quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Boas Festas!

 Que ano meus amigos, que ano...

No começo dessa loucura toda eu ainda achava que seria possível tirar uma lição positiva, que ao voltarmos a enxergar golfinhos nos canais de Veneza, o céu mais azul em várias cidades do mundo e tanta gente sofrendo em virtude de um mal invisível e desconhecido, a humanidade tenderia a entender melhor o seu papel na Terra e criaria mais empatia entre seus habitantes.

Mas eu errei, e errei feio.

Esse ano foi pesado, me fez ter a certeza absoluta que as pessoas não conseguem se entender, se respeitar, aceitar diferenças e se colocar no lugar dos outros.

Uma briga de egos, cada um lutando, desonestamente, para o seu próprio bem, em detrimento do coletivo, esquecendo do verdadeiro inimigo, o vírus.

Ganância, preocupação com o futuro, intrigas políticas, foi possível enxergar o pior do ser humano, e infelizmente, esse pior parece ser parte da essência e não consigo vislumbrar um horizonte mais promissor.

O que fazer então? Infelizmente só podemos cuidar dos nossos, não fomos capazes de fazer pessoas entenderem o problema e o que nos resta são as lágrimas e a esperança, não que a humanidade vá melhorar, mas que a ciência, aos trancos e barrancos, vai nos tirar dessa, bem piores do que poderíamos estar, mais tarde do que seria possível se todos cooperassem, mas ainda assim, resistiremos.

Hoje, não adianta eu dizer aqui que 2021 será um ano repleto de maravilhas, pois sabemos que teremos ainda pelo menos mais um semestre de grandes dificuldade, mas com perseverança podemos tentar passar por esse período e, quem sabe, a passagem de 2021 para 2022 seja muito mais tranquila e harmônica.

O que eu posso desejar para todos nós, nesse momento, é que todos tenhamos uma noite de natal espetacular, se for ao lado de alguns poucos queridos familiares, ainda melhor e que tenhamos uma passagem de ano com saúde e também ao lado, seja presencialmente, ou virtualmente, da família e que consigamos encontrar força, resiliência e sabedoria para lidar com o que vem pela frente.

Boas Festas meus Amigos, que criemos em nossos corações momentos felizes!


terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Ano 10 - 1982

 No ano 1982 eu tenho uma recordação bastante latente. Meu primeiro jogo de futebol em um estádio.

Eu, meu Pai e meu Irmão fomos assistir Palmeiras X Volta Redonda pela Taça de Prata daquele ano.

O Jogo terminou 1 X 1, e deve ter sido uma porcaria, mas eu não esqueço o quanto fiquei encantado com aquele lugar, com os chutões que o Gilmar, goleiro do Palmeiras naquela noite, e que eu tinha a impressão que a bola estava vindo na minha direção.

Talvez essa seja a lembrança mais legal que tenho de um dia com meu Pai.

A minha primeira lembrança efetiva, ainda que um pouco nublada, sobre futebol também vem desse ano, a copa de 1982. Eu não entendia, obviamente, o brilho do futebol da seleção brasileira, mas me lembro da minha tristeza no jogo da derrota do Brasil para a Itália. Ainda não sabia que o futebol seria uma das minhas paixões, mesmo que hoje em dia já tenha perdido boa parte desse sentimento.

No demais, nada de novo no front. Ainda era um bom aluno, passei direto de novo na 2ª série do primário, mas não consigo lembrar da minha professora daquele amo.

Na casa do meu tio, também não houveram novidades, continuava uma criança solitária no prédio em que não haviam outras crianças e que brincar sozinho com os poucos brinquedos que tinha era a única solução.

E nada mudaria tão cedo...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2020

Deveria?

Eu me conheço muito bem, sei onde posso me quebrar.
Eu sei de todos os enormes erros que eu cometo e cometi.
Voando em pensamentos desconexos.
Me vejo no chão de novo, tentando ver as coisas do meu jeito.

Estou eu errado, será que fui longe demais?
Será que uma parte de mim se foi e deixou a outra para trás?
Se eu pudesse eu me separaria, mas eu deveria?
E depois haveria alguma coisa verdadeiramente real?

Navegando em outras ondas sem destino, perco a noção.
Meu barco está ancorado em um chão de cimento.
Eu precisaria apender a flutuar fora da água.
Como uma criança que sonha sem saber o significado.

No meio do dilúvio eu não me afogo, meu barco está ancorado.
Um dia perfeito para pensar nos dias de garoa.
E fazer mais uma viagem daquelas, para lugar nenhum.
Meu barco está a deriva, deveria me ajudar. Deveria? 

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Homem não Chora?

 Talvez umas das maiores bobagens que, ainda hoje, alguns pais falam para seus filhos.

Homens choram sim, porque pessoas choram e homens não são diferentes, não tem obrigação de aguentar as dores físicas e emocionais que o dia a dia traz para as suas vidas, como traz para mulheres e crianças.

O Homem que cresceu com essa necessidade de sofrer calado e fingir aguentar tudo acaba se tornando com muito mais frequência um agressor, um pai que não consegue ter diálogo com os filhos, que não aceita a diversidade e acredita que a violência é sempre a melhor solução para todas as coisas.

Lembro que racionalidade nada tem a ver com a ausência de emoções e sim com o seu controle, mas com as mesmas sensações das pessoas emocionais e que não conseguem facilmente segurar lágrimas ou outras expressões de sentimento.

Chorar faz parte de reações naturais humanas, aliás, basicamente a primeira comunicação que fazemos em nossa vida é o choro e ele é fundamental para que os recém-nascidos avisem aos pais que estão com fome, sede ou dor, que querem ou precisam de alguma coisa e depois se transforma em arma, em chantagem para conseguir alguma coisa que nem sempre é importante.

Depois as lágrimas começam ser símbolos de dor física e dor emocional, em crianças que por vezes são mais sensíveis e não conseguem lidar muito bem com broncas ou com atitudes grosseiras de colegas ou parentes. E são essas lágrimas que nos ajudam a entender a personalidade de cada um, cada lágrima e cada motivo que causa essa lágrima são um pequeno retrato da imagem que vai chegar à adolescência e chegar na vida adulta.

O Homem que "não chora", apenas tenta esconder esses traços e para defender a sua verdade, ou esconder melhor as suas mentiras, não terá argumentos verbais inteligentes e sempre vai usar uma linguagem depreciativa e em muitos casos violenta e carregada de ódio. Um ódio que , mal sabem eles, é de quem  o impediu de demostrar seus sentimentos e não das pessoas que ele ataca.

Parem com essas bobagens, homem chora, mulher chora, todos choram e não há mal nenhum nisso!

Boa Semana!

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Comer pelas Beiradas

 Este é um famoso dito popular e na maioria das vezes significa que uma pessoa está chegando perto do seu objetivo de forma sorrateira, devagar, quase sem ser percebida.

Por vezes pode até ser uma atitude boa, pois usando outro dito popular, quantos menos se fala sobre seu sucesso, maiores serão suas conquistas.

Mas existe também o lado negativo de quem sempre está "comendo pelas beiradas", aquela pessoa que fica à espreita, aguardando o erro, o descuido de alguém para pode agir e, nesse caso, atacar e transformar a outra pessoa em uma vítima de sua esperteza e quiçá ganância.

Pessoas com más intenções por vezes vão aos poucos conquistando a confiança de pessoas que se mostram ingênuas e aplicam golpes financeiros, mas também golpes afetivos.

Sim, ainda existem pessoas que precisam da conquista para se sentirem vivas, mesmo que seja uma conquista vazia, que vai apenas servir para o ego do conquistador, que nada mais quer além de bradar vitória e depois abandonar mais uma pessoa que vai precisar trabalhar seu lado emocional para curar o ego ferido.

Justamente por existirem pessoas assim que precisamos ter sempre atenção redobrada em quem está ao nosso redor e como essas pessoas se comportam. Nada cai tão fácil do céu e por mais que a esperança seja fundamental, um pouco de cautela nunca faz mal a ninguém.

Mas cuidado, se você gosta demais de "comer pelas beiradas", fique atento ao prato de quem senta à sua frente, pois você certamente não é o único que quer bancar o esperto no mundo e pode encontrar alguém com um prato maior que o seu! 

Boa Semana!

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Ano 9 - 1981

 Continuo com muito poucas memórias e lembranças, muitas coisas se confundem e atrapalham a ordem que eu devo dar a história.

tenho flashs, lembro de histórias e de situações, mas não consigo determinar a sequência e, portanto, os anos em que ocorreram.

Passei meu primeiro ano sem meu avô, mas tirando essa tristeza e o maior "enfurnamento" dentro de casa, brincando com a minha sombra, comigo mesmo e formando essa personalidade que só consegue viver consigo mesma, muito pouca coisa, que fosse marcante, aconteceu.

É possível que tenha sido em 1981 o "dia do incêndio".

Era um dia de semana, comum, na mesa do café da manhã estava eu, meu tio e minha tia e a minha avó na pia lavando a louça e minha irmã dormindo, como de costume. Não sei porque os dois estavam em casa, mas acho que era período de férias na escola.

Meu irmão, a tranquilidade em pessoa, tinha ido ao mercado comprar café, que aliás ele comprou errado. Quando ele abriu a porta da cozinha, veio junto uma fumaça e ele tranquilamente falou: - O Prédio está pegando fogo. Como quem diz que está cansado ou com fome ou que encontrou o vizinho no mercado.

Diz a lenda que eu fui o alarme de incêndio do prédio. Desci os 9 andares de escada com uma velocidade que nem sei descrever e só parei dentro do Eldorado, com a minha mãe. Ou seja, desci a pamplona de pijama e gritando em uma manhã comum.

Quando voltei, com a minha mãe, alguns minutos depois, para o prédio, todos os moradores estavam na rua, olhando para a situação. Minha vó de camisola, com o pano de prato e alguma coisa que ela estava enxugando na hora nas mãos é uma lembrança e depois as histórias.

Meu padrinho, que era o zelador desmaiou no meio da fumaça nas escadas, meu tio teve que praticamente carregar minha irmã que não queria acordar e o prédio ficou internamente cinza, inclusive dentro do apartamento, talvez porque deixamos a porta aberta.

Quem causou o incêndio foi uma criança, cujos pais distraídos deixaram rodar uma válvula que abria o óleo que antes era usado para aquecer a caldeira e causou uma explosão quando se encontrou com o gás, que era a nova forma de aquecimento.

Contudo, no final das contas, ninguém se machucou mais gravemente e o maior dano ficou apenas na garagem.

Pena que eu não segui minha carreira de maratonista, ou ainda bem, visto que pelo jeito só o medo me motivava a correr tanto. 

Lembro pouco da escola, mas sei que era um bom aluno, gostava muito da minha professora, Tia Paula, que era mãe do meu colega Rodrigo Fioratti, e tenho certeza que passei de ano "direto'.

E assim a vida foi indo, ano que acaba, outro que começa...

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Naufrágo

Ah, que sensação maravilhosa, não ter sensação nenhuma.
Não há tristeza, dor ou sofrimento.
Não vejo nada queimar dentro de mim e não há nada por perto.
Vejo apenas ao longe uma pequena multidão querendo chegar ao topo.

