade emocional de escolher a apenas seguem as atitudes de quem é "descolada", popular, entre outras coisas.

Longe do mundo ideal, o que precisamos é respeitar mais a decisão dos outros e principalmente aprender a decidir por si sobre o que vai ser melhor para a própria vida.

Quando isso acontecer, e eu acho que não ser na minha geração, ninguém mais vai tirar sarro ou fazer brincadeiras idiotas com quem decide esperar para saber o que fazer com o próprio corpo e a própria vida e assim as pessoas terão mais tempo e sobriedade para saber o que vai ser melhor para a própria vida e não o que é melhor para agradar os outros ou a sociedade...

segunda-feira, 27 de março de 2023

Conto em Gotas - Parte 10

Pegou o primeiro ônibus que passou no ponto, entrou já sem o boné e assim que sentou, soltou os cabelos.

Tirou a jaqueta e trocou os óculos escuros pelo seu óculos de grau, confiou que o dono do bar não teria reparado em seus pés e que o bandido não seria capaz de lembrar de nada, caso não sangrasse até a morte.

Tocou a campainha para descer assim que avistou uma estação de metrô e de lá, foi sem nenhum remorso, mas com a ansiedade lá em cima, de volta para casa.

Tomou um banho longo, depois de esconder a arma, falou com Bianca ao telefone, como se o dia estivesse um tédio e ligou para saber como estava sua mãe.

Comeu e ligou a televisão a procura dos famigerados canais de notícias trágicas. E não demorou muito para reconhecer a imagem da casa na qual ela havia entrada naquela manhã. Aumentou o som e ouviu apenas o repórter finalizar a informação, dizendo que a polícia investigava a hipótese de uma vingança, mas que ainda iria precisar analisar o material que foi encontrado na casa para saber se o homem que foi levado quase inconsciente para o hospital era um bandido ou apenas uma vítima.

Ouvindo aquilo ela se irritou e parou para pensar que não deveria ter tirado as coisas da gaveta, que a polícia iria encontrar e que seriam evidências melhores do que quando encontradas jogadas no chão na frente do infeliz, mas infelizmente o impulso foi impossível de controlar e tudo o que ela esperava agora era não ter deixado vestígios suficiente para que fosse ligada ao crime.

Na segunda-feira, ao chegar no trabalho, esperou Bianca para ver por suas reações se ela tinha visto a notícia, mas por sorte ela não perdia seu tempo com o tipo de programa em que o caso foi veiculado e estava mais animada do que de costume.

Tinha tido coragem para baixar um aplicativo de mensagens e estava conversando com um "gato". Diana ouviu em um misto de animada e preocupada, pois não confiava nesses aplicativos e via casos demais de mulheres e homens que caiam em golpes, mas não queria estragar o humor da amiga, apenas sugeriu que para o primeiro encontro ela fosse em um lugar aberto e que não aceitasse sair com ele sozinha no primeiro dia, antes de ter certeza que ela realmente é quem dizia ser.

Depois ainda teve que ouvir a amiga insistir que ela também devia baixar o aplicativo e encontrar um novo amor para a vida dela. As duas riram e começaram a trabalhar, pois já estavam chamando atenção demais.

Ao chegar em casa, ela descobriu que a polícia encontrou mais uma caixa cheia de calcinhas e bijuterias embaixo da cama do assassino e que ele sairia do hospital para a cadeia, até que as provas fossem analisadas e que ele pudesse prestar depoimento. Ela ficou arrependida por não ter o feito sofrer mais, muito mais...

Então, tomada pela raiva, começou a procurar nas redes sociais depoimentos de mulheres que foram violentadas e que a policia nada fez com o bandido e resolveu que ela ia precisar de mais tempo para vingar mais mulheres.

No dia seguinte avisou ao chefe que queria férias e que não poderia aguardar muito, queria os 30 dias e de preferência no começo do próximo mês.

