segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Por que explicar o que ninguém consegue entender?

Muita gente tenta entrar na nossa vida e entender o que pensamos, o que sentimos, por que dizemos que precisamos de algo, entre tantas outras coisas.

Assim como nós também, por vezes, acabamos tentando nos intrometer na vida de outras pessoas, às vezes por empatia, mas outras vezes apenas para tentar fazer o outro mudar.

Mas é impossível fazer com que outra pessoa goste de algo, só porque você gosta. Você pode até tentar, mas não pode forçar.

Assim como de nada adiante tentar explicar para alguém que não curte rock, que Nirvana é sensacional, Pearl Jam essencial ou que não pode existir uma playlist sem Matchbox Twenty.

Também não podemos explicar para quem não gosta de um tipo de alimento, o quão bom nós o sentimos em nosso paladar, bem como tentar explicar para quem tem "fogo no rabo", como é fantástico e acolhedor ficar em casa vendo seu programa favorito, ou um filme, deitado sob as cobertas dentro de casa.

Somos humanos, somos únicos, não temos padrão e isso é sensacional. Somo pequenas peças de vários quebra-cabeças imensos e por vezes tentam mudar a nossa forma, para que nos encaixemos em espaços que verdadeiramente não cabemos. E se permitirmos isso, acabamos deixando que outras pessoas moldem nossa vida, nossos gostos e até mesmo nossos desejos.

Se você não se encaixa onde está tentando entrar, procure melhor, seu lugar está guardado no quebra-cabeças da sua vida. E nãos e preocupe em explica, afinal a sua própria vida, ninguém mais consegue entender...

Ano 18 - 1990

A minha primeira lembrança quando penso em 1990 é a copa do mundo, aquele gol do Caniggia que eliminou o Brasil do péssimo, na minha opinião, Lazaroni e que foi responsável por me tirar, até hoje, a paixão pela seleção brasileira.

Também foi meu segundo 1º colegial e não pensem que dessa vez passei mais fácil, na verdade, em matérias de exatas, só passei porque eu mesmo corrigia as provas de física e por "sorte" em matemática e química.

Claro, foi o ano em que atingi a maioridade, mas isso não mudou quase nada na minha vida, continuei morando na casa do meu tio, com a minha avó pagando o colégio e com meus poucos amigos.

Mas nesse ano tive uma nova presença que se tornou muito importante tanto nesse ano, como nos anos seguintes, minha amiga Cacília.

Uma conexão muito interessante. Foram muitas horas juntos, na escola, em casa, junto com o pessoal que acabou se tornando nosso grupo.

Muitas cartas, muitos bilhetes, muitos conselhos e consolos, muitas horas de cabeça no ombro, de cafuné e que hoje são apenas saudades...

Pode não ter sido um ano espetacular, mas foi um ano bom, de descobertas, de aptidões, de coragem, de decisões antipáticas à algumas pessoas, mas que me fizeram feliz e que deram um início ao acabamento da minha personalidade...

Ela Começa

A minha voz, no silêncio da minha mente diz:
Você precisa dar um fim nisso.
A minha voz, soando alto, mas sem ninguém por perto além de mim mesmo diz:
Isso não me preocupa, na verdade não estou nenhum pouco preocupado.

Com os olhos fechados, me escuto no silêncio:
Você já fez isso antes e sabe que deu errado.
Mas nesse diálogo maluco, falo alto para meu eu interior:
Realmente eu não estou preocupado com isso.

Claro que eu devia embrulha-lá em várias folha de jornal e despacha-lá para a ilha mais distante.
Agora ouço meu grito:
Mas eu não estou nem ai, ela não me preocupa!
Além disso, ela me falou que estou mudando, mas será que ela vai mudar também.

Todos nós estamos sempre mudando, o tempo todo.
Não me importa se isso não é amor.
Se não precisamos mais conversar, não é amor.
E tudo bem por mim viver sem ser amor.

Sem amor e em um mundo cinzento, entre o céu e o inferno.
Se ela quer, mudo meu nome todos os dias, para não ser apenas eu.
A voz na minha mente apenas diz:
Não por favor, não se submeta a isso.

Tento dizer coisas para mim mesmo, afim de tentar esquecer
Para esquecer dela.
Ok, não estou preocupado.
Mas aí ela pergunta, e se for amor?

Aí começo a pensar nas consequências.
Mas na minha frente ela está tremendo e se mexendo
Como se estivesse molhada pela chuva da bondade.
E ela começa a dizer que longe de mim sente frio todos os dias

Eu não estou pronto para escutar e ignorar essas coisas.
Mas me prometo que é a última vez e que não vou me dobrar de novo.
Não vou deixar minha alma em pedaços.
Sinto que deveria cobrar um pouco de amor.

Mas não estou preocupado com isso.
Sei que deveria pendura-lá junto com suas fotos em um quadro de cortiça.
Mas quando ela começa a me olhar e a se balançar...
Eu não vou mais me preocupar com isso.

Picuinhas

Sabemos, infelizmente que muita gente age conscientemente para irritar, magoar, ou até mesmo prejudicar outras pessoas.

Talvez menos grave, mas não menos irritante, são as pessoas que adoram fazer picuinha, ou seja, usar coisas pequenas, quase irrelevantes, apenas para enervar ou chatear alguém e esse alguém, normalmente é uma pessoa próxima.

E o pior, às vezes quem faz a picuinha acaba preferindo prejudicar a si mesmo, ou atrapalhar a própria vida, apenas para não se sentir fazendo a vontade do outro, ou como se a a sua atitude fosse ajudar a si mesmo, mas também ao outro.

As típicas pessoas que preferem morrer afogadas à ajudar a tirar a água do barco.

Quem faz picuinha, via de regra é implicante, reclama de coisas irrelevantes e atrapalha coisas mais importantes, se intromete onde não deve e some na hora que deveria assumir suas responsabilidades.

E, por fim, é preciso lembrar que pessoas assim, sempre serão infelizes, porque nunca estarão satisfeitas, se não encontrarem detalhes para implicar, reclamar, ou pessoas para aborrecer...

Quem procura problemas, não quer soluções

Existem pessoas que não esperam acontecer, atuam no que precisam ou que desejam, que procuram acertar, mas que quando erram, como é absolutamente normal, correm atrás de concertar seus erros.

E existem pessoas que reclamam de tudo, que não gostam muito de olhar para o espelho do quarto e nem para o espelho da própria vida. Preferem julgar os outros e fechar os olhos para todos os seus defeitos e problemas, sentem-se felizes em culpar a própria vida, Deus, os patrões, colegas, amigos ou familiares, por todas as suas mazelas, mas esquecem de assumir a responsabilidade pelo rumo da própria vida.

Gente que olha para o que os outros têm e nunca fica satisfeito com o que consegue, ganha ou pode fazer, sempre achando que deveria ter um modelo melhor, um lugar melhor na plateia, um prato melhor no almoço.

Por mais estranho que pareça, muitas pessoas não conseguem lidar com a tranquilidade, com a felicidade, com a simplicidade das coisas e sempre procuram problemas, na vida dos outros, das celebridades, dos vizinhos, e, claro, problemas da própria vida e, em todos os casos, se os problemas não são visíveis, ou nem existem, essas pessoas fazem questão de criar um.

E não pensem que pessoas assim ficam felizes ou satisfeitas em concertar os seus erros, ou até mesmo quando recebem a notícia, ou assistem na televisão que uma questão pessoas foi resolvida, afinal, sem problemas, para elas, não há vida, não há fofoca, não há sobre mais o que falar.

Quem vive caçando problemas, jamais encontra soluções, não deseja sossego e nem consegue se sentir em paz, pois quem precisa da tragédia, própria ou alheia, não sabe o que é encontrar a paz...

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Impunidade e falsas punições

Talvez a pior das sessações que nos cercam nesses dias malucos, seja a impunidade.

Pessoas que se acham no direito de fazer o que querem, sem se preocupar com as aspirações ou vontades do outros,  bandidos que já não se importam com câmeras nas ruas, residências ou nos policiais, e os bandidos mais nocivos, os políticos, que nada fazem para nos proteger e muito menos para punir, afinal seriam eles os primeiros a serem punidos.

 E quando a punição vem, normalmente muito mais branda do que deveria, hoje aparecem meia duzia de malucos que se acham mais preparados para julgar do que os juízes, que reclamam por não poder mentir em paz, criar boatos falsos, colocando em risco a vida das pessoas e até mesmo à democracia, e choram por serem "censurados" pedindo pela censura.

O fanatismo cega e faz com que as pessoas peçam punições para si mesmas, já esperando a falsidade da punição.

Vivemos tempos sombrios, onde as pessoas nem sabem mais o que querem, outras querem apenas a impunidade para continuarem deixando de pagar seus impostos em paz, esperando o dia em que será possível ter novamente mão de obra escrava, para poder viver melhor com seu lucro ada vez mais abusivo.

Os que deveriam prender, se juntam àqueles que não serão presos e reclamarão da injustiça, quando a justiça for feita, mas feita tão mau-feita que será mais uma das muita falsas punições.

Por vezes tenho vontade de fazer igual ao tonto que se prendeu na frente de um caminhão, mas queria ir longe e não pedir para sair.... 


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Os filhos do presente sem futuro

Não tenho filhos, por escolha própria, até onde eu sei.

Quando me casei, essa era uma das minhas condições, não queria colocar no mundo mais uma pessoa para viver no hospício que já se desenhava, há mais de 20 anos atrás.

Hoje, quando vejo pessoas que choram por um político derrotado, que não tem o mínimo de empatia, que pensam exclusivamente nos seus benefícios, imagino como será o futuro e, me desculpem, não tenho esperança.

Os filhos do presente não terão futuro, viverão à mercê das ameaças nucleares, dos discursos fascistas, das mentiras infinitas, da divisão cada vez maior de classes, da ofensa religiosa, de todas os preconceitos possíveis.

Serão filhos do nós contra eles, das divergências que nunca se convergem, do medo de se posicionar e tomar um tiro porque tem uma opinião diferente.

E, por isso, todos os dias, me regojizo com a minha decisão do passado, pois quem tem um filho, tem um amor sem precedentes e uma preocupação eterna e talvez ninguém mereça mais viver em um mundo que precisa de reforma, mas uma reforma que ainda vai demorar muitas vidas, se um dia ela realmente começar...

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Conto em Gotas - Parte 8

 As outras 7 partes estão perdidas aqui pelo blog...

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Ela hesitou teatralmente, deu um suspiro e um sorriso falso e perguntou:

- Não vou atrapalhar nada? Acho melhor esperar aqui...

-Não, não. Estou sozinho, acabei de comprar meu café da manhã e não tenho planos para agora, pode tomar uma água e até descansar um pouco, se quiser. Disse com um sorriso quase assustador.

- Tá bem então, obrigada! Disse ela em uma ingenuidade que seria demais até para a mais ingênua das mulheres.

Ele pareceu ficar nervoso quando se aproximaram da porta, quase derrubou as chaves e disse para ela, enquanto tentava achar o buraco da fechadura:

- Não repare na bagunça. Amanhã vou limpar a casa.

Ela não disse nada, colocou a mão por dentro da jaqueta para sentir seu revólver e o seguiu, mantendo uma distância de pelo menos um metro, para poder reagir, caso ele fizesse algum movimento brusco.

A primeira coisa que ela notou, foi o cheiro que chegou logo após que a porta se abriu, não cheiro de morte, mas de comida estragada, sujeira e quando ele a convidou para entrar e se dirigiu à cozinha, ela pensou que seria impossível não reparar na bagunça.