Mas alguns homens estão queimando outros.
Em uma guerra que parece sem fim e sem sentido.
Quem se preocupa ou sente pena deles?
Parece que ninguém tem tempo para isso.

Eu sigo contando com a minha morfina e cada vez mais distante.
Mas tenho um chocolate escondido para me dar prazer.
Um substitui o outro e assim sigo, parado, adiante.
E você se pergunta e me pergunta: Como?

- É apenas meu caminho e eu o tracei distante da colina.
Eu vou abaixo, baby, sem me perder da minha vida.
Nem a morfina e nem o chocolate podem substituir o amor.
O melhor é não olhar, fechar os olhos e sentir a maravilha de não sentir nada.


terça-feira, 3 de novembro de 2020

Vivendo no Limite

- Viva hoje, como se não houvesse amanhã!
Quantas vezes já escutamos, ou até mesmo falamos isso, não é verdade?

Mas por vezes as pessoas exageram e acabam realmente ficando sem o amanhã, ou pelo menos com um amanhã muito mais sombrio do que poderia ser caso não se arriscasse tanto.

Viver no limite é uma escolha, um risco que se assume co planejar ou aceitar alguma atividade ou situação na qual se expõe, e até mesmo acaba expondo outras pessoas, ao risco.

Um racha, por exemplo, é uma atividade além de proibida, arriscada e quantas mortes ou acidentes que deixam sequelas irrecuperáveis no corpo nós vemos? E quantas pessoas, que não tinham absolutamente nada com aquela situação acabam se machucando, morrendo ou perdendo seus bens por que uns jovenzinhos entediados resolveram acelerar os carrinhos que ganharam dos papais ricos.

Todo mundo sabe que usar qualquer tipo de droga faz mal, mas um monte de gente ainda precisa delas para se desvincular da realidade, para tentar flutuar em um mundo que não existe, para fugir dos seus problemas enquanto perde a sobriedade e entra em uma ilusão particular ou individual. E quantos acabam criando um vício tão mortal que não conseguem mais simplesmente viver sem a "ajuda" da droga e quantas vidas se vão e quantas armas aparecem e quantas pessoas são afetadas todos os dias, enquanto quem planta e manda no tráfico, não deixa essas coisas chegarem nem perto do seu próprio organismo.

Claro que todos estamos sujeitos a morrer dormindo, dentro de casa, sem nenhum tipo de aventura, mas é claro também que há infinitos modos de se divertir sem precisar estar sempre no limite, sem precisar se ver sempre em risco e sem colocar pessoas amadas ou desconhecidas rumo a um caminho que elas não tiveram o direito de escolher.

Viver no limite pode dar uma sensação boa, pode ser fantástico, mas por vezes é tão egoísta quanto aqueles que não conseguem dividir um prato de comida.

temos de viver a nossa vida, realizar os nossos sonhos e nossos desejos, mas em cada um de nós existe um limite que não devemos passar e esse limite é onde começa a vida, os desejos e os sonhos de outra pessoa. Se queremos arriscar, que tenhamos cuidado e sabedoria para nunca ultrapassar esse limite, o limite do bom-senso.

Boa semana para todos!

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

O Teatro da Vida

 Acredito que todos nós, algumas vezes ao menos, nos sentimos como se fossemos marionetes no teatro da vida.

Nos sentimos absolutamente fora do controle de tudo, como se estivéssemos o tempo todo à mercê de alguém ou de alguma coisa.

Não há nada pior do que essa sensação e, felizmente, isso é algo que podemos e devemos corrigir.

Existem muitas coisas que não podemos controlar, mas hoje em dia já podemos prever com maior precisão e facilidade. Nem sempre os meteorologistas vão acertar sobre a chuva, mas se consultarmos o aplicativo ou o site antes de sair de casa, ou preparar a mala, a chance de sermos pego de surpresa é bem menor.

 Contudo, uma coisa é 100% certa, seremos sempre essas marionetes se deixarmos nossa vida nas mãos de alguém, se deixarmos de lado nossa autonomia, nossa felicidade, nossas decisões virem de alguém diferente de nós mesmos. Se toda hora precisamos pedir permissão, se sempre precisamos justificar atos, desejos ou até mesmo pensamentos.

Acabamos nos tornando marionetes embaraçados e quando nos damos conta, estamos jogados em uma caixa, fora de uso, e quase sem conserto, pois aquele  que nos manipulava, já está usando outro boneco, ou acabou virando o boneco de alguém.

Se há uma coisa que todos precisam fazer, é tomar as rédeas da própria vida. Sim, podemos estar em uma peça de teatro, mas temos que dirigir o nosso espetáculo e saber improvisar quando os atores coadjuvantes não agem como esperávamos. Não podemos ser aqueles atores ou atrizes que trabalham apenas seguindo o roteiro feito por outra pessoa, temos que agir de forma independente, com cautela e com cuidado, mas sempre em busca do nosso final feliz.

Senão nosso nome não vai aparecer no cartaz e por vezes nem nos créditos finais e seremos dublês ou figuração na nossa própria vida, que vai ser uma comédia pastelão e não vai concorrer a nenhum prêmio.

Se for para viver um drama, que seja pelas nossas escolhas, se for para ter ação, que seja pelas nossas atitudes, se tiver que ser aventura, que seja a nossa preferida e ser as lágrimas vierem, ninguém melhor do que a gente para rir das nossas próprias tristezas.

Afinal de contas, no final do espetáculo, seremos nós que ficaremos sozinhos atrás das cortinas...

Boa vida para todos, e cada um tomando conta, de verdade, da sua!

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

1980 - Ano 8

 A primeira lembrança que tenho de 1980 é do dia 31 de Janeiro.

Eu estava deitado, na cama em que dormia com a minha avó e escutei ela entrar apressada e ansiosa no quarto da minha tia dizendo: - Mara, seu pai morreu, com a voz misturada e que continha um misto de tristeza e necessidade de rapidez.

O pai da minha tia, meu querido avô, aquele que me levava para o parque todo fim de semana, que me levava para a casa da minha mãe, que demonstrava amor e com quem convivi tão pouco.

Eu continuei fingindo que estava dormindo e inclusive quando vieram me avisar, ainda fingia que não estava ouvindo, simplesmente não queria acreditar, imagino eu.

Não pude ir no funeral, nem no velório, aquilo não era coisa para criança, então meu último contato com ele foi no hospital, onde entrei escondido para vê-lo, e onde minha memória não chega direito.

A morte do meu avô foi, praticamente, o final de qualquer chance que poderia existir para eu voltar a morar com a minha mãe. Para a minha avó eu era a nova razão de viver e parecia inconcebível que fosse diferente.

De resto são poucas as lembranças. Com carinho lembro da Tia Paul, professora da primeira série, quando eu ainda só tirava notas altas na escola e meu maior problema era a letra feia e os detestáveis cadernos de caligrafia,

Mas a falta de amigos e a convivências "preso" no apartamento foram se acentuando e cada vez mais me via brincando sozinho com bonequinhos que eram jogadores de futebol, com pedacinhos de papel onde eu escrevia valores e se transformavam em dinheiro que eu não usava para comprar nada.

É, a vida passa, as lembranças somem e num piscar de olhos já estamos chegando nos 50 anos...

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Guarda-Chuvas

Nem tudo cai do céu.
Nem tudo são favos de mel.
E o que vem de cima, nem sempre é celestial.
Se acertar em cheio na cabeça, a dor será real.

Devemos ter cuidado com o que pedimos.
Ou nos assustaremos com os dons divinos.
Afinal nem sempre as coisas acontecem como queremos.
E ao invés de ganhar, descobrimos que na verdade perdemos.

A chuva pode vir mais forte do que previmos.
Ou o sol mais forte do que gostaríamos.
Tudo é mais fácil se o que recebemos, aceitarmos.
Ao invés de reclamar diariamente ao nos deitarmos.

Nossa vida não é apenas um pedacinho de papel.
E não podemos fazer de guarda-chuvas um simples chapéu.
Mesmo que o guarda-chuva não seja do tamanho ideal.
Ele fará o máximo para se sentir legal.

segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Esportes Paralímpicos

 Já escrevi aqui em outras oportunidades como o esporte é capaz de mudar a vida das pessoas e normalmente, mudar para melhor.

Integração, estima, estímulos sensoriais, uma série de habilidades e conhecimento que podem ser notados com a frequência da prática esportiva.

Além disso, em alguns lugares do mundo, as atividades esportivas estão diretamente ligadas às atividades escolares, o que estimula a criança e aos jovens aprender, para assim poder praticar algum esporte.

Sabendo disso tudo, podemos concluir que para as pessoas com algum tipo de dificuldade ou necessidade especial, os esportes são ainda mais importantes.

Os esportes paralímpicos, que integram em eventos e competições pessoas com níveis diversos de dificuldades, sejam elas motoras, cognitivas ou físicas, dão a elas oportunidades e motivação para que seja mais fácil seguir em frente.

Justamente por isso admiro tanto os jogos paralímpicos, que mostram ao mundo pessoas que se superam, que lutam bravamente por uma melhor colocação, mas muito mais do que isso, lutam para mostrar ao mundo que mesmo com suas diferenças, são muito melhores do que grande parte das pessoas que se consideram "normais", mas nem mesmo param para agradecer por isso.

O esporte é uma ferramente poderosa de inclusão social e quando usado de forma correta, tira crianças das ruas e coloca nas quadras, nas pistas, na escolas, tira crianças com necessidades especiais, das garras da depressão, da tristeza e de tantos outros riscos graves.

Para ser melhor precisaria apenas de mais incentivo, de mais investimento, de mais atenção, mas aí é querer demais dos políticos que temos, das pessoas que fazem do seu esporte o destilamento de ódio, seja na vida social, seja nas redes sociais,

Mais esportes, mais patrocínios, mais pessoas de bem com a vida!

Boa Semana!

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Emergências e Desastres

 Aos poucos estamos perdendo nossa sensibilidade.

Boa parte das pessoas não consegue mais ser empática com a tristeza e com a dor dos outros, aos poucos vamos nos afundando no egoísmo, na preocupação exclusiva com o nosso bem estar e vamos nos esquecendo  do que está acontecendo com o mundo.

Atingimos 1 milhão de vidas perdidas com a colaboração do coronavírus no mundo e aparentemente isso não faz a menor diferença.

Nem parece que houve uma comoção e tristeza tão grande quando caiu o avião que levava a equipe da chapecoense, nem a indignação e revolta com o caso da Kiss no Sul do Brasil.

E o que dizer sobre o atentado em Paris, quando muitos brasileiro trocaram suas fotos de perfil no facebook em solidariedade, nem parece que somos os mesmos.

Deixamos visões políticas dominar nossa razão, nos fazendo abrir mão da ciência. Ignoramos estudos para acreditar em notícias recebidas pelo WhatsApp, perdemos nossa dignidade para não dar o braço à torcer em relação aos nossos equivocados pontos de vista.

Não há desastre nenhum que mate o tanto de gente que o vírus vem ajudando a matar dia após dia, mas parece que não achamos mais que isso é uma emergência.

Tomar uma cerveja com os amigos na praia? Ah, sim, isso é uma emergência...



segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Ano 7 - 1979

 Este ano foi, sim, muito diferente, foi o primeiro dos meus 14 anos no Colégio Assunção.