Não se sabe se foi a postura dela, ou um certo medo que ela vinha colocando em todo mundo na empresa, mas a verdade é que nem houve discussão. Em 10 dias ela estaria de férias... Azar de alguns bandidos por aí...


quarta-feira, 22 de março de 2023

1991 Ano 18/19

Sabe-se lá por quais cargas d'água, meu 2º colegial foi tranquilo, passei de ano sem grandes dificuldades, mas honestamente não me lembro da razão disso. Tenho quase certeza de que não foi porque eu me esforcei mais, mas deve ter sido por ajuda e porque as matérias eram mais simples.

No colégio a amizade com a Cecília e com os "cabeludos", eu incluído, continuava, mas fora dela também continuava o marasmo das cada vez mais remotas tardes de terça-feira como office-boy do meu cada vez mais distante pai.

Tenho bem poucas recordações dessa época, que talvez apareçam mais tarde em outros registros. Lembro que escrevia bastante nos cadernos velhos, em casa, ou na casa da minha mãe, que minhas redações ficavam cada vez melhores e que comecei a pensar na ideia de escrever um livro.

Me lembro da guerra do golfo, daqueles riscos verdes cruzando o céu na televisão, mas não era muito interessado em saber o motivo da guerra. Sei que foi relativamente curta, e me lembro da estátua do Sadam caindo, mas só isso.

Meu Palmeiras continuava me fazendo sofrer e eu e meu amigo Ken continuávamos reclamando da vida que hoje vemos que era bem melhor do que a gente achava...

Em casa, tudo igual, tudo bem, dentro do bem que eu me permitia estar...

segunda-feira, 20 de março de 2023

O Arrependimento do erro que não cometemos

Se arrepender por ter feito algo errado é muito triste, mas ainda menos do que deixar de fazer algo que gostaria.

O medo de errar, a vergonha, preocupação com a imagem, entre tantas outras coias, acabam nos fazendo desistir de coisas, das quais nos arrependeremos no futuro.

Mas existe um arrependimento peculiar, diferente, de erros que deveríamos ter cometido. Sim, erro.

Sabemos que existem coisas ilegais, imorais ou situações que nossos valores são diferentes dos valores de outras pessoas, outros povos, ou outras culturas e etc.

Por exemplo, sabemos que é proibido passar por um cruzamento com o sinal vermelho, mas também sabemos que em determinados lugares ou horários, parar o carro pode ser perigoso.

Então precisamos tomar uma decisão, seguir a lei, ou seguir nosso instinto. Tomar uma multa ou perder o carro e ganhar traumas?

Só quem passa por situações como esta sabe como é se arrepender pelo erro que não foi cometido, quem vai mal na prova e se arrepende por não ter inventado uma doença, quem entrega um trabalho mal feito para não perder o prazo, entre tantas outras possibilidades.

Pessoas que dizem: - Se eu soubesse que ia terminar, tinha aproveitado aquela oportunidade de trair, que se arrependem por não ter vivido aventuras, para manter promessas.

Enfim, uma infinidade de possibilidades. Mas será que se você cometesse o erro, também não se arrependeria?

Nunca vamos saber, pois não existe o se...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Todo dia nascemos diferentes e nem percebemos

Eu gosto de olhar fotos antigas. Uma ou duas vezes por ano passo algumas horinhas em frente ao computador vendo fotos de anos atrás. 

Desde as mais antigas, que quando digitalizei já estavam amareladas pelo tempo, até as mais recentes, tiradas com celulares com qualidade de imagem maior do que as polaroids do passado.

E observo como eu era há 50 anos atrás, apenas um bebê sem certeza de nada, passando pelas poucas fotos da infância e da adolescência e depois nas dezenas de milhares tiradas nos últimos 20 anos digitalmente, desde as primeiras câmeras digitais, até os celulares potentes de hoje.

E vou, período a período, vendo as marcas do tempo, as diferenças na pele, a cor dos cabelos e da barba, os traços de uma juventude que se perdem nas rugas de hoje.