Um colchão coberto por um edredom imundo ficava em um dos cantos, ao lado uma televisão grande demais para o tamanho da sala. E perto de onde ela estava, havia um sofá de um lugar só, com tantas manchas que ela não sentaria nele nem se não aguentasse mais as próprias pernas.

Mas o que fez seu olhar ficar parado foi a estante na parede à sua frente, cheia de revistas jogadas, abertas, rasgadas, mas também com rolos de fita Silver tape, cordas sujas, um punhal e escondida sob as revistas, a ponta de uma faca que deveria ser bem grande.

- Você não acha que está muito quente para ficar com as janelas fechadas? – Falou alto em direção à cozinha, enquanto caminhava devagar já com a arma na mão que estava escondida na jaqueta.

- Já vou abrir, deixei fechada porque fui ao mercado. Disse ele virando em direção a ela com um copo na mão e água de um filtro de barro que possivelmente não era lavado há alguns anos.

Mas ele derrubou no chão o copo assim que olho para frente e viu o cano de um revólver apontado em sua direção.

- Levante os braços e vire de costas, agora! – Ela disse com a voz mais firme do que imaginava.

Mas ele não fez isso, ao contrário, avançou em direção a ela e só parou quando o tiro atingiu seu joelho direito.

- Socorro, socorro, Aiiii! – Gritou ele em estado de choque e desespero.

Ela sabia que o tiro tinha feito barulho e sabia que os gritos dele poderiam ser ouvidos fora da casa, mas com as janelas fechadas e a distância da rua, ela apostou em suas chances.

- Eu mandei você virar e levantar as mãos. Agora vai sangrar até morrer se não ficar quieto e fizer tudo o que eu mando!

- De, desculpe, desculpe – Choramingou ele.

Com a arma ainda apontada pare ele, ela deu dois passos para trás e pegou rapidamente a fita Silver tape na estante.

- Vira de costas e põe mão para trás – Falou em tom de desprezo.

Ele obedeceu, mas ela não ficou satisfeita, mandou que ele levantasse os braços. Pegou a ponta da fita, continuou apontando a arma para ele e pisou na sua cabeça, já colocando a fita em volta dos seus punhos. Ele tentou se debater, mas ela deu várias voltas e por fim tirou os pés da cabeça dele, mandou-o levantar e deixou que ele sentasse naquele sofá imundo, com as mãos presas atrás do corpo, em uma posição desconfortável, enquanto ela ficou de pé sobre o edredom sujo, que naquele dia não escondia ninguém...

- Você é da polícia; - Perguntou ele já quase tonto com a dor e a hemorragia.

-Não, muito pior do que isso, mas agora vou ajudar você com esse joelho. – Disse ela indo em sua direção com a fita Silver tape na mão, mas antes que ele pudesse pensar, ela colocou um pedaço sobre sua boa e deu mais volta por toda a sua cabeça, só então estancou, com a própria fita e por cima da calça furada, o sangramento.

- Pronto, agora vou tirar essa fita da sua boca e você vai me responder algumas perguntas...

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Da pobreza à fortuna e de volta à pobreza

Não sou fã da palavra sorte, mas é inegável que algumas pessoas têm um pouco mais dessa sorte do que outras.

Mesmo que junto com a sorte exista um pouco de talento, mas muitas outras pessoas com o mesmo talento e até mais, não conseguem o o mesmo sucesso.

Só que nem sempre a sorte aparece para pessoas que sabem lidar com algum tipo de sucesso e principalmente com o dinheiro que por ventura possa aparecer.

São muitos os casos de sub-celebridades que ganham muito dinheiro por um tempo curto e que somem no meio de festas e mansões, para reaparecer tão pobres quanto sempre foram.

Assim são também cantores de um sucesso só e jogadores de futebol que conseguem fazer um único bom contrato na vida profissional.

O arrependimento por não saber lidar com a sorte que teve, por vezes é fatal, literalmente e conseguir voltar ao topo é praticamente impossível.

Mas por que isso acontece? Por que as pessoas que conseguem um pouco mais não se controlam para garantir um futuro melhor, ao invés de um presente espetacular?

Falta de educação, no sentido literal mesmo, falta de conhecimento, a ilusão de que pode tudo, que o dinheiro nunca vai acabar e que vai ter muitos amigos e pessoas queridas por perto.

Para depois descobrir que os amigos eram do conforto, do dinheiro, do prazer e não das pessoas.

Como diz o ditado, quem nunca comeu o mel, na primeira vez se lambuza. Quem não respeita o próprio dinheiro, vive de felicidades momentâneas e solidão permanente, pois não está acompanhado quem precisa comprar a presença de alguém.

É melhor sair de quase nada para uma tranquilidade controlada, sem luxos e nem excessos, do sair do nada, ir para o céu e voltar de cara para o chão.

Se tiver essa sorte um dia, não a faça se tornar em azar no futuro!

segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Praticidade ou Preguiça?

Eu gosto muito de museus, de histórias, de entender como as pessoas viviam no passado, seja há 50 anos atrás, 300 ou até mesmo em épocas mais antigas.

Gosto de ler histórias de cavaleiros e pensar como as pessoas viviam sem a velocidade de hoje, como ficavam sabendo de quedas de reis, guerras e até mesmo nascimento e morte de parentes em um mundo onde não existia telefone, nem correio, onde as mensagens chegavam por cavaleiros, que por vezes demoravam dias, até semanas para levar as notícias de um lugar ao outro.

Hoje, um maluco solta uma bomba nuclear em um lado do mundo e em poucos segundos todos já sabem, através de seus celulares, pela internet.

Os mais jovens devem ter enorme dificuldade em entender como era a vida sem mensagens instantâneas, SMS ou redes sociais, mas quem já viveu um pouquinho antes dos anos 2000 sabe como era a ansiedade de esperar uma carta, uma ligação à cobrar, o espanto com as coisas que os colegas mais ricos traziam de suas viagens, entre tantas outras diferenças.

Hoje em dia, com um celular na mão e a rede conectada, é possível fazer praticamente tudo dentro de casa, acende a luz, ligar aparelhos, abrir e trancar as portas, e mais uma infinidade de coisas.

Mas será que essa praticidade toda não tem um pouco de responsabilidade sobre a preguiça das pessoas?

A máquina lava a louça e a roupa, a Alexa responde o que tem na TV e se existem compromissos, o aplicativo traz a comida na porta de casa. as notícias chegam pelos grupos de mensagens e ainda procuramos por formas de diminuir ainda mais nossas tarefas.

Se encontrarem uma forma de exercitar o corpo, sem que seja necessário fazer nenhum esforço, chegaremos ao ponto final da preguiça, onde a mente desembarca e fica apenas a espera da tecnologia.

Claro que não voltaremos à idade da pedra, nem vamos abrir mão dos telefones, mas lembrar da nossa humanidade não pode ser assim tão prático e nem tão preguiçoso.

Mais tecnologia, mas mais vida!

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

A economia burra do desemprego

Não sou grande entendedor de economia, mas uma coisa eu tenho certeza, quanto mais pessoas empregadas, maior a circulação de dinheiro, seja em pequenos comércios, lojas populares ou até mesmo eventos culturais.

E, quanto maior o desemprego, menor a circulação de dinheiro, o que gera inflação, estoques perdidos e ganho financeiro pelos milionários que se beneficiam das aplicações bancárias e juros altos.

A balança sempre vai pender para os dois lados extremos, os super ricos, que não se importam com a inflação e os pobres que vão ter que ir atrás dos ossos deixados pelos ricos nas portas dos restaurantes.

Enquanto isso, quem fica no meio da balança se equilibra para não passar fome, mas jamais chega sequer perto do clubinho dos milionários, mas com seus olhos fechados, preocupados demais em perderem o "título" de classe média, querem a todo custo, se afastar dos pobres e afastar os pobres.

Empresas pequenas fecham, enquanto as grandes demitem para não diminuir o lucro, a informalidade aumenta e com ela a violência, pois comer é um instinto básico de todo ser humano.

A geração e manutenção de empregos vai resolver todos os problemas do nosso país? Não, mas vai melhorar muito, porque ainda existirão bandidos, não tão bandidos como os de Brasília, ainda existirão dependentes, ainda existirão aqueles que preferem roubar a trabalhar, mas esses serão a grande minoria, quando houver esperança de conquistar o básico com o suor do trabalho.

Ainda existirá a revolta pelo enorme abismo social, mas pelo menos as pessoas mais pobres poderão se sentir honradas com suas pequenas conquistas.

Pena que para isso seria necessário limitar algumas coisas, obrigar uma redistribuição melhor de renda, mas o egoismo dos 10% que comandam 90% do dinheiro e do poder, sequer pensam nessa possibilidade.

Quem sabe no futuro, quem sabe em outra vida, em outra civilização...

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Quem se sustenta com a miséria?

Eleições chegando e sempre a mesma ladainha se repete, políticos corruptos e pretendentes a uma vida melhor, no meio da corrupção, se engalfinham para enganar a população e conseguir votos.

E uma das eternas promessas de sempre é a de tirar a população da miséria, mesmo que apesar de já terem sido governantes, nunca sequer realmente tentaram fazer com que a vida dos mais pobres fosse melhor.

Político falando que vai tirar o povo da miséria é a mesma coisa que o alcoólatra dizer que vai parar de beber, passa a vida toda falando a mesma coisa e nunca faz algo de concreto, com a diferença de que no caso da bebida, ainda alguma poucas almas se salvam.

Mas por que é tão interessante para a classe política manter boa parte do povo em condições tão precárias, chegando a assombrosos números, como por exemplo os atuais 33 milhões de brasileiros que estão hoje na linha da fome?

Primeiro, obviamente, para continuar tendo pessoas que acreditarão em suas promessas, afinal a fome machuca e quem convencer as pessoas mais vulneráveis de que aquela dor vai passar, vai ganhar o voto.

Segundo, porque a fome é um sentimento primordial sobre todos os outros, quem tem fome não se preocupa com educação, saúde ou segurança, quem tem fome se preocupa em comer, em saciar sua sede, em conseguir ter forças para encarar mais um dia.

E quanto menos pessoas preocupadas com a educação, maiores as chances de políticos incompetentes, mas espertos, continuarem se elegendo, e perpetuar a corrupção por toda a família.

E ultimamente hordas de políticos profissionais têm ido cada vez mais longe, não só impedindo pessoas humildes de ter uma boa qualidade de estudo, como espalhando mentiras ridículas que afundam, ainda mais, boa parte da população no leito da ignorância. Desde a terra plana, até a luta contra as vacinas.

Vivemos em um mundo onde a miséria é moeda de troca, e enquanto essa for a realidade, a ideia de tirar o pais da pobreza será sempre uma enorme mentira.



segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Chão de Céu

Pisar nas nuvens, cair do céu, furar o chão, sem coração.
O chão é o teto, mas que pateta, cair sem ser um atleta.
Correr parado, saltar para trás, que melodia, jaz!
A luz na escuridão acaba junto com a pilha, lanterna nervosa.

Escondido no meio dessa mata, estão os grãos de areia.
O deserto da floresta, nas montanhas carecas do cerrado.
Parece que tudo está de cabeça pra baixo, mas sou só eu deitado.
De bruços, olhando tudo, com os olhos fechados.

A que distância fica quem está perto?
No inverno, inferno, verão, ou não?
O outono acabou com o tempo, que tanto falta e sobra.
De pé, só tenho o coelho, azarado, ficou manco.

Rico o pobre que tem dinheiro, saúde e sorte.
Pobre é o pobre mesmo, mesmo que seja rico.
Vodca no copo, absoluta dor de cabeça.
Azul ciano, o céu no oceano, o chão feito de água.