Eu já estava rorando definitivamente com meus avós paternos, minha tia e meu tio, morava nos jardins, mas não fazia parte do grupo que morava nos jardins.

Meu tio conseguiu um padrão de vida relativamente bom, mas minha vó, que é quem pagaria as minhas mensalidades, não. Na época, nem pensão ela recebia, pois meu avô ainda era vivo.

Fui bolsista durante todos os 14 anos, pagando menos da metade ma mensalidade, e apesar de saber que muito do que consegui foi devido ao estudo que tive, sei que deixei a desejar em muitos aspectos. Deveria ter aproveitado mais, estudado mais, me esforçado mais, mas, muitos fatores atrapalharam esses planos.

Me lembro, com enorme carinho, da minha primeira professora, a Tia Mariazinha, me lembro dos blocos coloridos, da sala no fim do corredor, tudo nublado, tudo em pequenos pedacinhos coloridos de memória.

Mas o que não me esqueço e não entendo de jeito nenhum foi de um fato pra lá de inusitado.

E aconteceu logo nos primeiros dias, na classe.

Do nada, absolutamente do nada levantei da minha carteira, peguei meu casaquinho de "couro" que estava pendurado na cadeira, o coloquei e comecei a cantar "Sandra Rosa Madalena" do Sidney Magal.

Não me lembro do rosto da Tia Mariazinha, nem dos meus coleguinhas, mas certamente foi de espanto...

O estranho é que a minha personalidade é por natureza tímida. Sei que no Assunção em alguns momentos fui até popular, afinal era quase patrimônio da escola e tinha gente que achava que eu nunca sairia de lá, mas apesar disso, fora dos grupos, era quieto e reservado, ou seja, não sei o que baixou em mim naquele dia.

Mas tirando a escola, na vida em casa tudo começou a virar uma rotina e a vida de uma criança em um apartamento em um prédio onde não haviam muitas outras crianças, era bem entediante e acredito que nesse período comecei a apreciar a minha solitude, a brincar sozinho, a perceber que nem sempre são necessárias outras pessoas...

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Menos palavras, maior compreensão

Muitas coisa são comunicadas com mais sucesso pelo silêncio.
Olhares, o enrubescer das faces, o som das batidas do coração.
Todas essas pequenas coisas dizem muito mais do que a boca.
Quando tentamos explicar demais. normalmente confundimos.

Nos atrapalhamos e não conseguimos fazer o anúncio.
O excesso de palavras por vezes só dificulta a comunicação.
O nervosismo é melhor aceito por atos do que pela voz rouca.
Afinal, não há palavra que ilustre melhor o que sentimos.

Enquanto palavras se perdem, minhas sensações eu gerencio.
Porque nesses anos todos, aprendi uma valiosa lição.
Muita gente usa as palavras como roupa, se não serviu, troca.
E acham que depois de muito insistirem, essas palavras engolimos.

Pobres almas, mal sabem do que essa falsa concordância é o prenúncio.
Não sabem o quanto é tola essa ambição.
Quando na verdade é só uma preguiça de lidar com cabeça oca.
E assim silenciosamente e paz e harmonia, calmamente seguimos.

ELPJ

09/20



terça-feira, 8 de setembro de 2020

Habilidades e Inabilidades

Quando alguém tem muita facilidade para realizar uma tarefa ou atividade, costumamos dizer que ela nasceu com esse dom. E eu não me sinto capaz de discordar desta afirmação, mas tampouco me permito deixar de ver o esforço, treinamento, estudo e dedicação que aquela pessoa dispendeu durante muito tempo para chegar em um status de especialista, craque, gênio e etc...

Todos nós temos condição de aprender alguma coisa que tenhamos vontade, mas nem todos n[os conseguiremos nos destacar no que tentamos aprender, porque ao invés de termos habilidade para tal, somos inaptos, assim como existirão os que tem menor habilidade com algumas coisas nas quais nos saímos bem.

A grande maioria das pessoas não é excepcional em nenhuma atividade, assim como não há ninguém que seja inapto em tudo, Cada pessoas tem suas habilidades e inabilidades. Um grande matemático pode ter grande dificuldade em relações pessoais. Já um leigo em número pode ser bom em atividades motoras, entre tantas outras coisas.

O importante é encontrar seus pontos positivos e procurar melhorar cada vez mais, se destacar em determinada área ou situação, mas sem nunca esquecer suas vulnerabilidades e procurar se proteger o máximo possível contra ataques nessas áreas.

Portanto, estude, pratique esportes, arrisque-se em atividades manuais e não se preocupe com as críticas e nem se perca nos elogios. Sempre temos espaço para aprender mais e melhorar em tudo, assim como podemos aos poucos perder nossa habilidade se não sustentarmos a atividade, o trino, a procura de conseguir sempre mais....

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Indígenas

 Apenas eles moravam por aqui quando as primeiras escunas chegaram por aqui.

E não se achavam donos da terra e sim parte dela, viviam em harmonia com a natureza e dela extraiam apenas aquilo que precisavam e a ela devolviam tudo o que não lhes pertencia.

Pela essência humana, havia entre eles os líderes, aqueles que eram mais respeitados e seguidos, mas ainda assim, mesmo que houvessem disputas por terra e mortes, não era nada comparado ao que vemos entre os "caras pálidas".

E hoje ouvimos falar dos nossos poucos índios, que ainda ficam na pouca mata que nos sobra e aos poucos vão sendo dizimados, sem pena, pela ganância dos "homens brancos", pela mania de querer dinheiro acima de tudo, passando por cima das leis já fracas que tentam em vão conter as queimadas e o desmatamento.

"Nossos" netos vão pagar por isso, vivendo em um mundo cada vez mais cinza, mais cheio de diferenças sociais e certamente alguns dos "nossos' bisnetos nem saberão o que foram os índios.

Pobres indígenas, que com sua inocência e admiração não usaram da violência para expulsar os invasores das terras, foram enganados, assassinados e hoje vivem escondidos, entregues à própria sorte em um país onde são vistos como dispensáveis. Até mesmo animais domésticos tem uma proteção e mais voz do que os índios e eram eles que deveriam nos ensinar como juntarmos a evolução com a humanidade, a crescente inteligência com a vida natural, o progresso com a coexistência, mas somos atrasados demais para conseguir viver assim.

Por um tempo eu tive uma certa pena dos indígenas, hoje, por mais triste que seja vê´los desaparecer, tenho mais pena do auto-proclamado "homem racional", que na verdade não passa de uma criança mimada que não cuida de nada do que tem...


segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Ano 6 - 1978

Á partir deste ano, até os meados dos anos 80, minhas lembranças são poucas e como demorei demais para pensar em descobrir minha infância, pois duas das minhas três mães foram embora e nesse período eu convivia muito mais com as duas do que com a minha Mãe mesmo, o que dificulta, para ela também, lembrar muitas coisas sobre o período.

O que posso escrever sobre esse período é que meu Avô me levava aos domingos para o Parque do Trianon e eu tenho na lembrança, mesmo que esmaecida pelo tempo, ele me segurando pelas mãos e eu caminhando no "degrau" da 9 de Julho quando tem a subida para o túnel. São poucas, infelizmente, as minhas memórias com ele, mas é interessante o amor que eu guardo, como se ele realmente fosse, e foi, extremamente importante na minha vida. Ele também me levava em alguns fins de semana para a casa da minha mãe e buscava meu irmão para ir no parque comigo.

Mesmo sem voltar para a casa da minha Mãe, ela ia todos os dias para me ver na hora do lanche. O Eldorado, onde hoje é Carrefour, na Pamplona era perto de onde eu estava morando, mas ainda assim era uma caminhada de pelo menos 15 minutos para ir e 15 minutos para voltar. Ou seja, o lanche mesmo era me ver.

Provavelmente esse foi o momento em que a minha personalidade foi se moldando para a forma que é até hoje. Introspectivo, solitário, pois não tinha amigos e nem podia ter, porque as regras eram rígidas. Só podia brincar no prédio. Sair, só para ir no boteco que ficava ao lado do prédio para comprar cigarro.

Brincava sozinho, com poucos brinquedos e bonecos, narrava jogos imaginários de futebol e nem me lembro de sequer ver televisão.

Esse período eu fiquei praticamente, senão todo, o ano sem ver meu Pai, pois ele já tinha de certa forma assumido a amante como mulher, apesar de nunca ter se separado na minha Mãe.

Ao menos no ano seguinte veio o início do colégio. Os intermináveis anos no adorável Assunção...




segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Versos Inversos

 É interessante como pessoas tentam viver a nossa vida.
Querendo decidir o que vamos fazer.
Sem perguntar se ou como vamos querer.
E se negamos suas vontades, nos julgam com sua empatia perdida.

Acham-se no direito de enxergar em nós algum defeito.
Nos atacam, achando que assim mudaremos de ideia.
Dizendo querer ajudar, tentam tirar das nossas mãos a rédea.
Como se escolher o que julgamos bom para nós, não fosse nosso direito.

Pobres diabos, que se enganam e se perdem em suas tolas palavras.
Mal conseguem dar conta de seus próprios dias.
Que dirá dar conta daqueles que nem são suas crias.
Procurem, sim, um túmulo para colocar nas terras que cavas.

E no máximo regojize-se com as lágrimas dos desavisados.
Ou daqueles que tentavam, em vão avisar.
Mas não conte com as daqueles que  tentastes acusar.
Pois estes tu nunca escutou, ou fingiu que eram mudos...

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Me Diga com Quem Andas...

 Há uma expressão antiga, que diz "Me diga com quem andas e direi quem tu és".

Mas, nem sempre isso é verdade e além disso, podemos criar muitas variáveis para essa frase.

Com as redes sociais e o ódio que se espalha por elas, podemos dizer " Me diga quem segues e te direi que és".

Mas não podemos generalizar, porque sabemos que muitas pessoas são influenciáveis e acabam agindo de forma completamente diferente quando estão dentro de um grupo, ou um bando, do que agem quando estão sozinhas.

Uma coragem maior do que a normal, que se cria, talvez, pela certeza de que está protegido ou escondido no meio das pessoas, ou até mesmo sentido-se fora do lugar ou já prevendo o arrependimento, mas para parecer descolado ou parte de um grupo, acaba se juntando a pessoas que nada tem a ver com ele.

Digamos que estes são as exceções à regra, que acabam "no mesmo barco" das pessoas que pensam de um mesmo jeito, agem de forma semelhante e, principalmente, refutam diferenças e não tem capacidade para respeitar opiniões divergentes.

Fanatismo e radicalização imperam entre os jovens e adultos, que lutam para conquistar mais seguidores afim de monopolizar pensamentos, promover desigualdade e transformar a democracia em guerra.

Isso não é novo, não começou agora, aliás, deve ter começado assim que a racionalidade aflorou no homem. Disputa pelo poder, pela crença verdadeira, pela razão.

Pobres tolos, que não conseguem enxergar um palmo além dos olhos cegos. Não conseguem compreender a beleza e a vastidão da mente humana, das personalidades, da liberdade de escolha e usam da maneira mais errada possível o que chamam de liberdade de expressão.

O dia que a humanidade entender suas próprias diferenças e aceitar o óbvio, que somos todos diferentes, talvez, quem sabe, não precisemos saber com quem andas, para dizer quem tu és...