Por vezes me pergunto: Como eu mudei tanto e nem percebi, quando os cabelos embranqueceram, quando essas olheiras tomaram o lugar dos olhos espertos, como o tempo me mudou, se todo dia passo por ele sem perceber mudança nenhuma...

Esse é o segredo do tempo, segredo que percebemos nos outros, quando ficamos algum tempo sem ver algumas pessoas, mas não percebemos no nosso espelho.

Descobrimos a mudança pelas fotos, pelas lembranças, mas não pelo espelho. Nele dia após dia, ao pentear os cabelos ou escovar os dentes nos enxergamos exatamente iguais como éramos ontem, mas não somos.

Todos os dias nascemos diferentes, mas essa diferença é tão sutil que nem percebemos, não notamos e nos perdemos nos detalhes que deixamos passar, e que de detalhes se transformam em grandes diferenças, mas que só enxergamos nas fotos e em nossas lembranças...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Não precisa ser verdade, sé o que eu acredito.

Hoje em dia, mais do que antigamente, as verdades se dividem entre fatos e o desejo de que algo seja verdade.

Não é preciso mais de argumentos, fatos, provas, estudos, opiniões de cientistas ou estudiosos, basta acreditar em alguma coisa que aquilo vira verdade automaticamente.

Não importam mais leis, interpretações de texto, pesquisa ou contestação, apenas é necessário o pensamento, ou seja, se eu penso dessa maneira, claro que é verdade.

Não há relevância nenhuma na credibilidade, nem mesmo na escola, universidades ou a educação básica. O importante é dar um jeito de encaixar a verdade que eu quero nos fatos, mesmo que seja cada dia mais difícil.

Aceitar um erro, um engano, um engodo é impossível, pois quem acredita na própria verdade não aceita ter sido feito de bobo ou passado para trás.

Não há razão nenhuma para buscar a lógica, coincidências, ou mesmo analisar o que a maioria fala, se dentro do grupo, ou da bolha a verdade é paralela.

O pior é que o mais importante dessa falta de razão é que a mentira virou comércio, que lucra com o orgulha daqueles que acreditam apenas na própria verdade, mesmo que cada dia mais seja necessário se afundar nas mais óbvias mentiras.

A mentira virou cabo eleitoral e elege deputados e senadores e quando os bitolados percebem que foram apenas enganados em troca de likes, votos e visualizações, vão tentar de todas as maneiras acreditar que, mesmo com todas as evidências, as mentiras eram as verdades que eles gostaram de ouvir e que ainda gostam de acreditar... 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Aprender nos ajuda a admitir nossas mudanças

Aprender é maravilhoso!

Melhor ainda quando aprendemos sobre algo que antes achávamos ter amplo conhecimento.

Aprender nos faz mudar de opinião, nos faz mais curiosos, daquela curiosidade boa, que alimenta a mente e a alma, que nos faz crescer.

Aprender nos proporciona a mudança não só de opiniões, mas nos ajuda a conhecer novas formas de viver, de aproveitar nossos momentos de lazer, nos ajuda a entender quanto é importante a humildade.

Portanto, aquele orgulho besta que faz muita gente se desdobrar para defender um ponto de vista antigo, pode ser deixado de lado com o aprendizado, com a mente aberta para aceitar novas opiniões e concordar com ela.

Ninguém está livre de erros de interpretação ou equívocos, mas todos têm chances de mudar a perspectiva, parar de passar vergonha e aprender, com a simplicidade que uma criança tem ao aprender as primeiras letras ou as primeiras operações matemáticas.

E lembrem-se, aprender é completamente diferente de acreditar. Quando alguém lhe diz ou conta alguma coisa, como por exemplo que a Terra é plana, não ache que aprendeu algo novo, pesquise, procure outras opiniões, veja o que diz a enorme maioria das pessoas, procure credenciais, veja o quanto quem emitiu aquela opinião tem de conhecimento e só assim você vai aprender.