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Ano 17 - 1989

Finalmente eu chegava ao colegial, com um ano de atraso, em virtude da bomba da 7a série, mas cheguei e depois do ano letivo, ainda continuei nele, porque assim como na 7a, tomei bomba de novo.

Mas foi o ano de decisões importantes, como ter escolhido a área de humanas para seguir carreira, o que me trouxe ao atual estágio, ou seja, psicólogo.

Fora do colégio, nada de novo, nem muito diferente. A vida no prédio, com meu amigo Ken, jogando cada vez menos botão, uns amigos do colégio vindo no prédio para jogar escrete e fluff, um jogo que só existiu no Marambaia dos anos 80.

Criei uma boa amizade com o hoje escritor Nicolás, que morava no condomínio da minha mãe, para onde eu continuava a ir em alguns finais de semana.

Mas se imaginarmos os dias de hoje, eu era ainda muito mais criança do que quase adulto, só que com a rebeldia em dia, a época de começar a querer deixar o cabelo crescer e continuar trabalhando de office-boy part time para comprar minhas guloseimas e revistas.

Ainda subia em alguns fins de semana para o terraço do prédio, para dar emoção a vida mansa e reclamar dela sem parar enquanto comia rocambole pullmam com meu amigo Ken.

A vida com pouco dinheiro foi difícil, mas vendo por outro ângulo, hoje acho que foi até divertida.

No final do ano veio a bomba, de novo, e de novo aquela sensação que era hora de sair do Assunção, ou parar de estudar, ou vender coco na praia, mas no final das contas, minha avó conseguiu manter a bolsa e eu consegui continuar no colégio, apesar de até hoje não saber absolutamente nada de física...

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Disseminação da Ignorância

Fake news. Um termo que efetivamente foi adicionado ao vocabulário do brasileiro, que hoje, cada vez mais, precisa se informar melhor para ter certeza de não estar propagando uma notícia falsa, capciosa ou descaradamente mentirosa mesmo.

Pessoas mal intencionadas e inteligentes criam essas fake news para disseminar a ignorância entre a população mais vulnerável, não apenas economicamente, mas principalmente, intelectualmente.

Gente que aceita ideias esdruxulas, que defende teorias sem sentido, apenas porque lhe prometeram algo, ou porque era preciso difamar alguém para se manter no poder.

É assim que as coisas funcionam hoje em dia, não só aqui, no Brasil, mas no mundo todo, a inflamação das massas com ódio, a tentativa de descredibilizar instituições antigas e sérias, o uso da saúde pública como arma política, entre tantas outras coisas.

Além do mais importante, a tentativa de sucatear a educação, para fazer com que o conhecimento fique subjugado à ignorância, para que as pessoas aprendam menos e só o que é interessante para os poderosos, para que esqueçam a história, o passado e se percam num futuro cheio de ódio e de mentiras.

E assim caminha, para trás, a humanidade...


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Quando a porta do coração emperra

Relacionamentos normalmente começam quando duas pessoas, depois de certo tempo, consideram que entre si existem mais coisas boas do que ruins. Imaginam que os bons momentos dos encontros iniciais podem ser ainda melhores e que mesmo quando a rotina se estabelecer, vão criar um vínculo tão forte, que por vezes chamam de amor, que será capaz de superar todos os obstáculos.

Mas existem obstáculos que por vezes são altos demais e quando uma das pessoas do casal cai de uma altura grande demais, pode ficar incapacitada para tentar correr o mesmo risco no futuro, mesmo que seja, obviamente, com outra pessoa.

Quando isso acontece, as portas do coração ficam fechadas, trancadas e a chave esquecida em alguma gaveta que a memória fez questão de esquecer.

Depois de algum tempo, em alguns casos até mesmo anos, pode surgir alguém que vai fazer o coração daquela pessoa palpitar, o cérebro forçar a memória para encontrar a gaveta da chave escondida, mas os traumas do passado ainda podem fazer com que a porta do coração fique emperrada, mesmo depois da fechadura aberta.

E será necessário ter muita força e muito óleo nas dobradiças para que a porta seja aberta.

Ainda assim, esse coração não vai suportar obstáculos muito complicados, vai preferir a comodidade, o conforto e provavelmente não conseguirá ser envolvido pela confiança plena, mantendo sempre aquele pé atrás da porta aberta.

Se puder, sempre que for sair da vida de alguém, feche você mesmo a porta, para que ela não emperre e não cause danos para a estrutura mental da outra pessoa.

Não há, nunca, a certeza da eternidade em um relacionamento, mas é certo que a falta de respeito é uma escolha, magoar outra pessoa é uma escolha e o medo da verdade é covardia.

Cuidemos das nossas portas, janelas, estrutura e da nossa saúde mental!

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

Os olhos de um cego que escolheu não enxergar

Para quem enxerga, é quase impensável perder a visão, para quem nasceu sem essa possibilidade, seria um sonho.

Mas muitas pessoas tem o dom da visão, mas escolhem não enxergar, no sentido figurado, claro.

Fecham os olhos para o que outras pessoas fazem com elas, desviam o olhar para o que é feito de mal para os outros, viram de costas para a realidade.

Preferem não enxergar do que lutar, para seu próprio bem, sua saúde mental e até mesmo pelo bem de outras pessoas, se escondem e acabam isoladas em seus mundos de tristeza, sofrimento e autopiedade.

Colocam nos outros, ou nas situações adversas, a culpa por sua cegueira e não admitem que isso foi uma escolha e sim uma consequência das mazelas do mundo.

O orgulho é outra forma de fechar os próprios olhos. A dificuldade em reconhecer o erro cometido, a escolha equivocada, faz com que se crie malabarismos para justificar o erro, impedir a visão do óbvio e tentar amenizar a culpa pela escolha infeliz.

E isso é real em todas as possíveis áreas da vida, desde a escolha da pessoa com quem pretende dividir os dias, até quem vai tirar nossos direitos e nosso poder de compra nas urnas.

Como diz o sábio ditado, o pior cego é aquele que não quer enxergar, enquanto muitos dariam a vida para ver um pouquinho de luz...



segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Conto em Gotas - Parte 7

 Capítulo 2

A casa aparentava ser muito simples, mas com um espaço grande entre o portão alto de madeira e a porta, separados por um jardim muito mal cuidado, com mato já na altura das canelas e aparentemente uma entrada dos fundos, cuja aparência era exatamente a mesma, com a diferença de não haver um portão, apenas a continuação da cerca de madeira.

Diana passou pela casa, seguiu a rua até a esquina e dobrou o quarteirão passando pela parte de trás e percebeu que não tinha a mínima ideia de como iria entrar ali. Pular a cerca não era uma boa ideia, até porque as duas ruas não eram movimentadas, nem tão pouco completamente paradas.

Ela precisava achar um jeito de fazer o sujeito, se é que ainda era o mesmo, deixá-la entrar na casa dele, sem levantar suspeitas.

O carro que ela esperava encontrar em frente a casa, ou no meio daquele mato, não estava lá, mas isso não significava muita coisa, o que chamava a tenção dela eram todas as janelas da casa fechadas, o que poderiam ser 3 coisas; Ou ele estava dormindo, ou tinha saído, ou havia alguma mulher sofrendo dentro daquela casa.

Frustrada com a sua falta de planejamento, ela desceu uma rua perpendicular por três quadras até encontrar uma lanchonete, onde sentou, pediu um Bauru e uma coca e começou a pensar.

Depois de comer, decidiu que iria tocar a campainha da casa para pedir uma informação, como se estivesse perdida e se ele a atendesse, pediria para usar o telefone ou um copo de água.

Pagou a conta, pegou o telefone, viu a hora, 11:10 e subiu a rua, chegou na esquina da casa do meliante e por pura sorte o viu abrindo o portão com um saco de pão no braço e uma sacola de mercado na mão.

Era ele, ela teve certeza, todas as características que Bianca falou, apenas mais envelhecido e com a barba bem desgrenhada.

Ele a viu, olhou para ela de cima abaixo, ela se aproximou, olhou bem nos olhos dele e depois com uma cara de súplica falou:

- Moço, será que o Sr. Pode me ajudar, acho que estou perdida, estou procurando a rua João Magalhães Rosa?

Ele a olha com interesse, faz uma cara de quem está pensando e responde sinceramente:

- Nunca ouvi falar nessa rua.

Ela olha para o guardanapo que trouxe da padaria com o nome da rua que inventou e pede para ele:

- O Sr. Pode, então, me trazer, por favor um copo de água, estou andando há uma hora mais ou menos nesse sol.

- Claro, mas entre, não precisa esperar aqui fora. Ele diz com um cara da qual talvez ela não desconfiasse, se já não soubesse do que ele era capaz...

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Humilhação

Humilhação é um sentimento negativo que é oriundo de situações em que pessoas se colocam, ou são colocadas em situações de submissão e sem defesa.

Pessoas em situação de fome que se digladiam em busca de restos e ossos, estão sendo humilhadas por seus governantes. Pessoas tímidas vítimas de brincadeiras idiotas quando estão em grupos, se sentem humilhadas. Pessoas que não conseguem se defender de agressões ou opressões impostas por terceiros, se sentem humilhadas.

Contudo, nada é pior do que pessoas que se humilham para ganhar atenção, para buscar reconhecimento, para ter uma companhia, que se submetem às decisões de outras pessoas por medo ou carência e que depois, sozinhas, se perguntam o motivo de tamanha falta de amor próprio.

Implorar por atenção é uma forma de humilhar a si mesmo, pedir perdão de joelhos ou não, por algo que não cometeu apenas para não "perder" uma pessoa, também é um ato de humilhação.

Impor comportamentos, dar ordens descabidas, provocar os mais vulneráveis, sempre através do medo e da prerrogativa da subordinação, também são formas de humilhar, muito utilizadas por proprietários, militares, políticos e religiosos que invocam para sim poderes divinos que por ninguém os foi concedido.

Dobrar-se a essas imposições em silêncio pode causar um sentimento de impotência compatível com a auto-humilhação.

É preciso respeitar, mas saber o motivo do respeito. Entre humanos a hierarquia só pode ser concebida pelo espaço, ou seja, não invadir o espaço individual da outra pessoa, pelas leis, por mais que precisemos discutir algumas, pela idade e pelo conhecimento e ainda assim, os que mais conhecem normalmente não tentam parecer superiores, enquanto muitos meros bacharéis gostam de ser chamados de doutores.

Não se deixe humilhar por figura patéticas que precisam se sentir superiores e jamais humilhe a si mesmo para agradar quem não te agrada do jeito que você é!



segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Como será nosso destino final?

Todos nós sabemos o nosso destino, mas não sabemos como será a nossa jornada e nem quanto tempo teremos até chegar ao fim a nossa estrada.

Temos uma enorme vontade de alongar o máximo possível esse destino final e que esperamos chegar até ele com saúde e sanidade suficiente para não deixarmos para trás as lembranças dos bons e dos maus dias.

Talvez a pergunta mais pertinente nesse momento seja: O que estamos fazendo para que nosso destino final seja valioso, para que todos os dias que nos foram dados tenham significado?

Será que estamos vivendo, ou passando pela vida, será que estamos conhecendo lugares ou criando raízes demais, será que estamos respirando ou apenas recebendo oxigênio?

Nosso destino será a lembrança, nosso legado serão as mudanças que vamos deixar na vida de outras pessoas, as sementes plantamos que darão frutos ou árvores que nunca veremos. Ou será que lembrarão de nós como aqueles que chegamos perto do limite de destruir o futuro, das guerras e mísseis nucleares, do caos...