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Aplicativos e os empreendedores

Antigamente o termo empreendedor era utilizado para falar de pessoas que arriscavam seu dinheiro em um novo negócio, ou um grupo que se juntava com novas ideias e criava uma sociedade para serem donos de seus próprios negócios.

Hoje em dia, criaram uma nova definição, ou ao menos um novo grupo de empreendedores, mas estes são empreendedores por falta de trabalho, de melhores condições, educação e possibilidades.

Por não terem mais expectativa, acabam trabalhando para os verdadeiros donos de uma ideia espetacular, que não os paga nada, não os tem sob contrato e lucram muito mais do que ele, que é quem realmente trabalha.

Nesta nova classe estão os entregadores de aplicativos, que usam o seu bem particular, moto, bicicleta ou qualquer outro veículo, para prestar um serviço para uma empresa terceira, que é quem recebe e repassa um pequeno valor ao "empreendedor".

E se tornou uma ideia tão boa, que demorou um bom tempo para que os motoristas e entregadores se dessem conta de que o custo do equipamento, a falta de segurança, a falta de suporte jurídico acabavam criando uma ilusão de ganho, que na verdade mal existe.

Não há horário de trabalho, mas não pelo lado positivo, de trabalhar apenas quando quer e precisa e sim pelo lado desumano de fazer 12, 14 horas diárias para tirar no fim do mês o dinheiro para pagar todas as contas e ainda rezar para não ter despesa com seu "ganha pão". E se não trabalharem assim, perdem prioridades, são suspensos, (sim suspensos!) por uma empresa que nem oferece sequer um mísero seguro ou plano de saúde.

Em suma, a situação global se tornou insustentável de uma forma em que as pessoas se colocam em situação de risco físico e emocional, expões seus bens, sem muitas vezes ter seguro ou até mesmo quitado o veículo, e em troca recebem uns trocados, enquanto os desenvolvedores de ideias, vivem em suas bolhas de luxo.

Realmente empreender hoje em dia ficou diferente, não é mais coisa de quem tem dinheiro e coragem e sim de quem não tem nada, além de medo...

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Ano 5

É bastante comum ouvirmos a expressão " O dia que mudou minha ou nossas vidas".

No meu caso específico isso é uma verdade tão absoluta que não há sequer tentar imaginar como seria a minha vida se um dia, no ano de 1977, tivesse um desfecho diferente.

Minha memória, claro, é bastante obscura, e eu diria que passei muitos anos da minha vida me culpando por uma atitude que não tive, segundo o que descobri há alguns dias, em conversa com a minha Mãe.

Eu achava que neste dia, em que minha vida tomou o rumo que me trouxe até aqui, eu tinha "decidido", entre aspas, porque uma criança não decide nada aos 5 anos, ficar na casa da minha tia e arrumado uma confusão enorme, deixando minha Mãe em prantos e envergonhada, descendo sozinha no elevador, enquanto eu definitivamente virava um morador dos jardins.

Mas, para meu tardio alívio, ela me contou que naquele meu momento de desespero o que eu queria, na verdade, era que ela não fosse trabalhar, era o primeiro dia dela no turno da noite e como meus irmão estudavam, não havia quem pudesse ficar comigo.

Contudo, independente do meu choro, da minha vontade, o que aconteceu naquele dia, realmente mudou a minha vida, meus caminhos, o rumo que eu tive oportunidade de seguir, as pessoas que fariam parte dos meus dias, o colégio, a faculdade, os empregos, tudo aconteceu porque naquele dia eu fiquei na casa da minha tia e dia após dia, fato após fato, fui ficando e quando nos demos conta, não havia mais caminho de volta.

Primeiro foi a ausência do meu avô, que fez minha avó pedir que eu ficasse mais um pouco, depois veio o colégio e a "desculpa" que durou a infância e a adolescência, de que eu tinha conseguido a bolsa e não podia simplesmente perder a oportunidade.

Houveram outros dias importantes, em outros anos, outras épocas, mas de todos os dias da minha vida, esse certamente foi aquele que definiu todo o resto e tudo o que ainda vai acontecer.

Se teria sido melhor ou pior a minha vida, ninguém jamais saberá, mas sou grato, porque mesmo com todos os defeitos, mesmo com todos os erros, mesmo com todos os dias em que a tristeza ou até mesmo um outro em estado depressivo que passei, me orgulho de ter chegado até aqui, da forma que cheguei.

A história continua...

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Na Mosca

Quanto mais perto, mais fácil de acertar.
Será? E se o alvo não for fixo e se mexer na hora H?
E se ao ver o alvo sua mão começar a tremer?
O suor pode dificultar o manejo até do ar.

Mas se você desistir de agir e resolver delegar.
Quem poderia encontrar para contratar?
Uma criança, ou uma velhinha, na escola ou na cozinha?
Dependendo da arma, qualquer um pode usar e acertar, ou errar.

Palavras também são armas, é bom não esquecer.
Portanto cuidado ao disparar sua matraca se não quiser sofrer.
Falar demais é fácil e quanto mais se fala, mas fácil é errar.
Arma tão poderosa quanto o silêncio, com certeza não há.

E se houverem mais admiradores para uma única admirada?
Os cupidos vão atacar sem dó o alvo ou antes vão brigar entre si?
Seria uma chance única, aproveitar o descuido das crianças.
Para poder mirar com toda calma e... Errar, bem na mosca!

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Folclore

Nosso País é rico. Rico de criatividade, nem sempre usada para o bem, rico na natureza, que teimamos em destruir, rico na bondade das pessoas mais simples ao mesmo tempo que é pobre quando pensamos na maioria do mais ricos.

Mas, acima de tudo, nosso País é rico em suas estórias, suas lendas, seus folclores.

Vemos diariamente pessoas caindo no canto suave e melodioso de Iara, a mãe das águas, que encanta com sua voz, suas palavras e leva os homens à morte em seus braços. A voz da Iara dos dias atuais pode até não ser tão bela, assim como seu rosto tem muitas formas, mas o resultado é o mesmo, pessoas se matando para defender quem vai as afogar sem dó nem piedade nas águas sujas da corrupção.

Temos a Cuca, que com sua boca enorme de jacaré abocanha as crianças malcriadas. Pobrezinha, em seu estômago já não cabe mais nada, tamanha a falta de educação a que estamos submetidos nesses dias. Não a vejo conseguindo engolir mais do que uma perna do saci.

Saci, que aliás é um santo com suas brincadeiras inocentes perto do que se tornou o ódio que algumas pessoas insistem em pregar nas redes sociais, no trânsito, nas ruas, nas escolas. Quem dera as brincadeiras fossem as dele ao invés do bullying que hoje até mata.

Pulando com um pé só ficamos nós, que temos que nos virar para dar conta de viver junto das mulas sem cabeça. Esse é um personagem que se multiplicou e vive em constante período fértil para reprodução.

No lugar da cabeça, uma bola de fogo, pronta para atacar tudo aquilo que não consegue defender em um debate educado, polido e respeitoso. Mas ao mesmo tempo é tão fácil enganar essas pessoas, basta ser um pouco Curupira e andar para frente com seus pés virados para trás, deixando um rastro complicado demais para qualquer mula sem cabeça seguir.

No final as contas, somos tão ricos em nosso folclore, que acabamos vivendo dentro dele e mal nos damos conta!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Rotina

Muitas pessoas usam a palavra "rotina" como uma coisa ruim, muitas vezes com tom pejorativo e só se lembram que precisam "sair da rotina", viver alguma coisa nova, diferente.

Mas, na verdade, poucas coisas na vida são tão importantes como a rotina e nesse momento que vivemos, em plena pandemia, ela é ainda mais importante.

Se você está em isolamento por fazer parte do grupo de risco, ou por simples amor à sua vida e por empatia com a vida das outras pessoas, ou mesmo infelizmente perdeu seu emprego e não precisa sair de casa, a rotina é praticamente um alicerce para os seus dias.

Ter um horário para acordar, atividades pré-determinas para fazer, mesmo que sejam coisas simples, como limpar um cômodo, organizar uma gaveta, tentar uma receita nova e, claro, uma maneira de exercitar o corpo e sempre maneiras de exercitar a mente. Seja com leituras, filmes, planilhas, cursos on-line e etc.

Se você tem possibilidade de fazer seu trabalho em casa, a organização da rotina é ainda mais importante, para se manter focado e concentrado no trabalho, mesmo que não tenha o chefe na sua cola, funcionários lhe fazendo perguntas ou colegas tirando seu foco para um cafezinho e etc.

Com rotina seu dia passa com mais facilidade, sua sensação de cumprir as tarefas colabora com a estima e você pode se sentir grato por poder ficar seguro em casa, ao invés de praguejar por ter que ficar em casa.

Mesmo em períodos chamados normais, a rotina é importante. Cumprir com os horários determinados, aparecer nas reuniões e eventos combinados, respeitar as pessoas que dependem de você para cumprir a rotina delas entre tantas outras coisas.

Aí, quando aparecer uma viagem, uma festa, um evento com amigos, você pode tranquilamente quebrar sua rotina, pois terá a tranquilidade de saber que nada ficou para trás, que todas as obrigações estão em dia e que não vai precisar abrir mão dos momentos de felicidade para correr com uma obrigação que ficou para trás.

Boa semana, dentro da rotina, para todos nós!

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Ano 4



1976 e assim como os anos anteriores, muito pouca coisa de interessante aconteceu na minha ainda pequena vida.

A vida em casa ficava mais difícil e para conseguir dar conta das 3 crianças, minha mãe começou a receber ajuda do meu tio ( Marido da Minha Tia ).

Meu pai era ainda mais ausente e distante e uma das poucas coisas que eu ainda consigo me lembrar um pouquinho, sensações e gotas de imagens, foi uma viagem à São Roque, desta foto acima.

Provavelmente porque esse foi um dos raros momentos de felicidade desse período.

Por vezes é melhor não ir atrás do que pode existir em um passado tão distante, por vezes as lembranças podem ser doloridas e além de não mudar nada, pode ainda piorar estados mentais que estão complicados.

Quando as lembranças não me pertencem, fica ainda mais difícil.

Não foi um ano de grandes decisões, de grandes mudanças e se tudo fosse desse mesmo jeito, hoje não haveriam palavras para escrever essa lembrança.

O ano de 1977 foi diferente e sobre ele escrevo em algumas semanas, mas o que posso dizer é que esse ano sim, foi responsável por muitas coisas que existem hoje em dia!

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Silogismos

Não sou o mesmo com todo mundo.
Nem o mesmo todos os dias comigo.
Vivemos em eterna mudança
Causa e consequência

Se estou bonzinho contigo
É porque fizeste por merecer isto.
Se não ganha um sorriso meu
É porque simplesmente não mereceu

O dia hoje pode parecer lindo
Mesmo chuvoso e nublado
Pois se acordo bem, tudo se resolve
O meu bom dia já é sorrindo

E o mais lindo dia de sol
Pode parecer o pior dia de todos
Se acordo triste ou chateado
Ninguém será me farol

Não necessariamente nesta ordem.
Nem bem, nem mal, nem mesmo igual.
Porque não há nada realmente absoluto.
Apenas a burrice da unanimidade.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Por quê insistir em um relacionamento que não deu certo?