  Hoje em dia, principalmente na Internet, qualquer um pode escrever qualquer coisa e isso por si só, é mais "emburrecimento" do que apredizado!


segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

O Remorso pode ser evitado pelo pensamento

Poucas coisas no mundo são piores do que o sentimento de remorso.

E muitas das vezes, na maioria delas, ouso arriscar, ele poderia ser evitado, se o impulso fosse mais fraco do que a razão, se houvesse um segundo a mais de pensamento.

Quantas vezes dizemos algo sarcástico, ou até mesmo ofensivo para pessoas que valorizamos e o pior, sabemos enquanto falamos que aquilo vai machucar, mas por não termos respirado um segundo antes, não evitamos.

Quantas vezes deixamos de ver pessoas que nos são caras por preguiça ou por achar que outros programas ou eventos podem ser melhores e vamos deixando essas pessoas, que são as realmente valiosas para depois e por uma brincadeira da vida, esse depois não vai mais chegar.

O remorso é muito forte e dolorido, pois ele joga na nossa cara que o tempo não volta, que não podemos desfazer o que foi feito e nem fazer aquilo que deixamos para depois.E ele é inevitável.

Portanto, precisamos primeiramente saber bem quem são as pessoas realmente importantes na nossa vida e já nos prepararmos para pensar muitas vezes antes de falar algo que vá causar mágoa ou tristeza e principalmente colocá-las no topo das nossas prioridades.

Sempre que bater uma saudade, uma vontade de ouvir a voz, de passar um tempo precioso ao lado delas, assim devemos fazer, pois não sabemos o dia de amanhã e não há nada melhor do que ter a consciência tranquila por não ter trocado momentos inesquecíveis, pelo remorso irreparável...


segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Arrependimento Digital

Costumávamos, antigamente, respeitar pessoas que tinham boa memória, que sabiam muitos números de telefone de cabeça, bons na matemática, na tabuada, pessoas que tinham facilidade em ligar nomes a rostos e etc.

Hoje em dia, temos a memória digital. Quase ninguém mais sabe números de telefone, trajetos, endereços, datas importantes e etc.

Mas, mais do que isso, hoje em dia não resta mais discussões sobre o que foi dito ou não dito.

Antigamente, no meio de uma discussão, poderíamos dizer que não falamos exatamente aquilo, que alguém entendeu errado, ou simplesmente que uma pessoa estava inventando aquelas coisas.

Pois bem, o termo hoje é "O print é eterno". Tudo o que se fala ou escreve publicamente ou até mesmo em diálogos privados, fica registrado e guardado para servir de prova ou contestação no futuro.

- Você disse que me amava! - E vai junto o print com a frase.
- Você xingou fulano no Twitter e agora vem aqui querendo falar bem dele! - E dá-lhe print...

Chegamos na era em que é preciso cuidar da impulsividade digital, pensar não só antes de falar, mas antes de escrever e publicar.

Conversas em grupos privados, com exposição de ideias ou críticas já acabaram sendo motivo de discussões, quando alguém resolver expor o que foi dito para pessoas que, em tese, seriam confiáveis.

Não que tudo isso seja de todo ruim, mas assim como a maioria das coisas, é usado de forma incorreta.

Os prints podem ser eternos, mas o comportamento, os pensamentos e as atitudes das pessoas, ainda bem, não são.

Então quem escreveu uma besteira na rede social 10 anos atrás, ou até mesmo ontem, não é mais a mesma pessoa que está se expressando hoje.

Aprendemos, evoluímos, mudamos o ponto de vista através de novas descobertas e não podemos ficar presos ao passado.

Eu posso, hoje, gostar de personalidades que amanhã irão me desapontar e isso não me obriga a defendê-las para não contradizer o que escrevi antes de fazer uma análise melhor, descobrir novos fatos, e, claro, essa mesma pessoa que hoje admiro, também vai mudar, vai evoluir e pode, para o meu ponto de vista, evoluir negativamente.