Eu desejo que a minha estrada ainda levante muita poeira, que ainda me leve a lugares muito distantes, cheios de vida, de água, de energia, que o caminho ainda me ensine muito e que eu possa espalhar algumas sementes do pouco que aprendi,

Que tenha muitas fotos, mas mais do que isso, muitas lembranças, imagens que ficarão para sempre armazenadas no HD interno e que nenhum vírus pode apagar.

Para que toda a nossa vida valha à pena, precisamos fazer sempre o melhor possível e principalmente o melhor para nós mesmos, pois uma coisa é imutável, o remorso e o arrependimento serão eternos co-pilotos se dermos a eles carona ao menos uma vez em nossa corrida.

Sejamos felizes, tenhamos entendimento para saber viver e saber que a vida acaba, mas que podemos dirigir por ela em uma trilha sempre inesquecível!

segunda-feira, 25 de julho de 2022

Sentir culpa por não se sentir culpado

Muitas pessoas tem enorme dificuldade em falar não, em serem "egoístas" com seus pequenos prazeres, têm receio de falar a verdade, tudo para não sentirem-se mal em relação à outras pessoas, em geral amigos, pares ou família.

Isso acaba gerando um sentimento de culpa. Toda vez que você aceita um convite para um evento que não queria ir, quando abre mão de comprar alguma coisa para si mesmo, porque não poderia comprar para outras pessoas, ou quando preferem mentir, ou se esconder, para que não tenha que justificar para outras pessoas por onde esteve, ou que estava fazendo.

E, claro, o pior de tudo é saber que o grande culpado por esse sentimento é você mesmo, que se coloca nessas situações por dificuldade de posicionamento, falta de amor próprio, ou carência.

Pois bem, se é para se sentir culpado de qualquer maneira, culpe-se por não sentir culpa dos seus próprios atos.

Culpe-se por dizer não e ficar com a consciência tranquila por não se obrigar a fazer o que não gosta, culpe-se por tomar sozinho aquele copo de sorvete em um dia de calor com o troco que sobrou de alguma conta, culpe-se por ser honesto e dizer que não gostou do que um primo disse no grupo da família, ou que o sapato do seu par não combina com a calça, ou que sim, foi ao cinema sozinho em uma tarde de terça-feira.

Não deixe a sua culpa ser responsável por sua tristeza, se é para sentir culpa, que seja uma enorme culpa, por se sentir sempre bem consigo mesmo, e feliz!


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Construindo a tristeza perfeita

Meus olhos se abrem, estou quase sozinho em casa, apenas eu e minha depressão.
Preciso de ajuda para ficar acordado, pois toda vez que fecho os olhos me vejo caindo.
Não sei se é lembrança, sonho ou pesadelo, mas a impressão é de que acabei de sair de um quarto de hotel.
E esse ciclo se repete, menos a tristeza que só aumenta.

Lá no centro da cidade eu tenho amigos que se preocupam comigo.
Eles agem da forma que eu gostaria.
Enquanto eu me vejo apenas sendo carente.
Fecho meus olhos e de novo estou caindo...

Sonolento me sinto na mais perfeita tristeza.
No coração desse mar de pedras.
Queria apenas esquecer, como um feitiço que apaga a memória.
Tento o máximo possível fugir de mim mesmo.

Não sei se agora é cedo ou tarde.
Nada parece ser pior do que isso.
Na cama, sentado no quarto ou em qualquer outro lugar,
cheio de vidas totalmente insignificantes.
Preciso ficar acordado, porque já estou caindo.

Eu tenho uma alma em algum lugar desse corpo, sim senhor.
Em todas as casas existem almas enterradas.
Embaixo de todo pó, amor e suor de todos que já viveram lá.
Aqui só há um homem morto buscando o renascimento.
Mas se os olhos fecham, estou caindo...

segunda-feira, 11 de julho de 2022

Ano 16 - 1988

Minha lembrança mais marcante de 1988, o ano em que completei 16 anos, é de um quase atropelamento.

Durante os jogos Olímpicos de Seul, eu ficava acordado a madrugada quase toda para assistir os eventos e, muito a contragosto ir para a escola pela manhã. Como eu ainda não trabalhava, aproveitava as tardes para dormir um pouco.

Mas, em um desses dias eu literalmente dormi à caminho da escola, sim, dormi andando e acordei com um susto enorme ao ouvir uma buzina raivosa e um som de freada muito forte. Atravessei a rua, na esquina da lorena com a Campinas, dormindo e com o farol aberto. Fui xingado, com razão, mas por sorte o freio do carro estava bom e eu pude terminar de ver os jogos olímpicos e mais alguns outros nos anos seguintes.

Fiz uma oitava série bem honesta, ficando de recuperação só de uma matéria, mas sem grandes sustos no final.

Continuava jogando meu botão, sofrendo com o Palmeiras, já tinha desistido de jogar minha prima pela janela e agora eu tinha um sobrinho, que nasceu logo no começo do ano.

Meu entrosamento com os colegas aumentou, fiz boas amizades, das quais eu mesmo me desfiz por abandono logo depois de sair da escola, mas esse sou, sempre assim, intenso e frio, próximo, mas com facilidade enorme para criar distância, que vive até os pormenores, mas se enjoa rapidamente de coisas repetidas, mas que estranhamente, não vive sem rotina, desde 1988..


segunda-feira, 4 de julho de 2022

A Frustação ao ter que lidar com a verdade

A grande maioria das pessoas sempre diz que detesta mentira e que prefere uma verdade dolorida à uma mentira apaziguadora.

Mas, a verdade é que em muitos casos, as pessoas não estão preparadas para receber a verdade e se frustram por não ouvirem aquilo que gostariam, ou seja, preferiam mesmo uma mentira bem contada, do que a verdade nua e crua.

Por isso que em muitos casos a sinceridade é vista como um defeito, ao invés de qualidade, porque o sincero, por vezes não tem um filtro social tão bom quanto aquele que enfeita tanto a verdade, que quase a transforma em mentira.

Claro que sinceridade e falta de respeito e educação são coisas muito diferentes e intromissões onde não houve chamado ou pergunta, também. Mas se você faz uma pergunta e recebe uma resposta direta que não te agrada, o problema não está em quem te respondeu e sim na sua falta de capacidade de lidar com pequenas frustrações.

Se não quer saber de verdade, não pergunte e se perguntar, não se assuste com a resposta. Se não for aquilo que você esperava, provavelmente é algo que deve fazer você pensar, ao invés de esbravejar. Mudar de atitude, ao invés de reclamar.

Agora, se você quiser uma resposta pronta, já diga logo, "Minta pra mim!"  assim, ninguém fica triste no final...


segunda-feira, 27 de junho de 2022

Amanhã eu penso nisso...

Você já deve ter cansado de ouvir a expressão "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje".

Mas, para algumas pessoas, funciona exatamente ao contrário, seria algo do tipo "Porque eu vou fazer isso agora, se amanhã tenho tempo de sobra?"

Mas o problema maior acontece quando as pessoas começam a ter preguiça de pensar, deixam de lado os problemas, ou resolvem de qualquer jeito, dizendo para si mesmas que depois, mais tarde ou amanhã pensam melhor naquele assunto.

E depois de dias, semanas ou meses aquele mesmo problema reaparece e com ele a lembrança do pensamento ou das atitudes que não se concretizaram.

Deixar para amanhã, tanto atitudes como penamentos reflete uma tentativa vã de deixar as coisas se resolverem sozinhas, ou por outras pessoas, uma fuga, uma forma de tentar viver mais um pouquinho em um lugar mais calmo e tranquilo, enquanto espera o maremoto.

Claro que existem situações em que "deixar para pensar amanhã" é até mais prudente e produtivo, como quando surge um problema que não é exatamente urgente no final do expediente e a mente já não funciona mais de forma fresca e efetiva, como no início do dia.

Mas, na maioria dos casos, o deixar para amanhã, significa apenas tentar esquecer, deixar de lado e se possível não precisar mais resolver ou lidar com aquele problema, com quela situação.

Mexa a mente, mexa o corpo, pense hoje para não dormir sabendo que vai sofrer amanhã!

segunda-feira, 20 de junho de 2022

Lei de Murphy

Já não escuto falar da lei de Murphy hoje em dia, como ouvia antigamente, talvez o nome tenha se modernizado, visto que não entendo uma boa parte das expressões que os mais jovens usam hoje em dia, ou a expressão caiu mesmo em desuso, o que pode ser bom.

A premissa básica da lei de Murphy é que se uma coisa pode dar errado, há uma grande chance de dar errado mesmo.

Coisas bobas, como o pão cair no chão com parte da manteiga virada para baixo, perder o ônibus, ou um carro passar sobre uma poça de água na hora que você está caminhando, eram motivos para invocar a lei de Murphy.

Pessoas que se julgavam azaradas, usavam a expressão o tempo todo, o que elas não pensavam e talvez não pensem até hoje, é que inconscientemente quanto mais você acha que as coisas vão dar errado, maior a chance de isso acontecer.

E, pasmem, Murphy não tem nada a ver com isso.

Quando fazemos alguma coisa já desacreditados, não nos esforçamos o quanto poderíamos, não acreditamos na nossa capacidade e nem damos mais importância aos acontecimentos negativos. É como se deixássemos tudo nas contas do acaso e nos acomodamos com nossos fracassos.

Uma pessoa pessimista sempre vai achar que já sabia das coisas ruins que iriam acontecer, e tem dificuldade de aceitar ou comemorar as coisas boas, pois acham que delas vai surgir alguma desgraça ou problema.

Ou seja, ela nem tenta segurar o pão que está caindo, correr para chegar no ponto mais rápido que o ônibus que vem vindo, ou acreditar que o motorista daquele carro vai desacelerar para que ela não seja atingida pela água da poça, se conforma apenas com a situação ruim e depois de algum tempo nem reclama mais, acha tudo o que é negativo normal.

E o pior, não aceitam a sua participação nas coisas ruins e continuam insistindo apenas no azar, na casualidade e no pobre Murphy.

Faça a sua lei, corra atrás dos objetivos, levante  se tropeçar e cair, assuma seus erros, entenda seus riscos e rasgue a lei de Murphy da sua vida!

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Somos Movidos pelo Amor... E Pelo egoísmo

Uma das maiores lendas do mundo é a de que o amor move as pessoas.

Na verdade, o que move a maioria das pessoas é o egoísmo.

A vontade de ter mais do que precisa, chegar onde os pés não podem levar, serem parecidos com pessoas que ficaram famosas, mas sem ter que investir e nem sofrer nada para isso.

O amor, na verdade, tem ficado a cada período mais para trás, desgastado, antiquado, desnecessário. O corpo é mais importante do que o amor, a imagem é mais importante do que o amor, as redes sociais são muito mais importantes do que a realidade.

Uma centena de curtidas conta mais do que palavras sinceras e um sorriso na foto pode esconder a verdade do vazio ou da tristeza que estão do outro lado do celular.

Hoje o que move as pessoas é a aparência, o que os outros pensam e como seria bom se essa vida dos sonhos fosse realidade.

O reconhecimento não vem mais pelas boas atitudes, mas pelas atitudes postadas. Não basta mais ajudar a quem precisa, é necessário tirar fotos e divulgar o sofrimento do outro, como se uma ajuda fosse um ato heroico e não uma compensação pela injusta e cruel divisão da sociedade.

O amor? Passa bem longe, até mesmo o amor próprio, que sucumbe à vaidade, que é um reflexo em uma foto bonita, mas que deita com seu dono, ou dona, durante a depressão que a vida real traz.