Muitas pessoas tem medo, até mesmo pavor só ao pensar em ficarem sozinhas.

É como se ficassem à margem da necessidade social de estar sempre dividindo a vida com alguém, seja um namoro, morar junto, casamento, ou até mesmo encontros fixos com pessoas que já são casadas, mas fazem com que se afaste a ideia da solidão.

Emocionalmente é sabido que quem não consegue ficar sozinho, é porque não suporta a si mesmo e busca em utras pessoas uma razão, um sentido para a vida. Mas ao não conseguir viver sozinha, essa pessoa já mostra como será difícil para outra pessoa conviver com ela.

Precisamos, todos, de um pouco de tempo para o autoconhecimento, para a nossa própria evolução e para entender que se for para ter outra pessoa ao nosso lado, tem que ser para somar, para melhorar um dia que amanheceu ruim, para amenizar uma noite que parecia fadada ao tédio, para deixar o coração mais leve e tranquilo.

Relacionamentos que precisam de muito trabalho para continuar, que precisam de sofrimento, discussões, brigas e explicações, são responsáveis por grande parte dos problemas de ansiedade, depressão, entre tantos outras ramificações que derivam destes dois e criam severos problemas de saúde mental.

E tentar salvar relacionamentos que estão naufragando à deriva apenas para fugir da solidão é como ser a chapeuzinho vermelho que vive fugindo do Lobo Mau, mas nunca se afasta dele;

É querer o tempo todo justificar o sofrimento com um possível amor, o ciúme com um pseudo cuidado, a insegurança com a máscara da confiança.

É colocar nas costas dos filhos o peso das brigas, criar o mito de sofrer em nome da família para suportar um casamento que acabou há tempos.

Queridos, relacionamentos só podem existir se foram bons, para passar momentos agradáveis juntos, chorar de tanto rir, compartilhar bons momentos e fazer uma linda história. Pedras no caminho? Sim, podem ter, mas que possam ser facilmente desviadas, pois quem coloca uma montanha em seu caminho, não lhe fará bem.

Liberdade, carinho, respeito e fundamentalmente amizade. Se seu par não é seu amigo, ele fará o que for preciso para lhe afastar dos seus. E entre viver sozinho e com uma única pessoa que te afasta de todos os outros, não há a menor dúvida de que a solidão é muito mais atraente.

Nosso tempo é curto demais para desperdiçarmos com lágrimas de tristeza ou dúvidas com relação às pessoas que farão parte da nossa vida, porque, no final das contas, quem vai passar a jornada toda ao seu lado é apenas e tão somente você mesmo!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

O Medo e a Vergonha

Como já escrevi e até falei em um dos vídeos que gravei, o medo é fundamental para a sobrevivência do ser humano, mas em excesso pode ser perigoso.

Mas existe um tipo de medo diferente que normalmente aparece quando alguém faz alguma coisa social ou moralmente considerada incorreta e tem medo de ser descoberto. O chamado medo da vergonha.

O Problema desse medo é que ele pode causar danos em outras pessoas, pois o medo da vergonha é o medo de ser descoberto e se há algo para esconder, é para esconder de alguém.

Podemos citar inúmeros exemplos, mas vamos falar aqui sobre dois dos mais comuns, a infidelidade e o uso de drogas.

A infidelidade é uma ambiguidade em muitas culturas, inclusive na nossa. Mesmo que hoje a aceitação seja muito menor do que há 50 anos, o homem que trai ainda é visto como normal e até usa o fato para se sentir superior aos amigos, colegas, ou até mesmo para "não ficar pra trás" dos outros, enquanto a mulher que trai, não tem saída, aos olhos da sociedade vai ser taxada de "vagabunda" para baixo. Em virtude disso, o medo de ser descoberta e passar vergonha é enorme, enquanto para o homem, o medo normalmente se resume a ter que dar explicações para a família, caso o casamento ou relacionamento termine.

O homem, normalmente, também tem vergonha de contar que foi traído e tem medo que essa situação seja descoberta e o faça se sentir menos "macho" por isso.

Com as drogas, a situação é um pouco diferente e até mesmo pior, pois além do medo e da vergonha, em muitas vezes vemos a destruição de vidas e famílias.

No começo o usuário tem medo de ser descoberto, mas gosta da excitação, do risco e da sensação que a droga proporciona. Só que depois vem a dependência e com ela o medo passa a ser de não conseguir a droga, de não conseguir pagar e a vergonha desaparece, junto com a alma, junto com a personalidade.

Quando é possível abandonar o uso, desintoxicar e voltar à vida normal, a vergonha fará parte do cotidiano, e o medo de que pessoas descubram e julguem o passado, tende a ser grande.

Qual o melhor caminho? Agir de acordo com suas crenças, valores e palavras, esquecer o "faça o que eu digo e não o que eu faço", fugir da hipocrisia e assumir sua responsabilidade pelos seus atos.

Não há maior vergonha e nem maior medo do que olhar para o espelho e não conseguir mais se enxergar nele.

Boa Semana!




segunda-feira, 1 de junho de 2020

Ano 3


O meu terceiro ano também não trouxe lá tantas recordações.
Pelos mesmos motivos dos anos anteriores. Além de um homem com 47 anos não ter mais a capacidade de lembrar sozinho de coisas tão antigas, exceto raras exceções, a minha memória viva, que é minha mãe, também não tem tantas recordações desse período.

Mas pelo menos uma coisa de interessante aconteceu, fui com ela para Corumbá, sua terra natal.
Minha avó estava adoentada e fomos fazer uma visita. Como minha mãe ainda não trabalhava e eu ainda não estudava, fomos nós dois, meu primeiro passeio de avião.

Corumbá faz parte do Pantanal e imagino que nos anos 70 era ainda mais legal. Estive lá há poucos anos e gostei muito, mas desse primeira viagem, o que encontramos foram fotos, como essa aí de cima, onde aparentemente consegui fisgar um peixe com essa vara que mais parece um pedaço simples de madeira.

Foi um dos poucos momentos com a família do lado da minha mãe. Houveram visitas deles aqui, mas me lembro muito pouco e quando fui os visitar da última vez, percebi que perdi bastante coisa, não tive oportunidade de conviver melhor com meus primos que são pessoas sensacionais, mas pelo menos posso trazer comigo essa certeza e ficar em paz com o caminho que a minha vida tomou.

Foi também no ano 3, que a situação financeira em casa começou a piorar de novo e minha mãe se viu obrigada a procurar trabalho e em uma situação complicada. Com quem deixar o filho menor enquanto trabalhava e os filhos maiores estavam na escola.

Mas essa parte da história, se deu apenas no ano seguinte....

Nos vemos mês que vem.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Esperança?

Precisamos acreditar em muitas coisas no nosso período aqui na Terra.
Mas ao mesmo tempo temos que duvidar de tudo aquilo que não vemos.
Muitas pessoas tentam nos fazer acreditar no que nem elas acreditam.
Pois assim podem lucrar mais e ter coisas que não teremos jamais.

Por isso tentam a todo custo nos convencer sobre o que devemos ver.
E, claro, tudo aquilo que devemos deixar de lado, combater, repudiar.
Eles sabem que não pode haver nada pior do que nos deixar pensar.
Pois quem pensa sabe escolher e não apenas fechar os olhos e seguir.

Não podemos achar natural e cômodo ter alguém que pense por nós.
Devemos ser ativos na busca da verdade e deixar de lado opiniões.
Porque só uma opinião realmente é importante. A nossa.
Pelo que acreditamos depois de entender o que está acontecendo.

A ignorância das pessoas é a arma dos influenciadores.
Os gritos de apoio são como uma ópera para os líderes.
E as lágrimas derramadas são apenas consequência.
É possível viver acreditando apenas em si mesmo?

Sim, se pararmos de aceitar a conviver com o menos pior.
Temos que buscar o melhor, temos que achar a mudança.
Precisamos encontrar o equilíbrio perante tantos extremismos.
Mas nessa vida? Não, talvez na outra encarnação. Se ainda houver ar.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Amazônia

Desejada pelos estrangeiros, destruída pelos Brasileiros.

A amazônia vai morrendo aos poucos em nome do capitalismo, esse sim, selvagem.

Segundo o PRODES, em 12 meses ( Até Julho de 209 ) foram desmatados 9762km², o maior desmatamento da história. Se levarmos em conta que a cada ano acabamos mais e mais com uma das maiores fontes de oxigênio do planeta, esse número é ainda mais assustador.

Incêndios naturais, incêndios criminoso, falta de fiscalização e quando há fiscalização os servidores são exonerados por fiscalizar demais.

Esse é o cenário. Destruição,egoísmo e falta imensa de inteligência. Penso nesses miseráveis de alma que para ganhar dinheiro acabam com a vida de suas próprias gerações, com a tranquilidade de quem espera estar morto na hora de ser lembrado.

Uma fauna e flora sensacionais, que devia nos encher de orgulho, acaba piorando ainda mais a imagem já tão desgastada do nosso país.

E, para esclarecer, não acho que o modelo econômico do capitalismo seja ruim. Ruim são os governantes e alguns empresários gananciosos que querem sempre mais, não se contentando com o lucro mais do que suficiente que já têm.

A amazônia pede socorro, nós pedimos socorro e não parece haver ninguém capaz de de nos ajudar...

segunda-feira, 11 de maio de 2020

Existe um tempo certo para começar um novo relacionamento?

Algumas pessoas precisam de anos, outras de meses, outras de semanas e existem até aquelas que arrumam um novo relacionamento dias depois de ter terminado o último.

Há alguma coisa certa ou errada nisso tudo?

A resposta é simples: Não.

Cada pessoa tem seus tempo e cada casal a sua história.

Existem relacionamentos que duram uma eternidade, mas apoiados em mentiras, traições e interesses financeiros ao invés de pessoais.

Muitos casais formam diversas formas geométricas, sem que um dos membros saiba, ou seja, muitos namoros ou casamentos podem acontecer paralelamente e quando um termina, o outro já começou e continua em andamento.

Existem relacionamentos que acabaram à muito tempo, mas o comodismo, a procrastinação e até mesmo a idade fazem com que o casal prefira viver sua farsa do que tentar começar algo novo.

Por vezes um simples "casinho" de fim de semana é visto como namoro, mas na verdade não é nada. E quando aparece alguém realmente interessante, não importa se foi um dia ou um ano depois do último beijo.

E o mais importante, se você não é uma das pessoas que formam o casal, não tem absolutamente nada a ver com o tempo que outra pessoa resolveu começar um novo namoro.

Ninguém é obrigado a seguir nenhum padrão pré-determinado e nem tampouco obrigado a curtir mais momentos de solidão do que deseja. Assim como é absolutamente pessoal quando alguém resolve não procurar nenhum relacionamento por um tempo que para alguns pode ser longo demais.

Lembre-se, cada segundo que você perde cuidando da vida alheia, é um segundo a menos que você vive!

Boa Semana!

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Ano 2


Na minha tentativa de reescrever minha história,o pouco que consegui extrair, com certeza, dos meus dois anos de idade, foram algumas fotos amareladas pelo tempo.

O que de certa forma é até natural. A vida de uma criança de dois anos de idade não tem muita coisa de interessante, principalmente nos anos 70. Não haviam decisões erradas, não havia arrependimento ainda.