O que sentimos hoje, não vamos sentir amanhã e ainda vamos nos arrepender muito na vida, mas ter que se arrepender pelo que publicamos ou enviamos um dia, para mim já parece ser exagero demais...

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Qual o gosto daquilo que eu gosto, na boca dos outros?

Sei que sou bastante chato com relação à alimentação.

Não gosto de muitas coisas, como por exemplo, ovos, peixes ou qualquer fruto do mar, misturar qualquer coisa doce com salgada, entre tantas outras coisas, que muitas pessoas chamam de frescura.

Assim como eu gosto muito de outras coisas, como por exemplo, peito de frango, lasanha, salgadinhos, tora de morango e etc...

Gosto tanto que acho estranho quando alguém me diz que não gosta das coisas que gosto, mas felizmente, sei perfeitamente que isso é absolutamente normal.

Afinal de contas, cada um tem o seu paladar, sua cultura, seus gostos. Eu não me imagino comendo um escorpião, mas não posso julgar quem come e gosta, assim como ninguém pode reclamar dos meus gostos particulares.

Se na minha boca me delicio com o sabor de uma filé a parmigiana perfeito, não posso fazer o mesmo na boca de outra pessoa. Não sou capaz de sentir o gosto do que o outro come, assim como não posso sentir suas dores, seus dissabores.

Julgar o gosto dos outros é como julgar seus sentimentos, como tentar entender o que a outra pessoa pensa, por qual razão faz o que faz, se veste e se mostra.

Somos únicos, cada um com sua independência, cada um com seu espelho e com seus olhos e o que é belo a esses olhos, não vai ser necessariamente belo pra mim e, tudo bem, a vida é assim... 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Conto em Gotas - Parte 9

 Antes de tirar a fita da boca dele, ela prendeu com várias voltas da Silver tape seus pés, mesmo sabendo que com o joelho daquele jeito, dificilmente ele conseguiria alguma coisa contra ela.

Isso feito, tirou a fita da boca dele, que choramingou:

- Eu não fiz nada, nem te conheço, o que você quer de mim?

- Eu quero saber, primeiramente, porque você perguntou se eu era da polícia, há algo que eles devem saber sobre você? – Perguntou Diana.

- Não, claro que não. – Ele respondeu.

- Será mesmo? Ela riu e viu o medo e o nervosismo na cara dele., depois emendou?

- Quantas mulheres você colocou nesse edredom imundo durante esses anos? Quantas você torturou fisicamente e emocionalmente? O sangue de quantas mulheres estarão escondidos nessa imundice de lugar?

Ele pareceu ficar chocado, mas balançando a cabeça, continuou negando.

Mas ela continuou.

- Como você acha que eu cheguei até você, idiota? Você achou mesmo que nenhuma das suas vítimas ia ter coragem de te entregar, só porque você ameaçava mata-las e seus familiares se um dia a polícia aparecesse por aqui? Pois bem, a polícia não veio e talvez nunca apareça, mas eu apareci e você rezaria para ter a polícia aqui agora...

Ela se aproximou dele e sussurrou: - Não vai me contar nada mesmo?

- Já disse sua vadia maluca, não tenho nada para te contar e prometo que vou te esfolar viva assim que sair daqui. – Vociferou e cuspiu tentando acertar o rosto dela, sem sucesso, para a sorte dele.

Ela colocou mais fita na boca dele, o empurrou para o chão e ouvindo seus gemidos abafados, juntou, com todo o resto do rolo da fita, os pés e as mão do sujeito, cujo joelho voltou a sangrar.

- Não precisa falar nada, eu vou dar uma procurada por aí e se eu não achar nada, deixo você tentar me esfolar viva. - Ela disse e deu um leve chute na sua cabeça.

Obviamente ela não entendeu o que ele disse, mas sabia que não era nenhum elogio que ele tentava proferir contra ela, enquanto lágrimas da legitima dor saiam de seus olhos.

Ela entrou no quarto dele, que não era em nada melhor do que a sala. Uma cama caindo aos pedaços, com um colchão tão fino que parecia ser tão desconfortável quanto o chão.