O que move não é o amor, é a vontade de mostrar para um ex, ou um inimigo, ou para parentes distantes, que a vida agora é festa, balada, sorrisos e alegria. A conta bancária, que se dane, ela ninguém vê, ninguém curte, ninguém elogia e nem comenta, só imaginam que ela está gorda, saudável e essa imagem atrai mais pessoas, mas pessoas com cada vez menos amor...

segunda-feira, 6 de junho de 2022

Conto em Gotas - Parte 6

As outras partes estão perdidas aqui pelo blog... :-)

O resto do fim de semana foi ótimo, claro, depois que Bianca colocou todas as suas lágrimas para fora, desabafou e pediu que Diana nunca mais tocasse no assunto.

E ela fez o que a amiga pediu, mas sabia também, mesmo achando tudo isso muito estranho, o que faria, além de guardar esse segredo e esse silêncio.

Na segunda-feira, ao sair do trabalho ela não voltou para casa, foi parar em uma academia e se matriculou, para treinar e também em uma aula de defesa pessoal para mulheres.

E já ia começar essas novas atividades no dia seguinte, com uma motivação bem incomum, uma vez que ela nunca se interessou por atividades físicas.

Assim que chegou em casa, depois de fazer suas matrículas, ela tomou um banho, colocou um copo de macarrão instantâneo no micro-ondas e ligou seu notebook. Ela também precisaria melhorar seu plano de internet, e talvez trocar aquele computador, que ela pouco usava.

Mas para aquele momento, estava servindo. Ela buscou o bar e procurou pelo Google Maps qual deveria ser a casa utilizada pelo abusador para manter Bianca presa.

Era mesmo longe e um lugar completamente desconhecido para Diana, mas ela resolveu que no fim de semana seguinte faria um reconhecimento do lugar, tomaria um refrigerante naquele bar, passaria em frente aquela casa, queria experimentar uma certa sensação de perigo, mas acima de tudo, queria saber como seu corpo iria reagir a essa sede de vingar a amiga que ela vinha sentindo.

O resto da semana fluiu de forma cansativa para Diana, que espantou seus instrutores com tamanha dedicação e sinais rápidos de evolução, tanto física, como nos reflexos defensivos. Ela parecia aprender e se condicionar rápido demais. Na noite de sexta-feira, seu instrutor a elogiou, mas também passou uma cantada bem fraca, que ela ignorou com uma careta e um movimento de olhos que o fez desistir rapidamente.

Depois do banho ela preparou a roupa e a mente para o “passeio” de sábado, tentou dormir para descansar, mas apesar do esforço do corpo, a mente não ajudou e o que ela conseguiu foram poucos cochilos de alguns minutos no meio de uma insônia recheada da mais pura ansiedade.

Pela manhã ela tomou um café duplo, forte e sem açúcar, daqueles que acordam até a alma, repassou os ônibus e estações de metrô pelas quais deveria passar, pegou seus óculos escuros, colocou um boné, deixou na pequena bolsa apenas uma cópia do seu RG e dinheiro suficiente para as conduções e para um lanche, colocou o celular entre os seios e a arma em um bolso falso da jaqueta que escolheu. Respirou e saiu de casa sem pensar em mais nada.

Quase 90 minutos mais tarde ela desceu do segundo ônibus que precisou pegar, se localizou e caminhou por aproximadamente 10 minutos até avistar o bar.

Conferiu o horário no celular, 10:45, percebeu uma gota de suor escorrer pelo seu rosto.

Entrou no bar, que naquele momento estava quase vazio, não fosse por dois homens, já com seus cabelos brancos, tomando o que parecia ser cachaça no outro lado do balcão.

Ela pediu um refrigerante pequeno, pagou, pegou a garrafa e foi se sentar, na mesma cadeira em que as mulheres que ajudaram Bianca estavam, alguns anos atrás..

segunda-feira, 30 de maio de 2022

O seu adulto realizou os sonhos da criança que você foi?

Todos temos sonhos, desejos e vontades, que vão surgindo e sumindo com o passar do tempo , durante toda nossa vida.

Mas alguns desses sonhos permanecem até que sejam realizados, ou morrem conosco, como uma frustração por algo que tanto queríamos e não conseguimos.

Quando crianças, temos muita curiosidade, muitas pessoas em quem nos espelhamos, sejam elas "reais", ou personagens de filmes ou revistas, ou até mesmo pessoas reais mas distantes, como jogadores de futebol cantores, atrizes ou atores, políticos e etc.

Então é muito comum quando crianças tenham vontade de ter a profissão dos pais, o sucesso de um ator ou atriz, a fortuna de um craque do esporte e assim em diate.

Mas e outros sonhos de criança, como conhecer um lugar, experimentar uma coisa diferente, por vezes até mesmo entrar em uma casa muito distante da realidade que ela vê todo dia ao entrar na casa em que mora.

Vocês se lembram de algum ou alguns dos seus sonos de infância? Realizaram algum?

Eu me lembro que queria ser bombeiro, o que foi um sonho que passou rápido. Também sonhava viajar sozinho, para lugares distantes, em ônibus que atravessavam o Estado, sem um rumo específico, em busca de sossego. Esse eu consegui realizar algumas vezes.

Também queria ser jogador de futebol, ou cantor, mas minha voz e meu porte físico de preguiçoso nunca me ajudaram.

Uma coisa é certa, a criança que sonhava no passado, não imaginava o que aconteceria com o adulto do presente e este, por que mais que planeje ou imagine, não sabe sequer se será um bom velhinho no futuro...

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Quando o sexo é opção desejada

Semana passada escrevi sobre as pessoas que por vezes enxergam o sexo como uma forma de ganhar a vida, mas sem ter muitas opções, ou até mesmo chance, de escolha.

Essa semana vou escrever sobre pessoas que escolhem o sexo, ou a sexualidade como trabalho e consequentemente, sua opção para ganhar dinheiro.

Vale aqui, lembrar que não cabe a ninguém fazer julgamentos ou interferir na vida e nas escolhas das pessoas. Cada adulto faz aquilo que acha ser o melhor para si, quando consegue fazer alguma coisa e vai arcar com as consequências dos seus atos. 

Outro aspecto fundamental em qualquer tipo de trabalho é a procura e demanda, então soa apenas a hipocrisia quando condenam pessoas que usam o corpo como forma de arrecadar dinheiro, quando quem alimenta esse serviço são os consumidores. Então, antes de atacar, principalmente mulheres que escolhem trabalhar como garotas de programa de luxo, atrizes ou até mesmo fazerem "dancinha" semi-nuas no tik-tok para ganhar dinheiro com interação, lembre-se que seus maridos, filhos, vizinhos e colegas da igreja consomem esse conteúdo ou contratam esses serviços.

E se você achar que eles só fazem isso porque "Fulana ou Ciclana" ficam se expondo, saiba que está errada, se ele consome, é porque ele quer e pode.

Se você, como eu, não gosta das músicas da Anitta, não a ouça, não veja seus shows, seus clipes, mas de forma alguma tente diminuí-la pela sua postura, forma de dançar ou roupa que veste. Se ela assim o faz, é porque gosta e se sente bem e se tem milhões de seguidores, é porque gostam de ver o que ela tem para mostrar.

Seja filtro e não corneta. Escolha o que quer ver, mas não encha o saco de quem quer ver coisas diferentes, faça as suas escolhas e deixe que os outros façam as deles, não se intrometa onde não é chamado e procure a sua felicidade, ao invés de tentar decidir a felicidade dos outros...

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Quando o sexo é a única opção

Nossa sociedade é construída sobre o alicerce forte dos julgamentos, dos esteriótipos, das verdades absolutas, do fanatismo e da falta de respeito com opiniões divergentes.

Uma sociedade que luta contra o aborto, mas se esquece das crianças de rua, ou não se importa quando são assassinadas por traficantes ou policiais, nem quando essas crianças que não foram abortadas são abusadas pelos pais, parentes ou desconhecidos.

Dizem que lutam pela vida, mas só até o nascimento, depois não se importam se a criança será deixada para adoção, ou se vai morrer de fome ou de frio.

Quando uma dessas crianças cresce e se vê com fome, sem abrigo, sem esperança e sem futuro, podem pensar em vender o próprio corpo para tentar encontrar um mínimo de dignidade.

E lá se vão, muitas ainda jovens, por vezes até mesmo crianças, para as estradas, esquinas e bordéis baratos nas partes mais escuras e abandonadas da cidade, onde são usadas por umas horinhas, na maioria das vezes por defensores da família tradicional, que brigam pelo fim dos direitos das mulheres e que ao saírem do buraco onde estavam com aquela menina, quanto mais jovem melhor, vão correndo chamar as mulheres independentes, com seus trabalhos e suas saias, de putas, sem vergonha e imorais.

Quantos desses hipócritas não ameaçaram suas amantes caso elas contassem seus casos, ou tivessem seus filhos, quantos não xingavam, humilhavam e agrediam as mulheres que pagavam para ter sexo, para provar sua frágil masculinidade.

Quantos tiveram a dignidade de alguma vez perguntar para uma delas porque estavam ali naquela esquina, sujeitas a tudo, ou escondidas naqueles quartinhos de bordeis, mesmo tão novas. Aliás, quantos sequer se interessaram em saber se alguma delas era maior de idade.

Será que alguém se importa em saber se aquela menina foi sequestrada, vendida, forçada, ameaçada, abandonada? Ou apenas se importa com o próprio prazer e em poder se sentir superior, fazer com elas o que não "se faz em casa", porque a esposa é santa "e puta, você sabe, é puta".

É fácil dizer que só vende o próprio corpo quem quer, quem é "sem vergonha", quer a vida fácil. Em alguns caso, pode ser mesmo, e ninguém tem nada com isso, mas certamente, na maioria dos casos, nem foi uma escolha, foi a única opção.


segunda-feira, 9 de maio de 2022

Quer trabalho, mas não quer trabalhar

Uma das coisas mais pedidas para Deus, certamente é trabalho.

Em um mar de desempregados e de pessoas passando por necessidade, conseguir um emprego é quase como um oásis no deserto.

Mas, muitas pessoas que desejam um emprego, o fazem apenas pela necessidade e quando conseguem o tão desejado trabalho, se esquecem de que é preciso trabalhar.

Depois de um certo tempo, o agradecimento se transforma em reclamação, o sonho vira pesadelo e como em um passe de mágica, a sensação de estar trabalhando parece  pior do que era quando não havia dinheiro, não havia uma cerveja no fim de semana, nem em sonho um dinheirinho para colocar gasolina no carro ou na moto, ou até mesmo para pegar um ônibus em um domingo a tarde.

Claro que muitas empresas oferecem muito pouco e ainda tratam mal o funcionário, dificultando assim que ele se sinta feliz, ou importante no trabalho, mas muitos trabalhadores, também, se apoiam em extremos, como comodidade ou tentativa de derrubar um colega para subir de cargo.

E muitos, muitos mesmo, confundem trabalho com salário, estar trabalhando com estar recebendo e não se importam direito com o que fazem, nem gostam de onde trabalham, apenas fazem o mínimo para manter o salário caindo na conta, mesmo que achando pouco, sem vontade, empilhando atestados e dizendo que não vê a hora de ser desligado, para poder receber o seguro desemprego.

Esses, quando desempregados, de novo, precisamo mudar a forma de se expressar, ao invés de dizer que estão procurando trabalho, ou emprego, devem começar a dizer que querem uma mesada, ou ajuda, ou que caia dinheiro do céu.

Trabalhar nem sempre é fácil nem sempre é bom, mas é, ainda, uma das únicas maneiras de sobreviver na sociedade atual. As outras são; ganhar na loteria e ainda assim ser inteligente o suficiente para não acabar com uma pequena fortuna em alguns anos, ou nascer filho de bilionário, ou filho de político.