Ainda não ia para a escola, ainda morava com meus pais, apesar de meu pai sumir de vez em quando e a situação familiar estava relativamente estabilizada.

Minha mãe, que é a memória que eu tenho desses dias, não conseguiu se recordar de nada em especial. Olhamos juntos as fotos, demos risada e simplesmente agradeci, pois períodos de relativa tranquilidade foram raros na minha vida.

O Ano 3 já foi um pouco mais interessante, mas essa história ainda estou remontando e só vai aparecer por aqui no mês que vem...

segunda-feira, 27 de abril de 2020

Eternidade

Faz falta um sorriso de graça.
Engraçado por natureza, divertido por escolha.
Livre para ser do jeito que tinha vontade, sem vaidade.
Inteligente por dom e por escolha.
Pois nem os maiores gênios conseguem nada sem esforço.
Exagerado na bondade e na ironia

Jamais deixaria de lado alguém necessitado.
Onde quer que fosse e em qualquer situação.
Rival ferrenho da injustiça e da maldade.
Gentil, mas duro e direto quando se fazia necessário.
Enorme no caráter e na verdade.

Parou em tempos difíceis e sombrios.
Infelizmente para quem não terá mais o seu apoio.
Não saberia desistir, ainda mais dos seus ideais.
Ilusão seria pensar que faria diferente

Bravura? Talvez até demais.
Uma doçura incompatível com sua postura.
Bastaria um simples olhar para uma transformação.
Invadiu corações e encheu muitos abraços.
Nunca deixando de lado o otimismo.
Incapaz de abrir mão dos seus sonhos.
Cansado ou não, estava sempre pronto.
Kamikaze? Talvez. Mas lembrem-se, eles foram heróis.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Será que você foi realmente iludido(a) ?

É bastante comum ouvirmos de alguém próximo, ou de nós mesmos a expressão "Fui iludido".

Será que isso é verdade?

Será que a pessoa que o iludiu é assim tão boa no quesito fingimento e hipocrisia? Ou será que foi você que se negou a enxergar as atitudes e até mesmo ouvir as palavras?

Muitas vezes, por razões inexplicáveis, nos vemos presos a pessoas que mais nos fazem mal do que bem, mas que quando analisamos friamente, normalmente após o fim de um relacionamento, não podemos acusar de terem sido desonestas, pois os sinais estavam lá o tempo todo.

Nós, na verdade, aceitamos muitas coisas que não deveríamos na tola esperança de que as coisas possam mudar e de forma ainda mais tola, que temos o poder de mudar outra pessoa. Não temos.

Pessoas mudam raramente e unicamente por vontade própria. E ainda bem que é assim, pois quem muda pelo outro, não tem vida própria.

A real pergunta deveria ser quase sempre "Porque me iludi tanto?" E com a pergunta certa é possível trabalhar para encontrar a resposta e o mais importante, aprender com o próprio erro para ter a inteligência de não errar mais.

Afinal, errar é humano, mas insistir no erro já é humano demais...

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Saudades

Saudade é um conceito abstrato. Cada um pode definir da maneira que melhor lhe cabe e entende.

Para muitos a saudade é uma coisa ruim, uma sensação estranha, Para outros pode ser usada como recordação de bons momentos que marcaram a vida, sorrisos, felicidades que por mais distante que tenham ficado, foram essenciais para a vida.

Tem gente que usa o termo "sentir falta" para igualar à saudade. Eu não. Eu sinto falta de muitas coisas, nesse período que passamos, também de muitas pessoas, mas sei que estas coisas eu posso ter de novo e as pessoas queridas vou rever, abraçar e ter ao meu lado em algum momento.

Sinto saudades de verdade das pessoas que se foram, do sorrisos que nunca mais vou ver, das conversas que tive, sinto saudades da minha ingenuidade, da minha esperança que de gigante hoje é pequenininha, dos meus problemas, que achava tão grandes e hoje percebo que não eram nada.

Sinto saudades dos abraços apertados, das lágrimas que derramava quando ainda acreditava que tudo poderia dar certo, sinto saudades até do arrependimento por não ter aproveitado mais o tempo que poderia ter passado ao lado das pessoas que hoje estão só na minha lembrança.

A saudade me ensina todo dia uma lição. Precisamos viver com consciência o nosso presente, aproveitar as pessoas que temos ao redor, destilar carinho, respeito e empatia com o próximo, pois o amanhã sempre será uma incógnita.

Vamos viver o hoje, para que possamos ter saudade apenas das coisas boas que fizemos e que passamos e para que não tenhamos que remoer o arrependimento de tudo o que devíamos fazer e não fizemos.

Boa Semana para todos nós, mesmo que precisemos sentir saudades...

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ano 1


Se você não leu o "primeiro capítulo", pode ver aqui: http://elsopini.blogspot.com/2020/03/eu-antes-de-mim-mesmo.html

A tenra infância, ou seja,  a vida dos bebês, por si só, na maioria dos casos é um período em que não acontecem muitas coisas, o que é um fato positivo.

Mas no meu caso, com a ausência da curiosidade até chegar nessa idade que eu tenho e já não é nada tenra, faz com que a tentativa de buscar recordações com as outras pessoas, seja ainda mais difícil.

A vida era difícil, meu pai apesar de ainda morar em casa, já não era muito presente e o dinheiro era muito curto.

Minha mãe, que é a contadora da minha história dessa fase, muito pouco se lembra, pois nada de significativo aconteceu e como a minha vida mudou radicalmente à partir dos 4 anos, quando passei a morar com a minha avó, as pessoas do convívio e do dia a dia da minha mãe e indiretamente meus da época de bebê, acabaram não fazendo mais parte da minha vida.

Não me lembro, por exemplo da minha primeira madrinha ( sim, fui batizado duas vezes ), exceto pela imagem em algumas fotos. O nome dela é Neusa e sei que foi uma boa amiga da minha mãe, com quem ela pôde contar nos momentos mais difíceis da vida.

Meus irmãos eram bem pequenos, e minha mãe precisava cuidar de nós 3, então foi um período em que passava grande parte do tempo em casa e quando precisava de ajuda, ou minha madrinha, ou outra amiga dela, chamada Irena, ficava com a gente. Mas minha memória da Irena, também se resume a poucas fotos.

 A recordação que tenho é a foto que está aí em cima, e que, segundo a minha mãe, foi tirada em um dia que um fotógrafo tocou a campainha para vender seu serviço. As coisas antigamente eram bem mais simples e mais seguras.


segunda-feira, 30 de março de 2020

Ainda nos resta o Amor

Esses dias escuros nos fazem acordar já com temor.
Pensando em quais notícias vamos escutar.
Ao ligar o aparelho, já falta o ar.
Até nos esquecemos que a vida tem o seu esplendor

Mas hoje precisamos tentar sentir o frescor.
Mesmo passando um momento tão peculiar.
Sem nunca os perigos subestimar.
Contudo também sem deixar de sentir o sabor.

Não esqueçamos que em breve os dias voltarão a ter cor.
Com alegria esses bons dias podemos vislumbrar.
E todo pessimismo, com força rechaçar.
Em nosso jardim será plantada a mais bela flor.

Porque nessa manhã, por empatia, sentimos dor.
E falta das pessoas queridas que não podemos abraçar.
Mas não deixemos a esperança acabar.
Afinal, mesmo que pouco, ainda nos resta o amor

segunda-feira, 23 de março de 2020

Ninguém Substitui um Amor Verdadeiro

Opiniões são variadas e devem ser respeitadas. E elas existem sobre todo e qualquer assunto.

E tendem a ser bem variadas, quando o assunto é algo abstrato. Abstrato como o Amor.

A minha opinião sobre o amor deve ser uma das mais diferentes que vocês conhecem. Mas não só tenho uma opinião diferente, como também faço uma divisão para o sentimento que chamamos de amor.

O Amor que existe no que chamamos de relacionamento, para mim, deve ser único. Portanto, para que eu tenha certeza de que amo ou amei alguém, preciso estar ciente de que daquele momento em diante, não haverá ninguém na minha vida que possa substituir a pessoa amada.

Já a parte mais sincera do amor, é aquele que chamamos de "Amor de Mãe", o amor da família.

E é sobre esse Amor que vou escrever hoje. O Amor de Mãe, mas também o amor para com as mães.

Sabemos que existem muitos filhos que por ingratidão ou qualquer outro motivo, sempre errado, em algum momento deixam de amar sua mãe, ou seus pais.

Normalmente o arrependimento destrói essa pessoa quando o tempo passa, a idade chega e os pais vão descansar no céu.

Já as Mães, mais que os Pais, tem um amor inexplicável, algo que parece ser interminável, infinito, sem tamanho e sem fim. Mesmo quando precisa punir, gritar, educar, o amor está lá presente, se manifestando de forma talvez equivocada, por existem mães que não tem o dom da palavra, mas transbordam o dom do amor.

Nesse momento alarmante pelo qual estamos passando em virtude do coronavírus, me lembro de como foi difícil perder de uma só vez, praticamente, dois dos três maiores amores da minha vida e talvez seja por isso que me sinto dominado pelo medo, mesmo fazendo tudo como pedem as autoridades e tomando todos os cuidados do mundo. Não é admissível para mim correr o risco de perder o único amor verdadeiro que ainda tenho comigo.

Porque ninguém, nunca, vai substituir o sentimento que tinha e nem o que ainda tenho. Ninguém substitui um amor verdadeiro...

segunda-feira, 16 de março de 2020

Novas Frases

Há alguns anos venho atualizando um post de 2011 chamado "Frases".
Só que o Posto ficou grande demais.
Então eu criei esse outro, apenas com as frases que criei e escrevi à partir de 2019, assim não ficam muitas para quem não tem paciência de ler um artigo grande.

"Todo fim é o começo... do próximo fim..."

"Apodere-se da sua vida e não precisará "dar a vida" para tê-la de volta!"


"Quem vive arrumando as lambanças do passado não pensa no futuro ao agir no presente."


"O tempo é o mesmo para todos, mas cada um tem seu próprio tempo..."

"Não procure a felicidade em outra vida, seja feliz com a sua!"


"Um casal feliz é aquele que não perde a essência da amizade e na amizade não existe cobrança."


"Entender a felicidade é poder curtir a vida sem a obrigação de agradar outras pessoas e sem atrapalhar nenhuma delas."


"Por vezes abrimos mão de buscar a felicidade, por medo de cair nas armadilhas da tristeza..."


"Faça o que quiser, mas não seja aquele chato que quer que os outros façam o que você faria."


"O tempo gasto cuidando da vida alheia é o tempo que se perde para cuidar melhor da sua própria vida..."


"Algumas vezes nos sentimos mais sozinhos no meio da multidão do que na companhia apenas do nosso espelho..."


"A Falta de empatia faz a dor do outro sempre parecer mais branda..."



segunda-feira, 9 de março de 2020

Eu, antes de mim mesmo

Muito sabemos sobre o nosso presente, passado recente e o que nossa memória nos traz vez ou outra.
E muitas pessoas sabem disso também, porque convivem conosco, fizeram parte do passado recente e vez ou outra ouviram nossas histórias.

Mas, muita coisa existiu antes de aparecermos no mundo e muita gente, e até nós mesmos, acabamos por não conhecer a história que permitiu a criação da nossa história.