No criado mudo, que se não fosse mudo já teria pedido socorro, ela encontrou um alicate suspeito, manchado com algo que poderia ser sangue seco, corda de varal, um rolo fechado de Silver tape e um canivete enferrujado, que assustava mais pela possibilidade de tétano do que pelo corte.

Um guarda-roupas sem portas, com peças de roupas imundas jogadas e amassadas, gavetas com cuecas e meias que pareciam usadas e sem lavar, abertas e uma única gaveta, a última do lado direito, fechada.

Ao abrir, ela se deparou com uma coleção de calcinhas, pelo menos uma dúzia, que também pareciam não ter sido lavadas, umas com a aparência de mais antigas, outras mais novas, algumas mais ousadas, outras mais conservadoras, mas todas despertaram o ódio em Diana...

Quando ela tirou todas as calcinhas da gaveta, encontrou, no fundo, alguns brincos sem pares, três anéis, duas correntes, uma pulseira e uma aliança prateada.

Ficou nauseada, quando percebeu em um dos brincos, um resquício de pele, que provavelmente era de uma orelha.

Voltou para a sala, deu um chute mais forte nas costelas do cidadão, jogou as calcinhas e os objetos no chão, longe do seu alcance e disse:

- Não vai ser hoje que você vai me esfolar viva... Se dirigiu à porta e antes de abri-la olhou para os olhos desesperados dele e continuou: - Caso você sobreviva e por algum milagre ou incompetência não fique preso pelo resto da sua vida miserável, não chegue mais perto de nenhuma mulher na sua vida, eu vou te vigiar e não vou ser tão boazinha da próxima vez.

Saiu da casa dele olhando para a rua, contando com a sorte de não ter ninguém passando naquele momento por lá.

Ao fechar o portão, desceu em direção à esquina e só naquele momento cruzou com um motoboy subindo a rua, mas que nem perdeu tempo em olhar para ela.

De volta ao bar, ela pediu outra coca-cola e perguntou se havia um telefone que ela poderia usar.

O dono do bar ofereceu a ela um aparelho daqueles dos anos 90 e ela discou 190, despreocupadamente.

- Boa tarde. Acabei de passar pela rua Jardim Alegre e parece que eu ouvi um tiro e talvez gritos vindos de uma casa estranha, toda fechada. Assim que acabou de falar, não esperou nenhum retorno do outro lado da linha, deixou uma nota de 5 reais no balcão e saiu. Alguns passos depois ela ouviu o ruído do telefone, mas quando o dono do bar saiu para ver se a encontrava, ela tinha virado uma esquina e desaparecido...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

A necessidade das comparações desnecessárias

Algumas pessoas não fazem muita questão de conversar, socializar, procurar assunto, quando estão em um grupo, seja de amigos, ou familiares.

Muitas vezes a resposta para isso é simples, são pessoas que normalmente além de não gostarem, por natureza, de conversar demais, seja por timidez ou até mesmo falta de paciência, gostam menos ainda de ouvir sobre a vida de outras pessoas, conhecidas ou desconhecidas.

Isso se acentua ainda mais quando a conversa passa de uma fofoca para uma competição, onde as pessoas ficam se comparando, ou comparando seus filhos, parentes ou até mesmo amigos, com outras pessoas.

Alguém diz: "Achei 10 Reais no chão" e outra pessoa automaticamente acha que precisa dizer que já achou 50 e por aí vai.

E ainda fica pior, quando as comparações são sobre desgraças, como se o sofrimento fosse um prêmio pessoal.

Uma pessoa diz "Fulano quebrou a perna", ai a outra, achando que não pode "ficar por baixo" logo diz que quebrou a perna, o braço, travou a coluna e ainda não consegue ouvir direito porque tem problema de audição, como se essa desgraça toda fosse algo a ser vangloriado.

E aquele que prefere o silêncio, por vezes se pergunta porque ainda pode ouvir...

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...