Seja grato pelo que tem e se esforce para ter mais. Salário não brota de chão rachado.

Boa Semana!



segunda-feira, 2 de maio de 2022

Filho de uma Arma

Para cima, para o lado, mas porque?
Não há ninguém no quarto de novo.
Você foi filho de uma arma.
Ninguém poderia ter ido embora.

O sol brilha dentro do quarto,
Enquanto escuto aquele disco velho.
Mas a chuva sempre chega,
Quando lembro que você foi embora.

Todos já ouviram a sua história.
Com tantos outros personagens.
Quem imaginaria que isso aconteceria?
Disseram todos que já sabiam.

Queria dizer que ainda te amo, para sempre.
Mas será que isso importa?
Esse é o meu tipo de amor.
Aquele que me empurra, mas me deixa sozinho.


terça-feira, 26 de abril de 2022

Ano 15 - 1987

Muito diferente do que eu esperava, meu 1987, ano dos 15 anos, não foi nada interessante.

A maior "novidade" foram os novos colegas do colégio, pois como havia reprovado no ano anterior, a maioria dos meus amigos antigos estaria em um pedaço diferente do colégio.

Se houve alguma vantagem, foi que o ano escolar foi bem mais fácil, com notas melhores e pequenos sustos na matemática, mas nada que me preocupasse quanto a uma nova reprovação.

Minha bicicleta me causou a primeira cicatriz permanente da vida. Pedalando pela alameda Lorena, a correia da bicicleta estourou e um dos pinos pontudos entrou logo abaixo do meu joelho. Sangue que não parava mais de sair da perna, deixei um trilho da lorena, passando pela brigadeiro, até voltar para a Batatais.

De resto? As tarde de botão com meu amigo Ken, as menos frequentes idas para a casa da minha mãe e mais para o fim do ano a "descoberta" que eu seria tio. Minha irmã estava grávida e foi uma deliciosa confusão dentro da família. Deliciosa porque já naquela época eu não queria nem saber e muito menos me meter no que não era da minha conta.

O sofrimento que parecia eterno com o Palmeiras e os pequenos conflitos dentro de casa.

Certamente havia alguma paixonite adolescente no colégio, mas nada que fosse digno de lembrança, tantos anos depois.

E os 15 anos? Bem, não houve festa de aniversário, e nem tampouco lembranças especificas do dia, apenas mais uma folha do calendário rasgada, mais uma noite de sono e a sequência dos dias, que vieram me trazendo até aqui...

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Marionete Emaranhado

Às vezes colocamos algumas coisas dentro de caixas, armários, em sacolas e lá deixamos, por tempo suficiente para que quando e se encontradas, nos tragam lembranças, mas ao mesmo tempo um questionamento sobre o motivo pelo qual guardamos tantas coisas que usamos tão pouco a ponto de nos esquecermos delas.

Muitas dessas coisas, por vezes encontradas até por parentes depois que uma pessoa deixa esse plano, estão inutilizadas, estragadas, quebradas, ou simplesmente seria dispendioso demais colocar essas coisas em funcionamento, como tentar desatar os nós de um marionete emaranhado.

Muitas vezes o melhor caminho é a doação e quando não é possível,o descarte correto. Outras coisas até podem ficar como recordação, mas poucas realmente serão colocadas em uso.

Não adianta ter o trabalho de arrumar os marionetes, se não existem mais crianças para assistir e nem mesmo a casinha do teatro onde eles ficavam.

Precisamos valorizar mais o que temos e não o quanto temos, precisamos usar mais e guardar menos, precisamos pensar no nosso presente e fazer dele o nosso futuro, mas não apenas esperar pelo futuro, guardando em caixas e sacolas o que deveria ser o nosso presente! 

segunda-feira, 11 de abril de 2022

Abstratos

Muitas coisas existem dentro de nós e não conseguimos ver, não aparecem em nenhum raio-x ou ultrassom. Simplesmente sentimos e frequentemente nem mesmo conseguimos explicar esses sentimentos.

E o mais interessante sobre esses sentimentos é que eles têm nome, estão presentes em muitas pessoas, mas cada um os descreve de forma diferente.

Ninguém consegue dizer exatamente como é o medo, por exemplo, pois tem gente que sente medo do escuro, enquanto outros têm medo de lugares pequenos e ainda outros de coisas bem diferentes, como medo de se molhar, de multidões, de voar e etc.

E a forma como cada pessoa sente e expressa o medo, é muito diferente. Gritos, sudorese, falta de ar, complicações no intestino, entre outras infinitas coisas.

E isso vale para todo e qualquer sentimento. Amor e angústia, raiva e felicidade, inveja e gratidão. Todos nós sentimos, todos nós reagimos de uma forma particular a cada sentimento e expressamos de diversas formas diferentes.

Não há certo e nem errado, não há covardia e nem heroísmo quando tratamos de medo, não há pessimismo e nem otimismo quando pensamos em esperança, há apenas a nossa forma única de lidar com cada situação.

O que todos precisamos é encontrar o respeito para aceitar e não julgar a forma, a intensidade e nem quais são os sentimentos das outras pessoas.

Sinta e deixe sentir!

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Um dia pode mudar toda a sua vida

Sabemos que as vezes até mesmo pequenas atitules podem mudar o rumo e a direção das nossas vidas;

E não sabemos como a vida seria, se deixássemos de tomar alguma atitude, ou se tivéssemos feito algo diferente.

Na vida não cabem suposições, não há retorno, nm atalhos. O que está feito é imutável.

Você pode se arrepender, mudar para não cometer os mesmos erros, ou para agir de uma maneira em que tenha mas chances de acertar, mas nada disso vai mudar o passado.

O dia em que você fez a matrícula na faculdade, ou o dia que decidiu desistir dela. O dia em que resolveu sair de casa e encontrou o amor de sua vida, ou o dia em que não deveria ter saído para não perder o amor da sua vida e que você achava que não era tão importante assim. Todos eles podem ter sido o dia em que sua vida mudou.

Se um ato fortuito vai fazer a nossa vida melhorar ou piorar, não temos como saber de antemão, apesar de sempre haver probabilidades, assim como não sabemos o que o destino nos traria se tivéssemos feito algo que desistimos na última hora.

A única coisa que temos, é o presente, são esses instantes e eles podem ser mais valiosos do que imaginamos.

É absolutamente normal o arrependimento, por vezes é doloroso, mas ele é um sentimento inútil, pois não remenda o passado e nem reescreve o futuro. Mas ainda é melhor se arrepender por arriscar, do que por ter medo.

É melhor tentar fazer todo dia ser aquele que vai mudar o rumo da sua vida, do que esperar sempre uma oportunidade melhor, que pode nunca chegar.

A ação é melhor do que a espera e se não podemos voltar atrás e desfazer alguma coisa, também não podemos voltar atrás para usar melhor o tempo que passou.

Que amanhã seja o melhor dia da sua vida, todos os dias!



segunda-feira, 28 de março de 2022

Conto em Gota - Parte 5

As partes de 1 a 4 estão espalhadas aqui pelo blog. Só procurar por conto em gotas e elas aparecem juntas.

Parte 5

Em 24 horas a vida de Diana tinha mudado completamente. Ela ainda achava que a qualquer momento a polícia ia aparecer na sua porta, apesar de ter assistido todos aqueles lixos de programa de tragédia e lido os jornais disponíveis on-line para tentar descobrir se havia alguma suspeita. Mas, não havia muito destaque para o caso, O fato da imprensa ter descoberto que o morto era um estuprador conhecido, foragido e com dezenas de passagem ela polícia, reforçava o fato de ter sido alguma vingança, mas de qualquer maneira, uma vingança justa.

E por falar em justiça, ela também se sentia muito incomodada com a história de Bianca e com uma sensação diferente, como se precisasse se vingar pela amiga e por todas as mulheres que sofrem abusos a cada minuto, nesse país tão grande.

Ela precisava fazer Bianca falar mais, mas sabia que não adiantava tentar fazer isso no trabalho, então decidiu convidar a amiga para uma pizza no fim de semana.

Na manhã seguinte, depois do café e das fofocas matinais, ela fez o convite, de forma até despretensiosa e Bianca aceitou, na sexta, depois do trabalho, iriam direto para a casa de Diana para uma sessão de comédias românticas ou alguma nova série e uns bons pedaços de pizza com sorvete de sobremesa e o convite se estendeu, inclusive, para a noite toda. Diana disse que ficaria feliz em não passar a noite de sexta sozinha em casa.

Na sexta, Bianca chegou ao trabalho com sua malinha e toda animada, parecia nem lembrar da tristeza que teve durante a conversa com Diana na terça-feira e parecia, também, não imaginar que esse assunto voltaria nesta noite.

Diana também estava feliz, por poder se distrair e tentar esquecer o crime que cometeu, antes que a paranoia lhe dominasse por completo, mas também estava ansiosa para saber alguns detalhes que precisava para continuar sua tarefa, tarefa essa que ela nem sabia que tinha, mas da qual já não conseguia mais se livrar em seus pensamentos.

O dia continuou sem problemas, elas se despediram das colegas que ficaram com aquelas brincadeirinhas idiotas, do tipo “Cuidado vocês hein, sozinhas no escurinho da sala, vendo filme... Sei não.”

No caminho, quando passaram pelo beco, Bianca disse:

- Foi aqui que aquele cretino morreu.

Diana se assustou e sem pensar disse:

- Como você sabe?!

Bianca fez uma cara divertida e disse:

- Nossa Diana, você é desligada mesmo, apareceu até na TV, e se não fosse isso, pela descrição do noticiário, todo mundo do escritório sabia que era aqui. Por isso estava preocupada no dia seguinte com seu atraso, eu sei que você passa por aqui.

Diana suspirou e deu um sorriso bem falso.

- Verdade, eu sou mesmo desligada, mal acompanhei esse caso.

Essa foi, sem dúvida, uma das maiores mentiras que ela já tinha contado na vida, pois ainda passava por lá com o coração apertado e sempre achando que o bandido, mesmo morto, ia voltar e empurrar ela de novo.

Assim que chegaram na casa de Diana, arrumaram as coisas e Bianca foi tomar banho, enquanto a anfitriã ficou encarregada de pedir a pizza.

Depois de acomodas, com a pizza quentinha nos pratos, a coca gelada no copo, a TV ligada e o controle remoto a postos, Diana fez a pergunta que queria, de uma vez, sem nem parar para organizar direito o pensamento.

- Bianca, você disse que saiu desorientada da casa daquele cafajeste que te aprisionou e que foi parar do outro lado da cidade, mas parou em um bar, você lembra o nome do bar, o nome do bairro, alguma característica da casa do desgraçado?

Bianca parecia ter tomado um tapa na cara tão forte que mal conseguiu reagir. Depois de alguns segundos quase catatônica ela disse:

- Mas porque isso aqui e agora, em um momento que parecia tão legal, por que você quer me ver sofrer?

-Não, não, de forma alguma, desculpe, saiu sem eu pensar, fiquei com isso na cabeça e queria saber o quanto longe daqui era e por pura curiosidade mesmo. No serviço a nossa conversa parece que ficou inacabada e eu acho que vai ser bom para você falar mais sobre isso, colocar para fora. E depois, estamos só nós duas aqui pelo fim de semana, vai ter todo tempo do mundo para falar sobre isso.

- Mas eu não quero falar, eu quero esquecer, aliás, nem sei porque fui contar isso para você.

- Porque você precisava colocar isso para fora, estava te fazendo mal. E você pode confiar em mim. – Finalizou Diana.