E depois que você chega em um momento da vida, depois de muitos anos de batalhas, conquistas e perdas, pode perder um pouco a noção de tudo aquilo que aconteceu para que você pudesse chegar no ponto em que está. E se esse ponto é alto, a tendência da maioria das pessoas é achar que a vida te colocou ali sozinha, que foi fácil, que o passado é feito de histórias tão lindas como um conto de fadas. Mas nem sempre, ou quase nunca, é assim.

Escrevo por mim mesmo, que com 47 certamente já passei dos 50% de vida, consegui muitas coisas, mas ainda tenho muitos sonhos a serem realizados, mas eu quase não cheguei por aqui.

Sou o 4º filho de uma família de 3. Família essa desestruturada pela quase total ausência de um Pai, pois o meu não conseguia ter a capacidade, nem emocional e nem financeira de criar uma família, ainda mais com tantos filhos assim.

Quando minha Mãe engravidou do que seria o terceiro filho, minha avó, que foi uma das minhas mães na vida, que tanto me dispensou amor e que nos deixou com 91 anos, disse a minha mãe que ela deveria abortar a criança, pois afirmou que meus pais não teriam como sustentá-la. Sim, uma católica que publicamente jamais pregaria o aborto sugeriu que minha mãe o fizesse naturalmente. No ano de 1970 a receita era tomar Caracu com Ovo e Melhoral. Mas a receita não deu certo, e minha mãe resolveu assumir o risco e deixar meu quase irmão seguir em frente.

Talvez algumas rezas tenham funcionado e durante o sexto mês da gravidez uma complicação quase levou embora minha mãe, e levou embora o feto.

2 anos depois, nova gravidez e dessa vez minha mãe, talvez pelo medo que passou, nem cogitou interromper a gestação e depois de quase 9 meses, no dia 11 de Outubro, às 11:45 da manhã, eu cheguei nessa Terra, com menos de 3Kg, pequeno e essa mesma avó, que me criou posteriormente e com quem vivi até os 27 anos de idade, disse à minha mãe que eu não ia "vingar".

Ou seja, foram tantas possibilidades de não dar certo, que no fim deu e quem mais não me queria por perto, foi quem acabou ficando comigo por muito tempo.

Nem mesmo meu nome foi planejado. Nos idos dos anos 70, a maioria das mães descobria o sexo dos filhos apenas depois do nascimento e quando minha mãe descobriu que tinha nascido um menino, ela queria que se chamasse Bruno, mas quem me registrou foi o meu pai e me deu de presente o seu nome, com o Junior no Final.

Enfim, aqui estou eu e por isso sou muito grato a vida que tive, pois sei que por muito pouco poderia muito bem não ter pousado por aqui.

Depois escrevo um pouco mais sobre como foi a vida, depois de mim mesmo, mas ainda antes de saber quem eu seria.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Normal, mas muito estranho

Antigamente eu gostava bastante de escrever poemas, poesias, pequenos textos que pareciam sem sentido, mas sempre com muito sentido para mim. Escrevia menos artigos, menos opiniões e mais coisas com leveza, mesmo que em algumas houvesse um pouco de tristeza.

Esse ano resolvi que vou voltar a escrever sem ter necessariamente que ser sobre alguma coisa específica, pelo menos em algumas semanas e hoje começo com esse aqui, que acabei de "inventar".

Normal, mas muito estranho

Como é bom sentar no silêncio da noite escura e olhar o céu, contemplar os planetas, ver a Terra girando devagarzinho ao longe.

Fico imaginando se há vida por lá. Se existem seres que habitam o que chamamos aqui de baixo de Planeta Azul, pois ele não é só maior que o nosso, apesar de menor do que Júpiter, mas também parece ser bem mais bonito que todos os outros que conseguimos enxergar por aqui.

Mas por dentro tenho a certeza de que se lá existem habitantes, tratam muito bem seu planeta, devem cuidar dos rios, plantas, e se houver mais de uma espécie, devem viver em harmonia entre si, dividindo os espaços com harmonia e paz.

Não que eu vá reclamar de Marte, mas aqui tem muita poeira e o Sol fica mais distante. A água e os alimentos são apenas suficientes, certamente diferente da Terra, onde deve haver abundância para todos, lá não deve existir fome e nem sede.

Além disso, devem ser muito inteligentes, tenho quase certeza que essas naves espaciais que o tempo todo sobrevoam por aqui vem de lá. Diferente desses robozinhos em forma de carrinho que deve ser coisa dos atrasados de Júpiter.

Ouvimos cometários maldosos aqui, dizendo que em Júpiter algumas crianças não tem escola, portanto são muito mal educadas e até uma coisa impensável que batizaram de Ladrões! Duvido que na Terra exista algo assim. Lá eles devem ter líderes honestos e sábios. Imagine se por lá haverá malucos que dizem que os anéis de Saturno são na verdade quadrados, porque Saturno é plano, nunca!

Não, na Terra as coisas devem sem perfeitas, bem diferentes do que são aqui. Por isso toda noite gosto de ficar aqui em silêncio, olhando para ela e imaginando se um dia poderei estar lá, compartilhando a felicidade junto com seus habitantes. Ah, que sonho bom...


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Ninguém sabe onde aperta o calo dos outros

Volto aqui a falar sobre julgamentos. E hoje sobre pessoas que costumam querer julgar a dor ou o sofrimento alheio, comentar as dificuldades financeiras ou o comportamento de pessoas que não as dizem respeito.

Apenas sabemos onde "aperta o nosso calo", o que sentimos, a intensidade que sentimos.

Quem tenta se colocar no lugar dos outros por empatia, não julga, não comenta, não se intromete, e sim escuta e tenta entender a situação daquele amigo ou parente, e procura ajudar e não apenas expor ou tentar minimizar o que o outro sente.

Muitas pessoas ao invés de de ter compaixão, tentam criar um "concurso de desgraças", fazendo sempre afirmações nas quais se coloca em uma situação pior do que quem conta a história. Alguém sofrendo conta que quebrou um dedo, aí, em vez de confortar, vem o competidor dizendo " Isso não foi nada, já quebrei os dez dedos de uma vez!", como se isso fosse uma vitória um caso de sucesso.

Não sejam essas pessoas, não tentem minimizar o sofrimento dos outros, dizendo que você sofreu mais. Cada um sente as coisas de forma particular, cada pessoa tem sua maneira de lidar com o luto, com a dor física e emocional, com as frustrações.

Seja empático, não duvide, não diga que é besteira, não chame os outros de fracos, ajude, ou apenas cale-se.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Quem educa os filhos de quem não pode cuidar deles?

Cada vez se torna mais comum, seja pela vontade, seja pela necessidade, que os pais não consigam estar próximos dos seus filhos pequenos.

Normalmente pai e mãe trabalham, ou em alguns casos, mesmo que apenas um dos dois trabalhe, o outro tem atividades particulares que acabam demandando tempo e a consequente distância das crianças.

Crianças essas que acabam indo para creches, deixadas com vizinhos ou avós, ou ainda ficam com as babas, no caso de famílias com essa possibilidade.

Por vezes os pais só vão ver seus filhos de noite ou pela manhã e conheço casos em que a necessidade faz um dos genitores ver sua cria apenas aos fins de semana, pois na esperança de poder prover a ela uma vida melhor, se sacrifica fazendo jornadas de trabalho que os obrigam a sair de casa muito cedo, com a criança ainda dormindo e a voltar para casa já depois do horário que a criança foi para a cama.

A pergunta importante aqui é realmente quem educa essas crianças, quais traços de personalidade estão sendo injetados nos pequenos, nas fases mais importantes para a formação dele como indivíduo?

Não importa quem o filho chama de pai ou mãe e sim quem ele conhece como a pessoa que o protege, que o alimenta, que o distrai, isso sempre pensando nas cuidadoras boas, que não agridem, maltratam ou deixam de lado a criança, preocupadas apenas com o salário no final do mês.

É muito comum ouvirmos de pais a expressão " Não sei onde ele aprendeu isso". Oras, se não pode estar com ele, não saberá mesmo.

Depois que as crianças entram na escola, muitos pais querem que as professoras, ou até mesmo a própria instituição sejam os responsáveis pela educação dos filhos, quando na verdade na escola os alunos devem aprender, além da alfabetização e demais matérias, apenas o conceito de amizade. O respeito e a educação, o senso de bondade e igualdade, devem vir de casa.

Mas como virá de casa se na casa não há ninguém para educar as nossas crianças.

Caso seja possível um esforço, um aperto, abrir mão de algumas coisas, pelo menos um dos pais deve ficar mais tempo com as crianças pequenas. Passar aos poucos seus valores e ensinamentos, efetivamente educar, para depois não se surpreender e dizer " Não foi assim que eu eduquei meus filhos".

Boa Semana!

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Quanto custa o dinheiro que você ganha?

Praticamente tudo na vida tem um preço, um valor.

Algumas coisas pagamos por obrigação, outras gostaríamos de pagar mas não sobra dinheiro, e até existem aquelas que pagamos com prazer.

Até o dinheiro que ganhamos tem um custo, um valor que por muitas vezes não é atribuído e nem nos damos conta, mas que por vezes é mais caro do que ele realmente vale.

A condição que temos em nosso país há muito tempo não permite ao trabalhador normal a possibilidade de avaliar o preço do seu esforço, pois em grande parte dos casos, ele não tem escolha. A procura é muito maior que a demanda e boa parte dos empresários, mais interessados em si mesmos no que nas pessoas que possibilitaram a eles terem o que tem, não se envergonham em pagar sempre o mínimo possível, para ficar cada vez com mais.

Mas, hipoteticamente, se fosse possível medir, será que o dinheiro que você ganha vale mais do que ele custa?

Será que o suor que se derrama, os riscos que cada um de nós corre só por sair de casa, os engarrafamentos, as enchentes ou o calor escaldante compensam o que vem no holerite no começo do mês.

Quantos casos presenciamos de pessoas que pagaram com a própria vida pelo dinheiro que ganharam, infartando pela pressão e estresse do trabalho, ou entrando em depressão por trabalhar demais e não conseguir viver fora do trabalho, perdendo a família, a vida social e etc.

Em países como o Japão, muitos suicídios são cometidos por diretores e pessoas com outros bons cargos que são demitidos e perdem o rumo da vida.

No meio de tantas preocupações, boletos, contas, desejos de viagens e consumo, pare um pouco, respire e pense no valor que dá hoje à sua vida, comparado com o valor que coloca nos bens materiais, nas fotos que tira, na vida que quer pensar ou passar para os outros que tem.

O bem mais precioso que temos, recebemos de graça e acabamos gastando demais para cuidar da saúde do que ganhamos para aproveitar a vida.

Carpe Diem!

Boa semana!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Ser Antissocial

Antissocial é considerado todo aquele que não se adapta no meio em que vive, prefere por muitas vezes ficar sozinho do que rodeado por pessoas ou quem é contrário às coisas do ambiente em que convive.

Diferente do Loner, sobre o qual escrevi há duas semanas, o antissocial por muitas vezes não apenas prefere estar sozinho, mas não tem ferramentas internas disponíveis para não ser assim.