Bianca não parecia confortável, mas disse:

- Eu sei exatamente de onde sai e nunca mais quero nem chegar perto. Pensei um milhão de vezes em ir à policia e contar tudo, mas tenho muito medo dele ser preso e ser solto logo em seguida e vir atrás de mim, da minha mãe. Pensa que eu não sofro imaginando quantas meninas e mulheres podem ter sofrido o mesmo que eu? Mas não posso me imaginar passando por isso de novo.

Com um pouco de demora e muito sofrimento ela contou tudo, não só onde ficava, mas os detalhes da casa, do rosto, das tatuagens, o cheiro, da voz, tudo o que ela lembrava. E não era pouca coisa.


segunda-feira, 21 de março de 2022

Quebrar Padrões

Muitas vezes não nos damos conta de como nossa vida, nossas atitudes, nosso jeito de viver e até mesmo de reclamar, seguem padrões, que também podem se transformar em ciclos.

A forma como acabam os relacionamentos, as saídas de empregos, as contratações, o que é feito quando se encontra sem um par, ou desempregado, o que é feito com o dinheiro que foi e como a vida fica sempre da mesma forma, quando aquele dinheiro que poderia ter sido economizado acaba.

A reclamação de como nada dá certo, depois de agradecer por ter dado tudo certo.

A busca pelas pessoas do passado, pela família, pelos amigos antigos, depois de ter tentado encontrar coisas e pessoas novas, mas com as mesmas velhas atitudes.

Passam-se anos, décadas, e apesar de tudo, parece que não foi possível sair do lugar.

Para que ocorra alguma mudança real, é preciso quebrar os padrões. Aprender a viver consigo mesmo, se sempre se desespera quando fica sozinho, buscar uma nova carreira, quando não consegue mais se firmar em nenhum lugar da carreira antiga.

Pensar mais no futuro, ao invés de desperdiçar tudo no presente e ficar chorando, como sempre acontece, quando as coisas óbvias se concretizam.

Parem para pensar, e vejam como muitas vezes os resultados das escolhas são tão previsíveis, que quando você se dá conta, percebe que a eterna queixa é mais por desabafo, porque pela honestidade, qualquer resultado diferente seria inesperado.

Não adianta pedir para mudar de vida, se não mudamos as nossas atitudes.

segunda-feira, 14 de março de 2022

Ambientes Hostis

Hoje em dia é nem difícil definir onde encontraremos ambientes hostis.

Sair de casa é uma batalha entre a segurança e a diversão, voltar para casa, cada dia mais, é um alívio.

A competitividade e a falta de caráter tornam até mesmo alguns ambientes de trabalho em ambientes hostis.

O medo nos aprisiona e nossa mente para a ser nossa inimiga e até mesmo fechar os olhos pode se tornar perigoso, nossos pensamentos não são mais como antes, lugares para relaxar, agora eles também podem ser locais hostis.

Estupros, assassinatos, roubos, furtos, violência, nas praias, nos bares, na escolas, nos hospitais, nos becos, dentro da própria casa.

Parentes, padastros, até mesmo pais, podem ser letais em uma sociedade que se perdeu no giro do universo.

E a impotência de não poder fazer nada, nem mesmo se defender direito, pois são tantos tiros, que é difícil saber para qual lado devemos virar o escudo.

Por isso é tão importante curtir cada dia, agradecer sempre que abrimos os olhos, aproveitar cada prato de comida, cada copo de água.

Em muitos lugares hostis, a sorte é não ter um míssil apontado para sua cabeça...

segunda-feira, 7 de março de 2022

Um lugar qualquer em qualquer lugar

Onde eu vim parar?
Mas nem me lembro de sair do lugar.

Aqui parece tudo tão estranho,
Pareço tão grande, mas nem tenho tamanho.

Vejo areia e o mar, vejo flores e um lindo jardim,
Sinto o vento me tocar e um delicioso cheiro de jasmim.

Onde eu estava era tudo diferente,
Sangue, bomba e do céu caiam pedaços de gente.

Estava tão cansado, fruto de noites mal dormidas,
Será que era um pesadelo? E aqui estão as portas das saídas?

Escuto um som ao longe, aumentando segundo a segundo.
Parecem sirenes anunciando o fim do mundo.

Me mexo assustado e caio de lado meio risonho,
Que pena, o mundo ainda está em guerra e eu sai do meu sonho...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Como subir na vida vindo de tão longe?

Muito se fala em meritocracia por aqui.

Direitos iguais, oportunidades iguais, até inventaram o racismo reverso e tentam equiparar o movimento feminista com o machismo.

E para ficar ainda mais estranho, boa parte daqueles que defendem o direito de explorar, são os explorados, abduzidos por discursos caóticos e sem sentido, mas suficientemente inflamados para chamar a atenção daqueles com mais dificuldade de entendimento e interpretação.

Muitos dizem que para passar em um concurso público, basta estudar, que para se tornar um diretor de empresa, basta se esforçar, que para ter várias férias ao ano, esbanjando dinheiro público, basta ser honesto e construir uma carreira política.

Tudo isso está errado, muito errado.

Para passar em um concurso público com salário superior à dez mil reais e mais benefícios, é preciso estudar muito e para estudar muito, é preciso ter tempo e para ter tempo de sobra, é preciso ter dinheiro e para ter dinheiro, ou você tem uma família que suporta os seus custos, e seus necessários momentos de lazer, ou você trabalha e atrapalha seus estudos. Claro que mesmo com dinheiro e tempo, mas sem esforço, o candidato só passa no concurso se tiver algum conhecido que o coloque para dentro e aqui no Brasil, certamente existem casos assim. E, claro, existem as exceções, que sacrificam tudo e com muito suor, conseguem passar, mas, repito, são exceções.

Assim como exceções são aquele que começam na empresa como office-boy, contratado e não nomeado e vão subindo, mas a regra, principalmente em empresas de pequeno porte, é que os filhos herdem as posições de seus pais e, em alguns casos, levem a empresa para o buraco.

Assim como na política, onde os sobrenomes são sempre os mesmos. Bisnetos, netos, filhos, irmãos, sobrinhos, todos enchendo o bolso sem trabalhar as custas de impostos mal empregados.

Há quem julgue que passar fome é uma opção, que morar em área de risco é vontade pessoal, que passar horas no trânsito para ganhar um salário mínimo é uma recompensa e que humilhar um prestador de serviço é nobreza.

Quem larga na frente, normalmente chega primeiro, quem dorme e se alimenta bem, tem mais energia para gastar e enquanto uns dez milhões ganham alguma coisa, mais de duzentos milhões só sabem o que é perder por aqui.




segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Memória Digital

Antigamente, duas gerações atrás, não existia celular, nem facebook, nem máquina digital, mas existia muito mais memória em cada um de nós.

Hoje quase não decoramos mais números de telefone, por vezes nem os nossos! Antigamente o número da casa dos pais, avós, amigos, ficavam todos na memória, bastava tirar o telefone do gancho e discar. Hoje nem discar precisamos, é só achar o nome na lista de contatos do celular e apertar no nome de quem você quer falar.

Aniversários eram datas sagradas! não tinha como esquecer aquelas datas especiais, da família, dos melhores amigos, da namorada ou namorado. Hoje em dia, quem nos lembra dos aniversários é o facebook e ficamos tão dependentes de certas coisas, que por vezes passamos a semana inteira lembrando de um aniversário, mas se por ventura não entramos no aplicativo, acabamos esquecendo de mandar os parabéns.

E isso é tão maluco, que às vezes até para saber "que dia é hoje", precisamos abrir o celular.

Não temos mais o gosto de revelar fotos, da ansiedade da espera, do medo de não terem ficado boas ou de queimar o filme.

Hoje temos milhares de fotos nos computadores e telefones, que acabam sendo públicas, passando da página da conta pessoal da rede social, para estranhos que podem fazer o download de uma foto compartilhada.

Já não ficamos com tantos bons momentos na memória, eles ficam todos armazenados em alguma nuvem.

Sim, isso é a modernidade, é a evolução e muitos adolescentes mal entendem o que é filme fotográfico ou discar um telefone, mas qual a consequência desse uso tão reduzido da nossa memória, do que sentimos e do que passamos?

Será que em mais alguns anos todas as nossas memórias serão substituídas por um cartão, que por sinal já é chamado de "cartão de memória"?

Guarde suas lembranças, utilize mais sua mente e procure sempre trazer para a sua memória as datas importantes, os momentos marcantes, os dias inesquecíveis. Senão tudo isso vai acabar perdido, depois de ser guardado em uma gaveta, fora do corpo...



segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Objetivos de Vida

 A vida é uma dádiva grandiosa demais para não aproveitarmos da melhor maneira possível o pouco tempo que nos foi concedido para ficar por aqui.

Mas, para uma quantidade bastante razoável de pessoas, a vida é apenas um trem circular com poucas estações que podem ser: Casa, trabalho, relacionamento, sexo e sofrimento.

Algumas pessoas passam por menos estações ainda, como casa, trabalho e casa de novo, pegando vez ou outra uma conexão para bebida com os amigos em fins de semana esporádicos.

Muita gente trabalha apenas para pagar as contas, não porque quer, mas é o que o salário permite e essas contas são apenas para sobrevivência, tais como energia, comunicação, alimentação, vestuário de vez em quando, um móvel para a casa raramente.

Pouco sobra para pensar em diversão e todo ser humano precisa de uma distração, então cada um encontra essa diversão dentro daquilo que é possível.

Para cada restaurante chique lotado, com pessoas aproveitando a sua vida, existem centenas de pessoas gratas por ter um arroz e feijão básico com um legume e talvez um tipo de carne na mesa, mas existem milhares de pessoas que ou só tem o arroz, ou só um pouco de farinha, ou apenas fome.

Temos trinta mil brasileiros que podem ir à Dubai assistir uma partida de futebol e temos duzentos milhões que não podem ver a água do mar no litoral do seu próprio pais.

E isso não é uma crítica a quem pode viajar, mas uma reflexão do motivo que leva tão poucos a poder fazer isso, enquanto para muitos não chega perto nem de ser um sonho.

É verdade, temos que aproveitar a vida o máximo possível, com aquilo que temos, mas jamais podemos fechar os olhos para aqueles que não tem nem o mínimo e por vezes não conseguem enxergar como presente a vida que receberam.


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Relacionamentos precisam de nomes?

Pessoas têm nomes, lugares têm nomes, por vezes colocamos nomes até em brinquedos e objetos, mas será que é necessário nomear tantas coisas, como relacionamentos, por exemplo?

Existem, hoje em dia, muitas formas de nominar um relacionamento: Namoro, relacionamento aberto, noivado, casamento, enrolação, ficando, saindo, conhecendo entre outros que eu, pela idade já avançada, nem devo conhecer.

Mas o que define efetivamente cada um desses "estados", o que é realmente um namoro, ou ficando, como podemos definir essas palavras?

O que significa estar namorando? Quais as atividades que permeiam essa premissa? E quando escutamos a frase "Estou morando com o meu namorado" ainda é namoro, ou casamento?

Vivemos sob muitas regras informais e por vezes não temos respostas para o que não sabemos definir.

Cada casal define namoro, ou seja lá o nome que for, da forma que preferir. Pra mim, por exemplo, o fato de morar sob o mesmo teto e dividir as contas faz com que o casal seja "casado", independente de documentação legal ou religiosa, isso é problema burocrático que fica para depois.

Os relacionamentos foram mudando com o tempo e essa mudança fez com que coisas mais formais se perdessem, como por exemplo o pedido de namoro, que antes era obrigatório e hoje está quase extinto.

O namoro simplesmente é a continuidade de uma das várias denominações que citei acima e por vezes até mesmo uma pessoa do par se considera namorando e a outra ainda não.

O que é mais importante, o nome que se dá, ou a maneira que se sente?

Todo relacionamento muda com a idade, o amadurecimento e com o próprio relacionamento. E não há como dar nome para tudo isso.

Então, que todos aproveitem ao máximo seus relacionamentos, seja lá que nome tiverem, mas sempre com respeito ao parceiro e, principalmente a si mesmo, e fundamentalmente, sem querer criar um modelo "correto" para cada nome de relacionamento, pois pessoas diferentes, nunca terão relacionamentos iguais...


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Duas Caras

Existem algumas formas de conquistar a confiança de alguém.

Uma é sendo realmente confiável, procurando fazer o seu melhor, estudar e repassar conhecimento, validar suas informações antes de replicar para outras pessoas, depois convidar todos para aprender e entender o que está sendo dito ou proposto.

Outra é usar uma falsa autoridade, ou poder, para influenciar pessoas mais simples, humildes ou preguiçosas e assim fazê-las espalhar mentiras que vão gerar benefícios.

O grande problema que vemos hoje, no mundo todo, é que existem preguiçosos demais e pessoas influenciáveis demais. Pessoas que discordam de evidências científicas para acreditar em blogueiros escondidos do outro lado do mundo.

Pessoas que na frente de uma webcam são lutadores e convocam todos os seguidores para uma guerra, que ele mesmo não vai lutar e enquanto finge esbravejar, abre uma garrafa de vinho e ri da cara daqueles que o "ajudam" e a quem ele chama de otários.

Forjam brigas e discussões, xingam à vontade, mas não tem coragem de colocar os pés perto do próprio país. Têm duas caras, a de malvado pela internet, mas de bonzinho quando anda pelas ruas de qualquer país perdido no mapa.

Enquanto isso, vidas e mais vidas se esvaem e o conhecimento fica cada vez mais minguado e considerado pouco importante, pois para os formados em whatsapp, a escola só ensina coisas "erradas".

O mundo precisa mudar, para que as Universidades voltem a ser mais importantes do que as redes sociais e o pensamento seja mais valioso do que uma mensagem encaminhada...



segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Infinito Finito

Não conseguimos imaginar o tamanho do universo.
Mas também não sabemos o tamanho dos nossos sentimentos.
É impossível medir qualquer um dos dois.
Mas um pode acabar, o outro provavelmente não.

O dia interminável, termina.
O amor infinito, acaba.
A estrada cujo final os olhos não alcançam, finda.
A saudade de quem não volta é infinita.

O feijão vai para o pote de sorvete, porque o sorvete acabou.
A amizade vai para outra pessoa, porque a lealdade se foi.
Os sorrisos se fecharam depois que o show terminou.
Mas a depressão pode por um ponto final naquela vida em ruínas.

O infinito se torna finito quando algumas descobertas são feitas.
O longe se torna perto à medida que o tempo passa.
E o que foi perto um dia vai ser longe demais, pois o tempo não volta.
A única coisa infinita é a certeza da finitude de tudo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Conto em Gotas - Parte 4

http://elsopini.blogspot.com/2021/05/conto-gotas.html

http://elsopini.blogspot.com/2021/08/conto-em-gotas-parte-2.html 

http://elsopini.blogspot.com/2021/10/conto-em-gotas-parte-3.html

4

- Ele me violentou de todas as formas que eu poderia imaginar por uns 3 dias, acho. Tinha certeza de que ele ia me matar, ou me deixar ali para morrer. A única coisa que ele me deu durante todo aquele tempo foram 3 copos de água, suja. Disse Bianca, com as lágrimas ainda borrando sua maquiagem leve.

Diana respira e pergunta:

- Como você conseguiu ir embora?

- Não consegui. Ele que me soltou. Na terceira ou quarta noite, ele apareceu com outra garota desmaiada, tão linda, tão jovem...

As palavras morreram quando Bianca começou a soluçar sem parar.

Diana deu a ela um copo de água com açúcar, deu-lhe tempo e pediu que ela continuasse.

- Quando eu achei que ele ia me matar para que eu me calasse, ele me desamarrou, me deu dois tapas fortes no rosto e disse: “Eu sei onde você mora, onde trabalha, onde faz academia. Se abrir sua boca, trago você pra cá de novo. Agora some.”

E continuou – Ele literalmente me chutou para fora daquela espelunca, depois jogou minha calça rasgada e a camiseta cortada na minha cara. A dor já nem me incomodava mais, coloquei de qualquer jeito meus trapos e tentei começar a correr, mas não sabia para onde ir, não sabia onde estava, estava faminta e com muita sede e medo, muito medo. Andei, em desespero e olhando para trás o tempo todo por um bom tempo, até ver uma avenida movimentada à frente. Na esquina da avenida com a rua em que eu estava, havia um boteco e na única mesa ocupada estavam duas moças conversando, chorando pedi ajuda e por sorte elas me ajudaram, me explicaram que eu estava do outro lado da cidade e me emprestaram o telefone para eu ligar para a minha mãe. Horas depois eu estava em casa, com minha mãe chorando desesperada pelas minhas feridas e minha aparência e eu chorando de alívio por estar viva, apesar de saber que eu viveria para sempre com medo e sempre olhando para trás.

Terminou Bianca enquanto tentava respirar com mais calma.

Diana, por fora tentou manter a calma, enxugar as lágrima da amiga, confortá-la, mas por dentro sabia que precisaria de mais informações, pois sentia que precisava encontrar aquele “menino”...


segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

O poço tem fundo?

Ninguém sabia exatamente a história do poço.

Claro que muitas lendas eram contadas, inventadas e aumentadas, mas parece que ele estava lá desede sempre.

Nunca ninguém se preocupou se a corda era forte ou fraca, comprida demais ou curta, nem se seria preciso trocar o velho balde de metal, já desgastado pelo tempo, mas muito funcional e eficiente.

O poço passou por secas, onde a corda tinha que descer mais e períodos de chuvas poderosas, qaundo era possível pegar a água com bacias apenas colocando os braços na borda do poço.

Mas um coisa todos sabiam, o poço era fundamental para suas vidas era sua água que saciava a sede, que ajudava a preparar os alimentos, que era levada para as casas na hora da limpeza.

O tempo foi passando e cada vez mais pessoas começaram a morar e a visitar aquele lugar e as novas gerações, mais curiosas, sempre perguntavam a seus parentes sobre o poço. Uns diziam que ele era mágico, outros que a água de um rio que passava por baixo dele o abasteia constantemente, outros só achavam que ele era profundo demais, apesar de também acharem estranho uma obra tão antiga chegar assim a um ponto tão profundo.

Um dia, um meininho viu um idoso jogar uma moeda dentro do poço. Esperou o idoso ir embora e se aproximou do poço, apoiou as mãos em sua beirada e fez o maior esforço possível para ver se enxergava a moeda alí jogada, mas não conseguiu nem mesmo enxergar onde começava a linha da água.

Poucos dias depois o meininho curioso viu o idoso saindo da mercearia com um grande embrulho nos braços. Ele se aproximou do idoso e perguntou: O que  Sr. jogou dentro do poço semana passada?
O idoso, paciente, olhou para ele e sorrindo disse: - Eu só tinha aquele níquel e estava com fome, fiz uma oferta ao poço, pedindo ajuda para comprar comida. Como um milagre, assim que cheguei na porta da minha casa, minha nova vizinha me ofereceu um prato de comida e perguntou-me se eu ainda tinha energia para cuidar do seu jardim e me pagaria 5 níqueis por semana, além de suprir minhas duas refeições do dia. O poço me devolveu a moeda que joguei para ele em muito maior quantidade!

A história se espalhou e nos dias que se seguiram, as filas para buscar água do poço começaram a ficar maiores. Todos que iam buscar água, paravam para jogar um níquel, alguns, mais precavidos, jogavam 2, outras, mais gananciosos e mais ricos, jogavam cinco, dez níqueis no poço.

As histórias de sucesso do poço se misturaram com as histórias de fracassso, para uns era sorte, para outros azar e para outros, absolutamente indiferente.

Para outros, foi um chamariz. Ladrões começaram a observar o povo jogado os níqueis no poço e durante à noite descarregavam toda a linha do poço para ver se o balde puxava alguma moeda, mas nada vinha.

Um deles, comprou em outra cidade cem metros de corda! Sorrateiramente trocou a já surrada corda do poço pela nova e soltou o balde com seus cem metros de corda pendurada, mas para seu espanto, a corda toda foi para baixo e a única coisa que voltou com o balde, foi a água.

Veio, então, a maior seca de todos os tempos. A economia entrou em colapso porque a produção foi perdida, a população toda jogava seus níqueis em desespero pedindo chuva para o poço. Ele parecia cada vez mais fundo, tão fundo que se não fosse a nova corda, não conseguiriam a água necessária.

Quando finalmente a água do poço já estava subindo suja, com um pouco de barro e o desespero tomou conta de todos, o mais rico fazendeiro da cidade, conhecido por ser incrédulo, jogou de uma só vez cem moedas(!) no poço. E, naquela noite, chouveu, uma chuva forte, que limpu toda amargura da cidade e durou vários dias.

As pessoas agora agradeciam ao poço por sua bondade e ao fazendeiro por sua generosidade.

Fizeram uma cerimônia para trocar o balde do poço, por um mais novo, maior, brilhante e para que ele tirasse do poço toda água necessária para o sustento da cidade. E o fazendeiro, que ganhou muito com as chuvas e com a vaidade que lhe caiu, encheu o balde níqueis, da boca para fora afim de agradecer a graça alcançada, mas por dentro, esperando que o poço lhe retribuisse novamente com muito mais do que ele havia ganho da primeira vez.

Poucas pessoas se importaram em ver descer naquele bakde niqueis suficientes para empregar homens que jogavam seus únicos níqueis pedindo um emprego sem suesso, crianças que jogavam lá botões enferrujados, tentando enganar o poço para que ele provesse comida, entre tantas outras coisas.

Agora não havia apenas um bandido interessado nos níqueis do poço, havaim vários e junto deles algumas pessoas desesperadas por uma moeda para um pão.

O mais ousado comprou na capital uma roupa estranha, com um cilindro estranho e no meio da noite, sob os olhos famintos e atentos de poucas pessoas, mergulhou de cabeça no poço. Nunca mais foi visto. Mas, diga-se de passagem, os bombeiros da cidade nem se deram ao trabalho de tentar tirar ele de lá. O balde ainda subia com água e ainda era possível fazer um pedido, já quase nunca atendido, com um níquel.

Aquele idoso, que jogou o primeiro níquel no poço, jogou mais alguns durante meses, em uma das vezes, pedindo saúde para sempre. Este pedido nao foi atendido e em uma tarde de Dezembro, sua vizinha, que era sua patroa, foi nervosa bater a sua porta, pois haviam folhas soltas em seu lndo jardim. Sem resposta, ela entrou na casa dele e sentiu o forte odor de um homem morto.

Em seu velório, ela fez um discurso, onde disse que se lembrava perfeitamente do primeiro prato de comida que dera à seu vizinho. Que ele o comeu frio, porque assim que ela saiu para oferecer a comida e o emprego para ele, o viu fechando a porta para sair de casa com sua pequena moeda na mão e ela acompanhou com os olhos ele indo e voltando em diração ao poço, lembra que achou estranho ele não ter levado nenhum copo para pegar a água, mas como esperava que ele fosse aceitar o trabalho, não se preocupou se ele estava com sede ou não.

Quantas moedas não seriam perdidas se ela tivesse chamado seu nome antes dele deixar seu últio níquel no poço... 

Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...