Fazendo um paralelo, enquanto o Loner consegue conviver muito bem ao lado das pessoas que escolhe, o antissocial pode ter vontade de se encaixar em algum grupo, mas não consegue.

Nos dias de hoje é bastante comum que o antissocial sofra bullyng por sua forma de se expressar, muitas vezes através da forma de se vestir, de sua postura solitária, por não tirar o fone dos ouvidos, entre outras coisas. Isso pode aumentar ainda mais o problema do indivíduo e faz com que ele se torne ainda mais solitário e se houver alguma patologia mental envolvida, seu caso se agrava.

O antissocial não se encaixa nos padrões, não procura e nem consegue mudar seu comportamento e em muitas ocasiões vai precisar de ajuda para ter uma vida social futura, mesmo que mínima.

Assim como com qualquer outra pessoa, não devemos e nem podemos julgar alguém que achamos ser antissocial, pois não sabemos o que o levou a ser assim, além de certamente não existir a certeza sobre a definição correta do termo.

Deixemos em paz as pessoas para que cada um escolha ser da forma que melhor lhe convir e aconselhando diretamente a quem imaginamos que precise de nossa ajuda.

Boa Semana!




segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Pessoas matam outras pessoas... Todos os dias.

Semana passada publiquei na minha página pessoal do facebook uma frase na qual disse que enquanto houver preconceito e precisarmos nomear grupos, tais como "ricos", "pobres", "brancos", "negros" e todos os demais, não conseguiríamos nos considerar apenas pessoas.

Alguns dos comentários que recebi mostram como é importante reconstruir esse país do "zero" e começando dessa vez da forma correta, pela educação.

Debates políticos invadem qualquer tipo de publicação, e quando 'desenhamos" sobre a ausência de qualquer conotação política, eles ainda rebatem e querem que você mude a sua própria interpretação do que você mesmo escreveu.

Essas e tantas outras pessoas são as que mais me assustam e me preocupam. São as que dizem que armas não matam, que machismo e feminicídio não existem e comparam um assassinato cometido por uma mulher contra um homem, com os ataques sofridos pelas mulheres que acontecem a cada minuto.

Pois sim, armas matam e não adianta usar o argumento estúpido que nenhuma arma dispara sozinha, pois até isso elas fazem. Mas nas mãos de alguém que se acha superior, que não aceita contestação em suas opiniões, que acha o fim de um relacionamento desrespeito e que por isso a mulher tem que escolher entre viver ou ficar amarrada a um relacionamento infeliz, as armas matam e muito, todos os dias.

Os odiosos programas de sensacionalismo mostram isso todo dia e vão continuar, pois a desgraça da audiência. Muitas pessoas são como urubus em busca de carniça, querendo sempre ver a desgraça alheia, as lágrimas nos olhos das pessoas humildes que naquelas situações nem sabem direito o que está acontecendo.

Pessoas matam pessoas, com armas ainda mais. Matam por ciúme, insegurança, por dinheiro, por divergência política, por torcer para um time de futebol diferente. Para roubar um relógio ou um telefone celular, matam por matar. Matam porque não há punição, matam porque depois de um tempo podem matar de novo, ou porque encontram Deus e recebem perdão. Matam porque não há justiça.

Fundamentalmente, matam, porque a vida humana perdeu o valor há muito tempo...

Mais educação, menos armas, menos violência e mais compreensão.

Boa Semana!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Loners

Há um tempo atrás recebi um link para uma reportagem que mudou a minha perspectiva sobre mim mesmo, pois mesmo estando no ramo da psicologia e mesmo tendo convivido comigo a vida toda, nunca tinha encontrado uma palavra que me definisse tão bem.Descobri que sou um Loner.

E que não estou sozinho no mundo, existem muitas pessoas com características muito semelhantes as que tenho,

Os Loners são pessoas com amor próprio acima de tudo, tem personalidade reclusa e evitam voluntariamente, conscientemente e sempre que possível a vida social.

Por terem essa personalidade, os loners vivem em paz consigo mesmos e com seus pensamentos, evitando assim a proximidade do drama das outras pessoas. Por vezes chamados de lobos solitários, os loners tem normalmente tudo o que precisam para viver bem consigo mesmos e isso significa muito mais do que a maioria das pessoas que precisam de outras para se sentirem bem,

E muito diferente do que vocês podem pensar, os loners não são solitários, não precisam estar solteiros e nem são necessariamente tímidos ou fechados. Apenas escolhem passar a maior parte do tempo em paz e consigo mesmo.

Existem 6 características principais, presentes nos loners.

A primeira é o ódio pelo drama. Um loner não tem tempo e nem paciência para os dramas da humanidade. Não conseguem conversar com pessoas irracionais, cheias de dúvidas em relação ao mundo e a si mesmas. Por isso normalmente se dão muito bem com outras pessoas que preferem a vida solitária àquelas que tentam ter muitas pessoas ao redor. Esse ódio pelo drama que o afasta de lugares com muita gente, o que não o torna anti-social e sim um bom ouvinte para conversas genuínas e produtivas, profundas e com objetivos.

Outra, mas não menos importante, a valorização do tempo. Do seu tempo e das outras pessoas. Os loners são pontuais, eficientes e detestam desperdícios. Em virtude disso, são ótimos para fazer o gerenciamento do seu próprio tempo. Isso os torna confiáveis, faz com que os outros o respeitem, com que possam exercer cargos gerenciais, pois eles cuidam também do tempo das demais pessoas.

Terceiro ponto, os loners são altamente conscientes. Por passar muito tempo apenas consigo mesmos, os loners conhecem bem os seus defeitos, suas qualidades, sabem exatamente o que gostam e o que não gostam, portanto o que vão fazer e o que não vão, independente da vontade alheia.
A autoconsciência propicia a ele calma nos momentos mais tensos e enquanto a maioria das pessoas se desespera com o problema, ele busca ativamente a solução.

Limites são outro fator predominante nos loners. Se alguém tenta entrar no seu mundo particular sem consentimento, eles se sentem desconfortáveis. Consideram invasão perguntas e conselhos não solicitados e preferem o silêncio para resolver sozinhos os seus problemas. O oposto é exatamente igual, Um loner não vai invadir o espaço das outras pessoas, não chegará perto sem ser convidado, não vai perguntar e nem opinar se não for necessário. Isso reafirma ainda mais o respeito que as pessoas tem por eles, pois sabem que o loner é um companheiro que sabe os seus limites.

Mas o que diferencia positivamente os loners são a empatia e a intuição. Orientados por sua intuição, eles são sensíveis a energia positiva que recebem de outras pessoas. São conscientes de suas palavras e atitudes, pois tem muito tempo para pensar, facilitando suas atitudes. A empatia faz com que eles sejam gentis e boas pessoa para lidar com a emoção dos outros. Conseguem ver o mundo com os olhos das outras pessoas, não julgando e nem entrando em fofocas.

Por fim e talvez o mais importante, os loner se amam. Aceitar a si mesmo é o ponto alto da autoconsciência. E aceitar é amar. Não é possível viver em paz se você não ama a si mesmo.
E como vivem isolados, as poucas pessoas que ele permite fazer parte de sua vida, tem um significado muito importante para eles. Se um loner o aceita, saiba que você faz parte de um grupo privilegiado de pessoas.

E aí, quantas dessas características vocês têm?

Boa Semana!








segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O verdadeiro deficiente é aquele que não enxerga em si mesmo deficiência nenhuma

Tempos atrás escrevi aqui sobre respeito, mais precisamente sobre a falta de respeito em que vivemos nos dias atuais.

Além da falta de respeito, muitos humanos também não têm empatia e não conseguem enxergar a dor e o sofrimento das pessoas que vivem fora da sua bolha.

Um dos grandes exemplos disso é a falta de consideração com pessoas com deficiência, com dificuldades de locomoção ou de entendimento.

E conseguimos ver esses exemplos desde as coisas mais simples, como usar vagas especiais em estacionamentos sem nenhuma vergonha, até o desrespeito com crianças portadoras de algum tipo de deficiência cognitiva.

Ao mesmo tempo, é reconfortante perceber que muitas das pessoas chamadas de deficientes são muito mais produtivas, proativas e, fundamentalmente, muito mais felizes do que os chamados perfeitos. Vemos atletas que competem com garra e determinação, que não enxergam defeitos em si mesmos, mas diferenças. Pessoas que não se entregaram, não abriram mão e não desistiram do dom de viver.

Além disso, em pessoas com autismo, síndrome de Down e algumas outras características, encontramos muito mais pureza, mais inocência, mais honestidade e, principalmente, mais amor.

Os defeitos que são vistos pelos olhos são muito menores do que os defeitos incorrigíveis de quem não vê nada de errado no espelho, mas carrega todos os defeitos do mundo na mente, no coração, no seu interior.

Boa semana e até a próxima.




segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Respeito

Para o primeiro artigo de 2020, nada melhor do que debater sobre o Respeito.

Palavrinha tão simples, tão propagada, mas ao mesmo tempo tão ignorada pela maioria das pessoas.

Pessoas que pedem respeito, mas não respeitam aos outros estão se proliferando, ou apenas ganhando voz e sempre foram assim, mas não sabíamos.

Nos meus 47 anos nunca vivi nada parecido com isso. Opinião virou ofensa e até mesmo mentira. Se o que falamos não é aquilo que querem escutar, viramos quase inimigos e hoje se faz guerra por qualquer coisa. Antes ouvia os mais velhos dizendo que Política, Religião e Futebol não se discutia. Hoje podemos incluir nessa lista tipo de comida, horário de verão, esportes em geral, predileção por profissionais de qualquer área e até youtubers!

Divergências de opinião sempre existiram e sempre vão existir e são essa diferenças que criam novas perspectivas, ensinamentos e evolução. Se não houvessem os "diferentes", ainda estaríamos muito longe do estágio atual, assim como se não houvessem conservadores, provavelmente teríamos passado do ponto.

Pessoas andam formando exércitos para defender pessoas que nunca nem viram, conhecem ou sabem realmente se o que dizem praticam, tudo em nome de uma pretensa resposta ou curtida de algum ilustre desconhecido famoso. Existem os defensores de políticos, que apoiam toda e qualquer besteira que seus "candidatos" fazem, talvez pela vergonha de ter se exposto tanto. E acabam se contradizendo de forma vexatória quando tentam defender o mesmo que atacavam, porque foi feito pelo seu ídolo.

Enfim, vivemos tempos estranhos, onde o respeito quase não existe, onde encontrar alguém com educação para se levantar e ajudar um idoso é cada vez mais raro, assim como respeitar um professor ou até mesmo seus pais.

Nessas horas que eu penso e repenso que não há solução rápida para a nossa sociedade e que, ao contrário, a tendência é piorar. Mais assassinatos por brigas de trânsito, entre condôminos, por falta de aceitação de um simples fim de relacionamento.

O ideal seria dar um "reset" na humanidade, porque para filtrar aqueles de coração realmente bom, seria difícil demais.

Mas, como essa solução parece distante, tentemos fazer a nossa parte, nos afastando de discussões idiotas, ignorando aqueles que se acham os donos da verdade e sempre respeitando as diversidades.

Feliz 2020! 




Síndrome de Stendhal

A Síndrome de Stendhal é uma condição psicológica rara, mas fascinante, caracterizada por uma reação emocional intensa e quase avassaladora ...